O QUE FAZER EM BOCAS DEL TORO (PANAMÁ)

Apanhamos o autocarro que nos leva da cidade do Panamá até Bocas del Toro. Vamos dizendo adeus a uma cidade que nos acolheu como se estivéssemos em casa, onde agimos como no nosso Portugal, andámos à vontade de dia e de noite na rua, fomos à praia, comemos nos tascos onde os turistas não vão, mergulhámos em águas que quase nunca vêem estrangeiros, passeámos por ruas de moradores que nunca nos olharam desconfiados, apanhámos mangas sem dono, cozinhámos, vimos o jogo de Portugal. Reencontrámos amigos, fomos beber copos e dançar. Não nos preocupámos em ser turistas, em ir ao ponto de encontro dos free walking tours, porque foi quem lá mora que nos mostrou a cidade. Agora, olhamos pela janela com aquela nostalgia de quem diz adeus a mais um sítio onde foi feliz. Vemos o pôr-do-sol, o canal, a floresta, passamos sobre o rio enquanto vemos o céu ficar dourado, antes de trazer a luz das estrelas e da lua. Dizemos adeus à cidade do Panamá porque agora vamos ser felizes em Bocas del Toro.

O que fazer:

Isla Colón

Chegámos à cidade de Bocas e fomos diretos para o hostel, tomar o pequeno-almoço, e daí regressámos à cidade para marcar tours e apanhar o autocarro para a Playa de las Estrellas. Há vários tours para ver golfinhos, preguiças, corais, etc., mas achámos tudo muito caro. Decidimos fazer por nossa conta com a ajuda de uma moça de uma agência que nos deu alguns conselhos. A cidade tem um ar turístico, antigo, mas cuidada. A Calle 3 tem vários hostels em edifícios antigos, com floreiras e bem pintados, e também encontram nesta rua as agências de turismo. A paragem de autocarro (ônibus) e as saídas dos barco-táxi também são no centro.

Junto à cidade de Bocas encontra-se a Playa del Istmito/de la Feria, a uma caminhada de 15 minutos do centro. É a praia mais concorrida pela sua proximidade da cidade.

Para ir a Bocas del Drago pode-se ir em tour, mas não há necessidade. Há um coletivo (autocarro/ônibus) a 2,5 USD por pessoa que nos deixa na praia, junto ao restaurante Yarisnori. Depois, há três hipóteses: ficar nessa praia, ir até à Playa de las Estrellas (5min de barco, por 2USD, ou caminhando), ou dar um passeio de barco até à Isla de los Pajaros (Swans Cay), onde podem ver os ninhos de pássaros, mas não se pode atracar na ilha.

Aqui temos de deixar uma nota: o turista tem de se saber comportar. Não se pode tocar nas estrelas, e muito menos se podem tirar de dentro de água para tirar fotografias, nem que seja só por um micro-segundo. Simplesmente não temos o direito de interferir com a vida animal. Passámos o nosso tempo de almoço a dizer aos restantes turistas que não se pode tocar nas estrelas, porque elas são sensíveis aos químicos que transportamos e acabam por morrer, mas não tivemos grande sucesso. Qualquer uma das praias é um ótimo destino para estar. Quanto às estrelas, cada vez se vêem menos.

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A caminho da praia das estrelas existe a Gruta de la Virgen, onde se entra por 1 USD, com direito a lanterna de cabeça. Tem este nome porque tem esculturas à entrada. Também lhe chamam a gruta dos morcegos (facilmente se percebe porquê).

Na outra costa da ilha temos a Playa Bluff, junto à selva tropical. Há tartarugas marinhas que vêm pôr ovos. Os tours para assistir são organizados pela Anaboca.

Depois da praia do istmo fica o Laboratorio Marino del Instituto Smithsonian. Às sextas e sábados há visitas guiadas grátis, imperdível para quem gosta de aprender sobre os ecossistemas locais.

Há também um jardim botânico numa propriedade privada (Finca Los Monos). David e Lin são os proprietários deste terreno que criaram a partir do sonho de um jardim tropical, hoje um orgulho para ambos. Recomendam-se duas horas para o passeio e tem uma entrada de 10 USD.

Há aulas de yoga e línguas na cidade.

 

Isla Carenero

No segundo dia apanhámos um barco táxi para ilha Carenero. A Ilha é pequena e fica tão perto da ilha de Cólon que a viagem é daquelas que deixa os barqueiros zangados e a resmungar numa língua que ninguém entende. O percurso custa 2 USD, mas até conseguimos o regresso a 1,5USD.

