MEDELLIN, A ETERNA PRIMAVERA (COLÔMBIA)

Medellín é das cidades mais famosas da Colômbia. Amigável, clima agradável, tenta descolar-se da fama antiga, reforçada com Narcos, de casa-mãe de Pablo Escobar.

A cidade foi fundada em 1675 pelos espanhóis, no Vale da Aburrá, a 1538m de altitude, após resistência dos indígenas da região. Durante o tempo colonial não teve grande importância, mas após a independência, foi crescendo. Já foi das cidades mais perigosas do país, devido ao cartel de Medellín de Pablo Escobar e aos guerrilheiros em conflito armado. Achando que os polícias não faziam nada, os ricos criaram um “exército” paramilitar para atacar e defender as suas terras. Guerras e conflitos propagaram-se na cidade, entre guerrilheiros, militares e cartéis de droga, matando vários cidadãos inocentes e criando um ambiente de medo. Após 52 anos de conflito, o presidente Manuel Santos consegue assinar um acordo de paz com as FARC, em 2016. Neste momento ainda não há unanimidade quanto aos termos do acordo, porque há muita gente que afirma que os seus termos dão livre acesso às FARC para se organizarem como partido e concorrem à presidência.

A verdade é que a violência diminuiu, os ataques também e o braço de ferro do presidente contra a criminalidade consegue abrir o país ao mundo. O investimento na cidade tornou-a mais segura, turística e apelativa. O turismo é muito recente e ainda há pessoas que olham para os turistas como atrações. Hoje em dia não há turista que vá à Colômbia e não passe nesta cidade acolhedora e diga que não foi bem tratado. Ao contrário de muitas cidades do mundo, como Barcelona, Veneza, etc, que começam a desejar menos turistas, Medellín quer turistas a conhecer a sua ciudad, a espalhar que foram bem tratados e que há muita coisa para conhecer. É muito comum as pessoas agradecerem a visita. Ouve-se muito “Welcome! Bienvenidos!”.

Em 2013 foi considerada a cidade mais inovadora do mundo num concurso do Wall Street Journal e é a cidade da eterna primavera, graças ao seu clima ameno todo o ano.

O que fazer:

Walking tours

A terra natal de Pablo Escobar começa a tornar-se num destino para turistas que seguem avidamente a série Narcos, da netflix. Existem tours para fãs, que sabemos que são caras  (50-100 USD) e acabam por não ter grande maior-valia, na nossa opinião.

Nós fizemos o free walking tour da Real City Tours. Marca-se no site, escolhe-se dia e hora, e após receber o e-mail de marcação deve-se confirmar a presença. Deve ter sido o sistema mais profissional que encontrámos de marcação. Recebemos uma confirmação de marcação com código de barras e local de encontro. Lá fazem o scan ao nosso código e somos encaminhados para o nosso grupo. O nosso guia era o Camilo, um rapaz com uma memória fotográfica incrível. Ao fim de 30 minutos sabia o nome de 20 pessoas presentes no tour, em 21.

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O tour foi bastante interessante, o Camilo referiu que apesar do nome de Pablo Escobar não ser proibido na cidade, que quando se fala em inglês, pode gerar alguns tumultos porque os paisas (habitantes da região) não compreendem o que se está a dizer. Foi também neste tour que uma turista deu o exemplo de Portugal como um país que liberalizou o consumo das drogas e que correu bem. Ficámos surpreendidos com o desconhecimento desta rapariga, e por não entender que uma coisa é despenalizar o consumo de drogas leves e outra muito diferente será liberalizar o consumo num país que é produtor.

Encontrámos duas turistas desesperadas, que tinham sido assaltadas. A história delas não invalida em nada a imagem segura que temos da cidade, porque pelo que percebemos deixaram a mala fora de vista tempo suficiente para ela ser levada. A Colômbia é um país onde arranhar no espanhol dá muito jeito, porque vão encontrar muita gente que não fala inglês, e este era o maior problema das turistas assaltadas, a comunicação com a polícia.

Podemos dizer que finalmente nos cruzámos com aquela simpatia colombiana que todos os turistas no percurso inverso ao nosso anunciam. O guia era excelente, no hostel foram sempre impecáveis e no tour cruzámos-nos com pessoas muito especiais. Pessoas que nos dizem olá, num breve “hello, come to see my shop”. Ou até num senhor idoso que andou connosco uns minutos no tour, sem perceber palavra de inglês, porque “tínhamos um ar simpático”. Os colombianos de Medellín estão muito gratos ao turismo. Sabem que a paz trouxe maior qualidade de vida, mas também vontade do mundo conhecer o país. São a única cidade com metro no país e adoram-no, respeitam o equipamento e as estações, não há lixo ou vandalismo nesse meio de transporte.

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Museo Casa de la Memoria

Não faz parte da lista de museus da memória reconhecidos, mas é uma homenagem à história do país. É importante não esquecer os erros do passado, falar sobre o conflito armado que existiu, ouvir relatos contados na primeira pessoa, dar cara às pessoas que desapareceram para sempre, para que os erros não sejam repetidos.

