Lagunas escondidas de Baltinache – Atacama (Chile)

Sabíamos que queríamos ir às lagoas onde se flutua sem esforço, devido à quantidade de sal, só não sabíamos a quais.

A mais conhecida é a laguna Cejar, mas sendo tóxica devido aos elevados níveis de arsénico presentes na água, é também aquela onde se pode ficar menos tempo dentro de água, apenas 30 minutos. Também é a que tem a entrada mais cara, 15.000 CLP (20€), mais o preço do tour.

As lagunas escondidas são um tour mais recente, vendida desde o ano passado. Tem sete lagoas e na última podem ficar o tempo que quiserem. Tem uma entrada mais barata – 5.000 CLP (6,7€).

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O tour é de tarde, deve-se levar fato de banho, toalha, sapatos aquáticos, se tiverem, e o que necessitarem para tomar um duche a seguir às lagoas, nos balneários do parque. A entrada é cobrada no local pela comunidade que tem os terrenos, a Coyo.

O nosso ponto de encontro foi na agência, para depois seguir em carrinha para as lagoas. A viagem não foi muito longa e a primeira paragem é à entrada, onde se paga a taxa. Depois de pagar e saber onde são os balneários e os quartos de banho, somos deixados na primeira lagoa. Nesta primeira já se pode entrar, mas sendo pequena achámos que não se justificava, não queríamos fazer a caminhada molhados e frios até ao final.

Foi logo aí que testámos o nosso drone após a reparação. Não pudemos voar durante muito tempo porque, apesar de estarmos numa época em que toda a gente tira selfies sem se preocupar com quem está ao lado, algumas pessoas sentiram-se incomodadas com filmagens anteriores de drone, e o parque optou por proibir. Apesar de o próprio guarda se mostrar entusiasmado com o drone e ter explicado que não é por vontade própria. Mesmo assim, vocês já devem ter visto o teaser, e aqueles poucos minutos de filmagem valeram cada instante.

O percurso entre as lagoas não é amável para os pés, portanto o ideal é fazê-lo calçado, não se recomendando chinelos. Há um trilho, mais ou menos estável, sendo necessário ter alguma atenção e cuidado para não cair num bloco mais instável ou quebradiço. Pelo caminho passam pelas outras cinco lagoas, todas únicas, com maior ou menor profundidade, mais azulonas, verde-esmeralda ou negras, sempre com blocos enormes de sal a rodear-vos, do outro mundo.

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Chegados à ultima lagoa, está tudo em trajes de banho a tentar entrar na água, que é gelada! É mesmo gelada, mas chegar até ali, estar numa lagoa onde é impossível afundar, num cenário saído de uma cena de Hollywood, obriga a entrar na água. Entramos, deitamo-nos, e estamos a flutuar, quase como se tivéssemos uma bóia ou um colchão entre nós e água, e vale mesmo o “sacríficio”. Nota: não se deve abrir os olhos dentro de água.

Assim que saírem da água vão ver que o corpo fica cheio de cristais de sal. E que os balneários, a cerca de dez minutos a pé junto à primeira lagoa, vão mesmo a calhar. Como fomos num dia quente, rapidamente secamos durante a caminhada, sem sentir grande frio.

Nos balneários tivemos um problema de simpatia. A hora a que o condutor nos mandou regressar não combinou com a hora a que as funcionárias queriam fechar os balneários e estiveram todo o tempo do nosso banho contrariadas e chateadas connosco. A agua é fria e não tem muita pressão, mas já ajuda muito. O fato de banho deve ser bem enxaguado para retirar o sal.

Quando se sai da lagoa o guia leva-nos a ver o pôr-do-sol na montanha. Só há um pequeno problema, o que ele chama de pôr-do-sol para nós já é anoitecer, o baixar do sol até ser tapado pela montanha acontece meia hora antes. Nesse tempo em que estamos a ver o “pôr-do-sol” é servido um snack com sumos, pisco sour, batatas fritas, amendoins e bolachas. O lanche soube mesmo bem naquela altura. Foi também nesse momento que se conversou um pouco mais com o guia e ele explicou alguns rituais que tem na sua comunidade de origens indígenas. Explicou que apesar dos espanhóis os terem ensinado a ser católicos, nunca esquecem a Pachamama (mãe terra) e ainda hoje lhe dão oferendas, como o primeiro pedaço do que vão comer, ou o primeiro “gole” do que vão beber.

Este tour é encontrado na cidade a um intervalo de preços desde os 15.000 aos 75.000 CLP (20€ a 100€), mais a entrada no parque.

Vale a pena?
Sim! A paisagem é muito especial. Não haverá muitos sítios do mundo com esta paisagem e com este tipo de lagoas, salgadas, onde ainda por cima se pode nadar. Entre as lagunas escondidas e a laguna Cejar já não podemos dizer qual escolher. O nosso fator de decisão foi financeiro e pelo tempo de permanência, e não nos arrependemos!

365 dias no mundo estiveram 3 dias em San Pedro de Atacama, de 18 a 22 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: caro
Categorias: paisagem, natureza, aventura, deserto, montanha
Essencial: Geysers del Tatio, Tour Astronomica, Lagunas Escondidas de Baltinache, Valle de la Muerte, Salares de Atacama e del Tatio, Piedras Rojas, Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Termas de Puritama, Valle Arco-iris, Vulcão de Licancábur, Valle de la Luna
Estadia Recomendada: 4 dias (para fazerem todos os pontos de interesse em carro próprio) ou 1 semana para fazer em tour

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Mais sobre o Atacama:

Deserto do Atacama – Fomos enganados mas aprendemos os truques

Guia do Valle da Muerte em bicicleta

Space Tour do Atacama

Geysers del Tatio

Guia – Como escolher o melhor tour e agência para o Atacama

2 thoughts on “Lagunas escondidas de Baltinache – Atacama (Chile)

    1. Olá Catarina! Não tivemos qualquer problema, mas entramos por fronteira terrestre a partir da Argentina. Também nunca pedimos qualquer autorização nos países da América do sul, central e EUA, e nunca nos foi questionado nada, tanto em aeroportos como fronteiras terrestre. Tivemos mais problemas com o robô de cozinha portátil que deve brilhar no raio-x! 🙂 Não sabemos se entretanto a legislação dos drones mudou…
      Boa viagem! Depois conte como correu!

      Gostar

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