Colónia del Sacramento (Uruguai)

Quando o mundo falava portunhol

Tínhamos algumas expetativas em relação a Colónia do Sacramento. Afinal, foi fundada por portugueses, e toda a gente diz que isso está bem vincado no aspeto da cidade. Tínhamos visto imagens em blogs e em páginas doutros viajantes e sabíamos que havia marcas identificáveis.

Sair de Montevideo para Colónia foi fácil. Primeiro, para sair do centro e chegar ao Terminal Tres Cruces, apanhámos um autocarro na Avenida 18 de Julho. O preço depende de qual se apanha. Os que têm só números, tipo o 188, custam 30 pesos, os que têm como destino apenas Três Cruces, por exemplo o C01, custam 22 pesos. Chegando ao terminal, há vários autocarros para Colónia, o bilhete custa 339 pesos e a viagem demora 2,5 horas. Se não quiserem correr o risco de ter de esperar um pouco convém comprar antecipadamente. O terminal é recente e tem um shopping no piso superior, por isso pode ser interessante para fazer compras.

Chegando a Colónia, logo percebemos que era uma cidade completamente voltada ao turismo, quase exclusivamente na zona velha, de uma forma bastante inteligente. O terminal rodoviário e o fluvial são a uma caminhada do centro, onde estão a maioria das opções de alojamento. Tem ferry direto para Buenos Aires, numa posição privilegiada para cruzar o imenso estuário do Rio de la Plata. Desta forma, são “apenas” 50km entre as duas cidades, enquanto por estrada são mais de 450km, e sendo tão perto de Montevideo, torna-se uma paragem quase obrigatória, daí termos visto muitos turistas brasileiros e argentinos. Algumas estruturas do período em que estiveram sob domínio de Portugal estão em ruínas, principalmente o Palácio de Governantes, que foi desmantelado para levar o seu acervo para Buenos Aires. O município aproveitou as ruínas e fez uma praça centrada nelas.

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Ao domingo a cidade ganha vida, com as ruas na zona velha repletas de turistas, muitos de excursões em autocarros. Os restaurantes da zona central estão cheios e as lojas de souvenires estão abertas para captar turistas. Apesar de estarmos a falar de uma cidade à beira rio, tal como em Rosário, as pessoas usam-no como praias fluviais. Centenas de pessoas “mergulharam” (não é bem mergulhar porque o rio não tem profundidade para isso nos primeiros cem metros da margem) nas águas para se refrescarem do calor que se sentiu no fim de semana de Carnaval. A praia mais frequentada fica mais afastada do centro e próxima à zona de desenvolvimento da cidade, a caminho da praça de touros. Apesar de ter sido construída numa altura em que a legislação o permitia, logo a seguir (dois anos depois) foi criada uma lei contra as touradas e a praça deixou de ter o seu propósito, encontrando-se neste momento em ruínas.

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O que visitar
O farol (25 pesos) é o ponto mais alto da zona velha, permitindo uma observação panorâmica da cidade. Vale a pena caminhar na rambla junto ao rio. Há vários museus que custam 50 pesos (museu indígena, espanhol, português, municipal), e um aquário. Não fomos a nenhum porque optámos sempre por andar a pé pela cidade a conhecer as ruas.

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Onde comer e compras?
Em toda a zona velha há restauração e lojas. Tudo tem um ar extremamente cuidado, mesmo quando são de decoração rústica.

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Transporte na cidade
Há autocarros, mas assim que se sai do terminal em direção à zona velha começam-se a ver lojas de aluguer de bicicletas e carrinhos de golf, de 4 a 6 lugares. Nós preferimos caminhar.

Vale a pena?
Não vale sempre a pena ver até onde já foi Portugal e onde chegaram os portugueses? É uma cidade pequena com uma zona velha de casas baixas, pequenas, humildes, algumas degradadas, mas que permitem imaginar o que já foi um dia. Vale a pena sair de Montevideo e escolher ir para Buenos Aires por Colónia. A marca portuguesa encontra-se presente em muito mais do que a placa que diz “Calle de Portugal” e do que o museu. Encontra-se nos azulejos, na cruz dos descobrimentos, nas ruínas que ficaram, nas árvores de flor, na disposição das ruas. É uma cidade aconchegante, segura, calma, mas também movimentada pelo turismo.

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