Santiago de Guayaquil, a pérola do Pacífico (Equador)

Quase não podemos considerar a cidade como um ponto de paragem. Saímos de Trujillo passava da uma da manhã, por atraso do autocarro que vinha de Lima. Mais uma vez escolhemos a Cruz del Sur. Mais caro, já se sabe, mas também mais segura. Finalmente uma viagem em que conseguimos lugares no primeiro piso do autocarro, são menos lugares, nunca mais de 15, e é um piso fechado, tendo muito menos barulho. A viagem anterior tinha sido insuportável, com o ressonar altíssimo de um senhor que estava bastante próximo. Além disso, como a casa de banho desse piso fica fora da zona de lugares, nunca tem aquele cheiro a WC típico dos lugares do fundo dos pisos de cima. Desta vez podemos dizer que dormimos, com a viagem a durar cerca de 19 horas, a maioria calmas. Exceto no andar de baixo, não há lugares perfeitos nos autocarros: os da frente têm demasiada iluminação do cruzamento com outros veículos e os de trás são demasiado perto do WC. Na fronteira em Tumbes, tudo foi também muito calmo e até rápido.

Chegados a Guayaquil, nem pusemos a hipótese de andar de transportes públicos. Em Puerto Madryn, uma família alemã que lá vive tinha-nos dito que não era uma cidade muito segura para turistas. Decidimos ir de táxi (o oficial amarelo) até ao nosso hotel e custou 5$ (aqui a moeda é USD) acordados previamente. O táxi, apesar de não ter taxímetro, tem um botão de emergência, rádio e mais umas comodidades que refletem o fato de serem geridos por empresas. Não há Uber, ao contrário de Lima, mas tem Cabify. Algumas destas aplicações não são fáceis de usar, pois assim que os motoristas vêem os números internacionais associados à conta de utilizador, têm tendência a cancelar as viagens.

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O taxi de Guayaquil com a sua decoração peluda

Não tínhamos grandes planos para a cidade, sabíamos que a ida para o aeroporto teria que ser cedo e estávamos ansiosos com o voo para as GALÁPAGOS na manhã seguinte. No dia seguinte recebemos a notificação de que o nosso voo iria atrasar quase duas horas e isso deu-nos um bocadinho de flexibilidade para caminhar pela cidade.

La Perla del Pacífico é a maior cidade do Equador e o maior porto. A cidade situa-se na margem do rio Guayas e soube aproveitar esse facto. A sua história começa em 1540, com Diego de Urbina, que cria a cidade sobre o território huancavilca, um povo pré-colombiano. O seu nome tem origem numa lenda que junta os nomes de Guayas e sua esposa Quil, um casal indígena que lutou até à morte contra os espanhóis.

O seu porto, inicialmente fluvial, tornou a cidade importante, tanto na época colonial como na republicana. A independência da cidade foi a 9 de outubro de 1820, mas foi anexada por Simón Bolívar à Grande Colômbia (Vice-reino de Nova Granada, Capitania Geral da Venezuela, Província de Quito e Província Livre de Guayaquil) dois anos depois.

Ainda hoje o porto da cidade é de grande importância e passou a ser um porto marítimo. Começa também a aumentar a sua importância como destino turístico e podemos dizer, pelas poucas horas na cidade, que nos agradou, apesar da caminhada pela cidade nas zonas de mercado nos ter imposto algum respeito.

O que fazer?

Ir ao Palácio de Cristal, junto ao Clube de la Union, e, a partir daí, caminhar a pé junto ao rio na via pedonal. Vão passar pelo shopping onde encontram as cadeias de fast food típicas.

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Encontra-se o barco na margem (Barco Pirata Morgan), podem fazer passeios de barco por 7$, ou por 20$ bar aberto, ou até festas temáticas. No passeio junto ao rio, o Malecón 2000, há vários jardins. É um espaço cuidado e com um ar seguro, bastante calmo durante a manhã. Do outro lado da estrada Malecón Simón Bolivar vêem-se vários edifícios importantes da cidade. Ainda no caminho pedonal surge uma roda gigante, La Perla, à direita. Não é cara, custa 3,5$, fica mesmo encostada ao rio e deve dar uma bela vista panorâmica da cidade. À esquerda vai estar o cinema com o Museo em miniatura: Guayaquil en la História no andar inferior, em obras quando lá passámos.

