Peculiaridades #1 – O Mate

Já temos falado em mate e nesse hábito peculiar dos uruguaios e argentinos, mas que pertence à maioria dos países da América Latina (pelo que investigamos o hábito é de origem paraguaia).

A erva mate vende-se em embalagens de papel semelhantes às de farinha ou açúcar e é ou uma erva única ou combinação de ervas para serem utilizadas em infusão. Dizem que já há uns focados para outros efeitos, como os nossos chás tradicionais para dormir, ou de efeito calmante ou excitante.

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Agora dizem vocês: pronto, bebem chá como nós. Acreditem que não, não bebem apenas chá. Aquilo tem toda uma ciência associada. Ora vejamos:

  1. Têm bolsas próprias para guardar o copo (mate) e o termo;
  2. É necessário um termo com água que não deve chegar ao ponto de fervura;
  3. Enchem o mate (copo) com a erva mate e sacodem a erva para uma das bordas do mate, deixando espaço para a palhinha (isto simplificando algo bastante complexo);
  4. A palhinha chama-se bomba e é de metal, com uns orifícios pequenos na ponta.

Quando puxam a infusão para beber as ervas não são “aspiradas” (o passo 3 ajuda). O primeiro e o último gole são os piores, os mais amargos.

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O mate é um vício que alguns até reconhecem ser um pouco ridículo, visto que em pleno verão, na praia!, andam com um termo de água quente e um copo na mão. O hábito é geral, desde jovens a idosos, em férias ou a trabalhar, incluindo conduzindo os autocarros. É um hábito muito associado à partilha e convívio. Em grupo o mate é bebido pelo mesmo copo e bomba, algo nada higiénico para os nossos padrões. Quem prepara o copo e serve o mate ficará encarregue de encher o copo de cada vez que a água acaba. De cada vez que se recebe o copo deve-se beber toda a água, o copo volta a quem serve e é preenchido novamente com água e passado ao próximo.

Os brasileiros têm o seu próprio nome para o mate, consomem o chimarrão (mate quente) ou o tereré (bebido frio). Quando o bebem frio utilizam água, gelo e limão. Para tentar entender o fascínio nós experimentamos a versão quente.

O veredicto: É um chá! Forte, pela infusão prolongada, saboroso, mas não deixa de ser um chá, cheio de logística.

A higiene: Existem regras de higiene que não vimos ainda ninguém fazer, como mergulhar a bomba em água com bicarbonato de sódio durante uma hora e depois lavar o exterior como a restante loiça. A erva do copo deve ser retirada com uma colher para a sua lavagem. Em Punta Ballena o Joaquin explicou-nos que os copos devem ser lavados só com água porque os detergentes e esfregões estragam-nos. Nesse hostel os copos, quando não estavam a ser utilizados, estavam sempre limpos.

É um hábito tão enraizado na sua cultura que eles brincam e dizem que o braço já está feito para ter um encaixe próprio para o termo. Que não conseguem ir a lado nenhum sem o mate. Em Buenos Aires houve até quem confessasse ter viajado com menos um par de ténis para que a erva fosse na viagem. Os alunos estrangeiros que encontrámos no hostel contaram-nos que nas aulas há professores que fazem uma pausa para beber mate.

Alguns estrangeiros gostam do sabor, compram o mate (copo), a erva mate e a bomba e começam a beber em diversas ocasiões. Quem não se habitua à logística mas até gosta do sabor, pode sempre comprar o “mate cocido”. O mate cocido é a versão chá, ou seja, vem numa saqueta pronta para a infusão. As crianças mais pequenas bebem chá de mate e não o mate normal.

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