O QUE FAZER EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Comecemos pelo básico. São Tomé faz parte de Africa, o que significa que se está a desenvolver em muitos aspetos. Não há grandes resorts com praias privativas, onde se podem esquecer onde estão, mas há lodges que sabem o seu papel na preservação da natureza em estado puro. São Tomé e Principe tenta preservar a sua natureza e conseguiu colocar a pequena ilha do Príncipe, em 2012 na lista de Áreas de Reserva da Biosfera. Há tartarugas, há desova, e pode-se assistir, mas seguindo regras rígidas. Vão ver os seus habitantes, vão conversar com eles, atravessar mercados, ver crianças a caminhar para a escola, ver as suas casas. E não vão ficar indiferentes, São Tomé vai mexer convosco. Há mosquitos resistentes aos repelentes, mas há vistas estonteantes que vão perder se quiserem estar protegidos destas “melgas”. Não se preocupem, a malária aqui é um mal menor.

O arquipélago tem duas grandes ilhas, São Tomé e Príncipe, com alguns ilhéus (Rolas são as mais famosas, mas também Bom Bom), tendo estado desabitadas até os navegadores portugueses as descobrirem. Ficam “junto” à costa do Gabão e da Guiné Equatorial. Portugal e São Tomé e Príncipe têm história antiga. Foram colónia ultra-marina e obtiveram a independência no pós 25 de abril. Para quem não conhece bem a história de Portugal do tempo colonial, os territórios colonizados foram ocupados com portugueses que não convinham à Coroa, mas que eram muito pró-ativos, desenvolvendo as colónias mais que a própria metrópole. Tentou-se a plantação da cana de açúcar, mas como nunca conseguiu ultrapassar o mercado do Brasil, desistiu-se. Passou a ser usada como ponto de passagem de escravos enviados para esse país e para o caribe, factos nada lisonjeiros, mas que fazem parte da história.

A partir do século XIX começou o cultivo do cacau e do café, desenvolvendo-se grandes fazendas. A maioria, infelizmente, está hoje em ruínas ou em mau estado de conservação. As ilhas tornaram-se dos maiores produtores do mundo de cacau, algo que se sente nitidamente ao pisar as antigas roças, que contrastam com os métodos mais artesanais para torrar o cacau, ainda hoje utilizados em países produtores de primeira linha. Em 1972 inicia-se o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe e em 1974 o Governo Português cede o poder ao Governo de São Tomé. Infelizmente, muitas roças pararam a produção nessa época e a maioria continua de portas fechadas.

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Roça Água Izé, maior roça do país

Nós fomos a São Tomé durante nosso último ano em Angola e sentimos logo que tem muitas coisas que funcionam de forma diferente, apesar de ser também em África e uma ex-colónia portuguesa. Por exemplo, em Angola há muita superstição e feitiçaria, enquanto em São Tomé há medicina tradicional, que funciona, com base em plantas que se vem a descobrir que têm os mesmos princípios ativos dos medicamentos que a indústria farmacêutica utiliza.

Organizámos a nossa viagem para conhecer São Tomé de lés a lés e ainda passar uma noite no ilhéu das Rolas. De fora ficou o Príncipe, coisa que estamos sempre a dizer porque nos custa não ter conseguido lá ir.

As Rotas Típicas:

As três Rotas mais conhecidas são Norte, Sul e Centro. Podem fazer por contra própria, mas nós marcámos os tours com motorista, sugestão da Marta, e não nos arrependemos. O Arcelino foi sempre muito prestável, ajudou-nos a distribuir as canetas que levávamos pelas crianças e mostrou-nos o melhor de São Tomé, o seu orgulho de terra.

