Glaciar Perito Moreno e El Calafate (Argentina)

Não gostamos todos do mesmo, felizmente, mas às vezes os nossos gostos encaixam-se no de outras pessoas, daí pedirmos e ouvirmos conselhos. Tinham-nos dito que El Calafate não merecia a quantidade de dias que lhe estávamos a dedicar, que devíamos ficar mais em Bariloche, acreditámos, mas não trocámos a agenda porque o Booking já não aceitava cancelamentos. Os dias em El Calafate foram uma pasmaceira ótima para atualizar o blog.
Estávamos no autocarro a caminho de El Calafate e ouve-se alguém dizer “I live in Lisbon”. Alto! Pára tudo! Perguntamos: “Portuguesa?” E era! Que alegria, finalmente voltar a encontrar uma portuguesa. Lembram-se a última vez que isto tinha acontecido? Logo no início da viagem, em São Paulo. À chegada, apesar do cansaço e do avançar da noite, não resistimos a uma boa dose de conversa. Então, não nós cruzámos apenas com uma portuguesa, mas alguém que também trabalhou em Angola, com muitas histórias que se cruzam. A Magui do @somuchworldtolove estava a terminar uma volta ao mundo em 180 dias, fez coisas giríssimas e tem umas fotos fantásticas da viagem no seu Instagram.

O Glaciar
A verdadeira atração de El Calafate é o glaciar Perito Moreno. Vão encontrar uma cidade que vive em função dos diversos programas para o visitar.
Não fomos em excursão, fomos de autocarro regular no período da tarde, para tentar ver os maiores pedaços de gelo a cair com o calor acumulado do dia. É só irem ao terminal e procurarem a agência da Caltur e comprarem um bilhete para o Parque Nacional Los Glaciares. Com o guia Get South têm 10% de desconto (405 pesos por pessoa). A entrada no parque, para estrangeiros, custa 500 pesos, com direito a um saco de plástico para o lixo e um mapa com algumas informações. O autocarro pára muito próximo da entrada dos passadiços, junto à loja e restaurante, onde estão os quartos de banho. Os passadiços são em circuito circular, regressando sempre ao ponto de partida, mas depois vão-se dividindo em vários caminhos de diferentes graus de dificuldade e que dão perspetivas diferentes do glaciar. Quase não saímos do caminho inicial porque quisemos ficar o mais próximo possível do glaciar. Já viram uma das fotos, mas provavelmente não conseguem perceber que estão a ver toneladas e toneladas de gelo que se estendem desde as montanhas.
O glaciar Perito Moreno mantém-se em equilíbrio desde 1917, ou seja, nem avança nem recua significativamente. Tem 250km² de gelo e 70m de altura acima da água na zona mais alta, na frente. Sentimo-nos maravilhados logo no primeiro vislumbre à entrada dos passadiços e esse sentimento foi aumentando à medida que nos aproximamos. Ficámos horas no parque e mais ficaríamos, apesar do frio do final do dia. É mesmo com o final do dia que o dramatismo se eleva, quando ficamos sozinhos com este monstro da natureza. Durante todo o dia o som é constante, com o gelo a estalar e pedaços a caírem. O parque está sempre cheio, portanto escolham um sítio em que consigam ficar quase sozinhos para ouvirem o glaciar e não quem vos rodeia. Mas não chega ouvir, é preciso ver o gelo soltar-se e cair. O gelo estala, cai, mergulha nas águas, bate no gelo que está submerso e as ondas que se formam chocam nas margens, tudo isto em curtos segundos.
Existem outras atividades relacionadas com o glaciar, desde passeios de barco a excursões onde podem mesmo caminhar sobre ele.

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El Calafate
Para quem quer perceber como se formam os glaciares pode ir ao Glaciarium, o centro de interpretação. Custa 300 pesos por pessoa (20% de desconto com cartão de estudante internacional) e chega-se lá a partir do centro em autocarro incluído no preço. Existe no edifício um bar de gelo (Glaciobar) e a entrada custa 180 pesos. Nós não visitamos porque, mais uma vez, estamos perante preços que aumentaram cerca de 50% em dois anos. Existe um outro Icebar na rua principal da cidade.
Poderão visitar o Centro de Interpretação Histórica, um museu privado com várias salas que mostram a evolução da região com base nas descobertas, desde o período dos dinossauros, passando pelas pinturas rupestres, a chegada dos colonos, como o povo original foi eliminado, até ao período atual. É interessante, mas caro para o tamanho e tipo de museu (130 pesos por pessoa).