Gostámos, é intenso, grátis, mas tal como em Santiago, sentimos que dá demasiada informação para um turista estrangeiro, tornando-se confuso. Pelo menos a nós, falta-nos conhecimento para conseguir assimilar toda a informação. Tem site onde encontram informações sobre o local.

Jardín Botánico Medellin

A entrada é grátis. Dá um belo passeio de duas horas. Tem restaurante, faz investigação, educa, permite a realização de eventos, etc. Encontrámos o borboletário fechado, mas tem também um lago e uma zona de orquídeas. Não será o mais bonito que já vimos, mas vale a pena a visita. Tem site onde encontram informações sobre o local.

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Parque Explora

Junto ao jardim botânico existe o Parque Explora, que junta o Acuario, o Vivario, as salas interativas de exposições (sala en escena, sala mente, sala física viva e sala tiempo) e a sala aberta. Pareceu-nos mais focado para crianças e estudantes e acabámos por não entrar. O parque custa 24.500COP (7€) e combinado com o Domo Planetario fica por 37.500COP (10,7€). Atenção que o planetário exige reserva no site, inclui a exibição temporal, show (de 25 minutos) e 42 experiências. O bilhete só para o planetário custa 15.000COP (4,3€). Para chegar ao parque, jardim ou planetário basta ir de metro, linha A, saída universidade.

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Centro Administrativo La Alpujarra (Centro Administrativo José Maria Córdova)

Zona onde ficam os edifícios administrativos da região e da cidade. No centro existe uma praça com uma escultura de Rodrigo Arenas Betancourt “Monumento a la Raza”, de 1988. Esta escultura tem a particularidade de ter as cinzas do seu autor na sua base. Representa a história dos povos conquistados, a religião e a evolução do povo.

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Próximo encontram a antiga estação de caminhos de ferro, completamente restaurada. Quando foi inaugurada trouxe uma grande evolução ao país, mas com a guerra dos 2000 dias, a sua circulação fica suspensa. Depois do fim da guerra, em 1902, com a independência do Panamá em 1903 e consequente indemnização à Colômbia, em 1922, tentou-se começar a recuperação da linha, mas as várias tentativas fracassaram. Atualmente, o governador de Antioquia já exprimiu a vontade de voltar a ter a linha de comboio a funcionar. Veremos se algum dia teremos turistas a contar as suas aventuras nos comboios da Colômbia. Em todo o país, dos 3.600km de linha, apenas poucas centenas funcionam.


Plaza de Cisneros ou Parque de las Luces

Já foi uma praça importante, com hotéis e o antigo mercado. Quando este ardeu, a praça passou a ser ocupada por gangues. O parque das luzes, uma construção iniciada em 2002 e inaugurada em 2005, que lembra uma “floresta” artificial, veio renovar a praça e torná-la novamente apelativa. Nesta praça encontra-se o projeto de Biblioteca EPM, onde era o antigo mercado e os edifícios Vásquez y Carré, hotéis que perderam o glamour quando a praça se transformou em zona pouco recomendada. Fica muito próximo da estação referida no ponto anterior.

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Vão encontrar aqui as bicicletas municipais Encicla. O cartão é grátis, mas demora 4 dias, o que será inútil para a maioria dos turistas.

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Parques Biblioteca

Transformaram as bibliotecas numa coisa atual, cool, de arquitetura moderna. Estão inseridas em várias zonas da cidade para criar uma ligação entre o cidadão e o seu bairro. Têm internet grátis, cursos, revistas, jornais nacionais e internacionais e uma zona verde exterior.

Existem várias: Parque Biblioteca Presbítero José Luís Arroyave Restrepo (San Javier), Parque Biblioteca Fernando Botero, Parque Biblioteca Belén, Parque Biblioteca León de Greiff (La Ladera), Parque Biblioteca Tomás Carrasquilla (La Quintana), Parque Biblioteca Doce de October, parque Biblioteca Manuel Mejía Vellejo (Guayabal) e parque Biblioteca José Horacio Betancur (San Antonio de Prado).

Parque Arví

Localizado numa zona mais alta da cidade, é de fácil acesso através da rede de metro. Na estação de metro Acevedo, da linha A, é só trocar para a linha K – 2.300COP – em Santo Domingo entrar no teleférico (metrocable) até Arví – 5.200COP. A viagem é rápida e a vista do teleférico é interessante. O parque tem visitas guiadas pagas, anunciadas em altifalante alguns minutos antes. As visitas têm um custo de 7.000COP (2€), com duração de 1 a 2 horas.

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Sugere-se roupa confortável e um impermeável ou casaco, porque o clima no parque é diferente da cidade. Tem vários trilhos possíveis: ancestral, el arroyuelo, caminho de la cuesta, orquídeas, bromélias y antúrios, flora, biodiverso, zango, portón del guayabo e embrujado. Todos estão explicadas no site.

