Dia 1 Inka Jungle Trek – Machu Picchu (Peru)

Na realidade, tudo começa com o briefing do dia anterior. Nós fizemos dois dias antes, porque na véspera fomos à Rainbow Mountain. No briefing o guia apresenta-se e apresenta o tour. Percorre um mapa e mostra o percurso diário, referindo onde vai ser cada paragem. Dá aquele papelinho “fantástico” que se tem de assinar, onde assumimos o conhecimento dos riscos e liberta a agência da responsabilidade para a maioria das situações. Vocês não adoram quando entregam a vossa segurança nas mãos de pessoas que não querem assumir os riscos? Nós achamos sempre algo assustador e caricato. Perguntam-vos se já pagaram tudo, pedem os vouchers que a empresa deu na altura da reserva e respetivo pagamento de sinal, e começa a fase de teste de material para o dia 1. O dia 1 começa com o downhill. Bem, na verdade começa uma viagem seguida de pequeno-almoço, mas já lá vamos. Portanto, vão experimentar os capacetes para a descida. O briefing termina então com o pagamento, para quem ainda não pagou tudo, e um “hasta mañana”!

O ponto de encontro é no Loki Hostel, a porta a seguir à agência Loki Tour. O hostel funciona com um profissionalismo excelente. Guardam as malas de quem faz o tour com a agência deles, dão etiquetas de bagagem com a data em que é suposto virem buscar as mochilas e tem segurança à porta que verifica a presença da pulseira nos hóspedes. Deve ser dos poucos sítios onde entregámos as mochilas com o descanso de quem sabe que tudo ficou bem entregue.

Seguimos para o local do pequeno-almoço e, para qualquer madrugador esfomeado, foi de sonho! Ovos mexidos com fiambre, pão, sumo, café… É o primeiro contato com os companheiros de viagem. Lembram-se das folhas de coca? Volta-se a utilizar aqui, pois estamos mais uma vez em altitude. Durante os próximos três dias vamos conviver com um guia peruano, três irlandeses, um inglês, dois dinamarqueses e duas suecas. Descobrimos, já mais tarde, que somos os mais velhos do grupo, com alguma margem, o que explica sermos mais contidos em algumas coisas.

O downhill é a primeira atividade física do dia e confessamos que não teve a mesma piada que a estrada da morte, porque é feito a maior parte do percurso em estrada asfaltada e com trânsito. Não são poucas as vezes em que somos ultrapassados por veículos. O material resume-se a cotoveleiras, joelheiras e capacetes, e as bicicletas são razoáveis. Mas tudo está na fantástica paisagem!

Finalizado o downhill, o motorista deixa-nos na nossa primeira hospedaria, com as nossas mochilas, e a partir daqui já sabemos que tudo o que trouxemos vai ser carregado por nós, pois o carro vai regressar a Cusco. O guia tem a preocupação de dar quartos matrimoniais aos casais, o que é ótimo, mas todas as casas de banho são no exterior, e não há água quente. Esta dormida é numa fazenda, onde encontrámos árvores de cacau, café e um intenso aroma a especiarias. Confessamos que tirámos algum cacau da árvore e explicámos aos irlandeses como se come. Como sabemos reconhecer? Estivemos em São Tomé o ano passado, onde o nosso guia foi um autêntico professor.

O almoço é ao estilo buffet e ótimo. Não nos recordamos particularmente do que nos foi oferecido, mas tudo era muito bem confecionado. Lembrando que estes sítios vivem dos serviços que prestam, há sempre bebidas extra à venda e existe um serviço de transporte de bagagem que leva até à hospedaria seguinte a bagagem desnecessária durante o dia. O serviço não é caro, mas somando todos os extras a conta final aumenta, por isso optamos por não utilizar estes “extras”.

A atividade da tarde é o rafting no rio, que tem um custo extra de 100 PEN (25,6€). Não é obrigatório ir, mas a pressão é enorme. A empresa responsável pela atividade vem ao hostel apresentar-se. A Raquel, ao contrário do Tiago, conseguiu firmemente recusar e ficar encarregue de tirar fotografias. Segue-se a explicação de todas as normas de segurança e manobra do bote e o teste do equipamento necessário. Foi quado fomos recolher o equipamento que vimos que os porquinhos da índia são criados em casa para consumo doméstico, ou seja, para serem comidos.

Apesar de ser uma atividade extra, o preço não é exagerado, daí a forte adesão. Teria sido fantástico o Tiago ter a GoPro, mas porque há sempre imprevistos, não fomos capazes de soltar a máquina do suporte de capacete e assim não a conseguimos usar. De qualquer forma, garantimos que o rio Urubamba proporciona emoções fortes, uma descarga de adrenalina que não deve ser desperdiçada!

Regressados, há tempo livre que começa a ser usado para convívio de grupo. Quando fizemos o tour, a França estava às portas das eleições, e todos nós estávamos apreensivos com a possibilidade de um resultado estranho. Os viajantes são geralmente pessoas que não querem fronteiras fechadas e não gostam de políticas extremistas. O jantar, mais uma vez, é saboroso e variado. Há sempre opções vegetarianas e uma preocupação em agradar a quem tem restrições alimentares. Fomos muito bem tratados pelas senhoras e senhores do hostel, que foram sempre muito simpáticos connosco.

O vale sagrado inca fica numa zona de microclima, húmido, e, apesar de o dia ter estado fantástico para as atividades, começou depois a chover torrencialmente. As roupas que secavam do downhill (onde apanhámos vários cursos de água que nos encharcaram) e os fatos de banho usados no rafting foram de difícil secagem. Após o jantar foi-nos explicado o dia seguinte, separadas as mochilas que iriam ficar, e começou a mentalização para o verdadeiro trekking, que começava no dia seguinte, bem cedo.

Tivemos tempo de conversar um pouco mais entre nós e perceber o quanto as nossas histórias de viagem se assemelham e se distanciam. O inglês, de 20 anos, trabalhou no Chile, e tem grandes histórias de sismos para contar. As suecas começaram a viagem ao contrário da nossa, e têm dicas para dar da Costa Rica. Os irlandeses são, afinal, um casal mais um amigo, que se encontraram pelo caminho para viajar juntos. E os dinamarqueses não são um casal, mas sim uma dupla de amigos que viaja juntos. Lembram-se de termos dito que no canhão de Colca alguém tinha sido apanhado pelas pedras que rolavam montanha abaixo por causa do sismo? Foram estes irlandeses.

Deitámos-nos cedo, porque a aventura estava prestes a começar.

Spoilers para dia 2: Pinturas e animais esquisitos 🙂

365 dias no mundo estiveram 4 dias no Inka Jungle Trek, de 5 a 8 de Maio de 2017


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