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Na rua principal de Calafate vão encontrar a Intendência do Parque Nacional Los Glaciares. É grátis, aberto em dias da semana, um bonito jardim com estátuas que simbolizam datas históricas e replicam acontecimentos da primeira expedição à Patagónia.
Como tivemos muito tempo livre ainda passeámos nas margens da Laguna Nimez, que tem uma reserva para observação de aves, onde encontram muitos flamingos. A entrada custa 100 pesos e também não entrámos.
Como estamos em modo viajante e não férias, e com o aumentar dos destinos visitados, há experiências que apenas realizamos se forem grátis, como ver lagoas e quedas de água de menor expressão, observar animais “repetidos” ou museus de qualidade duvidosa.
Pode-se ir de autocarro para El Chaltén, e aqui arrependemo-nos de não ter ido. É uma pequena vila a norte do Parque Los Glaciares junto ao cume Fitz Roy, com 3405 metros de altura. Depois do circuito de Torres del Paine não queríamos mais trekkings e achámos que não fazia sentido ir a El Chaltén sem fazer os trilhos. Foi um erro que só percebemos no último dia, na viagem para Bariloche. O autocarro parou em El Chaltén, tivemos um vislumbre da montanha ao pôr-do-sol e foi fantástico.

Onde dormir?
O nosso hostel era afastado do centro, a uma caminhada de 20 minutos do centro, e 30 minutos até ao terminal. Limpo, novo, confortável, mas… Começou logo mal quando chegámos. Fizemos o check-in e, no momento de pagar, as contas eram estranhas. Um valor com pagamento em numerário de pesos argentinos, outro em dólares e ainda outro com cartão. Em cada valor somava uma taxa diferente, ou o IVA ou taxas inventadas. Como eram 4 noites e nada baratas, o Tiago bateu o pé, só pagava o que estava escrito no Booking, em cartão. A funcionária lá aceitou e disse que depois se entendia com o Booking para lhe darem a diferença. Já estávamos nós em Bariloche quando recebemos um e-mail do Booking a dizer que a nossa reserva (concluída e paga à chegada) em Calafate tinha sido alterada, tendo apenas ficado uma noite. Não sabemos se a intenção era enganar o Booking ou a nós, mas é mais um hostel que não recomendamos pela tentativa de burla.

Onde comer?
Na primeira noite fomos jantar ao La Marca. É um assador com porções grandes que dão para partilhar. Experimentámos o prato típico local, porción de cordero, reencontrámos a Marlies e o Thomas e tivémos um ótimo serão. O guia Getsouth dá 10% de desconto neste restaurante.
Almoçámos também num espaço pitoresco, pequeno e agradável, o Chopen. É uma cervejaria que serve a sua própria cerveja artesanal e poderão provar os 4 sabores diferentes como cortesia. Não foi dos sítios mais baratos para almoçar, mas valeu pelo bom ambiente. Em conversa com um dos proprietários explicámos que lhes faltava na decoração cerveja portuguesa, no meio de tanta alusiva a outras marcas internacionais. Perguntou-nos uma ou duas marcas e, surpresa das surpresas, conhecia os nomes. Como? Pelas camisolas dos clubes de futebol. Começámos a falar de música e descobrimos que também é agente turístico e que há uns tempos mostrou toda a Patagónia ao Rui Veloso.
Para lanchar, tomar o pequeno-almoço ou ir atrás de doces têm uma pastelaria muito boa, a Don Luís.

Vale a pena?
O glaciar, sem dúvida nenhuma! Calafate é a cidade mais próxima do glaciar Perito Moreno, mas uma noite basta, talvez duas, se quiserem fazer excursões diferentes. Para nós, a estadia de quatro noites foi utilizada para o blog e planeamento.

365 dias no mundo estiveram 4 dias em El Calafate, de 24 a 27 de Março de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥  
Preços: caro
Categorias: glaciares, Perito Moreno, trekking, caminhada, patagónia, natureza, paisagem, lagos
Essencial: Glaciar Perito Moreno, Glaciarium, Centro de Interpretação Histórica, Parque Nacional Los Glaciares
Estadia Recomendada: 2 dias

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