Começámos pela Rota do Norte, onde fomos à Lagoa Azul, mas comecemos pelo início. De manhã estava o guia à hora combinada com a Marta, à porta da Guest House. Descemos e levou-nos a uma padaria no centro para tomar o pequeno-almoço. Digamos que, se não pesquisaram nada sobre o destino, podem ficar “assustados” aqui. Primeiro encontro com a realidade. Há trânsito, vendedoras na rua, um choque cultural, isto se for a vossa primeira vez fora da europa. Seguimos para a Roça Bela Vista e depois para a Roça Agostinho Neto (Rio d’Ouro), a mais importante, evidente ao chegar lá.

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São Tomense conta-nos como era antes

Foi em frente à Roça da Bela Vista que tivemos o primeiro contacto com as crianças. Curiosas, cheias de lata, a saber fazer a cara certa para nos chamar à atenção.

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Passámos na Praia dos Tamarindos, onde nos foi dado tempo para mergulhar e secar ao sol, enquanto reparávamos nos guias/motoristas em amena cavaqueira entre eles, enquanto deixam os turistas relaxarem. Seguimos depois para a Lagoa Azul, onde a água é azul turquesa e estivemos sozinhos.

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Praia dos Tamarindos
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Praia dos Tamarindos

Almoçámos as santolas em Neves. Sabemos que não se devem dar doces às crianças, mas elas pedem tão educada e insistentemente que a Raquel comprou uma embalagem que andou a distribuir todas as férias, mas apenas um por criança e só quando as canetas e cadernos acabaram.

Faz parte desta rota visitar o padrão do Descobrimento onde Pedro Escobar e João de Santarém atracaram em dia de são Tomé (21 de dezembro de 1470), assim como a Roça Diogo Vaz. O tour termina no túnel de Santa Catarina que é super fotogénico e um orgulho para os locais. No final do dia regressámos à cidade.

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O belo túnel junto ao mar

Na Rota do Centro começámos pela cidade de Trindade e fomos para Batepá, onde decorreu o massacre dos escravos. Na Roça Monte Café vê-se a grandiosidade que a produção de café trouxe ao país. Surpreendeu-nos a forma como estas roças funcionavam: mecanizadas, eficientes, até com carris para trazer as sementes para junto dos secador e estufa. Aqui é possível provar e comprar café.

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Da roça fomos à Cascata de s. Nicolau, a mais conhecida e onde toda a gente tira outra das fotos da praxe (não a vão encontrar aqui). Almoçamos na Casa Museu de Almada Negreiros (Roça Saudade), rodeados de turistas que vieram no nosso voo, caras que já nos são familiares. O almoço não desilude, mais sofisticado, vários pratos, tudo com ingredientes locais e uma vista fenomenal para a floresta tropical. No jardim botânico desencontramo-nos com o guia, mas o Arcelino não se fez rogado e deu-nos algumas noções dos nomes das plantas e para que servem como medicamento. O tour termina na Roça Bombaim, depois por passar pela cascata com o mesmo nome. A roça produz baunilha, cacau, pimenta, banana e mata bala. Já não recordamos de tudo pela ordem certa, mas ainda nos lembramos do cheiro a baunilha e a terra molhada que se sente quando atravessamos as zonas mais densas de arvoredo.

 

Fizemos a Rota do Sul sem regresso no mesmo dia, porque ficaríamos no sul, em Porto Alegre. O Arcelino veio-nos buscar cedo e levámos todas as nossas malas, rumámos a sul, onde ficaríamos nas Rolas e na Praia Inhame. Parámos primeiro na Roça Água Izé. Impressiona-nos a sua arquitetura e a sua dimensão. Imagina-se como foi e sente-se uma certa nostalgia por tudo o que se perdeu numa independência difícil. Falando de natureza, passámos na Boca de Inferno, nas praias Sete Ondas e Micondó, esta com uma vista de cortar a respiração. E chegamos a São João de Angolares, uma roça recuperada onde o Chef João Carlos Silva nos recebe em sua casa e nos incentiva a espreitar os cantos da casa, a ver a vista.

