EXPERIÊNCIAS OBRIGATÓRIAS EM NOVA IORQUE (EUA)

GOSPEL

Quantos filmes americanos têm uma cena dentro de uma igreja com um coro gospel? Imensos. Assistir a um “concerto” gospel tornou-se muito popular. Há tours especializados e eventos, mas um coro gospel “verdadeiro” deve ser visto numa igreja no bairro de Harlem ou Brooklyn e ao domingo, num culto.

Para usufruir deste momento com total autenticidade deve-se escolher uma igreja mais pequena e um dos primeiros cultos de louvor de domingo. Mesmo que escolham uma grande igreja como Abyssinian Baptist Church, Mother Zion Church, Greater Refuge Temple, Canaan Baptist Church e se sintam tratados como turistas, podendo até ser barrados, lembrem-se que são igrejas. Alguns artigos descrevem as idas a estas igrejas como um entretenimento, mas não nos podemos esquecer que as pessoas estão num templo, a prestar um culto e em louvor. Pode parecer uma espécie de concerto a quem assiste, mas é um momento de solenidade e exige respeito.

Regras:

  • Não chegue atrasado;
  • Não faça confusão na entrada;
  • Use roupa discreta (calças, saias/vestidos compridos, nada de chinelos ou decotes);
  • Se acha que não vai conseguir aguentar todo o tempo (há celebrações de 3h) fique sentado ou em pé (depende da igreja) num local onde consiga facilmente sair sem chamar a atenção (há igrejas que não permitem saídas a meio);
  • Se for barrado, respeite a “ordem”;
  • Não fale, não se ria;
  • Entre no espírito, isso implica não filmar ou fotografar;
  • Respeite a devoção dos outros, as pessoas estão a cantar com alegria, por fé e para louvor.

Locais:

  • Abyssinian – terças 19h e domingos 11h30. Turistas só ao domingo e em número controlado (tem informações no site oficial).
  • Bethel Gospel Assembly – quartas às 18h45 e domingos 11h30. Turistas em número controlado
  • Cathedral Saint John the Devine – visita às instalações: 10$; coro gospel – aos domingos às 11h e às 14h (tem informações no site oficial) ;
  • Em tour os preços rondam os 45-92$. Poderá valer a pena, mas não nos parece que seja esse o espírito do verdadeiro gospel.

Nós fomos à procura de um culto, mas devemos ter ido à hora ou dia errado e não encontrámos nada a acontecer. Ficará para uma próxima visita.

É normal que cheguem até uma igreja e que a descrição que leram em blogs não coincida, porque, com o fluxo turístico que a cidade tem, é normal que uma igreja discreta com poucos turistas passe a ser a grande atração local e mude as regras de acesso.

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NBA

Já se sabe que os americanos têm gostos diferentes dos europeus na generalidade dos desportos. Queremos dizer com isto que gostam de futebol americano, basebol e basquetebol. A liga de basquetebol nacional é famosa por jogadores como Michael Jordan, etc. Há linhas de sapatilhas (sim, para nós uma sapatilha é um ténis) criadas para o desporto, com o nome dos jogadores, e quem nunca viu malta que usa os equipamentos como dress code diário? Apesar de cá em casa se gostar de futebol e de ténis, tínhamos de ir a um jogo no Madison Square Garden (8ª Ave, em Penn Station). Comprámos o bilhete com antecedência pela internet, na ticketmasters. Não foi barato, daí termos feito a escolha de não assistir a um espetáculo na Broadway.

Fomos ver um jogo da equipa da casa, os NY Knicks, contra os Wizards (Washington). É sem dúvida um evento de entretenimento levado ao limite. Os seguranças foram super cordiais, fizeram questão de falar em espanhol, para ajudar a comunicação (que no nosso caso não era necessário, mas bonita atitude).

Chegámos cedo ao estádio, e fomos até aos nossos lugares na mezzanine. Vimos as cheerleaders, a apresentação da equipa, e “divulgação” dos famosos que assistiam ao jogo (atitude habitual, no nosso caso, entre outros, estava o Jimmy Fallon do The Tonight Show, que por acaso é gravado no Rockfeller Center, edifício referido no post de Midtown). O jogo não foi fantástico, com os Knicks a perderem o jogo, mas valeu pela experiência. A estrela em campo era Carmelo Anthony, que nesse mesmo ano trocou de equipa.

