Arequipa – A Cidade Branca preferida da Raquel (Peru)

De Puno para Arequipa viajámos de autocarro da Cruz del Sur. Há algumas empresas de transporte dentro do Peru, umas mais duvidosas, outras mais caras, mas também de maior qualidade, sendo esta a companhia preferida dos turistas. Parece que vão apanhar o avião, as malas são deixadas antes, pesadas, e é a companhia que as coloca no autocarro, cada passageiro é filmado, há controlo de passaportes e as malas de mão são revistas. Além disso, pode-se escolher com antecedência a refeição. É também a companhia mais cara, mas há bilhetes em promoção para quem compra com antecedência. Geralmente não são juntos, mas depois consegue-se quase sempre pedir para trocar de lugar com outro passageiro. Poderão também comprar online, ao mesmo preço das lojas físicas, servindo assim também para verificar se ainda existem bilhetes em promoção.

Depois de Puno, a Cidade Branca, República Independente do Peru, ou Cidade Revolucionária, de 1 milhão de habitantes, é uma lufada de civilização. Quando nos perguntam num tour porque será que chamam à cidade a “cidade branca” parece-nos lógico que é por estar revestida a branco, cor da pedra vulcânica silhar, mas não podíamos estar mais enganados. A cor que hoje em dia pinta os edifícios não reflete a sua cor original. Antes possuía uns murais pintados, retirados em 1970. Refere-se sim à tez clara dos moradores da cidade, um grande número de espanhóis, portanto a cidade dos brancos.

Arequipa é uma cidade de alguma importância no país, a segunda maior a seguir a Lima, ficando a meio caminho dos Andes até ao mar, ótima para o comércio e famosa pelo seu chocolate (chaqchao em aymar).

É uma cidade a 2335m de altitude, rodeada de vulcões, vales, canhões e montanhas. Fica entre três vulcões, o Ampato (6288 m), o Chachani (6075m) e o Misti (5825m), alguns dos canhões mais profundos da terra, o Cotahuasi e o Colca (famoso pelo voo do condor, tour que fizemos aqui), e também muita atividade sísmica. Durante a nossa estadia um dos vulcões emitia fumo e houve um sismo na região do Colca, mas o último grande foi em 2001 (8.4).

A cidade foi fundada por Francisco Pizarro a 15 de agosto de 1540, sobre uma cidade inca, para não variar. Em 2000, foi considerada património da humanidade pela UNESCO.

Não vai ser difícil encontrar um arequipenho que vos mostre o seu segundo passaporte, provavelmente o que considera mais importante. Dois passaportes? Sim, em Arequipa pode-se ter o passaporte do Peru e o de Arequipa. O da cidade acaba por ser um souvenir, mas não deixa de ser engraçado este sentimento de independência tão forte, levando até à criação do passaporte.

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O que fazer:

A Plaza de Armas, das mais bonitas do país, não pode ser perdida. Antigamente era onde se situava o mercado e a guilhotina.

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Plaza de Armas

Na mesma praça encontram a Catedral, que sofreu vários danos no terramoto de 2001, incluindo a queda da torre esquerda. Está aberta ao público das 17h às 20h. Tem a particularidade de ter um diabo dentro da catedral (fica num púlpito esculpido em madeira, junto aos bancos, do lado direito) e um órgão belga de 15 metros de altura. Há também uma escultura de Jesus representado como negro, El Jesus Moreno. Não há muita informação sobre isso, mas lemos que é uma estátua trazida por espanhóis. Lemos comentários em como se pode subir uma escadaria e ter uma vista panorâmica da cidade. Não percebemos que essa possibilidade existisse, portanto, ou nos escapou, ou já não é possível. Tem entrada tanto pela praça como por uma rua nas traseiras, onde o nosso drone decidiu falecer, com um voo digno de um kamikaze.

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Basílica Catedral de Arequipa

Iglesia de la Compañia Santo Domingo, de arquitetura em estilo barroco andino. Na época colonial os andinos não podiam entrar, então o estilo barroco andino permitia às pessoas identificarem-se com a igreja católica enquanto ouviam a missa na praça. É fácil encontrar na fachada a cruz andina, o milho e outros elementos “da cultura mestiça”. Tinha pinturas que remetiam para a Amazónia em capa de gesso, como frutas e índios, mas a maioria foi retirada.  É obrigatório entrar e procurar a imagem da última ceia à esquerda. É bastante diferente, sendo talvez das imagens que melhor representam a apropriação de elementos culturais andinos. No quadro vê-se que a mesa é redonda (símbolo de equidade) e estão à mesa espigas de milho, o porquinho da Índia (cuy) e as malaguetas. Os Jesuítas foram expulsos em 1767 da cidade e a igreja é do Séc. XVII.