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Pico Cão Grande

Vislumbramos o Pico Cão Grande, meio encoberto, com as nuvens a passarem furiosamente e o Arcelino a contar-nos histórias de estrangeiros que o tentam escalar. Passamos pela cascata Pesqueira, pelos rios Iô Grande e Malanza, até chegar a Porto Alegre. Pouco depois, chegámos ao Resort Praia Inhame. Pousámos as malas e seguimos para as praias Piscina e Jalé. A primeira, forma quase uma piscina oceânica, a segunda tem um lodge com o mesmo nome, que estava meio fechado para obras, mas que também prometia ser um bom local para ficar uns dias no sul, à procura das tartarugas.

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Outros pontos a não perder:

Ir ao Ilhéu das Rolas: não é obrigatório dormir por lá, podem sempre ir até praia Inhame e pedir a alguém que vos leve e marcar hora de regresso. Tem das praias mais bonitas do arquipélago, é um ótimo local para fazer desportos aquáticos e assistir à desova das tartarugas. Têm de ir ao marco do Equador.

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Ir ao Museu do Mar e da Pesca Artesanal. O museu fica dentro do bairro de pescadores do Morro do Peixe e tem sido uma enorme ferramenta na sensibilização dos habitantes para a necessidade de preservação dos animais marinhos, apostando nas crianças como dissuasor das más práticas de pesca dos adultos, mostrando as pirogas artesanais que eram utilizadas para a pescar. É simples, mas explicativo. Informa da variedade de animais aquáticos das ilhas: as baleias, os golfinhos, as tartarugas, etc.

Ir ao Príncipe, onde podem apenas descansar e fazer massagens ou fazer alguns desportos aquáticos e passeios pelas Roças, observar aves, passear de barco.

Ir à Fábrica de Chocolate do Claudio Corallo. O italiano há largos anos produz cacau para fabricar chocolate que vende pela Europa. Comprem alguns, mas peçam para experimentar o fruto quando passarem por algum.

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Não dispensem ir ao mercado, a um supermercado, ao centro da cidade. Ver as crianças a brincar junto ao mar, os adultos a dançar e a beber uma cerveja ao pôr do sol. Ver as casas, os bancos, as escolas, as clínicas, os edifícios abandonados e os renovados.

Podem também sair à noite. Nós fomos até ao Pestana São Tomé beber um copo, ver o casino e a praia. Não fizemos noitadas, tínhamos uma agenda diurna muito preenchida.

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Sim, é cacau

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Onde comer: 

Vamos começar pelo que não se pode perder: bife de atum grelhado, santolas, matabala, inhame, e todas as frutas…. Para beber, experimentem Rosema, a cerveja local.

Restaurante Santola, em Neves: sabemos que nem toda a gente vai apreciar. As santolas atraem moscas que circulam pela mesa, para lavar as mãos usa-se um balde, num pequeno edifício no interior do bairro, mas o que realmente interessa, cumpre, as enormes e saborosas santolas. Não se deixam levar pelas aparências, vão ser bem atendidos, toda a gente será educada convosco e o espaço está limpo.

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As famosas santolas em Neves

Restaurante da Roça São João dos Angolares, em Santa Cruz: a paragem fazia parte do tour do dia. Felizmente, encontrámos o Chef, a cara conhecida do programa de televisão A Roça com os Tachos, o programa do São Tomense na RTP. Felizmente, porque sabemos que receber a explicação dos pratos que nos são servidos pelo próprio chef é um luxo. Falou dos seus sonhos para a roça, dos planos para divulgar o seu país, incentivou-nos a provar os ingredientes isoladamente, disse-nos para observar a vista, descansar nas camas de rede, e continuou a cozinhar para nós, com o apoio dos jovens que trabalham na sua cozinha.

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O Chef João Carlos Silva e os seus pratos

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Casa Museu Almada Negreiros: mais uma paragem em tour, e outro sítio onde se comeu muito bem. A casa é o “berço” de Almada Negreiros, fica perto da cascata s. Nicolau e a vista tropical é fantástica.

