O nosso roteiro em Bogotá, de Bacatá ao Bogotaso (Colômbia)

Última paragem na Colômbia. Capital e palco de grandes acontecimentos, toda a cidade transpira história, cultura e cor.

Tanto se fala da Colômbia, mas muita gente ignora o quão o país é incrível. Um roteiro de Bogotá tem de explorar a gastronomia, a cultura, a história, o processo de independência.

História de Bogotá

Falando em história, Bogotá é fundada a 6 de agosto 1538 por Gonzalo Jiménez de Quesada, após a vitória sobre o povo muisca. Bogotá tem origem na palavra indígena “Bacatá”, nome da capital do povo chibcha, mas a cidade já teve vários nomes, como Nuestra Señora de la Esperanza, Santa Fé e Santa Fé de Bogotá.

História colonial

Em 1717 criou-se o vice-reinado de Nova Granada na cidade. É também aqui que se declara pela primeira vez a independência, em 1810, apesar de esta só se concretizar no ano de 1819, com Simón Bolívar e Santander. Foi também a capital da Grã-Colômbia (Colômbia, Equador, Panamá e Venezuela), um sonho de Bolívar que se desfez em 1830. Foi capital porque era fácil de defender, mas tornando também difícil o acesso de outras partes do país. A cidade é rodeada por montanhas, o que durante o tempo colonial serviu de proteção e dificultava os ataques à cidade, funcionando como muralhas, juntamente com o clima inóspito da cordilheira dos Andes.

Aproveitámos a nossa assinatura de Netflix para ver um filme sobre a história do libertador Simón Bolívar, que nos ajudou a reconhecer algumas zonas da cidade enquanto a percorríamos. O filme chama-se Libertador, é de 2013, e romanceia a vida de Bolívar e a sua luta pela independência do Novo Mundo contra o império espanhol.

A par com San Martin, no Sul, Bolívar é a cara mais conhecida da luta contra a colonização espanhola, no norte. E já falámos de ambos em diversos artigos. Simón Bolívar está registado na história como o homem que lutou contra a coroa espanhola para que os crioulos pudessem controlar o seu país. Formou alianças, exércitos, amigos e inimigos, foi traído e ajudado, fugiu e perseguiu, declarou a independência, sonhou alto com um só país, ambicioso, declarou-se ditador e caiu, como muitos heróis. Será sempre uma das figuras mais importantes na América latina, relembrada em todas as cidades por onde passámos.

Luta pela independência

Não podemos também deixar de referir Francisco Santander, um dos fundadores da Nova Granada e aliado de Bolívar, lutou pela independência de 1810-19. Sob o comando de Bolívar, presidiu à Grã-Colômbia de 1819 a 1826, libertando Bolívar para o comando das tropas. No entanto os conflitos de ideologia entre ambos levariam a que fosse acusado da tentativa de assassinato de Bolívar, a 25 de setembro de 1828. Após a morte de Bolívar regressa do exílio e nomeiam-no presidente, de 1832 a 1836. Reparem nas bandeiras dos edifícios públicos. A Grã-Colômbia deixou marcas na Venezuela, Colômbia e Equador. As suas bandeiras continuam a ter as mesmas cores: amarelo (ouro), azul (água) e vermelho (sangue).

Figura incontornável da cidade é também Gaitán, candidato a presidente. Não era da elite e ia ganhar as eleições, mas “El Negro” morreu a 9 de abril de 1948 à saída do escritório, onde agora é o McDonald’s (antigo edifício Agustín Nieto). A morte do candidato gerou uma onda de tumultos conhecidos como El Bogotaso. Os seus apoiantes destruíram a cidade e mataram Juan Roa Sierra, o executante do assassinato.  As guerrilhas começaram nesse dia, replicadas para várias cidades do país, tendo-se prolongado durante vinte anos o conflito entre conservadores e liberais. Ainda se sentem as marcas que ficaram na população, nas conversas as pessoas vão assumir um lado e criticar o outro. Vão relembrar histórias que viveram, ou que lhes foram contadas por familiares, e vão ter uma opinião política sobre o assunto.

A nossa visita

É a cidade mais fria que conhecemos no país, com a temperatura média de 14ºC, devido à altitude. Apanhámos dias muito chuvosos, que nos alteraram um pouco os planos, mas tentámos conhecer o mais possível. Um roteiro tem de ser flexível, elástico para aguentar dias mais parados.

Ficámos surpreendidos com o sistema de transportes, pareceu-nos que o nome das rotas varia consoante o percurso, ou seja, a rota pode ser B74 para ir e J72 para regressar, o que achámos confuso. Há vários tipos de transporte, desde os autocarros semelhantes aos de Lima, que circulam em circuito e têm paragens fechadas, tipo estação de metro, autocarros mais pequenos, pequenas carrinhas e, claro, os táxis. Quanto a aplicações, a Uber funciona. Não é muito agradável andar de transportes públicos, porque os colombianos amontoam-se para entrar, não facilitando a saída dos que querem sair, e passando à frente uns dos outros. O truque é fazer o mesmo e empurrar. O centro é calmo, relativamente seguro, mas houve bairros em que caminhámos de forma mais desconfortável, tendo dado meia volta sorrateiramente e regressado para zonas mais abertas e limpas.