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Iglesia de la Compañia Santo Domingo
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A Última Ceia Andina

Colégio de Santiago. Antigo colégio jesuíta, de entrada gratuita porque os belos claustros têm hoje lojas e restaurantes. Do andar superior é possível observar os três vulcões. Após a expulsão dos Jesuítas o edifício foi abandonado, até à sua compra por um banco já no Séc. XX.

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Claustros do antigo Colegio de Santiago

Mercado de San Camilo. É uma experiência cultural e gastronómica completa. Bebam um sumo natural, procurem o famoso queso helado, gelado típico de canela, baunilha, canela e coco (não tem queijo), e o adobo, prato típico de Arequipa (leva porco, cebola, milho fermentado e aji) servido com pão de três pontas. Vão à secção das vísceras, algo que para um português que goste de cabidela ou sarrabulho não é estranho, mas, para um estrangeiro, passar por bancadas a vender corações, rins ou tripas, já pode ser uma verdadeira experiência.

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Bancada de sumos no Mercado de San Camilo

Ir à Calle la Merced, uma rua de várias misturas arquitetónicas.

Há três museus de preços mais acessíveis, o Museo do Banco Central, o Museo (casa de la cultura) Santuarios Andinos e o Museo Unsa. A Casa de La Cultura Santuarios Andinos tem uma entrada de 20 PEN (5,2€) (o Tiago pagou 10 PEN com o cartão IYIC) e lá pode-se ver o corpo inca melhor conservado encontrado no canhão do Colca. A múmia Juanita foi encontrada na montanha, numa expedição criada para encontrar crianças sacrificadas no vulcão Misti pelos incas, para acalmar a natureza. O museu conta a historia da expedição, tem bastantes artefactos e mostra mesmo a múmia. É impressionante ver como a Juanita está bem conservada. Todas as visitas ao museu são feitas com guia, em espanhol ou em inglês.

Ir aos Tambos, pousadas dos incas. Este era o local onde se fazia o intercâmbio de produtos, como mercados andinos. Deixam de ser utilizados em 1870, com a chegada do comboio, e passam a ser utilizados como habitação.

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Ir ao Mosteiro de Santa Catarina, uma cidade dentro da cidade. Não fomos porque custava 40 PEN (10,5€). Muitas vezes, viajar a longo prazo e com orçamento limitado faz isto, e neste caso não chegámos a acordo sobre se valia ou não o esforço financeiro e acabámos por não fazer algo que sabemos ser especial. Ao longo da história, a segunda filha mulher de cada família era enviada para o convento, que chegou a ter 450 mulheres, incluindo as funcionárias, aias e noviças, mas hoje em dia tem apenas 16 freiras. O espaço é muito grande, cerca de 20.000m², daí se dizer que é uma cidade dentro da cidade.

Fazer um free walking tour. Têm várias empresas à escolha, nós fizemos o que começa às 10h junto a uma das fábricas de chocolate, a Chaqchao Chocolate, na Calle Santa Catalina, 204. Foi o único free walking tour até hoje em que não fomos pressionados a dar gorjeta. A guia sentou-se no restaurante onde nos mostrou o passaporte da cidade, após o brinde final com pisco sour, sem nunca referir que lhe deviam ser entregues as gorjetas.

Onde comer:

Arequipa é muito forte na gastronomia. É obrigatório comer no mercado, onde nós pedimos os pimentos recheados e um adobo, e ficamos satisfeitos. De resto, a oferta na cidade é grande, para todos os gostos e preços.

Onde dormir:

O nosso hostel, El Albergue Español Backpackers, não sendo de todo o local ideal para cozinhar (chamam cozinha a um terraço mal-arranjado, com tudo demasiado sujo), para dormir até é agradável e tem uma localização central. Tem lavandaria e um catálogo de tours, que nós utilizámos para o vale dos condores.

Vela a pena:

Ser a cidade preferida da Raquel no Peru (e arredores) já diz muito. O centro histórico está irrepreensível, tem movimento turístico, mas sem ser demasiado, o clima é ameno e não está a demasiada altitude. Nós gostámos e recomendamos uma estadia prolongada para que se possa conhecer bem a cidade, não esquecendo que o tour do canhão de colca dura pelo menos um dia. Só temos pena que tenha sido o local onde o nosso drone ficou completamente doido.

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Último voo do drone na Plaza de Armas

365 dias no mundo estiveram 2 dias em Arequipa, de 1 a 2 de Maio de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: cidade, cultura, história, trekking, natureza, gastronomia
Essencial: Canhão de Colca, Mosteiro de Santa Catarina, Iglesia de la Compañia Santo Domingo, Catedral, Colégio de Santiago, Mercado de San Camilo, Casa de La Cultura Santuarios Andinos
Estadia Recomendada: 4 dias

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