DIA 2 INKA JUNGLE TREK – MACHU PICCHU (PERU)

O segundo dia começa com a preparação para o trekking. E como se começa o dia? Com um bom pequeno almoço, com direito a panquecas! Com as mochilas básicas para o trekking, iniciámos o trilho pelas fazendas para chegar até ao caminho inca que nos leva a Aguas Calientes.

Hoje em dia, morando numa grande cidade, não se adquirem grandes conhecimentos de biologia, principalmente no que se refere a plantas. É difícil reconhecer as árvores de fruto, mesmo aquelas com que nos cruzamos frequentemente. Mas, numa viagem destas surgem tantas plantas e árvores que desconhecemos, como o abacateiro e a planta de coca. O nosso guia vai-nos apresentando as plantas à medida que avançamos pelos terrenos. Conta-nos como as plantações de coca têm aumentado e como tem sido fácil “forçar” os agricultores a cederem a venda de folhas ao mercado paralelo porque lhes paga muito mais que o estado. Segundo o guia, o Perú apenas vende as folhas para a Colômbia, mas segundo pessoas com que nos cruzámos na viagem, o Peru produz e consome cocaína. Aliás, falámos sobre isso nas peculiaridades sobre as folhas de coca.

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Este dia é feito com o objetivo de conhecermos os peruanos que vivem nas margens do rio, ver as suas fazendas, plantações e os animais que têm origem na floresta da Amazónia. Em algumas, os animais são sem dúvida bem tratados, noutras deu-nos aquele friozinho na barriga de pensar que pode não ser bem assim, principalmente quando se vê o macaco pedir água e retrair-se quando o dono se aproxima para lhe encher a taça. Vimos uma arara de barriga amarela, um sagui-imperador e um coatí. Os mamíferos estavam cheios de pulgas! Tendo em conta a nossa história passada, relatada aqui, assim que a Raquel as começou a ver passear no meio do pelo, confessamos que parte da vontade de brincar com os amorosos animais desapareceu. Estes geralmente são encontrados à venda em mercados negros e “resgatados” nestas fazendas, onde acabam por viver como animais domésticos. Numa das fazendas onde ficámos mais tempo pudemos experimentar cacau, licores feitos com uma cobra lá dentro, e fazer pinturas tradicionais com o urucu (o mesmo que está nos bronzeadores brasileiros, que mancha, mas funciona). O guia fala-nos das infinidades propriedades desta espécie de noz: é protetor solar, repelente, e blá blá blá. Lendo um bocadinho na internet, a Raquel descobre que o corpo não consegue eliminar a tinta de urucu e, por isso, usada com frequência dá à pele uma tonalidade avermelhada, exatamente aquele tom de pele característico dos índios.

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Os rapazes do nosso grupo finalmente descobrem à venda o catalisador para as folhas de coca, algo que os irlandeses já tinham experimentado. A experiência não parece ser agradável, nem semelhante à anterior. Queixam-se de dormência, ardor e perda de paladar. Antes de seguir a caminhada, experimentámos os trajes típicos e posamos para a foto tradicional do tour.

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Continuamos, sempre junto ao rio, chove, pára de chover, encontramos o verdadeiro caminho inca e passamos a seguir os mesmos trilhos que estes utilizavam. O guia vai-nos contando histórias sobre como haveria uns corredores cuja responsabilidade seria passar mensagens, com métodos semelhantes às corridas de estafetas. Subimos e descemos escadas de pedra originais, paramos em miradouros, caminhamos encostadinhos à encosta escavada pelos incas, descansamos, bebemos água, ouvimos mais explicações. A Raquel pensa agora que fazer o tour da montanha arco-íris há tão pouco tempo não foi boa ideia, porque as pernas ainda se sentem cansadas. O Tiago pensa que se calhar aquele dinheiro que não gastámos para as mochilas seguirem direto para a próxima dormida não tinha sido desperdício porque estamos demasiado carregados e sem as mochilas grandes, adequadas para o conforto das costas.

 

Durante o caminho cruzamos-nos com outros grupos até pararmos para almoçar num restaurante, mais uma vez com um bom menu de três pratos. A melhor parte terá sido a presença de camas de rede, ocupadas a maior parte do tempo, mas onde conseguimos descansar (o Tiago dormiu) alguns minutos antes de continuar a nossa jornada inca.

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Pagamos mais uma atividade extra, desta vez para atravessar o rio, portanto obrigatória, mas também económica – 10 PEN/pessoa (2,6€). Uma espécie de teleférico rudimentar, um caixote onde nos sentamos, que leva até três pessoas, e que é manobrado manualmente pelos donos das terras. Quando pensamos que estamos muito cansados, o dia acaba, ou acaba o esforço físico. Chegou a hora de relaxar nas águas termais, mas calma, só relaxa quem pagar para utilizar o preço simbólico das piscinas das termas de Cocalmayo (10 PEN/pessoa, incluindo toalha). Os balneários não são fantásticos, o final de dia estava fresco, mas as piscinas são quentes. São três e a temperatura varia entre os 38 e os 44º. Aconselham-nos a começar nas mais frias e ir avançando até à última e depois escolher a que mais nos agradar. A última é sem dúvida a mais quente, mas desistimos de ficar nesta quando uma criança peruana decide imitar o famoso chafariz belga lá para dentro. Parece ser hábito, porque nem os pais ficam aflitos, nem a segurança das termas parece estar muito preocupada. Ficam sim a maior parte dos turistas, que saem da piscina a correr e trocam para outra. Este momento relaxante e enorme beleza, apesar da multidão, é tudo o que se quer para final de um dia de caminhada intensa. É mais um local onde se pode gastar dinheiro, vendendo-se cervejas, sumos e salgados. Mas até sabe bem, beber, petiscar e conversar, enquanto se espera pelo nosso autocarro para nos deixar na próxima hospedaria.

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Chegamos à hospedaria e é grande, tem “discoteca”, piscina vazia, wi-fi e quartos matrimoniais com quarto de banho privado e água quente. O jantar é buffet, variado, saboroso. Mais uma vez, há entradas, pratos principais e sobremesas. Bebemos cervejas a acompanhar e conversamos, cada vez com maior proximidade no grupo. Nós desistimos rápido das cervejas, temos por hábito nunca beber demais na viagem, muito menos em véspera de dias intensos, quando precisamos de descansar. É talvez neste dia que se começa a ver uma maior diferença de idades e percebemos que os nossos companheiros de viagem têm uma idade máxima de 25 anos. Ouvimos pela primeira vez falar em ayahuasca e xamãs e a experiência na primeira pessoa dos dinamarqueses. Percebemos como são diferentes os objetivos de viagem das pessoas com que nos cruzamos.

Vamos descansar, afinal o dia seguinte será intenso. Vamos chegar a Aguas Calientes, antes do verdadeiro objetivo, guardado para o último dia, Machu Picchu. Spoilers para o dia 3: Pisco sour, ponte férrea e pássaros raros 🙂

365 dias no mundo estiveram 4 dias no Inka Jungle Trek, de 5 a 8 de Maio de 2017

Leiam aqui sobre os dia 1, dia 3 ou dia 4.

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