Dia 1 – Salar de Uyuni – Um mundo a 5000m de altitude (Bolívia)

Então, agora que já fizemos um resumo geral das recomendações e o que levar (aqui), vamos descrever o nosso tour por dias. Vai ser longo, esperemos que não se torne aborrecido, mas achamos importante descrever o tipo de serviço que tivemos, incluindo as refeições, para perceberem que vale cada peso gasto.

Dia 1 – O mundo a 5000m de altitude

A primeira paragem é o posto de imigração do Chile, ainda em San Pedro do Atacama. O motorista vai-nos buscar ao hostel cedíssimo, porque quanto mais cedo chegar ao posto PDI do Chile, mais cedo somos atendidos. É nessa altura que se percebe quantas pessoas saem por dia para fazer este tour. Vêem-se carrinhas de agências por todo o lado. Chegamos ao posto, este ainda se encontra fechado, mas depois de abrir é rápido. Entrega-se o formulário (tarjeta única migratória) e o passaporte, o funcionário carimba o passaporte e devolve-o. É nesta fase que conhecemos 6 das 7 pessoas com quem partilhamos os cerca de 4m³ de volume interior do jipe onde passaremos grande parte dos próximos 3 dias.

A segunda paragem é a fronteira propriamente dita, com a entrada na Bolívia, respetivo carimbo e pequeno-almoço. No nosso grupo éramos nós, a Carrie (galesa), o Daniel (brasileiro), o Michael (francês) e a Jin (sul-coreana). Só a Jin necessitava de visto e, de forma inteligente, pediu com antecedência, porque é mais caro na fronteira. Para os europeus o processo é simples, entregar passaporte, funcionário carimba e devolve.

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A fronteira

Apresentam-nos aqui a empresa com que vamos fazer o tour, a Cruz Andina. O motorista que nos leva até à fronteira é o que nos serve o pequeno-almoço. O pequeno-almoço foi fantástico – pão fresco (foi aqui que percebemos que andámos a comer pão ressequido todos estes dias, porque quando é fresco é mole), abacate, queijo, fiambre, bolo, banana, café, chá e chocolate quente. Havia variedade e quantidade. Quando chega o motorista e guia boliviano, no veículo que nos acompanha durante os próximos dias, começa a logística de arrumar as malas e as principais explicações. A mais importante é que a mochila colocada no tejadilho de manhã só sai no final do dia, portanto tudo o que vai ser preciso tem de estar na mochila que nos acompanha. Para este primeiro dia não se pode esquecer o fato de banho, chinelos e toalha de praia. Há todos os cuidados para as coisas ficarem bem presas e não se encherem de pó, com tudo embrulhado numa lona. Não há motivos de preocupação, nada voa durante a viagem, nem sequer os garrafões de água.

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O agradável pequeno almoço na fronteira

A terceira paragem é para pagar o Parque Nacional Eduardo Avaroa. Preenche-se um impresso e pagam-se 150 BOB (19€). Também é aqui que se pode ir ao quarto de banho – 3 BOB (0,38€). A partir da fronteira muitas das casas de banho vão ser péssimas e nunca vão ter papel.

Este dia é um dia duro de adaptação à altitude porque se abandona a cidade de San Pedro a 2300m e atinge-se os 5000m. Passámos todos mais ou menos bem com a altitude, a Raquel teve dores de cabeça, mas resolveu com paracetamol. Só a Jin passou mal, mas mais ao final do dia.

A partir daqui começa o tour propriamente dito, com toda a logística já resolvida. A primeira atração do dia é a laguna blanca, grande, de cor branca e gelada em algumas zonas. A agua é tão branca que a lagoa funciona como um espelho das montanhas ao seu redor. Uma ótima forma de começar o tour!
A seguir visita-se laguna verde, que é desta cor pela quantidade de sais de arsénico, chumbo, magnésio e carbonato de cálcio. A lagoa é tóxica, não tendo nenhum tipo de vida na água. Fica verde esmeralda quando o vento agita os sais, dando um belo postal com o vulcão Licancabur por trás. As duas lagoas são completamente diferentes uma da outra, mesmo estando lado a lado.

