Lima – A cidade dos reis (Peru)

Lima foi daquelas cidades onde a nossa estadia foi atípica. O Tiago tem um amigo na cidade e isso trouxe-nos uma permanência mais familiar e menos de viajante.

Chegámos a Lima na Cruz del Sur, mais uma vez, à noite, e decidimos ir até ao hostel de táxi, no bairro de Miraflores. Nessa noite percebemos duas coisas: as inundações graves que houve no país condicionaram o acesso a água em algumas cidades, inclusive a capital, e o facto de a Municipalidad fechar um hostel não significa muito, porque eles funcionam de forma clandestina, sem nenhuma vergonha, mas explicaremos mais à frente.

Lima é uma cidade grande, como quase todas as capitais, cosmopolita, com bairros modernos, chiques e caros, zonas de compras, zonas menos seguras, bairros históricos, um pouco de tudo. Depois de Cusco, Paracas e Puno, Lima é moderna, costeira, mas para muitos não passará de mais uma cidade grande.

Foi durante quase dois séculos a capital do império espanhol, fundada junto ao mar, no vale do rio Rímac. Francisco Pizarro fundou a cidade e tornou-se o seu governador até à sua morte. A cidade albergava o representante do rei de Espanha, daí ter sido chamada de cidade dos reis, pois era a capital do vice-reino do Perú.

O que fazer:

Free walking tour. O tour que fizemos (Free Walking Tour Peru) começou no Parque Kennedy e os guias têm coletes verdes, neste momento. Cinco meses depois o ponto de encontro mudou, portanto vejam no site que deve estar atualizado. Começamos por ser levados para a paragem de autocarro Ricardo Palma para chegar ao centro (Colmena). Os guias cobram 2,5 PEN (0,65€) por pessoa antes, que servirão para pagar os bilhetes. No autocarro vemos que a polémica entre guias formados e guias de free walkings tours é universal. Uma guia que acompanha um casal no mesmo autocarro começa a acusar um dos nossos guias de não ter formação para fazer o que faz. Depois de sairmos do autocarro o tour recomeçou na Plaza San Martín. Não é o melhor que fizemos, mas não é mau. Tem o bónus de oferecerem pisco, café e batatas para prova. Acaba nos escritórios de uma agência de viagens parceira e tentam cobrar bastante nas gorjetas, mas cada um dá o que quer.

Na Plaza San Martín encontra-se a estátua do General San Martín, o mesmo que da Argentina, responsável pela independência de ambos os países. A independência do Peru foi proclamada em 1821. A praça é usada agora como ponto de concentração para manifestações e é  aqui que fica o Gran Hotel Bolivar, de cinco estrelas, famoso nos anos 50.

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Na Plaza de Armas ou, atualmente, Plaza Mayor, encontramos o Palacio del Gobierno, a Catedral, o Palacio Arzobispal e a Municipalidad. O palácio foi construído para servir de residência a Pizarro como Casa Virreinal, sobre o palácio de Taulichusco, o último chefe inca do Vale de Lima. Em 1586 é danificado no terramoto e é reconstruído, elevando o edifício a palácio. Torna a ser destruído nos terramotos de 1687 e 1746 e é  novamente reconstruído. É destruído novamente a 3 de julho de 1821 por um incêndio e, no meio de golpes de estado, crises financeiras e mortes, só é reinaugurado em 1938. É possível fazer visitas guiadas, após inscrição no Oficina de Turismo de Palacio, as visitas são grátis, aos sábados, às 10h. O render da guarda é todos os dias às 11:45h e é uma das atrações da Praça. Na Praça Maior não pode haver protestos, daí a praça de manifestações ser a San Martin. No início tinha uma praça de touros e depois tornou-se a zona de execuções, hoje é um ponto turístico.

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A Catedral é do século XVI, e conhecida pelas suas duas torres gémeas. Possui no seu interior o túmulo de Pizarro. Tem entrada grátis e deve-se utilizar a porta do meio, a Portada del Perdón. Também foi destruída em alguns terramotos, como o de 1746 e o de 1940. A casa do Bispado, ao lado, está aberta ao público de segunda a sábado e a sua visita tem o custo de 20 PEN (5,24€) ou 30 PEN se quiserem incluir a entrada na catedral.

O edifício amarelo na praça com as bandeiras no topo é a Municipalidad Metropolitana de Lima.

Ao lado do palácio do governo encontra-se a Casa de Aliaga, que pertence à mesma família há 17 gerações e está aberta ao público de segunda a domingo. A visita tem o custo de 30 PEN. É um bom local para ver os móveis de época e um dos edifícios civis mais antigos da cidade.

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A fonte central é de 1578, mas foi substituída em 1651. Sobreviveu a terramotos, mas o anjo do topo já é uma réplica, visto que o original foi quebrado em 1900 durante a manutenção. No dia nacional do pisco (4º domingo do mês de julho), bebida típica do país, a fonte vertia mais de dois mil litros da aguardente e nacionais e estrangeiros serviam-se sem limites.

O Museo de Sitio Huaca Pucllana é um monumento pré-inca, na zona de Miraflores. Tem um custo de 12 PEN (3,14€) ou 6 PEN para estudantes, professores e menores de doze anos, no período diurno de quarta a segunda, das 9h às 17h, ou de 15 PEN e 7,5 PEN no período noturno, das 19h às 22h. Apesar do bilhete da noite ser mais caro, não permite a subida à grande pirâmide. A visita inclui uma exposição de artigos de época para uma compreensão de como viviam as culturas pré-hispânicas. As escavações começaram em 1981 e ainda hoje prosseguem.

