Punta del Este. A Vilamoura! (Uruguai)

Saímos de Cabo Polónio em direção a Punta del Este de autocarro. Utilizámos a mesma companhia da viagem anterior, mas desta vez tivemos direito a uma espécie de lanche – água/sprite e um alfajor. A viagem dura mais de duas horas porque vai parando em vários locais, fugindo também um pouco da costa em certas alturas. Por motivos que já vamos explicar não ficámos hospedados no centro de Punta del Este, mas sim em Punta Ballena, entre duas lagoas (del Sauce e del Diario). Nesta zona existem vários condomínios com aparência de hotéis de luxo. Tivemos a sorte de o autocarro seguir caminho na nossa direção, portanto foi só continuar a viagem e pagar 56 pesos adicionais.

Punta del Este é uma zona de praia cosmopolita, muito frequentada e desenvolvida para agradar a uma classe alta e turistas de cruzeiros que por lá atracam. Fez-nos lembrar Vilamoura, com a sua marina, edifícios altos e muitos condomínios. Talvez ponha o Algarve num chinelo, mas mesmo assim achámos muito semelhante.
Comparar Cabo Polónio com Punta del Este é como preto e branco – saímos da natureza em estado puro para a alta civilização. Para terem uma noção, as free walking tours centram-se nas ruas de comércio e tax free. É como se a Avenida da Liberdade fosse junto à praia. As grandes marcas estão lá todas: Valentino, Versace, Ralph Lauren, Carolina Herrera, Carmen Steffens, DKNY, etc. Fazem publicidade nas lojas ao tax free, promoções 2×1 e descontos de 20% em certos dias da semana se pagar com determinado cartão.

Dica para Portugal: sempre que se paga com cartão estrangeiro o IVA é automaticamente descontado (no talão aparece o desconto de cerca de 18% e identifica a lei). Punta del Este aparenta tudo fazer para atrair estrangeiros que gostam de pagar menos impostos, até vimos uma Trump Tower em construção.  Por curiosidade, espreitámos o preço de casas e apartamentos e, ao contrário do que estávamos à espera, até são mais baratos que os de Portugal.

O que fazer?
É obrigatória a típica fotografia com a escultura dos dedos na praia. É de Mario Iarrazabal e chama-se “la mano en la arena”. Passa a ideia de uma mão a surgir de dentro da areia, vendo-se apenas os dedos. Apesar de não ser nada de extraordinário, é o ícone de Punta del Este e está sempre apinhada de turistas a tirar selfies.

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Na nossa opinião, passear pela cidade é atividade mais interessante em Punta del Este. Podem passear pela beira-mar ou pelas ruas mais interiores. De uma forma ou outra, vão sempre ver condomínios de luxo, com halls de entrada e divisões privadas muito bem decoradas, possíveis de ver pelos envidraçados voltados para a praia. Além de muito dinheiro há também bom gosto.

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A zona mais antiga da cidade, e talvez mais humilde, é visível ao chegar ao farol e antiga igreja. As casas são mais pequenas e a arquitetura não é tão contemporânea e é mais comedida. O sistema de anunciar a disponibilidade de aluguer é a típica placa que também vemos nas nossas zonas costeiras, como no Algarve ou Nazaré.

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Há um museu “Paseo de Neruda” que anuncia espetáculos, tertúlias e exposições, aberto apenas das 18h às 21h. A marina é próxima do farol, na margem oposta à praia “dos dedos”. Tem um passeio dos pescadores onde se encontram pequenas lojas onde vendem peixe e passeios turísticos até à ilha dos lobos ou praias (caros na nossa opinião). O peixe tem bom aspeto e é vendido já preparado. Ficámos com vontade de sushi ou ceviche! Na marina, com alguma sorte, podem ver leões marinhos nos passadiços ou rampas dos barcos. Nós vimos dois, um até bastante perto. É um animal engraçado, tão gracioso a nadar quanto trapalhão em terra. Não incomodam mas também não querem ser incomodados.

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Num dia quente como o que escolhemos para passear por Punta del Este sabe bem uma bebida refrescante, mas a cidade é cara, logo optámos por um sítio que se enquadra sempre no nosso orçamento de viagem – o McDonald’s. É uma boa opção por vários motivos:
1) existe virtualmente em todo o lado;
2) Wi-Fi grátis;
3) ementa que conhecemos;
4) mesmo quando é caro é mais barato que tudo o resto, salvo algumas exceções
5) tem ótimas promoções diárias, tipo 2×1 (apesar de chorados pelo Tiago, os pesos que gastámos nos frappés de morango e laranja foram muito bem gastos)

Sabemos que a cidade é muito animada à noite, mas quisemos voltar à praia do hostel em Punta Ballena, porque é das poucas onde o sol se põe na água (como no nosso Portugal). Não foi um pôr-do-sol lindo de morrer porque havia nuvens a cobrir o momento, mas não deixa de ser bonito. Soubemos deste pôr-do-sol por um casal argentino que ajudámos a encontrar o autocarro certo, já reformado, extremamente simpático. Temos tido sorte com as pessoas, ou então o mundo é um lugar melhor do que se julga. Felizmente, apesar de nos tentarem vender o contrário, ainda é um lugar cheio de pessoas boas que gostam de ajudar os outros, pelo menos em coisas simples. Falámos com este casal de vários assuntos: da nossa viagem, de Buenos Aires (eles chamaram-lhe Paris da américa latina), dos problemas políticos da Argentina (no quais nos revemos), de futebol, dos jogadores sul-americanos em Portugal (os argentinos têm muito orgulho nos seus jogadores).