Aproveitámos a localização para ir jantar a uma das pizzerias famosas pela melhor relação qualidade/preço. Fomos à NY Pizza Suprema. Entram e vêem uma montra de pizzas. O conceito é claro: escolhem pizza inteira ou à fatia. Se escolherem à fatia, só têm que dizer quais querem. As vossas fatias voltam ao forno e até chegarem ao fim do balcão elas são servidas. Fica barato, as pizzas são boas, e em poucos minutos estão sentados a comer. É normal existir refill de bebidas.

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HAMBÚRGUERES E MILKSHAKES

Apesar de ter sido uma escolha feita de forma consciente, ficámos tristes por não assistir a um espétaculo na Broadway. Mas, para compensar, pesquisando locais para jantar, descobrimos um sítio que recomendamos a toda a gente. Se quiserem jantar naquele espírito Broadway, com qualidade, e querem a fast food tipicamente local (hambúrgueres, batatas fritas e milkshakes) não podem deixar passar o Ellen’s Stardust Diner. Encontramos na internet (tripadvisor) e arriscámos ir a pé (fica perto da Times Square), sem grandes expectativas. Não marcámos (não aceitam reservas) e vimos logo a fila gigante que contornava a esquina. Víamos das janelas a comida passar e a festa acontecer e ficámos logo convencidos. Como éramos só dois encontraram-nos um lugar em poucos minutos (talvez menos de 15 minutos). Fomos sentados, apertados, quase a sentir-nos parte das mesas que nos rodeavam, tal era reduzido o espaço entre mesas (pode ser necessário afastarem a vossa comida da beira da mesa para que não seja arrastada por malas de senhoras que se tentam sentar). Atenção! Não é barato, mas… Não é um simples restaurante, é um espaço onde jovens que sonham atuar e cantar na Broadway trabalham para sobreviver na dispendiosa NY, enquanto fazem castings. Treinam as suas performances no restaurante e não é cobrada taxa de espetáculo, mas pedem (muitas vezes) contribuições para aulas de sapateado, canto e dança. Cada empregado de mesa tem os seus minutos de fama, em que canta, dança e interage com o “público”, que entre duas garfadas canta também. Tem dois andares e tem muito mais graça se as pessoas sentadas entrarem no espírito.

Para nós valeu o dinheiro gasto, comemos bem, vimos pessoas que se esforçam muito para atingir os seus objectivos e o seu sonho. De cada vez que um funcionário consegue entrar para um espetáculo passa para a wall of fame, onde é colocada a sua fotografia.

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METRO

Parem para ouvir um “concerto” no metro, a MTA tem mesmo uma secção de música (Under New York), onde bandas se podem inscrever nas audições para que a MTA Arts & Design escolha quais atuarão na rede de metro. As audições decorrem na Grand Central Terminal e as escolhidas são publicitadas na página e atuam numa das estações. Nós assistimos a alguns concertos e vale a pena, não só pela banda em si, mas porque as pessoas que param para ouvir interagem. Há quem comece a dançar e há mesmo quem venha da escola de música e saque do seu instrumento para tocar também. É bonito contribuir com ofertas ou com a compra dos CD’s.

Para além dos concertos, as próprias viagens são uma animação. Quem está habituado ao metro de Londres (por exemplo) e aquele espírito muito british de silêncio e descrição, sente a descontração das pessoas ao fazerem discursos sobre política ou racismo, venderem coisas (porque “mais vale vender que roubar”, diz quem vende), pregarem religião ou tocarem instrumentos.

COMPRAS

Nesta cidade há tudo o que possam imaginar: todo o tipo de comida, todo o tipo de serviço, todo o tipo de lojas, e o melhor, todo o tipo de promoções. Há pessoal que adora ir a NY às compras e gasta centenas ou milhares de dólares em produtos. Na maioria das lojas fomos super bem atendidos, na REI o vendedor foi muito esclarecedor na explicação sobre as botas de trekking, e encontrou o modelo ideal para o Tiago. Também precisámos de devolver um artigo com defeito e não houve nenhum entrave. Na Victoria Secrets, apesar da secção “barata” poder ser confundida com uma banca da feira da vossa cidade, perguntaram à Raquel de onde era (não sabia falar português dizia ele, mas sabia onde era Portugal), verificaram o preço de cada peça para garantir que o preço era o da prateleira. Na maioria dos sítios os funcionários tentam agradar. Onde não ficámos fãs de alguns atendimentos foi nos restaurantes, onde sentem mesmo que a forma de vos atenderem depende de quanto estão à espera que dêem de gorjeta. Chegámos a sentir o desprezo total depois de decidirmos pagar só o valor obrigatório.

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5th AVENUE

Caminhar na 5ª Avenida provavelmente tem mais graça com um cartão de crédito ilimitado, ao estilo de O Sexo e a Cidade, mas mesmo sem poder comprar nada, a avenida merece ser percorrida. Quem sabe ainda vêem o vídeo do João Cajuda exposto na fachada do consulado das Filipinas.

