DJI Mavic – O drone que viaja mais que nós

Quando começámos a planear a viagem com a certeza de que a iríamos fazer, quisemos fazer dela algo inesquecível. Para além de escolher com cuidado os destinos, começámos a estar atentos aos descontos em lojas de roupa de desporto para comprar o que nos iria fazer falta e a ler avaliações de mochilas em blogs.

Outra questão importante era como registar o que víamos? Só com a Nikon? Valeria a pena comprar uma GoPro? Obviamente que estas escolhas são condicionadas pela almofada financeira de cada um, mas nós já tínhamos a coisa tão delineada que tínhamos dinheiro de parte para alguns investimentos. Começámos a ver vídeos de outros viajantes e para nós fazia sentido ter uma GoPro, já que lamentávamos não ter uma quando passamos por São Tomé, Maldivas ou Croácia. Depois, porque gostamos de eletrónica, e porque o Tiago gosta de fotografia e vídeo, começámos a pensar na hipótese do drone. “Um drone é que era”, e assim foi. Remoemos a ideia, começámos a analisar modelos e havia dois problemas, o Karma da GoPro tinha um problema e estavam a ser todos recolhidos, e o Mavic da DJI não sairia em Portugal a tempo da viagem. Mas íamos em janeiro a Nova Iorque, uma promoção que encontrámos, portanto era uma hipótese, apesar de os brasileiros terem péssimas experiências com avarias de equipamentos comprados nos EUA, mesmo assim decidimos arriscar.

O drone foi então comprado nos EUA e utilizado até à viagem por duas vezes em Portugal. Em viagem foi utilizado em São Paulo, pouquíssimos minutos, porque não era permitido dentro do parque Ibirapuera. Em Rosário já não funcionou como devia. E agora? O que tínhamos feito mal? Começou o contacto com a marca, que tem um serviço de apoio ao cliente péssimo. Sabem aquele funcionário de call center que vos responde com frases feitas e zero soluções? Era um desespero, o Tiago ficava desmoralizado a cada contacto, e só pensávamos que tínhamos feito mal em comprar nos EUA.

Em Buenos Aires vamos a um “service center” autorizado que nos informa que a DJI obriga a enviar o drone de volta à fábrica e que tem que ser pago por nós, porque não há garantia internacional. E que o envio do modelo para a Argentina está tão atrasado que ele ainda não esteve com nenhum na mão e nem tem peças para fazer qualquer reparação. Mesmo que tivesse peças e o pudesse reparar, a despesa seria por nossa conta.

Em Mar del Plata recebemos finalmente a autorização da marca para o enviar para a Califórnia e seguiu viagem, por DHL. A caixa levava a morada de Portugal, e uma nota que não podia regressar a Mar del Plata porque somos turistas em viagem. Mas que o ideal para nós seria enviar para Lima, local onde têm um representante.

Estamos nós em Pucon e o drone está finalmente reparado e informam-nos que o vão enviar para Mar del Plata. O QUÊ? Para aí não! Ligamos de imediato para a DJI e passado uns dias recebemos um mail da UPS a dizer que a sua encomenda se encontra a caminho do Hostel em Mar del Plata. Sabem aqueles dias em que apetece perguntar ao outro lado “mas vocês aí batem bem?”. Qual era a dificuldade em entender? De cada vez que tentávamos contactar o apoio ao cliente o funcionário era diferente e precisava de novo enquadramento (a página não permite gravar uma transcrição das conversas). Pedimos para contactar um superior, não era possível, não têm nenhum contacto direto.

Pronto, a solução era contactar a UPS, explicar o que aconteceu e pedir para alterar a morada de envio para Santiago. Conseguimos alterar a morada, mas apenas dentro da Argentina, o centro UPS mais próximo era Mendoza e tivemos que alterar os nossos planos para ir buscar o drone de volta à Argentina. Não finalizadas as peripécias, o drone ainda ficou retido em Buenos Aires porque a alfândega queria receber taxas de importação.

Lá conseguimos resolver, mas como era fim de semana da páscoa, o drone só chegaria a Mendoza na segunda-feira. Prolongámos a estadia em Santiago em mais duas noites e seguimos para Mendoza na noite de sábado. Chegámos domingo e não conhecemos nada da cidade. Era domingo de páscoa, estava tudo fechado, agências de turismo, excursões, rent-a-car, vinhas… E chovia. Segunda-feira ainda pensámos alugar carro para ir à Puente do Inca e à montanha mais alta da América do Sul, mas o preço era caríssimo (não se esqueçam que voltámos à Argentina). Fomos à UPS e o drone chegou meia hora depois, permitindo-nos seguir para Santiago mais cedo para tentar ir para o Atacama no autocarro das 21:25h.

Por causa de umas senhoras que estavam a tentar passar com material para comércio sem declarar o nosso autocarro atrasou cerca de uma hora e não conseguimos apanhar o próximo. A Raquel é muito exigente com atendimentos, detesta gente incompetente e fica maravilhada quando nos cruzamos com funcionários que se preocupam em dar soluções e não só informações. No primeiro balcão informaram-nos que já não havia bilhetes. Insistentes, fomos a outro balcão e esse funcionário disse-nos que havia outra solução, seguir essa noite para Antofagasta e daí procurar um autocarro para San Pedro do Atacama, porque de lá há imensos. E assim fizemos.

Falando em competência, se estamos desiludidos com a DJI estamos maravilhados com a DHL de Mar del Plata e a UPS. Foram extraordinários, e sem a sua preciosa ajuda ainda estaríamos à espera que a DJI resolvesse a situação.

Entretanto, porque quando algo não funciona, não funciona mesmo, o drone que veio já era outro, o que quer dizer que o defeito que tinha não foi reparável. E correu tudo bem no Atacama e no salar Uyuni. Em Arequipa está tudo fantástico, com autorização para voar da polícia, escolhemos uma rua calma para não criar aquele efeito multidão em volta do Tiago e tudo corre bem durante o voo. Quando o drone volta para aterrar, quase toca no chão e aí fica louco, levanta novamente e espeta-se contra uma parede. A sério??? Tiago furioso, Raquel a pensar naquela criança que passou dois minutos antes com a mãe do lado contrário. Até hoje não sabemos que se passou. Sabemos, mais uma vez, que temos um drone caro, inútil, a pesar na mochila, desfeito, e sem garantia fora dos EUA.

Perdemos paisagens fantásticas para filmar com o drone, mas não dá para deixar de pensar se é tão seguro quanto devia.

O drone seguiu para os EUA a partir de Miami e continua a ser um filme. A marca recusa-se a assumir a reparação e não está a ser fácil explicar que o drone se passou da cabeça minutos depois de estar tudo bem, sem ligar uma única mensagem de perigo.

O nosso único consolo é as imagens que conseguimos em meia dúzia de voos.

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