Adorámos a comida de rua, conversámos com o dono do nosso alojamento, fugimos da chuva, procurámos tours que nos levassem às minas de esmeraldas e imaginámos a cerimónia que criou o mito do El Dorado. Deve-se andar a pé, caminhar com ou sem destino, olhar e sentir a vibração da cidade. Os bairros como La Macarena e La Candelaria são cheios de charme e pitorescos, onde graffitis e edifícios coloniais dão cor às ruas. Comprem arepas na rua, naquele vendedor que as cozinha na hora à nossa frente, experimentar os tamales ou o chocolate quente com queijo no Puerta Falsa. A capa ou guarda-chuva devem estar sempre na mochila, quem sabe quando começa um novo dilúvio?

roteiro de Bogotá arte urbana

O nosso roteiro começou com a chegada em Bogotá, apesar disso não é neste artigo que encontrarão a lista do que fazer na cidade. Chegámos a Bogotá de avião, como temos feito na Colômbia, e fomos até ao alojamento de táxi. Os preços são acessíveis, as nossas mochilas seguem no porão, envolvidas nas capas de transporte, e até agora não temos tido problemas. Pagámos 28.000COP (8€) de táxi. O taxista cobrou-nos todos os suplementos possíveis: domingo, fora de horas e recolha a partir do aeroporto. Pagámos quase tanto de suplementos como de viagem. Tentámos reclamar com o motorista, porque achámos estranho que os suplementos se somem todos, mas não nos valeu de nada.

À saída para o Panamá tentámos pedimos um Uber e foi graças ao motorista que não perdemos o voo, porque o trânsito estava caótico. Fomos os últimos passageiros admitidos na fila do check-in.

Onde comer

Café Casa Galeria, um hostel com café/restaurante. A chicha foi proibida durante anos. Após 1958 culparam-na pela violência dos consumidores, mas nunca se perdeu o hábito de a consumir. Entrámos neste espaço no free tour, onde recebemos um totuma, a casca do fruto totumo, que serve de copo onde nos foi servida a chicha, composta por água, milho e panela (cana de açúcar). Vendem também chá de folhas de coca e chucula, que leva milho, cacau, canela, etc. O copo custa 4.500COP e uma embalagem de seis custa 10.000COP. Experimentámos o copo, mas não ficámos fãs, é demasiado denso, mas houve pessoas que vibraram, tendo levado várias caixas.

Quinua y Amaranto, um espaço agradável, de comida saudável, que serve menus de almoço, com entrada, prato, sobremesa e sumo. Almoçámos aqui e recomendamos.

La Puerta Falsa, onde a ementa tem que passar pelo chocolate com queijo e pelos tamales. Fomos experimentar o chocolate com queijo a pensar que ia ser muito mau, mas, ao contrário dos nossos queijos, os deles são suaves. Por serem suaves, é quase como juntar leite ao chocolate quente feito com água. Não altera o sabor e até sabe bem com o pão que o acompanha. Não pode falhar também o ajíaco, uma sopa de batata, frango e milho, servida com arroz e abacate.

Na rua não faltam vendedores de arepas. Há mais de 40 receitas e são dos snacks mais baratos. Recomendamos que experimentem as recheadas com queijo.

No último dia comemos bem e barato num restaurante de sumos de frutas, o Patty. Comemos Mei Thai de frango e salmão, acompanhados de uns sumos enormes, brownie de chocolate e gelado de sobremesa, tudo por 31.000COP (9€) para os dois.

Quando fomos a Monserrate almoçámos primeiro no Andrés Exprés. O espaço era engraçado, com uma decoração fora do vulgar, e o seu forte são as carnes. Nós comemos lomo de rés servido numa espécie de pedra e acompanhado de uma arepa.

Onde se alojar

Escolhemos um Airbnb, não no centro, mas numa zona habitacional. O dono era simpático, mora sozinho e aluga 3 quartos. A queixa que temos é que o quarto estava anunciado como tendo WC privado, mas na verdade era partilhado. A cozinha era bem equipada, os restantes hóspedes (um israelita e um inglês) eram simpáticos e o Santiago deu connosco uma volta ao quarteirão para nos mostrar onde podíamos ir às compras. Ficava perto das paragens de autocarro/ônibus. Apesar de ser simpático se fosse hoje em dia faríamos uma escolha diferente, como o Delgadillo Boutique Hotel by Socialtel ou a Casa Tsao.

Fernweh Photography Hostel e Hostel Fatima foram hostels sugeridos por turistas no tour que estavam contentes com o serviço. São os dois muito centrais.

Vale a pena visitar Bogotá?

É uma capital vibrante, com muita história, cultura, palco de grandes acontecimentos que marcaram a história do país e da América Latina. Tal como o resto do país, reergue-se da fama negativa que a acompanhou nas últimas décadas e mostra como pode ser um bom destino de férias e, acima de tudo, barato. Vale a pena!

Quantos dias de estadia recomendamos?

7 dias, para visitar com calma.

O que deve estar em qualquer roteiro em Bogotá?

Nós dizemos que há coisas imperdíveis: Catedral de Sal, Museo del Oro, Casa de la Moneda, Guatavita, La Candelaria,  La Macarena, Monserrate, Carrera 7 e Plaza Bolivar

roteiro em bogotá, vista da cidade

365 dias no mundo estiveram 4 dias em Bogotá, de 10 a 14 de Junho de 2017

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