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La Perla

Ir à Plaza Cívica, uma área de 25.000m² em que parte foi “roubada” ao rio, onde se encontram monumentos como La Torre Morisca, o Paseo de los Presidentes e o Hemiciclo de la Rotonda com o Monumento de Simón Bolivar y San Martín em frente, figuras incontornáveis da independência do país, e quatro esculturas que remetem aos elementos da natureza.

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Las Peñas é o primeiro bairro da cidade e nomeado património cultural do país. A sua atração é o estilo arquitetónico: casas de madeira coloridas que lhe dão um ar boémio. Fica na zona da roda gigante.

Passem na catedral. É uma igreja grande, talvez um bocadinho diferente do estilo das que vimos até aqui, com um agradável jardim em frente.

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Há uma zona famosa que é Baños. Apesar de não ser próximo a Guayaquil, é comum juntar as duas áreas numa só viagem. Se há coisa que aprendemos na américa latina é que o longe é relativo, tudo fica a centenas de quilómetros, e não há viagem de 6h que trave a vontade de conhecer um sítio recomendado. Baños permite ver cascatas fantásticas, o vulcão, fazer belas caminhadas, andar de barco ou bicicleta. Porque é que encaixamos Baños aqui? Porque não vamos fazer quase nada no Equador a não ser as Galápagos, e sabemos que o Equador tem mais, como Montañita. Montañita era o destino de quase todos os estrangeiros que atravessaram a fronteira connosco no autocarro. É a típica cidade surfista, costeira, boa vibe, chinelo no pé e bronze de fazer inveja. Mas nós teremos isso na Costa Rica. A partir daqui falaremos nos próximos posts das Galápagos, estão tão ansiosos como nós?

Onde dormir?

Nós ficámos no Hotel Jira (15€ em quarto duplo sem AC). Escolham sempre quartos com AC porque a cidade é quente e o upgrade é barato. O quarto sem AC não tinha janelas e cheirava a mofo. De resto, é um hotel que serve para o gasto, dormir uma noite descansados. Foram sempre simpáticos connosco e, apesar de à chegada, de noite, o local parecer duvidoso, de dia é efetivamente muito bem localizado.

Recebemos várias sugestões de um amigo de uma amiga nossa, mas não se enquadravam no estilo backpacker (e na carteira). Em todo o caso, sugeriu o Grand Hotel Guayaquil, junto à catedral e com piscina, o Wyndham Guayaquil, o mais caro dos três, e o Unipark Hotel. Este último é junto ao parque das iguanas, que por acaso não referimos acima, mas é um parque com, imaginem só, iguanas.

Onde comer?

Jantámos na rua do hotel, num típico espaço para locais. Pedimos um prato de camarões panados é um prato de filetes de peixe, ambos acompanhados com arroz. Estava bastante bom, caseiro, e custou 6,5$ os dois pratos.

No dia seguinte, o pequeno-almoço foi tomado na rua e, por dois croissants e um galão, pagámos 0,85$. Perguntámos o preço três vezes porque só o galão custava 0,60$ e não queríamos acreditar (fomos mal habituados para as Galápagos). A américa latina tem um grave problema com o doce, tudo tem demasiado açúcar, incluindo os galões.

No aeroporto, se tiverem que almoçar ou jantar, façam-no antes do embarque. A sala de embarque de voos domésticos não tem grande oferta e o que tem é caro quando comparado com o exterior.

Vale a pena?

Quem somos nós para dizer muita coisa quando só caminhámos durante, no máximo, 3 horas? Tem fama de ser insegura, deve-se estar atento, circular em zonas abertas, e assim não tivemos problemas.

Talvez um dia voltemos com mais tempo, quem sabe? Quem já foi?

Acrescentem coisas que não pusemos e convençam-nos a voltar!

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365 dias no mundo estiveram 1 dia em Guayaquil,  a 19 de Maio de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥
Preços: económico
Categorias: história, cultura
Essencial: Malecón 2000, Plaza Cívica, La Peña, La Perla                                                  Estadia Recomendada: 2 dias

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