Machu Picchu, uma das maravilhas do mundo, um local que grande parte dos comuns mortais sonha visitar, e quem visitou saiu de lá maravilhado. Ruínas incas bem preservadas, descobertas por acaso na montanha, a 2.400m de altitude, de difícil acesso e com visitas cada vez mais restritas.

Nós tínhamos muitas dúvidas de como lá chegar: escolher o programa, o tempo de permanência, o transporte. E exatamente porque tivemos dúvidas, queremos esclarecer quem nos lê e ajudar na escolha de quem ainda não visitou. Mas, primeiro, queremos deixar claro que é possível organizar tudo sozinhos, tendo conhecido muitos viajantes/turistas que o fizeram.

Vamos então às opções:

1- Reservar a partir do país de origem, com uma agência internacional:

É a opção mais cara e mais fácil.

Há várias agências que servem este propósito e vendem tours de grupo. Geralmente, o preço final inclui os voos, a estadia, o programa, as refeições (exceto bebidas), transportes e seguro. Algumas podem excluir os voos ou as refeições, e quase nenhuma inclui bilhetes para os programas culturais, como museus, nem as gorjetas.

  • Vantagens: tudo está programado, não dá grandes preocupações com a preparação da viagem
  • Desvantagens: vais custar mais dinheiro, primeiro, porque alguém tem o trabalho de organizar a viagem, depois, porque têm direito a guia, além de vários intermediários. Nota: vão deixar muito claro que não inclui as gorjetas para o guia

2- Reservar em agência de viagens local, antes ou depois de chegar:

Se a oferta já era variada a partir de casa, no local da atração a oferta quadruplica. Aqui, o preço é mais em conta e na moeda local, o programa geralmente não inclui seguro e fica mais restringido a uma ou duas atividades. Costuma incluir o material necessário, estadia, refeições e transporte. Não inclui gorjetas, mas inclui guia. Podem estar inseridas no programa atividades não obrigatórias pagas à parte, como idas a termas, paragem em fazendas com produtos regionais.

  • Vantagem: o preço
  • Desvantagens: o risco de contratar uma agência pouco profissional aumenta. É necessário fazer perguntas para perceber em que mãos se entregam

3- Por conta própria:

A maioria dos viajantes mochileiros opta por esta modalidade, porque é a que tem o custo mais baixo. Não inclui atividades extra, refeições, estadia, transporte, nem guia. É o viajante que tem de pesquisar tudo: entrada nas ruínas, transporte, estadia e refeições. Se quiser um guia, tem de contratar à parte (a entrada não inclui).

  • Vantagens: programa à medida e maior controlo de custos; até o guia é fácil de contratar (estarão à porta das ruínas a oferecer os serviços)
  • Desvantagem: o trabalho de organização

Opinião 365 dias no mundo

Na nossa modesta opinião, a relação qualidade-preço é muito importante. Não desfazendo a primeira opção, que sabemos agradar a muita gente, achamos mais equilibrado escolher entre a 2ª e a 3ª opção. Atenção, organizar por conta própria não é a mesma coisa que tratar das coisas em cima do joelho (que também funciona bem para muita gente).

Agora, voltemos a Machu Picchu. Depois de termos feito o nosso tour, recorrendo a uma agência local, podemos dizer que é possível fazer por contra própria, mas reservando com alguma antecedência e organização. Há coisas que esgotam, como o caminho Inca ou a subida às montanhas (principalmente Wayanapicchu). Essas entradas têm de ser compradas com antecedência. Que fique claro, cruzámos-nos com pessoas que deixaram tudo para a última e mesmo assim foram capazes de arranjar bilhetes para entrar.

Primeiro passo, decidir como vão estruturar a visita a Machu Picchu:

Há dois turnos, o da manhã e o da tarde. O da manhã é das 6h às 12h e o da tarde das 12h às 17:30h. Nós preferimos o da manhã, para poder ver as ruínas vazias, entrando mesmo às 6h, mas há quem prefira ir à tarde e ficar até toda a gente sair. Não se incomodem por já ser possível ficar por lá todo o dia, a maioria das pessoas só precisa de 3-4h para percorrer Machu Picchu até à (própria) exaustão.

Se quiserem ir no turno da manhã, têm de dormir em Aguas Calientes na véspera, mas podem regressar a Cusco quando saírem das ruínas. Se vão de tarde, podem tentar chegar a Machu Picchu nessa manhã e regressar nessa noite, mas nós sugerimos dormir sempre uma noite em Aguas Calientes, para moderar o desgaste. Existem muitas opções de alojamento, desde hotéis de qualidade, a guesthouses mais humildes. Restaurantes e mini-mercados também não faltam. O nosso tour incluía refeições e hotel, exceto no último dia, em que lanchámos e jantámos na vila por nossa conta.

Recapitulando, precisam de comprar os bilhetes para Machu Picchu, com ou sem montanhas, reservar uma noite em Aguas Calientes e organizar o transporte, que pode ser ir e vir de comboio, ir de autocarro e vir de comboio, ir e vir de autocarro, ir de comboio e vir de autocarro. A viagem de autocarro implica escolher entre: a) uma caminhada de 3h até à cidade, ou, b) uma viagem de comboio até à cidade.

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Como comprar os bilhetes para Machu Picchu e montanhas?