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O sítio onde o táxi nos deixa é amoroso, um hotel com casinhas em cima da água. Decidimos que íamos dar uma volta completa à ilha, que não foi a melhor ideia. Não porque nos cansámos, mas porque desfizemos toda a magia do local. Onde há hotéis, hospedagem e alguns restaurantes está tudo bem, com as praias limpas e água transparente, mas quando entramos na zona mais selvagem parece que os frequentadores também ficam mais selvagens e é lixo por todo o lado e de todo o tipo. Encontrámos chinelos, garrafas, latas, tampas, roupa, papéis de rebuçados, embalagens de take away, talheres, e até aplicadores de tampões, e o lixo entra nas aldeias também, tudo espalhado, muitas vezes por baixo das casas. Confessamos que até dói. Chegámos a estar a fazer snorkeling entre duas casas e a dizer um ao outro para não por os pés no fundo do mar porque não sabíamos o que podíamos encontrar. Estamos no mar do Caribe, o paraíso das agências de viagens, com água transparente, golfinhos, tartarugas, estrelas do mar, corais… E o ser humano estraga tudo.

Fomos almoçar a um vegetariano. A proprietária é americana, mas vive ali há 14 anos. O restaurante é adorável, com bons ingredientes, sobre a água, e com estrelas do mar junto ao deck. A Raquel meteu conversa precisamente sobre as estrelas e ela disse-nos que sente que as estrelas se estão a refugiar ali, para fugir de zonas onde são incomodadas, mas naquelas águas mais fundas as estrelas têm garrafas e latas como companheiras de condomínio. Ela diz que se está a tentar resolver o problema do lixo, que existe um grupo de moradores que está a trabalhar nesse sentido e está a resultar nas escolas, junto das crianças, mas vai demorar a chegar até aos pais. De qualquer forma, há que dar o mérito por estarem a tentar.

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Isla de Bastimentos

Não queremos ser injustos, mas confessamos que não ficamos apaixonados pela ilha, talvez também porque tivemos um dia de azares. Sair do hostel em Bocas foi fácil, só nos cobraram 3 USD de barco táxi. Chegámos a Bastimentos e fomos ao hostel deixar as malas. O hostel parecia quase abandonado, mas deve ser de estarmos em época baixa, já que também muito restaurantes fecham nesta época. O quarto é decente, com quarto de banho privado e mosquiteiro, mas sem água quente e com uma ventoinha minúscula. Fomos dar uma volta para chegar até a Wizard Beach/Playa Lagarto e depois à Red Frog Beach/Playa Rana Roja. Fizemos o caminho mais barato, mas mais duro. Podíamos ter feito de barco-táxi, mas optamos por subir a montanha.

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Foi complicado subir de chinelos, tinha chovido, havia lama e escorregámos várias vezes, tendo o Tiago caído de rabo. A Raquel quase desistiu de ir calçada e caminhou uns bons metros descalça na lama. No topo da montanha há várias fazendas com cabanas, sendo a mais conhecida a Up in the Hill, que tem tours de chocolate às 11h por 20 USD (2h de duração). Chegámos à praia Lagarto e começou a chover, mas a chover torrencialmente. O que fizemos foi embrulhar as mochilas na capa da chuva e refugiámos-nos no mar quentinho. Lá acabamos por desistir porque percebemos que não ia parar de chover tão cedo e continuamos a caminhada .

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Decidimos seguir até à Red Frog. Pelo caminho encontrámos mais lama, demos mais quedas, mas vimos muitos sapos encarnados que geralmente se tem de pagar para ver. Chegados à praia era hora de almoço e fomos almoçar. Mais uma vez, estávamos em época baixa, mas esta praia tem todo o ar de ser o ponto mais turístico do arquipélago. Depois do almoço tentámos voltar para a cidade de barco, mas fomos surpreendidos com a maior roubalheira que já encontrámos: 15 minutos de caminhada por um caminho de areia que se cruza com um lago que tem caimões (crocodilos pequenos) e chegados ao lago alguém estabeleceu que a viagem até à cidade de barco custa 5 USD, até Bocas 7 USD e para usar o porto e a estrada do atalho mais 5 USD. Ficámos parvos a olhar para os moços e, apesar de frustrados, decidimos que regressaríamos novamente a pé.

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Custou muito, caímos mais umas vezes, escorregando outras, sempre com chuva. Chegando ao Up in the Hill decidimos parar para beber um café moka (3,5 USD em água de coco). Demorámos cerca duma hora a chegar à praia Lagarto (seria meia hora se o piso estivesse seco) e mais meia a chegar até a Red Frog.

É nesta ilha que fica o Parque Nacional Marino, que ocupa mais de 13.000 hectares, fazendo parte da zona protegida os Cayos Zapatillas, duas pequenas ilhotas de água turquesa, areia branca e caminhos pelo bosque.

