Cusco – O umbigo do mundo (Peru)

Chegámos a Cusco de autocarro, novamente na Crucero del Norte. Os bilhetes promocionais não eram juntos, mas conseguimos mais uma vez trocar de lugar dentro do autocarro. Fomos até ao hostel de táxi, o terminal é afastado do centro e deve ter sido das primeiras cidades onde não nos pareceu fácil chegar de transportes públicos.

Cusco, que pode ser escrito Cuzco, Qusqu ou Qosqo, significa o umbigo, o centro do mundo neste caso. Situada a 3.400m acima do nível do mar, a sudeste do Vale Huatanay (Vale Sagrado) foi o centro administrativo e cultural do império inca (Tahuantinsuyu). Foi invadida em 1532 por Francisco Pizarro que, como um conquistador digno da palavra, saqueou a cidade. Quase todos os edifícios incas foram destruídos e substituídos por novos palácios e principalmente igrejas de influência espanhola. Ainda hoje existe um grande ressentimento quanto a isso, havendo quem defenda a destruição dos edifícios coloniais para que se recuperem as ruínas incas. Algumas destas ruínas estão à vista, como por exemplo o templo do sol, que resistiu ao terramoto de 1950, após a destruição da construção espanhola que se encontrava sobre ele.

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Após a colonização espanhola, a cidade manteve a sua importância, tornando-se o centro da administração do Vice-reino do Peru e, claro está, também após a independência, em 1821. A cidade é a “Capital Arqueológica da América” (1933), “Herança Cultural do Mundo” (1978), “Património Cultural da Humanidade” (1983), “Capital Turística do Peru”, “Património Cultural da Nação” (1983) e a capital histórica do país (1993), principalmente pelas ruínas de Machu Picchu, descobertas em 1911 por Hiram Bingham. Pensa-se que é a cidade habitada mais antiga de todo o continente americano.

O que fazer?
A típica free walking tour. Um dos pontos de encontro das diversas empresas é na Plaza de Armas (Haucaypata). Há três tours diários, de segunda a sexta-feira. São diferentes, mas cruzam algumas das informações. O nosso tour começou na Plaza, onde nos contam um pouco da história pré-colonial e colonial, onde o guia nos pareceu algo tendencioso contra os espanhóis, o que já vem sendo habitual, com aquela verbalização de que Espanha veio destruir uma cultura muito rica e melhor.

Sinceramente, a civilização inca não nos fascina particularmente. Para o Tiago, as construções não são nada de extraordinário, atendendo que têm apenas cerca de 500 anos, e para a Raquel chocam os infanticídios e sacrifícios cometidos em troca de bom tempo e boas colheitas. Os incas, para quem não sabe, centram as suas crenças na natureza, Pachamama (mãe terra), vulcões, sol e lua, que são deuses. O Peru é uma zona muito sísmica e com muitos vulcões. Os incas achavam que essa atividade sísmica se devia ao desagrado dos deuses e sacrificavam crianças nas montanhas após calamidades naturais, porque achavam que isso acalmaria os deuses, ou seja, traria bom tempo. Imaginem a quantidade de crianças que foi sacrificada num país que tem muita atividade vulcânica e sísmica. Aliás, falámos nisso em Arequipa quando dissemos que vimos a múmia Juanita no museu, aqui.

Na Praça de Armas existem várias Igrejas, como a Catedral de Cusco e o Templo da Companhia de Jesus. Várias agências de turismo e restaurantes da moda estão instalados nos antigos edifícios coloniais, portanto merece ser visitada. O governo classificou a parte antiga da cidade como protegida e não é possível alterar as fachadas coloniais, estando bem preservadas.

Ver a Pedra dos 12 ângulos. Está instalada num muro de uma construção inca (Palacio de Inca Roca), hoje o Museo de Arte Religioso, na Calle Hatunrumiyoc. É também neste muro que os guias vos irão mostrar como os incas usaram as pedras para “desenhar” uma cobra, um puma e um condor, símbolos dos deuses do céu, da terra e do subterrâneo. Mas avisamos desde já que é preciso muita, mas mesmo muita, imaginação para conseguir ver. A loja que se encontra nesse muro é um bom local para comprar souvenirs. Para quem tem vontade de comprar peças em lã de alpaca, tenham em atenção as imitações.

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Ollantaytambo. A 97 km da cidade encontram-se estas ruínas incas que podem ser combinadas com a visita a Machu Picchu, permitindo chegar depois a Machu Picchu de comboio.

Sacsayhuaman. São ruínas incas às portas da cidade, a uma distância a pé. A entrada tem um custo de 130 PEN (33,5€) para estrangeiros (70 PEN para estudantes com cartão ISIC), através do Boleto Turístico Integral, que tem a validade de 10 dias e permite visitar 16 atrações (o bilhete parcial custa 70 PEN). Fazem parte da construção da cidade feita pelos incas em forma de puma, juntamente com a praça central. O Inti Raymi, ou festa do sol, decorre nas ruínas.

Ir à montanha de arco-íris (cerro de colores ou rainbow mountain). Apesar de se dizer que tem de se ir em tour, há autocarros até junto à montanha. Ir em tour tem a vantagem de ter guia e refeições. Falámos mais pormenorizadamente sobre isto no último post, aqui.

