Buenos Aires

Lembram-se do casal simpático de Punta del Este de que vos falamos aqui? Que nos descreveu Buenos Aires como a Paris da América Latina, sem a Torre Eiffel mas com o Obelisco? Agora que lá estivemos, até achamos uma boa descrição.

Um pouco de história
Quando os espanhóis chegaram à Argentina tinham expetativa de encontrar metais preciosos e chamaram-lhe terra de prata. Não acharam nada, nem sequer civilizações antigas, como no Peru ou México, apenas pasto e gado.
Em 1808, quando Napoleão Bonaparte invadiu Espanha e o rei desapareceu, as forças políticas argentinas não se queriam vergar aos franceses e começou a surgir a vontade de serem independentes. Entretanto, o rei espanhol regressa e decide enviar tropas para mostrar à Argentina que continuam sob domínio espanhol. Em 1816, a Argentina torna a declarar a independência e, em 1817, o General San Martin, considerado o “Pai da Pátria”, ganha diversas batalhas importantes, conseguindo a independência da Argentina, Chile e Peru.

No pós-independência, quando a aristocracia argentina, de origem espanhola e francesa, quis atrair imigrantes, percebeu que nada tinham de especial para oferecer. A Argentina era muito recente e não tinham edificações que mostrassem quão importantes eram as suas famílias como descendentes dos responsáveis pela independência da Argentina. Começaram então a construir grandes palacetes de influência francesa que remetiam para a arquitetura clássica, construindo-se, entre outros edifícios emblemáticos, o maior teatro da américa latina, o Teatro Colón. Com esta e outras medidas conseguiram atrair trabalhadores italianos em busca de uma vida melhor, que acabaram por só conseguir trabalho no porto, onde se fixaram, na zona de La Boca, e que hoje em dia é visita obrigatória para turistas, mas já cá voltamos.

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A última guerra Argentina foi muito recente, em 1982, pelas ilhas Malvinas, as inglesas Falkland. Antes da construção do canal do Panamá, o canal Beagle, a sul, entre a Argentina e Chile, era o trajeto mais rápido para cruzar o continente por mar, e os ingleses acharam importante manter as Falkland, que fica numa região próxima. Os argentinos, numa decisão política, decidiram em 1982 declarar as ilhas como suas. Em resposta, a Inglaterra enviou as suas tropas, tendo morrido centenas de jovens argentinos, sem qualquer experiência militar anterior, numa guerra que os argentinos também consideram sem sentido, incluindo mesmo os habitantes da ilha, que declararam em referendo querer continuar sob domínio britânico. Existem vários monumentos e memoriais espalhados pelo país sobre esta guerra, estando o de Buenos Aires, ironicamente, mesmo em frente a um edifício muito semelhante à torre do Big Ben, oferta do Reino Unido pela celebração dos 100 anos de independência da Argentina, comemorados em 1916. Hoje chama-se Torre Monumental, tendo mudado de nome após a Guerra das Malvinas, altura em que se chamava Torre dos Ingleses.

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Walking Tours
Buenos Aires é uma cidade arquitetonicamente confusa, que precisa de ser acompanhada pela história para fazer algum sentido. Basicamente, tendo sido colonizada por espanhóis, possui edifícios antigos de influência espanhola (como na Plaza de Mayo), mas mesmo estes podem ter sido reconstruídos quando quiseram distanciar-se de Espanha e aproximarem-se de França (como na Plaza San Martin). Também quiseram seguir as influências mais modernas, como o Brutalismo, inspirado no trabalho de Le Corbusier, entre outros exemplos. Por estas razões, recomendamos as visitas guiadas ou as free walking tours, que estão organizadas por áreas da cidade e passam de forma clara esta mensagem. Há várias free walking tour, desde as oficiais até às de guias individuais promovidas pelos hostels. Nós fizemos de tudo e recomendamos ambas.

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O que fazer?

  • Cemitério da Recoleta. Não só porque está lá sepultada Evita Perón e com as visitas guiadas poderão conhecer melhor a sua história (para encontrar o seu mausoléu deverão procurar pelo apelido Duarte), mas também porque é um cemitério monumental e único. Vejam mais sobre o cemitério neste outro post – AQUI.

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  • Bairro La Boca. O Caminito, a rua turística que representa as antigas casas coloridas dos imigrantes italianos, é uma visita obrigatória, e o estádio do Boca Juniors, um dos clubes de futebol mais conhecidos. Não é recomendado para compra de souvenirs.

