O que levar na mala para uma Volta ao Mundo?

Não pretendemos com este texto fazer um guia exaustivo do que se deve ou não se deve levar, já existem muitos desses espalhados pela internet. Já agora, recomendamos este, que utiliza a mesma mochila que o Tiago.

Queremos partilhar a nossa experiência e opinião pessoal sobre o assunto, que servem como dicas para quando fizerem a vossa mala, seja para uma semana, seja para 365 dias como nós.

Se me perguntassem em Dezembro, antes de começar a preparar a viagem, a minha mala teria menos 5kg do que o que tem na realidade (Raquel). Tinha simplificado demais: um par de calças mais as calças de trekking, uns calções e um vestido, e já está! Quando comecei a ler artigos em blogs sobre o que as mulheres levavam nas malas assustei-me. Levavam muito mais do que eu tinha pensado. Angola tornou-me muito intolerante ao frio, portanto os trekkings nos glaciares seriam um sacrifício e a lista de coisas para levar foi aumentando.

Cada um de nós leva um lençol em saco (tipo saco-cama). Nos trekkings sabíamos que teríamos de utilizar sacos-cama para temperaturas negativas, que ocupam muito mais volume que os tradicionais utilizados em Portugal. Como acampar não seria prática corrente da viagem, não fazia sentido levar tal volume e peso, então optamos por levar apenas um lençol, algo que torna mais higiénica a utilização dos sacos-cama alugados, mas também de algumas camas mais manhosas. Já apanhámos pulgas numa das camas e elas foram connosco até ao quarto seguinte. Já nos livrámos delas, mas não sem o Tiago ter ficado algo marcado.

Também levamos toalhas de banho de microfibra, compradas na Decathlon. E para a praia um pareo ou canga para cada um, por serem muito mais leves e menos volumosas que as toalhas normais. As toalhas não precisam de ser muito grandes, não passear pelos hosteis embrulhados na toalha, por isso até pode ser pouco maior que uma de rosto.

Temos um mosquiteiro, “exigência” da médica da consulta do viajante (não sabemos se sabem, mas quase toda a América latina tem Zika, além das malárias, dengues e chikungunya) e repelentes da Previpic com DEET 50% (recomendamos que levem apenas um e comprem quando necessário no país onde estiverem, às vezes funcionam melhor que os que trazem convosco). A rede mosquiteira que temos é de pendurar no teto, o que não é muito prático, portanto sugerimos antes um modelo do género deste da Care Plus.

Cada um de nós tem um casaco de penas impermeável (a Raquel gostaria que fosse ligeiramente mais comprido), botas de trekking, lanterna de cabeça, calças moduláveis (calça-calção), calções (2 pares), luvas, gola, camisolas e calças de aquecimento, camisolas finas para fazer camadas, meias de caminhada, capa de chuva (poncho) e a Raquel ainda tem um gorro, colete de penas e luvas de neve. Ambos temos uns chinelos e ténis/sapatilhas e vários pares de meias, uns curtos e outros mais altos, mas quase todos de caminhada.

A Raquel tem um vestido comprido para usar nos templos na Ásia, um vestido de praia, uma saia lápis casual, um calção de praia e duas calças leves. Diversas t-shirts/tops, dois turbantes e um chapéu de praia, fitas do cabelo, um lenço grande e um lenço pequeno, um par de fios e um par de brincos, alguma maquilhagem básica e uma pochete para as saídas noturnas (para não andar sempre com mochila).

O Tiago tem dois calções de praia, dois pares de calças, umas calças moduláveis e algumas t-shirts. O único acessório é um relógio de pulso.

Rapidamente vão-se fartar de nos ver com as mesmas roupas nas fotos. 🙂

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Roupa interior, escolham coisas fáceis de lavar e secar, e que possam ser misturadas por cores. Para mulheres a Raquel acha inteligente escolher soutiens sem aros, mas não precisam de optar só por desportivos. Voltando às cores da roupa, esqueçam roupas brancas e pretas. Se escolherem outras cores pode ser tudo lavado numa só máquina, facilitando muito essa rotina. O nosso plano era não acumular roupa suja ao ponto de ter de usar máquina, lavando à mão em sítios onde ficássemos mais de uma noite, para ter tempo de secar. Acabamos por usar quase exclusivamente lavandarias porque a maioria dos hostels não tem condições para secar a roupa. Apesar de termos uma corda, nunca a utilizámos. Deverão levar um saco para a roupa suja, em polyester.

