Rainbow Mountain – Quando se encontra o arco-íris (Peru)

Não é dos tours mais famosos da cidade, o que é uma pena, porque a paisagem é inesquecível! A partir da mesma posição, girando a cabeça 360º, conseguem ver o manto branco de um glaciar e um arco-íris pintado na encosta de outra montanha. Indescritível!

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A caminhada dura 5 horas, 3 horas para subir dos 4.300m de altitude até aos 5.000m, numa extensão de cerca de 7,5km, e 2 horas para descer, seguindo o mesmo percurso, totalizando 15km (ver o mapa abaixo). Mesmo para nós, que já vínhamos com muitos quilómetros nas pernas, é de extrema dificuldade, tanto pela violência do desnível e inclinação, mas principalmente pela altitude, que, se já nos deixava ofegantes quando tínhamos de dar alguns passos nas montanhas junto ao Salar de Uyuni, aqui levou-nos para um patamar completamente diferente, com 5 horas a caminhar nas alturas. Para entenderem o grau de dificuldade desta subida reparem na tabela abaixo: caminhamos acima do Mont Blanc, a montanha mais alta da Europa (exceto Rússia) onde o oxigénio efetivo, devido à descida da pressão atmosférica com a altitude, é reduzido em cerca de 50%!

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Fonte: Higher Peak
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Fonte: Google Earth

A escolha da agência para fazer este trekking é muito importante, e aqui foi talvez onde se tornou mais evidente a importância de uma boa escolha. Assim que chegámos ao sopé da montanha foi servido um pequeno-almoço simples. O guia explica algumas regras, que não se iriam cumprir, como ir em grupo, não permanecer mais de 30 minutos no topo da montanha, e a hora de regresso para almoçar. Explica também que há cavalos para alugar. Esses cavalos servem para levar os turistas até ao topo em troca de um preço aparentemente alto. Mas não desvalorizem desde logo a necessidade deste “luxo”. O trilho tem uma dificuldade elevadíssima e talvez metade dos turistas acabe por alugar um cavalo para pelo menos parte do percurso. Nós fomos e voltámos pelo nosso próprio pé… Mas foi duro!

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A altitude dificulta a caminhada e dá muita vontade de parar, mas não se deve. O corpo fica confuso se passa o percurso a parar e recomeçar. Nós só voltámos a ver o nosso guia em três momentos da caminhada: na bilheteira, a meio do percurso, para nos dar os nossos bilhetes, no topo, meia hora depois de já lá estarmos, e no autocarro, enquanto esperávamos pelos restantes passageiros para ir almoçar. Não fomos muito depressa, mas o suficiente para ir sempre à frente dele, e termos sido dos primeiros a regressar.

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A maioria das agências desvaloriza o nível de dificuldade e, querendo vender o máximo de tours, não explica bem o que se passa ali. Durante a viagem estávamos chocados com a quantidade de turistas que não fazia ideia ao que tinha ido, mulheres de all stars, casacos de cabedal, jeans, maquilhagem, enfim… Mesmo assim, pensamos que nada fazia prever que estaríamos duas horas à espera de pessoal, duas horas depois da hora marcada para o almoço. O guia disse que estava chateado porque enquanto descia se cruzou com pessoal que ainda ia a subir e que não obedeceram à sua ordem para regressarem porque já não tinham tempo de subir e cumprir o horário. Mas, na cabeça dessas pessoas, elas pagaram o tour completo, ninguém lhes explicou que metade precisa de alugar o cavalo, por isso elas tinham o direito de subir ao ritmo delas.

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O autocarro foi enchendo, as horas iam passando, as pessoas começaram a ficar mal-dispostas por não comerem há várias horas e faltavam ainda 5 pessoas. As últimas três eram um casal e a mãe dela. A mãe sentiu-se mal com a altitude e teve que regressar em maca e a oxigénio. Felizmente havia um turista médico no autocarro, que tentou por todos os meios que fôssemos direto para o hospital porque o estado dela era grave. Mas não fomos, fomos almoçar primeiro, e a botija de oxigénio dela foi sendo desligada de vez em quando pelos guias para poupar. Provavelmente a sabedoria popular e tradicional do guia era mais eficiente que a medicina convencional porque com chá de folhas de coca, mesmo sem a quantidade de oxigénio recomendada, ela melhorou.

Durante o percurso há vendedores de água, casas de banho e retretes. Mesmo que alugue um cavalo, existem partes do percurso que têm que ser feitas a pé, tanto devido ao piso demasiado escorregadio para o cavalo subir com uma pessoa em cima, como pela inclinação de alguns percursos. Quem quer subir e descer de cavalo não deve pagar adiantado. Paguem só no fim, para não correr o risco de ver o vosso cavalo fugir para outro viajante na descida.

Quando dizemos que a escolha da agência é importante é porque, mesmo sendo apenas uma pessoa a sofrer com a altitude, o oxigénio nem chegou para ela. Além disso, o guia não tinha grandes conhecimentos de primeiros socorros, é da região, da comunidade dona da montanha, e o governo não os autoriza a administrarem medicação. Como o terreno é privado, ambulâncias e policia não podem aceder sem autorização e não há um posto de socorro próximo.

Os nossos companheiros de trekking do Machu Picchu fizeram o tour com a Loki, pagaram 102 PEN (26,75€) e gostaram.

365 dias no mundo estiveram 1 dia na Rainbow Mountain, a 4 de Maio de 2017

Custo: 80 PEN (21€)
Duração: todo o dia (saída às 3:30h e regresso às 20h, considerando o atraso)
Grau de dificuldade: alto
Nível de segurança: fraco
Satisfação: média (com o serviço, a paisagem é maravilhosa)

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