Puerto Montt, Chiloé… e as pulgas (Chile)

É aqui que os nossos planos mudaram. De Bariloche devíamos ir para Mendoza, daí para Santiago, e tínhamos depois uns dias livres que seriam para a ilha da Páscoa, se os preços dos bilhetes não tivessem subido muito.
Quando revimos o plano, passou a fazer sentido ir ao sul do Chile, portanto de Bariloche fomos para Puerto Montt. Não é um destino turístico habitual porque é a versão industrializada da vizinha Puerto Varas, esta sim, um destino bastante procurado. Aqui conseguimos um alojamento mais barato, que nos saiu caro noutros aspetos, mas falaremos depois sobre isso.

Chegámos de autocarro a partir de Bariloche, o bilhete custou 29€/pessoa na empresa Andesmar Chile, partindo logo de manhã. É a primeira vez que viajamos numa companhia sem nada a apontar, bom serviço, boas explicações, bom lanche, funcionário extra para fazer a distribuição de lanches, almofadas e bebidas. Sistema de informação melhor do de algumas companhias aéreas. É uma viagem calma até à fronteira, onde começa o típico filme do controlo de entrada de legumes, vegetais, lacticínios e enchidos. Temos todas as nossas passagens pela fronteira do Chile descritas noutro artigo.

Puerto Montt é uma cidade portuária, considerado o porto mais importante do sul do Chile, utilizado como porta de acesso às ilhas de Chiloé e toda a patagónia chilena, com uma economia assente neste aspeto e na pesca. A pesca do salmão teve uma grande importância durante os anos 80 e 90, com o Chile a tornar-se o segundo maior exportador mundial, no entanto, entre 2008 e 2009, tiveram uma crise do vírus que provoca a anemia infeciosa do salmão, que afetou profundamente a economia, algo que se nota facilmente nas ruas de Puerto Montt.

Puerto Montt é também o local do massacre de 1969, ocorrido porque 90 famílias ocuparam um terreno à luz de uma lei em vigor na altura. Havia falta de recursos, eram famílias pobres, e a lei dizia que podiam ocupar terrenos que não estivessem a ser utilizados pelos proprietários. A polícia decide expulsá-los e, resumidamente, ocorre um ataque de parte a parte morrendo 10 pessoas, ferindo cerca de 50 e uns quantos carabineros (a polícia). Este massacre é imortalizado pelo cantor Victor Jara em Preguntas por Puert Montt. Este caso tem contornos políticos que nos ultrapassam e a internet pode não ser muito clara para conhecer a verdadeira versão.

O que fazer?
Ir ao mercado de Angelmó. Não é o típico mercado local, vende peixe, fica à beira-mar, mas tem vários restaurantes e vista para os leões marinhos.

Passear à beira-mar. Daí conseguem ver barcos a chegar, ir até aos shoppings, ver esculturas e parques infantis.

Alugar um carro para ir ao Vulcão Osorno em Puerto Varas, contornar o lago Llanquihue e ir às quedas de água (Saltos de Petrohué). Pode-se fazer em tour mas não recomendamos. Cobram entre 10000 e 15000 pesos chilenos/pessoa, mas o tour começa às 13h, com a primeira paragem num restaurante caro, além de todos os locais serem de acesso muito fácil.

Ir às ilhas de Chiloé. Para passeios de um dia recomendamos a ida de autocarro, com uma rápida passagem de ferry. Fomos a um domingo, mas aconselhamos evitarem este dia por encontrarem muita coisa fechada. As duas cidades principais são Ancud e Castro. Fomos apenas à mais próxima, Ancud, mas a segunda tem mais pontos de interesse, pois é aí que encontram a maior parte das igrejas património da humanidade da UNESCO (16, no total das ilhas do arquipélago de Chiloé). Em Ancud fomos ao museu regional, grátis, onde expõem alguns aspetos das crenças e tradições locais. Chiloé é cheia de figuras mitológicas, como sereias, duendes e ogres. Há superstições que são engraçadas, como aquela do ogre que seduzia as moças de bem e as engravidava (ótima explicação para as jovens grávidas). Aqui podem ver também um esqueleto completo de uma baleia azul. Em Ancud podem visitar também um forte espanhol, que já não é mais do que uma muralha com alguns canhões.
Para quem gosta de compras, Puerto Montt dá descontos extra a turistas no shopping Paseo Costanera.

Onde dormir?
Escolhemos um hostel afastado do centro de Puerto Montt e numa encosta, com a viagem de regresso a ser sempre um martírio de 20 minutos. Um alojamento familiar, que gere também uma pousada, onde servem refeições. Por servirem refeições, cozinhar tornou-se uma aventura, ora tendo os tachos ocupados ou tudo desarrumado. As senhoras foram sempre extremamente simpáticas, prestáveis e até nos lavaram a roupa à borla, mas também perderam três pares de meias da Raquel.

