Geysers del Tatio – Atacama (Chile)

O tour começa de madrugada, com a carrinha a passar no hostel próximo das 5 da manhã. Segundo a guia, começa cedo porque os geysers são mais fortes de manhã, quando o terreno está frio. A viagem ainda é longa, por isso pode-se dormir durante o percurso, que se faz de luzes apagadas para ajudar no processo.

Este foi um dos tours em que fomos trocados de agência. Sinceramente, achamos que não fomos muito bem servidos. A guia era um bocadinho arrogante, estava cheia de frio e com pressa. Mais do que uma vez disse que quem quer andar devagar deve optar por um tour privado.

À chegada ao parque pagam-se os 10.000 CLP (13,5€) de entrada e pode-se ir ao quarto de banho. Fixem bem o autocarro porque nessa altura já vão encontrar dezenas deles, certamente semelhantes ao vosso.

Os geysers estão a 4250 metros de altitude, por isso faz frio, muito frio (cerca de -15⁰C na altura em que fomos). Deve-se levar roupa em camadas para poder tirar durante o dia. As agências aconselham até a levar mais do que um par de meias e, como podem ver nas fotos, a Raquel cumpriu à risca o conselho, e mesmo assim teve frio.

Chegados aos geysers, já ao amanhecer, começam as recomendações, andar sempre em grupo, não ultrapassar as marcas do chão, não tocar na água que está a ferver, não parar demasiado tempo para fotografias e seguir sempre a guia. O problema de seguir sempre a guia é que ela vai circulando de geyser em geyser parando pouco tempo em cada um. Mesmo com frio, o tempo de explicação sabe a pouco. Outro problema é a imensidão de gente, com grupos de turistas por todo o lado, todos a seguir as mesmas regras e em volta dos guias.

É interessante, é diferente, mas se calhar tínhamos expectativas demasiado altas, estávamos à espera de grandes explosões de água, a atingir uma grande altitude, e isso foram eventos raros. Acabou por ser interessante, mas não extraordinário. Durante o tour do salar de Uyuni ficámos até com o sentimento de algum arrependimento, porque visitámos outro campo geotérmico e ficámos com aquela sensação que podíamos ter feito outro tour, para não repetir a experiência.

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O que valeu mesmo a pena? O pequeno-almoço. Uma pessoa acorda de madrugada e tem o quê? Fome, pois claro! Qual é a recomendação antes do tour? Não tomar pequeno-almoço, ou pelo menos não beber leite, para não sentir náuseas com a altitude. Portanto, aquele farnel naquele momento soube a manjar dos deuses. Ovos mexidos, fiambre, queijo, pão de forma, pão da região (terrível, está sempre rijo e é espalmado), chá, café, chocolate quente e bolos.

A seguir ao pequeno-almoço foi hora do banho na piscina de águas termais. O que nos disseram é que a água é quente, agradável. Pois, mas não, não para os padrões da Raquel. No máximo dos máximos está morninha, o que à temperatura que se sente a mais de 4000 metros de altitude é desagradável. Aqui, só a Raquel e a Carrie se aventuraram, tendo o Tiago e a Sophie ficado a ver. Para o Tiago, não se justificava a logística de ter de tirar todas as camadas de roupa, para depois ter de apanhar com temperaturas negativas para as vestir novamente. Havia zonas onde a água era mais quente, mas estavam ocupadas. O espaço é organizado e limpo, com balneários com porta para se mudar de roupa. Só é pena a água termal não estar a 40⁰C. Ah, a guia obviamente recomenda não permanecer muito tempo dentro de água, mas quem é que quer passar ali a manhã toda se ela está quase “fria”? Claro que estamos a exagerar, estamos mal-habituados.

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Depois do banho rejuvenescedor, visitámos uma pequena aldeia em Machuca, vendo pelo caminho vários lamas. Ainda não falámos neste simpático animal, mas a partir de agora vão ler muitas vezes sobre a família dos lamas, alpacas, vicunhas e guanacos. A aldeia é quase, quase, uma aldeia típica, não tivesse já alguns sinais de civilização moderna, como energia, através de painéis solares, e janelas e portas em caixilharia de alumínio. Ali moram pouquíssimas famílias e este turismo acaba por lhes dar algum rendimento extra. À hora de passagem pela aldeia é altura do reforço de meio da manhã, e cada um decide o que quer experimentar, com destaque para os petiscos de lama, em espetada ou empanada. Mais uma vez, é um sítio onde todos os tours param à mesma hora, por isso encontra-se apinhado, especialmente na fila da grelha de onde saem as espetadas.

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Depois desta visita à aldeia regressámos à cidade, chegando por volta da hora de almoço. Todo o trajeto é lindíssimo, pena não ter mais do que duas paragens, além da anterior.
Este tour tem um intervalo de preços desde os 20.000 até aos 80.000 CLP (27€ a 108€), além da entrada no parque.

Vale a pena?
Se fizerem o tour até ao salar de Uyuni e estiverem de orçamento e tempo limitado, como nós, não aconselhamos. Agora que sabemos, preferíamos ter ido às pedras vermelhas. Mas, não é por isso que deixa de ser um sítio único e espetacular.

Recomendação:
Este tour envolve a permanência em altitude. Como há muita gente que apresenta sintomas, com dificuldade de adaptação, não é recomendado fazer logo no dia de chegada, se não vêm de zonas altas. Recomenda-se chegar ao Atacama, a 2300m, habituarem-se um ou dois dias à altitude da cidade, podendo fazer o vale da morte, da lua, ou as lagoas mais baixas, e só depois começarem os tours mais elevados. Há várias coisas que ajudam, ou pelo menos os chilenos acreditam que sim, entre mascar folhas de coca e beber chá de chachacoma.

Chachacoma é uma planta completamente legal, com propriedades curativas. A folha é vendida em saquinhos na Calle Caracoles, é só ir de loja em loja de artesanato e perguntar se têm, tendo custado 1.000 CLP (1,35€). Faz-se o chá, deixa-se arrefecer e bebe-se frio, ou morno. O cheiro e o sabor são intensos. Não sabemos se faz efeito, mas o certo é que nunca sofremos do “mal de altitude”.

365 dias no mundo estiveram 3 dias em San Pedro de Atacama, de 18 a 22 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: caro
Categorias: paisagem, natureza, aventura, deserto, montanha
Essencial: Geysers del Tatio, Tour Astronomica, Lagunas Escondidas de Baltinache, Valle de la Muerte, Salares de Atacama e del Tatio, Piedras Rojas, Laguna Cejar, Lagunas Altiplânicas, Termas de Puritama, Valle Arco-iris, Vulcão de Licancábur, Valle de la Luna
Estadia Recomendada: 4 dias (para fazerem todos os pontos de interesse em carro próprio) ou 1 semana para fazer em tour

Mais sobre o Atacama:

Deserto do Atacama – Fomos enganados mas aprendemos os truques

Guia do Valle da Muerte em bicicleta

Space Tour do Atacama

Lagunas escondidas de Baltinache

Guia – Como escolher o melhor tour e agência para o Atacama

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