O Governo tem uma página oficial de venda de bilhetes para as ruínas. Funciona bem e é intuitiva. Permite ver as vagas disponíveis e é suposto permitir ver os guias autorizados.

No site podem escolher os vários bilhetes (1 PEN “soles” = 0,26€):

  • Machu picchu 1º turno – 152PEN
  • Machu Picchu 2º turno  – 152PEN
  • Machu Picchu + Montaña (7-8h) – 200PEN
  • Machu Picchu + Montaña (9-10h) – 200PEN
  • Machu Picchu + Wayanapicchu (7-8h) – 200PEN
  • Machu Pichu + Wayanapicchu (10-11h) – 200PEN
  1. Escolhem a data e a quantidade de bilhetes por local de origem: andinos (Bolívia, Peru, Equador e Colômbia) ou estrangeiros;
  2. Inserem os dados de cada visitante;
  3. Vai abrir uma janela com as regras, leiam;
  4. Inserem um e-mail, confirmam que leram as regras e reservam;
  5. Abre uma janela com o bilhete onde devem confirmar os dados;
  6. A reserva fica feita e deve ser paga;
  7. Passam para a janela de PAGO;
  8. Inserem o código da reserva e pagam

Podem pagar das seguintes formas:

1- Escritórios da Dirección Desconcentrada de Cultura – Cusco:

  • Cusco – Calle Garcilazo – Museo Casa Garcilaso (7-19:30h), exceto domingos e feriados
  • Machupicchu Pueblo – Centro Cultural (5:15-20:45h)

2- Pela internet:

3- Indo ao Banco de la Nación del Perú (Seg a Sex 8-17:30h, Sáb 9- 13h)

4- Em Agentes Autorizados:

  • PERURAIL – Av. Pachacutec S/N Cusco
  • Hotel Monasterio – Calle Palacios Nº136 Plazoleta Nazarenas Cusco

Indo a Check-in podem imprimir os bilhetes.


Agora que já têm os bilhetes para Machu Picchu, precisam de chegar até lá: podem ir de comboio até Águas Calientes ou de autocarro até à Estação Hidroeletrica. Há outras formas de lá chegarem, mas demoram mais dias em caminhada. Nós fizemos em tour, com percursos a pé, bicicleta, van e comboio.

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Ir de Cusco a Aguas Calientes

Há duas empresas de comboios: a Peru Rail e a Inca Rail. São comboios caros, mas de algum luxo, diríamos até desnecessário. Nós regressámos na Peru Rail, no último comboio do dia (o mais barato), daí falarmos em luxo desnecessário. Não aproveitamos as janelas panorâmicas (de noite) e dormimos toda a viagem. Os lugares são marcados, mas conseguimos trocar para irmos com o grupo do nosso tour. Há distinção entre estrangeiros e locais, com carruagens diferentes e paragens exclusivas para locais. Claro, o serviço e o preço também são diferentes, com os estrangeiros a terem de pagar muito mais pela viagem.

Se quiserem ir e vir de comboio na Peru Rail ou na Inca Rail, sugerimos ter as janelas abertas em simultâneo, juntamente com a página que vende os bilhetes para as ruínas. É a melhor forma de terem a certeza que conseguem comprar os bilhetes para Machu Picchu e comboio em datas compatíveis.

Há um comboio de luxo, o Belmond Hiram Bingham, que já recebeu vários prémios. Inclui refeições, entrada em Machu Picchu, guia, descanso num lodge e animação.

Lemos um testemunho de um peruano que explica que a Peru Rail não trata bem os passageiros nacionais que utilizam o trajeto diariamente para ir trabalhar. A forma de comprar o bilhete, a forma de os acomodar durante o percurso (vão em pé) não é a mais correta. Por isso, se quiserem marcar uma posição contra esta postura, sugerimos a ida de autocarro, o que até é mais barato.

Muita gente opta por combinar autocarro (ônibus) com comboio. Viajam até Ollantaytambu de autocarro, ficam aí um noite ou mais, e depois apanham o comboio. A oferta de comboios a partir de Ollantaytambu sai mais em conta (65USD).

A opção de autocarro sai de Cusco (de Portal de Harinas) até Santa Teresa ou até Hidroeléctrica.

Há carrinhas privadas que fazem o percurso Cusco-Estação Hidroelétrica. O preço de ida e volta são 30USD. A partir da Estacion Hidroeletrica há duas hipóteses para chegar a Aguas Calientes: caminhando 3h ou um comboio de 45min. A viagem de autocarro demora 7h (pára uma hora para almoço).

A Machu Picchu Bus Packers sugere um percurso de 2 ou 3 dias.

Nós fomos pela Loki Travel, como já referimos noutros posts. Gostámos muito, tendo sido uma opção melhor do que organizado por nós, porque valeu não apenas por Machu Picchu, mas também pelo convívio do grupo durante os 4 dias. Além disso, sempre definimos entre os dois que queríamos subir a montanha e não queríamos arriscar tratar das coisas sozinhos e não conseguirmos fazer o que queríamos. Quando soubemos deste programa da Loki, com várias atividades, nem pensámos duas vezes. Sabemos que arriscando num last call se conseguem preços mais económicos, mas neste caso não nos arrependemos do dinheiro gasto.

365 dias no mundo estiveram 4 dias no Inka Jungle Trek, de 5 a 8 de Maio de 2017

Leiam ao detalhe sobre os dias desta aventura: dia 1dia 2dia 3dia 4

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