No cabo de Punta Ballena, com o mesmo nome, é possível observar baleias a partir de agosto até novembro (azar o nosso no timing). Mesmo sem as baleias, vale a pena lá passar. Fomos de bicicleta, e apesar da distância não ser longa a partir do hostel, cerca de 9km ida e volta, as bicicletas não ajudaram, com os pneus vazios e sem mudanças para auxiliar nas subidas. No cabo existe a Casapueblo, um conjunto de edifícios projetados pelo artista plástico uruguaio Carlos Páez Vilaró, que tendo sido também a sua residência, neste momento aloja um hotel e museu/galeria muito visitados. Tem uma arquitetura peculiar, relembrando-nos as construções algarvias de influência árabe.

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Onde dormir?
Não estando numa viagem que se enquadre no orçamento dos turistas que se passeiam pelas ruas de Punta del Este, é claro que não conseguimos ficar hospedados no centro, e fomos parar aos arredores. Numa estrada nacional, junto à costa, depois de Punta Ballena, encontram o Andorina Hostel. Nesta altura só tem dormitórios de 8 ou 12 camas, mas o dono planeia fazer obras de ampliação para ter quartos privados com WC partilhado. O espaço é agradável, limpo, bem frequentado, organizado e de influência nórdica. Apesar do dono ser uruguaio, vive parte do ano numa cidade do norte da Noruega. O hostel tem um bar que funciona até às 2 da manhã e o seu gosto musical encheu-nos as medidas, não se resumindo à música latina. Tem bicicletas que se podem utilizar gratuitamente e uma vez por semana é servido um churrasco aos hóspedes. A menos de 10 minutos de caminhada encontram uma lavandaria, um supermercado, vários restaurantes e a praia. Tem paragem de autocarro em frente, de onde se consegue ir para Punta del Este (43 pesos/percurso/cada), Pan de Azucar, ou destinos mais longos da companhia COT, como Montevideo (244 pesos/cada). Também tem um quiosque de venda de bilhetes da COT junto ao hostel. Fomos os primeiros hóspedes portugueses, o que faz sentido, uma vez que o Uruguai não é um destino facilmente popular para europeus: longe, sem voos diretos, relativamente caro e sem algo verdadeiramente extraordinário.

Onde comer?
Junto ao hostel há vários restaurantes, mas nós destacamos o Mandalla Pizza. A proprietária é a mãe do dono do hostel, o que dá direito a 10% de desconto para hóspedes do hostel, se pagarem em numerário. Mais à frente, já junto ao supermercado, encontram o El Carro, um restaurante “especializado” em chivitos (bitoques) que é do pai do dono do hostel, logo têm também direito ao desconto. Nós fomos ao Mandalla e, apesar de caro para o nosso orçamento, não nos arrependemos! Chegámos com a recomendação de qualquer pizza ou massa fresca, feita no restaurante, ou o prato mais caro, salmão servido com talharins frescos com vegetais e molho de limão e natas (prato que trouxeram da Noruega). Ficámos pelas massas e saímos de lá felizes! O Tiago comeu raviolis caprese com molho de manjericão, nozes e roquefort e a Raquel os gnocchis do Buddha Kiss (outro restaurante) recheados com rúcula, queijo e caramelo. Para acompanhar um molho quatro queijos que, por ser forte, combinava bem com o doce do caramelo. E, meus senhores, que sonho de refeição! Competem com uma massa recheada com trufas que comemos na Croácia. No restaurante servem um couvert, não cobrado, de pão e manteiga de alho, muito boa.
O resto do tempo cozinhámos. Mesmo quando saímos do hostel, como no dia em fomos a Punta del Este, levámos comida. Os nossos pequenos-almoços foram pudim de chia com fruta e iogurte, meia de leite de amêndoa e ovos mexidos. As refeições cozinhadas foram variadas e ficam reservadas para a publicação sobre o que se come e bebe aqui.

Vale a pena?
Se estão/vão ao Uruguai vale a pena. É uma zona cara mas conseguem sempre controlar gastos se se afastarem do centro e cozinharem. As pessoas são simpáticas, prestáveis e não se vão sentir deslocados. Contaram-nos de um amigo uruguaio que foi a Portugal e disse que lhe fazia lembrar o Uruguai e realmente faz sentido, a nós também faz lembrar Portugal. Agradável, com praia, povo acolhedor e simpático. Sentimos-nos tão seguros quanto em Portugal, por exemplo, a zona do hostel tem vivendas com grandes jardins sem muros ou cercas. Mesmo na lagoa ou no centro da cidade os condomínios aparentemente não têm sistemas de segurança, contrariamente ao que vimos em São Paulo, com as suas portas duplas, com um corredor de segurança para entrar. Na praia, as crianças andam sozinhas, afastadas dos pais, o que até nos causou alguma estranheza. Argentina e Uruguai serão dos países da América latina onde o português calado facilmente passa como local porque não existem traços característicos nas pessoas. À medida que nos formos aproximando da costa do pacífico temos a certeza que isto se vai perder.

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