DIA 3 – SALAR DE UYUNI – O INFINITO BRANCO (BOLÍVIA)

 

É verdade, está a acabar, chegamos ao terceiro e último dia do nosso tour. Se ainda não leram, ou quiserem rever, podem encontrar o primeiro dia descrito ao pormenor aqui, o segundo dia aqui, e o resumo geral, com as nossas recomendações e o que deverão levar convosco, aqui.

Nesta altura já sentíamos a nostalgia misturada com o prazer de ver mais uma coisa nova.

Dia 3 – O Infinito Branco

Este dia começa de madrugada. Custou muito sair da cama antes das 5 da manhã, mas apesar de estarmos às portas do salar, o percurso até à ilha é longo, e queremos estar lá em cima para ver o nascer do sol do melhor “spot”. A entrada na ilha Incahuasi custa 30 BOB (3,8€) e inclui quarto de banho com papel, água e desinfetante.

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Um dos efeitos da altitude é o cansaço extremo, mas só nesse dia é que o nosso corpo nos mostrou como ficava cansado a subir até ao ponto mais alto da ilha. Os degraus pareciam intermináveis, os rapazes subiram mais rápido, mas as raparigas ficaram a arfar nas pequenas paragens que foram fazendo. Chegando lá acima, percebemos que a ilha não é muito grande, está repleta de catos gigantes e permite uma visão 360⁰ inesquecível do salar. Em qualquer direção, tudo o que se vê é sal, quase como se fosse neve. Ficamos ali, a invejar os que trouxeram mantas e a eleger aquele que achámos ser o melhor ponto para ver o “rei” sol chegar. E ele chega, vermelho, e vai subindo para o seu trono, lentamente, de forma consistente, mostrando que o nosso dia no salar, e o espetáculo, está apenas a começar.

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Em toda a ilha há gente, a mesma gente que vimos nas paragens durante os últimos dois dias, quase sentimos que conhecemos as pessoas e já se trocam “hello´s”. Após o amanhecer, ainda se fica ali a explorar a ilha e dá tempo para testar as primeiras fotografias no salar. Entretanto, surge o pequeno-almoço, e dá vontade de encher o Eme de abraços por esta maravilha. Há bolo fresquinho, café, chocolate-quente, iogurte, cereais, doces. E começamos a pensar que não há nada de que nos possamos queixar neste tour, que foi dinheiro muito bem gasto.

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Seguimos caminho, já totalmente de dia, para admirar a navegação por este mar de branco, com o nosso jipe a percorrer uma estrada infinita, até nos determos em nenhures para as famosas fotografias com o efeito de não profundidade. Voltamos a ser crianças, deitamos-nos no sal, ficamos com cristais agarrados ao corpo, fazemos mil e uma posições, até à exaustão. Depois, o Eme assume as rédeas de quem faz isto todos os dias e tira as melhores fotos de grupo, aquelas que iremos procurar quando nos quisermos recordar destes três dias maravilhosos.

Voltamos a entrar no jipe para percorrer os últimos quilómetros até ao antigo hotel de sal, às portas do salar, hoje museu, o monumento das bandeiras e o recente monumento ao Dakar. No monumento das bandeiras é ritual procurar a do seu país. Havia uma de Portugal e nenhuma de Angola (a Raquel devia ter levado uma). Aqui temos de deixar um reparo. A nossa bandeira está vandalizada, uns franceses não conseguiram lidar bem com a derrota no Euro 2016 e vingaram-se na bandeira portuguesa. Se alguém passar por lá, levem uma nova para substituir. O monumento do Dakar está feito em sal, um bocadinho danificado pela natureza, mas mesmo assim impressionante.

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Quase toda a gente vem ao salar à espera de encontrar água para tirar fotografias com o efeito de espelho. No entender do Eme viemos numa boa altura, porque agora não há água e consegue-se atravessar todo o salar. Se não há água, não há efeito de espelho. Por um lado, ficamos felizes por conseguir atravessar o salar, por outro ficamos desiludidos por não ter este efeito espetacular, que poderão encontrar de janeiro a março. Soubemos há poucos dias pelo Scott, que conhecemos no Atacama e reencontrámos na fronteira do Equador com a Colômbia, que há quem tenha ido na mesma altura que nós e tenha fotos com água. Pelos vistos há uma zona do salar que está sempre com água, mas só alguns tours vão até lá.

A nossa ultima paragem é em Colchani, uma vila onde vamos almoçar e comprar artesanato. A rua principal onde circulamos é nitidamente para turistas, onde se vendem ponchos, xailes, gorros, cachecóis, canetas, porta chaves, etc., encontram-se aqui todo o tipo de souvenires. O almoço foi frango com massa e laranjas, a última refeição preparada pelo nosso guia.

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Há uma paragem extra que por indicação do grupo não se faz, o cemitério dos comboios. O Eme explica que são comboios antigos deixados abandonados, cheios de ferrugem, e que é uma zona cheia de mosquitos.
Somos deixados em Uyuni, uma cidade pequena, onde apanhamos o autocarro para Potosí e depois para Sucre. E acabou, despedimos-nos uns dos outros, trocámos contatos e desejámos boa sorte aos planos que cada um de nós tem para os próximos meses.

365 dias no mundo estiveram 3 dias em tour no Salar de Uyuni, de 22 a 24 de Abril de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: maravilha do mundo, paisagem, natureza, aventura, deserto, montanha, vida selvagem, salar

 

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