Existe canopy ou rappel na ilha pela Red Frog Beach . É só procurar a agência Red Frog em Bocas e custa 55 USD. Há quem diga que a Bastimentos Sky Zipline Canopy Tour é a melhor da América Central.

A cidade de Bastimentos pareceu-nos ser boa onda na época alta. Há vários restaurantes junto à água que prometem reggae, roots e calypso. O restaurante onde jantámos só tinha duas mesas ocupadas, nós e outro casal, e era dos poucos restaurantes abertos.

Entre Bastimentos e Solarte encontra-se o Sendero del Perezoso, tour organizado pela comunidade local e que tem duas partes. A primeira é feita de bote, no meio dos mangais, para ver as preguiças. A segunda parte já é em terra, visitam-se as plantações abandonadas de cacau e banana, a floresta e uma cova de morcegos.

Isla Solarte

Em 1900, a United Fruit Company decidiu construir um Centro Médico nesta ilha, para garantir os cuidados médicos dos trabalhadores das plantações de banana. Essa zona da ilha passou a ser conhecida como Punta Hospital. É uma ótima zona para mergulho e snorkeling, e era o nosso plano no dia seguinte a Bastimentos.

Cayo Coral

Entre Bastimentos e Popa encontram Cayo Coral, famoso pelas praias, e onde o turismo se desenvolveu. Há restaurantes, hotéis e pequenas cabanas, proporcionando um dia bem passado a bronzear e a comer marisco.

Onde comer:

La Italiana (Bocas Town). Jantámos aqui pizza. O serviço foi rápido e fomos bem servidos.

Restaurante El Buen Sabor (Colon – Playa de las Estrellas). Restaurante na praia, onde se pode pedir o almoço e continuar a dar uns mergulhos enquanto se espera pelo peixe. A casa de banho é rudimentar, o que se entende se pensarmos que não há água canalizada no local.

Golden Grill (Bocas Town). É um espaço bastante barato e razoável. Baseia-se no fast food.

Falafel (Bocas Town), é o hot spot dos israelitas. A comida é boa e barata. Tem o ar de uma caravana num jardim e é uma boa opção para vegetarianos. Os funcionários são simpáticos.

Leaf Eaters (Isla Carenero). Completamente fechado e rodeado de chapas que não mostram o que se passa lá dentro. O restaurante/loja fica por cima da praia permitindo almoçar com vista privilegiada para o mar, onde se conseguem ver várias estrelas do mar (mais que na praia com o mesmo nome).

Up in the Hill (Bastimentos), fazenda orgânica. Bebemos aqui um moka com água de coco, mas tem uma carta variada. Boa opção para vegetarianos.

Palmar Beach Lodge (Bastimentos – Red Frog Beach), um hotel de glamping. Tem a particularidade de nos obrigar a descalçar no espaço do restaurante. Comemos tacos de peixe frito e spring roll de frango. Era bom, mas carote.

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Restaurante Alvin y Kecha (Bastimentos). Era dos poucos restaurantes da cidade abertos. Pedimos arroz com frango e era muito bem servido. A dose era tão grande que no dia seguinte almoçámos as sobras.

Onde dormir:

Bocas del Toro parece-nos um destino em que (pelo menos na época baixa) se pode chegar sem reserva e procurar no momento. Há várias opções nas ruas principais de todas as ilhas, alguns até à venda, mais na ilha de Colon. Onde ficámos em Bocas fica um bocadinho depois da rua principal e chama-se Twin Fin. O espaço é agradável, tem bom ambiente e, apesar de ter música à noite, não o poderemos chamar de party hostel. Inclui pequeno-almoço com panquecas, fruta e café. É um espaço clean, muito na onda do surf, despreocupado. Mas só tem WC partilhados e dormitórios de 4.

O Dreamcatcher Hotel & Restaurant em Bastimentos tem quartos particulares, mas tem um ar mais abandalhado e de gestão familiar. Damos o benefício da dúvida por estarmos em época baixa.

O Aqua Lounge Bar & Hostel, em Careneno, pareceu-nos bem. Espreitámos na visita à ilha e tinha bom ar.

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365 dias no mundo estiveram 4 dias em Bocas del Toro, de 18 a 23 de Junho de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥
Preços: caro
Categorias: natureza, praia, snorkeling, estrelas do mar, golfinhos
Essencial: Playa Rana Roja, Playa Estrellas, Cayo Zapatillas, Punta Hospital, Bocas Town, Sendero del Perezoso, Cayo Coral, Bahia de los Delfines, Boca del Drago

Estadia Recomendada: 3-5 dias

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