A melhor parte guardámos para o fim: estamos no quarto, com a Raquel sentada na cama, e ela dá um gritinho daqueles agudos, que nunca se sabe se é de dores ou porque viu um rato. Desta vez foi um grito de “está aqui uma pulga”! Não a conseguimos matar e ela seguiu connosco para o destino seguinte, Pucón, onde a conseguimos exterminar bastante mais gordinha. Em Puerto Montt, o ideal é ficar o mais próximo da linha de costa, quanto mais longe mais alto.

Puerto Varas é ligeiramente mais caro, mas mais turístico, com um centro muito agradável, cuidado e com grande oferta de hotéis. É uma questão de verificarem ambas as cidades, porque o transporte público entre as duas cidades é muito barato e rápido.

Onde comer?
Em Puerto Montt, o mercado de Angelmó é um destino a não perder. É o mercado onde vendem um peixe fantástico. As refeições podem ser feitas em restaurantes minúsculos que chamam os clientes quando eles passam, anunciando as “cortesias” grátis, como ceviche ou pisco sour. Nós optámos por um destes restaurantes, mas não ficaríamos mal servidos no mercado, a comer ceviche feito na hora por 1,5€ cada taça. Comemos salmão grelhado com molho de manteiga e congrio frito. O congrio é uma espécie de enguia sem espinhas, muito saboroso. Da janela dos restaurantes vêem-se os leões marinhos a perseguir os barcos. No fundo do mercado vêem-se os machos, quase domesticados, à espera do almoço, ou seja, das sobras de peixe.

Na tour em Puerto Varas comemos chupe de mexilhões de sapateira, uma espécie de açorda portuguesa, bastante bom. Também bebemos a cerveja artesanal local, com aroma de chocolate 😊

Em Chiloé almoçámos também num dos restaurantes do mercado de Ancud, um ceviche de salmão e uma espécie de caldeirada de peixe que fazia lembrar o nosso cozido à portuguesa, versão do mar. Também recomendamos!

O Chile tem uma gastronomia mais rica do que a Argentina, com influência dos imigrantes alemães e italianos. O Chile convidou alemães a irem morar para Puerto Varas, dando-lhes terras para desbravarem, literalmente desbravar, porque eram florestas sem nenhuma infraestrutura.

365 dias no mundo estiveram 3 dias em Puerto Montt, de 31 de Março a 4 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥  
Preços: médio
Categorias: ilhas, lagos, vulcões, trekking, caminhada, patagónia, natureza, paisagem, gastronomia, património
Essencial: Puerto Montt – Mercado de Angelmó, Chiloé – igrejas e museo regional de Ancud,  Puerto Varas – vulcão Osorno e saltos de Petrohué
Estadia Recomendada: 3 dias (4 dias com uma noite em Chiloé)

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3 thoughts on “Puerto Montt, Chiloé… e as pulgas (Chile)

  1. Peço desculpa! “Carraça” que horror!!!!!
    Mais denominada por “chatos” !!! Que nojo! Por que é que eu postei isto? Porque lembrei-me das amorosas que visitam às vezes o meu gatinho ( vá lá, não me posso queixar. É uma de cada vez ) em que eu as tiro com muita ternura e ele fica muito aliviado e olha para mim e diz ” obrigada Lígia por me tirares esta ” nojenta” Kkkkkk!!! Quando for um ratinho, avisem. Porque o meu gatinho apanha-os todos! Ehehehe. Fiquei bem disposta com a vossa publicação. Beijinhos 🙂 🙂 🙂

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  2. Fotos lindíssimas. Experiências para toda a vida. Adoro os textos e as fotos. Preços, devem postar se possível, em euros. Onde é que estarão agora? Estou curiosa. América latina? Tanta coisa para visitar. Adoro a vossa coragem de viajarem ” comme il faut ” ou ” laiser fare”. Adorei a cena da pulga. Se fosse uma barata, uma carrassa, ou uma centopeia, penso que era mais CHATO!!! Kkkkk. Beijinhos e vão publicando sempre experiências mirabolantes. 🙂 🙂 🙂

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    1. Olá! Optamos por postar na moeda local porque o câmbio vai flutuando. Na verdade, os preços, mesmo nas moedas locais, também variam muito de um ano para o outro. Aqui na América do Sul está quase tudo significativamente mais caro, principalmente na Argentina e agora nas Galápagos, onde estamos!! 🙂 🙂 E é espetacular! Preferimos as iguanas gigantes e tartarugas às pulgas 😛 Beijinhos!

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