Para além do valor ambiental, o parque tem também um valor arqueológico. É um belo passeio, principalmente a parte do teleférico. Nós, por falta de tempo, optámos por não fazer as visitas guiadas.

Palácio Nacional

Antigo palácio, idealizado pelo arquiteto Agustin Goovaerts, o mesmo do Palácio de la Cultura, em 1925. Hoje em dia é o maior centro comercial da cidade, com mais de 200 lojas.

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Igreja da Vera Cruz

A segunda igreja mais antiga e única de estilo colonial, construída em 1682. Agora é muito usada como ponto de encontro de prostituição, diz-nos o guia. Paramos por aqui para comer empanadas envigadeñas – 1.600 COP (50cent.) e buñuelos – 500 COP. Durante este intervalo do tour, para petiscar, somos “incomodados” várias vezes por pessoas com mau aspeto, que falam connosco, mas nunca são mal educados ou abusadores. De qualquer forma, sabemos que se não fossemos um grupo tão grande, talvez tivéssemos que abandonar o local para nos deixarem em paz.

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Parque de Esculturas na Plaza Botero

Fernando Botero, artista da região, ficou famoso pelas suas estátuas obesas desproporcionais. Outras das suas obras estão no Museo de Antioquia. As estátuas encontram-se ao ar livre e é giro ver os turistas a tirarem selfies com estas bizarras estátuas. É o mesmo autor da Gertrudes do post de Cartagena.

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Parque Berrío

Zona pública com a estátua do antigo político Pedro Justo Berrío no centro. Perto fica a Basílica de la Candelaria. Entre os anos 1784 e 1892 funcionou ali o mercado, foi palco de execuções e grandes eventos políticos. Existe também uma estátua de Botero, a Gorda, e uma de Rodrigo Arenas Betancourt. Já tendo sido uma zona perigosa, está a ser transformada numa zona de circulação segura, pela câmara.

Parque Bolívar

Parque inaugurado em 1892, em homenagem a Simón Bolívar. Tem uma estátua de Giovani Anderlini. Fica próximo da Catedral Metropolitana e do Teatro Lido. A catedral foi inaugurada em 1931 e é de estilo neo-românico. O teatro é de 1945, ideia de Francisco Luis Moreno Ramirez, que ofereceu as condições para criar este elemento essencial para a vida cultural da cidade.

Parque San Antonio

Este parque é o símbolo dos tempos mais violentos da cidade, possuindo ainda a estátua “Pajaro de Paz” de Botero, destruída num ataque bombista a 10 de junho de 1995, num concerto que matou 23 pessoas. Em 2000, Botero colocou uma nova estátua junto à antiga, para relembrar a estupidez humana e servir de símbolo da paz.

O nosso free tour acabou aqui, já à chuva, todos com cuidado para não nos dispersarmos, por ser uma zona de assaltos, daí não haver fotos.

Guatapé

Próximo de Meddellín fica esta pequena cidade colorida, junto de uma barragem. A grande atração da cidade são os passeios de barco e a piedra el Penol. Podem ler mais sobre a nossa ida num próximo post.

O que comer:

Comemos muitas vezes na rua pequenos petiscos e empanadas. Adorámos beber café gelado!

As restantes refeições foram quase todas cozinhadas no hostel.

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Onde ficar:

Nós ficámos no Pixel House Hospedaje. Chegámos lá de taxi, de noite, mas durante a nossa estadia andámos sempre de metro, a partir da estação Aguacatala, que ficava a 400m. O hostel era confortável, permitia cozinhar, era próximo de outros transportes públicos e do shopping Santa Fé.

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Vale a pena:

É uma cidade colombiana que não deve ser ignorada. O clima é ótimo, as pessoas são prestáveis. Conhecemos quem tenha optado por ficar semanas nesta cidade, de tão bem que se sentiram por aqui.

Nós chegámos e partimos de avião. Do aeroporto para a cidade e vice-versa fizemos um percurso misto de táxi/metro e autocarro (ônibus). O autocarro do aeroporto deixa-nos junto ao shopping Sandiego (tem metro a uma caminhada de 10min.) e aí encontra-se uma equipa que nos encaminha para os táxis. As malas vão identificadas no autocarro com umas etiquetas com números que devolvemos para as receber de volta. Na partida esperámos bastante tempo pelo autocarro, portanto aconselhamos a ir com tempo, para não ceder à tentação de gastar mais num táxi. Gastámos 19.000COP (5,4€) por pessoa no autocarro, ida e volta.

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365 dias no mundo estiveram 4 dias em Medellín, de 5 a 8 e 10 de Junho de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: barato
Categorias: cidade, cultura, arquitetura
Essencial: Parque Arvi, Parque Explora, Jardim Botânico, Plaza Botero, Parque Berrio, Parque San Antonio, Parque de las Luces, Guatepé
Estadia Recomendada: 5 dias

 

 

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