ONDE NÃO VAMOS EM 2018

Temos uma longa lista de sítios que queremos conhecer, não sabemos se ela diminui à medida que viajamos ou, pelo contrário, se aumenta, mas apostaríamos na segunda. A nossa lista tem de tudo: ilhas paradisíacas, florestas tropicais, países com políticas fechadas, cidades, castelos, montanhas, tudo o que se possa lembrar. Como devem supor, a nossa lista de sítios a conhecer aumenta quando lemos artigos de revistas de turismo, blogs, relatos de experiências de outros viajantes, amigos, livros, etc.

No entanto, cada vez mais, procuramos um espírito de viajante que respeita as culturas que visita e a natureza da região. Cada vez mais, queremos viagens que alimentem um turismo sustentável, incomodando-nos o turismo de massas, sem preocupação com a história, a natureza, as origens, e sem propósito.

Temos cortado alguns destinos da lista, porque não queremos conhecer um país, uma cidade, uma praia, que nos obrigue a quebrar os nossos princípios. Por exemplo, enquanto estávamos em Bratislava, com ótima internet do terminal de autocarros, a Raquel aproveitou para ver uns vídeos de vlogs em atraso, e foi uma desilusão, na mesma semana, uma conceituada revista portuguesa de turismo e um vlogger americano, a incentivarem o turismo nas Bahamas, com as suas praias paradisíacas, mar quentinho e bons hotéis. Então, qual é o problema? Nós gostamos de praia, de sol, de mar quente, etc. Mas não gostamos da famosa atividade de alimentar os porcos na praia (a foto de capa é em Curacao), que ambos publicitavam. Não somos ninguém para impor regras, só estamos a dizer o que não vamos fazer em 2018, e não vamos a um local que atrai turistas através dos seus animais, que não os respeita. Os tubarões são alimentados para se aproximarem dos turistas e proporcionarem aquelas fotos “lindas” de instagram. A iguana, um animal até muito na sua, é alimentado por guias em visitas à praia, para que os turistas possam ficar bem perto delas.

Existem inúmeros exemplos deste tipo de problemas, relacionados com o ambiente e proteção da natureza. Bali e o oceano poluído, o excesso de turismo e praias a serem fechadas porque estão a abarrotar de pessoas e do seu lixo. Na Tailândia, os santuários de elefantes, que começam com boas intenções, mas rapidamente percebem que os turistas pagam para estar perto de elefantes e acabam por não os libertar. Tigres e a típica fotografia em que o animal está drogado para permitir a aproximação. Enquanto turistas, entendemos que deveremos ter cuidado com as atividades que fazemos e que suportamos. Porque também existe o exemplo contrário, que deve ser seguido. Sítios realmente comprometidos em ajudar os animais, que recebem voluntários, e onde podem aprender mais sobre a exploração animal e formas de a evitar. Comprometidos em suportar os animais, onde até podem pedir doações e cobrar aos voluntários pela estadia, como uma forma de terem recursos para o seu trabalho. Aceitam visitas, mas fazem-no de forma a minimizar o impacto na vida natural do animal.

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Lagos (Nigeria)

Não somos perfeitos e já fizemos coisas que hoje condenamos. A Raquel lembra-se de assistir, na Tunísia, há mais de 15 anos, ao típico espetáculo de serpentes e de ver dromedários a beberem coca-cola por incentivo dos guias. Contámos aqui que o snorkel incluía atrair os peixes com bolachas, o que já tínhamos visto fazer em Arraial do Cabo (Brasil). Vimos durante a nossa viagem turistas que pegavam em estrelas do mar (Bocas del Toro), fotógrafos que se aproximavam demasiado de iguanas (Galápagos) e gente que atirava cascas de manga a macacos (Costa Rica).

Tentamos também não explorar os comerciantes locais. Claro que regateamos preços, mas de uma forma razoável. Para nós, aquele 1€ que conseguimos regatear não faz nenhuma diferença, mas para o comerciante é mais uma refeição que põe em casa. Aqui, o truque é dominar as moedas locais, para perceber se não estamos a regatear por 0,50€. Tentamos usar transportes, guias, dormidas locais, mas sim, usamos plataformas internacionais, porque sabemos que em alguns países nos traz algum conforto saber que temos a quem recorrer se algo correr mal. Tentamos não ser demasiado radicais neste aspecto, interessa-nos a segurança, e sabemos que alguns negócios locais não são 100% legais ou seguros. Por exemplo, em muitos países, os desportos radicais não estão sujeitos a nenhuma lei, o que faz com que qualquer pessoa possa abrir o seu negócio, sem as mínimas condições. Conhecemos várias histórias de acidentes que aconteceram por falta de cumprimento de regras de segurança. Sempre que fizemos desportos deste tipo tentámos garantir a nossa segurança, portanto preocupamos-nos em obter informações sobre as empresas atempadamente.

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Panamá

Tentamos não apanhar épocas altas ou ocasiões especiais que levem a um aumento drástico dos preços, mas não há regra sem exceção, e também estivemos no Brasil durante o Mundial de 2014. Há também ocasiões que são únicas, portanto não se podem evitar, como as cerejeiras em flor no Japão,  os campos de lavanda em França, as túlipas na Holanda, ou os nossos Santos Populares, em Lisboa ou no Porto. Definitivamente, não gostamos de visitar locais que impõem taxas para turistas sem um serviço de qualidade ou algo incluído no preço, como transportes públicos, nem gostamos de cidades que decidem que todos os seus males são culpa do turismo, tentando afastar quem os quer visitar.

Então, onde fomos/vamos em 2018? Vamos ficar mais pela Europa, principalmente em Portugal, que tem tanto para oferecer, mas também com passagens por Espanha, França, Áustria e Eslovénia, estando prometida uma viagem “maior” já fora do verão.

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