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  • Bairro Palermo. É um bairro mais caro, onde encontram vários restaurantes da moda, mas também vários bares onde podem ouvir música e beber um copo. O bairro é grande, portanto se estiver vazio é porque estão ainda nas ruas erradas.
  • Bairro San Telmo. É uma zona de milongas, onde podem assistir a shows de tango ou dançar. Ao domingo também tem uma feira tradicional que merece a visita.
  • Plaza de Mayo. Nessa praça têm várias atrações. Na Catedral Metropolitana poderão ver o mausoléu do General San Martin (por ser maçon, a igreja rejeitou por algum tempo receber o seu corpo na sé, mas, por pressão política e popular, a Igreja acabou por ceder, com a imposição de algumas condições, tendo exigido que o general fosse sepultado fora da igreja, portanto o mausoléu tem acesso pela igreja mas não faz parte do edifício raiz). A Casa Rosada, sede da presidência. No centro da praça poderão assistir à concentração todas as quintas-feiras das Mães da Praça de Maio. Da praça poderão caminhar até à rua do Banco Hipotecário (brutalismo) e ao Centro Cultural Kirchner.

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  • Centro Cultural Kirchner. Todas as suas atividades são grátis, têm exposições temporárias e quase diariamente espetáculos de música e dança.

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  • Café Tortoni. É dos cafés mais antigos da América Latina e faz parte das listas dos cafés mais bonitos do mundo, onde também encontram o Café Majestic do Porto (http://www.ucityguides.com/cities/top-10-cafes.html). Vão encontrar uma fila à porta para entrar (só não fica na fila quem vai comprar os bilhetes para os shows de tango). Os preços são normais e não cobram cubierto.

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  • Atravessar a Avenida 9 de Julho (a mais larga do mundo segundo os portenhos), ver o Obelisco e ir ao Teatro Colón.

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  • Delta do Tigre. É uma zona mais a norte, perfeita para uma escapadela de um dia, vai-se de comboio e fica na foz do rio paraná. Um passeio agradável onde vão encontrar várias praias fluviais (vejam o nosso artigo sobre o Tigre aqui)

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A maior parte dos museus têm um dia semanal em que são grátis e alguns são sempre grátis. Nós apenas visitamos o Museu Evita Perón, na Recoleta, e recomendamos (90 pesos por pessoa).

Onde comer?
Em Palermo encontrámos um sitio interessante, frequentado pelos locais, o Club Eros. É um clube de futebol que tem um restaurante com um bom bife de chorizo (apesar de ter chouriço no nome é um bife alto suculento). Eles têm uma opção de bife master já com acompanhamento (220 pesos) que a nosso ver não vale a diferença de preço. Peçam o ½ bife de chorizo (110 pesos) e papas fritas (30 pesos). É o típico tasco barulhento onde se vê jogos de futebol.
Em Puerto Madero têm o Siga la Vaca. É um restaurante tipo buffet de rodízio. Por cerca de 400 pesos comem o que quiserem, tendo também direito a uma garrafa de vinho individual e sobremesa. O rodízio não faz o nosso género, portanto não fomos, mas alguns hóspedes do hostel dizem que vale a pena.
Na Recoleta almoçámos na Companhia de Chocolates. Têm um menu executivo por 165 pesos que inclui prato da lista, bebida e café ou gelado. O café é Nespresso e o gelado é ótimo, com sabores tradicionais com um toque especial, como doce de leite com pedaços de brownie de chocolate.

Onde dormir?
Existem opções para todos os gostos, em segmento de hostels, hotéis e apartamentos. O nosso hostel foi uma boa opção, tendo ficado bastante económico (Portal del Sur).
Alerta: Na Argentina e no Uruguai, pela nossa experiência, quase sempre vão tentar não passar fatura e aceitar apenas pagamentos em numerário. Isto acontece porque a lei estipula que nos pagamentos de alojamentos com cartão de débito ou crédito estrangeiro não se pode cobrar IVA, então os estabelecimentos optam por não aceitar cartão e somam o IVA, porque habitualmente o preço do Booking é sem impostos. Deverão escolher um alojamento que aceite cartão e irão poupar 21% na reserva.
Boas zonas – Centro, Puerto Madero, Recoleta e San Telmo

365 dias no mundo estiveram 7 dias em Buenos Aires, de 26 de Fevereiro a 5 de Março de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ 
Preços: tipo Lisboa  
Categorias: cidade, cultura, música, arquitetura, noite
Essencial: Cemitério da Recoleta, Teatro Colón, Plaza de Mayo, Centro Cultural Kirchner
Estadia Recomendada: 5 dias (preferência incluindo fim de semana)

Outro artigos sobre Buenos Aires:

Cemitério da Recoleta

A Cultura em Buenos Aires

Tango ou Milonga em Buenos Aires?

Tigre e o Tren de la Costa

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