Ir a Machu Picchu. Esta é sem duvida a menina dos olhos da cidade, o tour mais vendido e aquilo que traz os turistas à região. Vão encontrar muitos textos a dizer que hoje em dia se tem de reservar com antecedência. Foi o que fizemos, mas afinal não é bem assim. Se quiserem subir às montanhas de Huyana Picchu ou Machu Picchu os bilhetes devem ser comprados com dois meses de antecedência, mas se não quiserem subir às montanhas podem fazer como fazem a maioria dos turistas. Eles chegam e, ou compram a entrada numa agência, ou dirigem-se até ao ministério e choram para arranjar uma entrada. Depois, vão de autocarro até à Estação Hidroeléctrica e a partir daí caminham pela linha de comboio até Águas Calientes, a cidade mais próxima. Nós recomendamos a compra do bilhete com uma das montanhas, que permitem uma vista de um plano superior à cidade inca. Outra forma de lá chegar é de comboio, bastando ver nos sites da Peru rail e da Inca rail. Para estrangeiros não residentes o bilhete é caríssimo (entre 64 e 121 USD), mas com direito a serviço a bordo e teto panorâmico.

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Ir a Choquequirao. Ainda não é, mas vai ser tão ou mais importante que Machu Picchu. As ruínas são bastante maiores e estão melhor conservadas. Por que é que ainda não tinham ouvido falar nelas? Fácil, para já só se pode ir em trekking de mais de 5 dias. O lonely planet diz que brevemente haverá um teleférico.

Ir aos mercados, o de San Blas fica numa zona mais alta da cidade, onde poderão ver como a cidade está a crescer. E mais centrado na venda de alimentos e refeições. O mercado San Pedro já vende de tudo e é maior. Fica mais próximo da praça de armas e foi onde comprámos cacau puro.

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Soubemos em agosto da existência de umas salinas nos arredores da cidade. É engraçado como depois de abandonar uma cidade conseguimos encontrar outras atrações que desconhecemos durante a estadia. As Salineras de Maras ficam a 4km da cidade com o mesmo nome e a 3.000m de altitude. A técnica, pré-inca, para obter o sal, consiste em criar uma imensidão de piscinas na encosta, por onde circula a água. Fechando o circuito é só esperar que a água evapore. Esta água tem origem num rio subterrâneo. A entrada custa 10 PEN (2,6€) e é explorado pelo povo de Maras. Em excursão visita-se combinado com Moray, pelo preço de 25 PEN. Pode-se ir de transportes públicos, mas como se tem de combinar com táxi, desde Ramal até às Salineras, não parece compensar. Dizem que se deve ir de manhã para evitar a hora de maior calor.

Onde comer?
Virgílio Pizzaria. As pizzas são cozinhadas em forno a lenha de adobo, são fantásticas, e têm um menu de pizza média a 20 PEN (5€), com couvert e meio jarro de bebida (a lasanha já não é tão boa).
Mercado San Blas. É um pequeno mercado de frutas, carnes, com bancadas de venda de sumos (são ótimos) e pequenos restaurantes. Nós almoçámos num cantinho vegetariano e era muito bom. Os menus ficam entre 5 e 7 PEN (1,3€ a 1,8€) incluindo sopa, prato e bebida. Apenas funciona para almoço.
Se querem experimentar o cuy, ou porquinho da índia, recomendaram-nos o restaurante La Feria. O cuy chatado é frito, mas recomenda-se comer assado. Para comer assado tem que ser encomendado de véspera. Nós experimentámos e podemos dizer que não vamos repetir. Além de ser estranho ver o bicho à nossa frente num prato, é uma carne gorda e que não é das mais saborosas.

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Onde dormir?
Para quem gosta do género de party hostel é sem dúvida o Loki, com festas temáticas diárias. Nós ficámos lá após o regresso de Machu Picchu porque foi com a Loki Travel que fizemos o inka jungle trek. Dormimos num quarto matrimonial com quarto de banho privado e tínhamos uma cesta com várias frutas como boas-vindas à chegada.
Mas Cusco tem todo o género de sítios para dormir, para todos os bolsos.

Vale a pena?
Claro que sim! Até recomendamos que passe para o topo da lista de locais a visitar de qualquer um. A UNESCO quer reduzir o tempo de permanência em Machu Picchu e até recomenda fechar mesmo as ruínas, portanto despachem-se! Nós tencionamos voltar um dia para ir a Choquequirao.
Há um artigo na New in Town que apresenta este destino como caríssimo e quanto a isso só podemos dizer que é mentira. Há voos para Lima por Madrid, depois para Cusco podem ir de autocarro e a ida a Machu Picchu pode ser feita de forma a encaixar todos os orçamentos. Não custa o mesmo que ir a Marrocos ou às Canárias, mas também não é bem a mesma coisa.

365 dias no mundo estiveram 3 dias em Cusco e 4 dias no Inka Jungle Trek, de 3 a 9 de Maio de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: médio
Categorias: cidade, cultura, história, trekking, natureza, gastronomia
Essencial: Machu Picchu e Inka Jungle Trek, Plaza de Armas, Sacsayhuaman, Rainbow Mountain, Salineras de Maras, mercados e igrejas de Cusco
Estadia Recomendada: 8 dias (para possibilitar visitar o essencial referido acima)

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