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BRONX

Nós quisemos ir até ao Bronx, conhecer um bairro emblemático da cidade, onde cresceram muitas pessoas de que se ouve falar. O bairro acaba por ser um bairro “normal”, prédios, movimentação diária normal, miúdos a jogar basquetebol, crianças a serem passeadas nos seus carrinhos. Fomos também até ao Zoo, um local que desperta diferentes visões. Nem toda a gente concorda com os zoológicos e não os visitam para não alimentar um mercado que, na sua opinião, vive da exploração dos animais que estão em cativeiro. São opiniões… A nossa é de que os zoológicos têm um papel necessário na preservação dos animais e cada vez mais se vão adaptando às necessidades destes, com mais espaços abertos e menos de “jaulas”, cortando também nos espetáculos de piruetas. Fomos em janeiro e devemos referir, precisamente por se tentar manter os animais confortáveis, que nem tudo funciona como normalmente funcionaria se fosse verão. Já vos dissemos que o clima estava gélido, com neve e temperaturas negativas. A quarta-feira é dia de PAY WHAT YOU WISH. Talvez o ponto alto tenha sido a visita aos gorilas, esses gulosos, que espreitam para ver onde estão as maçãs e as cenouras. Se encontrarem alguma ao pé do vidro vêm de costas, apanham o que tiverem de apanhar e escondem-se outra vez, o que é difícil, considerando o seu tamanho.

Também é interessante visitar o cemitério, o museu das artes, o jardim botânico, o edifício onde nasceu o hip-hop, as ilhas vizinhas, o teatro Pregones, o Pelham Bay Park, o estádio dos Yankees. Nós fizemos só o zoo e uma caminhada.

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ARTE URBANA

Dentro de Brooklyn há o paraíso dos amantes da arte de rua. Bushwick passou a museu a céu aberto, onde artistas deram cor a paredes deslavadas e as transformaram em telas. É fácil de encontrar, difícil é escolher uma obra preferida. A estação de metro mais perto é Jefferson St (linha L). Ficalora apadrinhou o bairro onde morou e deu-lhe uma nova vida, com a criação de The Bushwick Collective. Podem ir sem medo, o bairro, outrora perigoso, hoje está na moda e merece ser visitado.

VAGUEAR

Nós decidimos no dia de regresso ao aeroporto arriscar tudo e decidir ir de autocarro. Não sabemos explicar o que aconteceu, se vimos mal a rua, se apanhámos o autocarro errado, se nos enganámos na paragem, se pusemos o destino errado. De repente estávamos num bairro no meio do desconhecido, de gente simpática e acessível, mas completamente perdidos e a contar os minutos para conseguir chegar ao local certo (o aeroporto JFK). Se foi assustador, por um lado, por outro foi giro. Um autocarro relativamente ocupado e dois estrangeiros perdidos lá dentro, cheios de malas (já tínhamos as mochilas novas), só nos faltando um letreiro na testa. Vimos uma Nova Iorque completamente diferente, com vivendas, pequenas lojinhas, supermercados, ruas habitacionais de casas pré-fabricadas com todo o ar de bairro, jardins, árvores e o céu aberto, sem estar invadido dos arranha-céus de Manhattan. Resumindo a história, chegámos ao destino, e vaguear (de forma controlada) é sempre bom, permite ver o outro lado de grandes cidades.


EXPERIÊNCIAS QUE PODEM SER DISPENSADAS:

  • andar de táxi: usem o metro, uber ou lift, mas pensem mesmo se querem andar de táxi;
  • ir ao Starbucks: é igual em todo o mundo;
  • ir a grandes cadeias de fast food: há tanta coisa boa e diferente, é um desperdício comer aquilo que já se conhece;
  • fazer compras de electrónica: se vivem na Europa, as regras de serviço de apoio ao cliente são mais vantajosas. Sim, estamos a falar do drone que foi comprado nesta viagem. Falámos nos problemas aqui. As garantias dos EUA são diferentes das regras da UE e não cobrem a viagem de regresso ao país nem fazem assistência fora do país.

Há muito mais… mas cada um terá experiências diferentes das nossas.

365 dias no mundo estiveram 7 dias em Nova Iorque, de 14 a 21 de janeiro de 2017
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 
Preços: elevados
Categorias: cidade, cultura, música, arquitetura, compras, teatro
Essencial: Wall Street, City Hall, WTC, Battery Park, Brooklyn Bridge, Broadway
Estadia Recomendada: mínimo 5 dias

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