La Casa De La Gastronomia Peruana, na sede dos correios (Casa dos Correos y Telégrafos) representa a importância que o Peru tem na gastronomia sul-americana. A entrada custa 3PEN (0,79€).

A Casa de La Literatura Peruana (antiga estação de comboios com o nome Desamparados, dos anos 20 até aos anos 80) abriu em 2009. Continuam a sair comboios esporadicamente da estação como o percurso Lima-Huancayo, vendido pela Fertur Perú Travel. O preço não é dos mais acessíveis, mas pela publicidade que fazem, a vista é fantástica.  Passámos aqui na free walking tour, o guia aproveitou para falar de San Pedro, a planta alucinogénica. Foi depois desta explicação que soubemos do que falavam alguns turistas em Cusco, que deu origem ao post sobre ayahuasca.

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O Conjunto Monumental San Francisco de Lima agrupa a igreja e as catacumbas. O museu tem um custo de 10 PEN, 5 PEN para estudantes, e pode ser visitado das 9H as 18:15h.

Há um show de luzes à noite, o Circuito Mágico del Água del Parque de la Reserva, inaugurado em 2007. Custa 4 PEN, é fácil de chegar de metro, e funciona de terça a domingo, das 15h às 22:30h. Durante o período em que o parque está aberto há três horários de espetáculo, 19:15h,  20:15h e 21:30h.

O parque do amor, em Miraflores, também é uma atração. Foi inaugurado a 14 de fevereiro de 1993, tem como seu centro uma escultura que se chama “O Beijo”, de um artista peruano, Víctor Delfín. É neste parque que se fazem os concursos do beijo mais longo, e que jovens recém casados visitam com o bouquet, beijam-se e consagram o casamento.

Mas não fizemos nada disso. Depois da walking tour fomos para Barrancos e de Barrancos para Miraflores a pé. Passámos pelos condomínios de luxo, por jardins, pela praça de Barrancos onde comemos nas tascas. Havia um evento e serviam refeições numa tenda. Vimos o mar, vimos o MAC (Museo de Arte Contemporáneo), a faculdade de engenharia e fomos parar ao shopping Larco Mar, dos mais “europeus” da viagem. Vimos a Parfois, tão portuguesa, apreciámos a vitória do Salvador na Eurovisão com o Wi-Fi do shopping, horas depois do acontecimento. Ainda ponderámos ir ver o espetáculo de luzes, ou as ruínas à noite, mas desistimos porque andámos muito nesse primeiro dia.

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Se nos arrependemos de pouco ter visto em Lima? Às vezes há coisas mais importantes do que marcar  monumentos ou cidades como vistos. Às vezes sabe bem reencontrar amigos. Agradecemos ao Mark e à Maria João o tempo que passaram connosco naquele domingo há cinco meses.

Onde dormir:

O Bairro de Miraflores será das melhores opções, ou então em hostels na zona histórica.

Não recomendamos o nosso, estava encerrado pela câmara, e depois de entrar não demorámos muito a perceber porquê. Não tinha água, as casas de banho entupiam com facilidade, o lava-loiças era um tanque de roupa e guardava bicicletas no espaço a que chamavam cozinha. Não usava lençóis, apenas uma colcha ou uma manta que pudemos reparar que era apenas sacudida entre hóspedes. Reclamámos ao Booking, que se recusou a trocar-nos de local, alegando que a falta de água era geral. Por incrível que pareça, apesar de oficialmente encerrado, continuava a funcionar com alguma normalidade. Enquanto caminhávamos a pé vimos vários hostels encerrados com o mesmo aviso da câmara.

Onde comer:

Lima é um centro de gastronomia, vários dos seus restaurantes são famosos, e têm uma gigante lista de espera. O Central, restaurante na lista dos 50 melhores restaurantes do mundo. É famoso também pela sua imensa lista de espera, podendo ser visitado sem marcação apenas para o bar. Se o Central é número 5 nessa lista, no 8º lugar temos o Maido e no 33º encontra-se o Astrid y Gaston. Claro que não fomos a nenhum destes, mas achamos piada que Lima tenha três restaurantes no Top 50.

Almoçámos com os nossos amigos no Pescados Capitales. E soube tão bem, não só pela qualidade da comida, foi sem dúvida a melhor refeição da nossa viagem, mas porque foi a primeira vez que encontrámos alguém conhecido num destino. Conversar com alguém que tem a mesma cultura que nós, que conhecemos e conhece bem a cidade não tem preço.

É difícil tomar um bom café na américa latina, são produtores, mas geralmente péssimos na técnica de um bom expresso. Fomos ao Arabica Expresso Bar e foi o melhor café de toda a viagem.

Dizem-nos que o melhor pisco sour se encontra no hotel Bolívar, hotel 5* muito famoso nos anos 50, como já referimos acima.

Vale a pena:

Claro que sim. Haverá sempre gente que vos vai dizer que é só mais uma capital e Cusco vale muito mais a pena pela proximidade a Machu Picchu, mas é incomparável.

Nós não vimos muita coisa, não entrámos em museus, mas caminhámos muito. Achámos que a cidade tem potencial e que pode ser uma boa escolha para trabalhar e viver. Tem qualidade de vida e, sendo uma cidade capital, tem ligações aéreas para o resto do mundo.

365 dias no mundo estiveram 2 dias em Lima, de 12 a 14 de Maio de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: praia, cidade, passeios, história
Essencial: Plaza Mayor, Plaza San Martin, Huaca Pucllana,
Estadia Recomendada: 4 dias

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