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Laguna Blanca

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Antes do almoço ainda parámos no deserto Salvador Dali, ou Pampa Jara, a 4750 metros de altitude. Este deserto é um conjunto de rochas vulcânicas no meio da planície, com as montanhas coloridas de fundo. O Salvador Dali nunca conheceu este deserto, mas o nome vem pela similaridade com as suas obras. Vêem-se montanhas multicoloridas, aquilo a que chamam montanhas de cores ou arco-íris, porque parece que foram pintadas com vários lápis de cor, que vão do vermelho ao cinzento, passando pelo laranja e amarelo.

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Pampa Jara

Quase de seguida vem a paragem na piscina termal. A piscina não é muito grande, custa apenas 6 BOB (0,76€) e inclui o uso dos balneários. A água está a 38°, o que a torna muito mais agradável que a do tour nos geysers del Tatio, onde estava mais para o tépido, a temperatura exterior também é mais agradável, por estarmos próximos das 12h. O almoço é junto à piscina, num edifício próximo. Chegámos à mesa e já o Eme tinha tratado de tudo, com a mesa posta e bebidas ao dispor. O almoço estava muito saboroso, eram legumes salteados com salchichas e frango, puré de batata e salada. A quantidade de comida das refeições nunca é imensa porque dizem que com a altitude não se deve comer muito, principalmente ao jantar. Como o nosso grupo tinha 3 raparigas e 3 rapazes, isto nunca foi problema.

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Sem qualquer pressa, após o almoço seguimos para o Sol da Manhã, um campo geotermal de 10km². Lemos na internet que isto não são geysers, apesar de toda a gente os denominar assim, mas sim um campo de águas sulfurosas. Visualmente é semelhante, porque se vê o fumo que vem do solo até ao céu, mas quando se olha para os orifícios vê-se que estão preenchidos com barro cinzento a ferver. É um campo bonito porque os minerais dão diferentes colorações ao solo. Deverão ter algum cuidado e respeitar os limites.

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A partir daqui começamos a descer, com uma paragem na Laguna Colorada, onde vemos os flamingos. À primeira vista o cérebro faz-nos uma partida e a primeira coisa que vem à cabeça é uma poça gigante de sangue. A lagoa é avermelhada devido a quantidade de algas e sedimentos avermelhados, e é pouco profunda. Nesta lagoa, como se vê pelos flamingos que usam esta zona para fazer ninhos, já há vida nas águas. Os flamingos estão em grupos grandes e quando voam deixam uma bela mancha cor de rosa no céu. Nesta zona há também bórax, um mineral alcalino com diversas finalidades, passando-se por áreas onde o estão a extrair.

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Laguna Colorada

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Este dia termina em Villa Mar, uma pequena aldeola, numa pensão. Há o cuidado do guia em nos arranjar um quarto matrimonial, enquanto os restantes 4 ficaram num dormitório. A pensão é simples, mas limpa, e dão-nos um lanche antes do jantar. É nos dado chá e chocolate quente com bolachas enquanto conversamos para nos conhecer melhor. O jantar é sopa de legumes e esparguete com molho de tomate. As casas de banho são fora do edifício, o que de noite, com o frio, torna as idas desagradáveis. O banho é pago porque têm esquentador. Já não nos recordamos do preço, mas é em torno de 10 BOB (1,25€). Apesar do quarto ser frio, a cama estava bem equipada e não passámos frio.

A aventura continua aqui

365 dias no mundo estiveram 3 dias em tour no Salar de Uyuni, de 22 a 24 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: maravilha do mundo, paisagem, natureza, aventura, deserto, montanha, vida selvagem, salar

3 thoughts on “Dia 1 – Salar de Uyuni – Um mundo a 5000m de altitude (Bolívia)

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