Papa-figo: entrámos e decidimos pedir bife de atum. Enquanto esperávamos, o Tiago babava-se para os pratos que passavam por nós, com um aspeto de posta à mirandesa. Bem, mais tarde percebemos que aquilo era o bife de atum, o nosso prato. Para o caso de não ter ficado claro, nunca comemos bifes de atum tão bons como neste país.

Dona Tété: uma espécie de quintal onde se sente a comer em casa.

Sabor da Ilha: fomos a este uma vez, bem servidos e atendidos com simpatia.

CACAU: às quintas para as noites culturais onde se mistura gastronomia com dança e musica local;

Outros restaurantes que nos foram recomendados – O Pirata, Camões, Mionga, Cinco Sentidos, Filomar, Bigodes, B24, 90 Graus, Pé na Grelha

 

Onde dormir:

Não é um país caro, talvez a parte mais cara seja mesmo a viagem. O local para a estadia depende do critério de cada um. Têm os hotéis do grupo Pestana e outros melhores e piores, mas também pequenas guesthouses, que a nosso ver cumprem o propósito. Há muito mais que a nossa lista, basta simularem uma pesquisa no Booking.

  • Grupo Pestana
    • Pestana São Tomé: fica na Baía Ana Chaves, com piscina infinita, ginásio, praia privada e SPA (hotel 5 estrelas);
    • Miramar by Pestana: do lado oposto da baía anterior, junto à Marginal 12 de Julho, com piscina e jardins (hotel 4 estrelas);
    • Pestana Equador Ilhéu das Rolas: conceito de resort, fica no ilhéu, tem piscina salgada, campo de voleibol e outras atividades;

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  • Grupo HBD Hotels
    • Omali Lodge: na praia do Lagarto, com 30 quartos e um campo de ténis;
    • Bom Bom Resort: no ilhéu Bom Bom junto ao príncipe, uma experiência única;
    • Roça Sundy: uma antiga roça renovada com requinte, na ilha do Príncipe;
    • Sundy Príncipe: com piscina infinita e villas de luxo com terraço privado;
  • Roça São João dos Angolares: antiga roça renovada, com o restaurante de paragem obrigatória. Dispõem de aulas de culinária;

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Roça São João dos Angolares
  • Roça Belo Monte Hotel: em Santo António (Príncipe), tem piscina e praia privativa;
  • Jalé Ecolodge: em Porto Alegre, próximo do Hotel Praia Inhame e do mesmo género. Em 2016 estava a meio gás, a ser renovado;
  • Sweet Guest House: em São Tomé, bem localizada, com zonas partilhadas, como a cozinha e o terraço. Nem todos os quartos têm casa de banho privativa. Espaço limpo. É uma boa solução para gastar menos e onde ficámos duas noites;
  • Hotel Praia Inhame: em Porto Alegre, muito bem localizado para visitar o Ilhéu das Rolas. Permite assistir à desova das tartarugas e distribui-se por pequenos bungalows com varanda privada. Vale a pena passar aqui uma ou duas noites. A desova das tartarugas decorre tarde, tem um custo adicional, bastando avisar no restaurante/recepção que queremos assistir. Se acontecer algo nessa noite vêem-nos bater à porta. Por muito que se expliquem as regras e se façam recomendações há sempre quem não respeite. Não se deve tirar fotos com flash, nem acender lanternas, não se deve tocar na tartaruga ou fazer barulho. Demora bastante tempo, se não estão preparados para seguir estas regras durante longos minutos, mais vale não irem.
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Tão depressa começa a chover torrencialmente…
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…como desaparecem as nuvens e regressa o paraíso! (Praia Inhame)

365 dias no mundo estiveram 6 dias em São Tomé e Príncipe, de 28 de outubro a 3 de novembro de 2016

Leiam mais sobre esta viagem, aqui:

OS TRÊS C’S: CACAU, CAFÉ E CALOR

ILHÉU DAS ROLAS

COMO CHEGAR E VIAJAR POR SÃO TOMÉ

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