Para organizar tudo isto, o Tiago utiliza três sacos e a Raquel dois, chamados organizadores, do género destes:

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Eagle Creek – Packing Cubes

Cada um tem o seu kit de snorkel, sem as barbatanas, e o Tiago substituiu os óculos de máscara por uns de piscina para ocupar menos espaço. A necessidade de carregar este peso é questionável, mas teve o seu fundamento lógico: querermos estar constantemente em águas paradisíacas, poupança em alugueres, flexibilidade e nojentice/higiene, para não termos de partilhar o bucal.

Em relação aos medicamentos, levamos o básico: antibiótico, anti-histamínico, sais, ultralevur e ben-u-ron, há farmácias em todas as cidades. A Raquel ainda leva os dela para a colite ulcerosa e sinusite, ou seja, quase três quilos porque é para um ano. Temos um termómetro. Recomendamos que levem um kit de primeiros socorros. Não esquecer os protetores solares. Temos um facial e um de corpo. O batom do cieiro em climas frios é essencial.

Os sabonetes, champôs e detergente da roupa são em barra, por recomendação em blogues. Esqueçam, derretem, colam-se, têm sempre um ar húmido. É fácil encontrar doses individuais de champô, amaciador, gel de banho e até de detergente da roupa, nem sempre têm de os comprar porque há hostels que oferecem.

Um canivete dá sempre jeito, convém que tenha uma mini tesoura. Uma lanterna de cabeça não vão utilizar muito, mas quando é preciso iluminar algo, não ter de segurar na lanterna é ótimo.

Quando falamos de eletrónica é um abuso. Smartphones, um Microsoft Surface, a GoPro Hero 5 com alguns acessórios, a máquina fotográfica Nikon D5500 com uma objetiva 18-105mm, o drone DJI Mavic Pro, dois discos externos e dois powerbanks. Além destes, ainda vai um leitor de MP3, uma máquina de barbear, termómetro e depiladora e todos os respetivos carregadores e baterias, mais dois adaptadores de tomadas e uma tripla tipo cubo. Levem também muitos cabos USB. Recentemente, a família aumentou com a Nutribullet Pro 900, para tentarmos ter refeições saudáveis sempre que possível.

Para as refeições, tanto em hostels como na rua, é bastante útil terem um ou dois bons recipientes, tupperwares, que servem para guardar a comida cozinhada nos frigoríficos dos hostels e para levarem convosco para as refeições na rua. Também recomendamos um kit de talheres de plástico para campismo e há quem leve a sua própria faca de cozinha. Para não vos faltar nada, podem também levar uns recipientes pequenos com as especiarias essenciais e azeite, um pano da loiça também dá jeito.

Perguntaram-nos como fazemos com os souvenirs. Já tínhamos o hábito de trazer ímanes das nossas viagens. Optamos por manter o hábito, mas às vezes são demasiado caros e não faz sentido trazer um de cada cidade, então reduzimos a um por país. Às vezes não são os mais bonitos, mas são os aceitáveis na relação preço/beleza. Também já fomos criativos, em Iguaçu optámos por comprar uma moeda gravada e em Cabo Polónio um porta-chaves, que se vão transformar em ímanes quando regressarmos. Temos também dois mapas de Ushuaia que foram uma oferta e que viajam connosco num porta-documentos. Os melhores souvenirs serão sempre as memórias, que não ocupam espaço, e as fotografias e vídeos que vamos recolhendo. Há quem opte por comprar emblemas de cada país (as bandeiras) e vai cosendo às mochilas. Não é o nosso estilo, mas ocupa menos espaço. Levem algo que vos diga alguma coisa. No nosso contexto não fazia sentido comprar prendas para oferecer aos que nos são próximos porque seria impossível carregá-las. Tivemos vontade de comprar um mate e bomba, mas mais uma vez não faz sentido seguir viagem com isso. A Raquel vai guardando os bilhetes de concertos, museus e algumas moedas de cada país.

Temos tradições que seguimos em todas as cidades, como a claquete comprada na Tiger, que indica cada cidade e país por onde passámos e em que data. Também pensámos em enviar um postal de cada cidade para casa, o que era giro, mas iria ficar extremamente caro.

E vocês, o que trazem como lembrança das vossas viagens?
O que não dispensavam da vossa mala?

2 thoughts on “O que levar na mala para uma Volta ao Mundo?

  1. Colecciono bolas de neve de cada local, ímans e decorações para a árvore de Natal. ao início também coleccionava telas pintadas… mas já não tenho mais lugar! Com o tempo deixei de comprar muitas coisas pequeninas e prefiro comprar 1 peça melhor de decoração, ex: capas de almofadas, candeeiros, conjunto de lençóis …

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