O RENASCER DO PANORÂMICO DE MONSANTO (PORTUGAL)

O Arquiteto Chaves Costa projetou um edifício circular com uma vista de 270º sobre Lisboa, em pleno Monsanto, o parque projectado por Keil do Amaral e atual pulmão da cidade de Lisboa. A obra promovida pela Câmara Municipal de Lisboa avançou, utilizaram-se os melhores materiais, colocaram-se obras de arte no espaço, mas só funcionou a tempo inteiro por 2 anos. O restaurante abriu em 1971, um ano após  o general França Borges ter abandonado a Câmara. Um edifício à frente do seu tempo, luxuoso, espaçoso, dos primeiros exemplares de modernismo, muita coisa correu mal nos projetos que por lá passaram. A sua história é decadente. Um painel de cerâmica (“Figuras e Cenas da Cidade de Lisboa”) que tem sido atribuído a Querubim da Lapa, mas que na verdade é da autoria de Manuela Madureira e que já viu melhores dias. A vedação arrombada que permite visitas fora do horário estipulado (felizmente já permitidas visitas legais). O bingo que não funcionou, a discoteca que não resultou.

O nosso local favorito é mesmo o último andar, onde se tem a melhor vista panorâmica. Nessa área há um painel de azulejo de Manuela Ribeiro Soares que mostra Lisboa antes do terramoto de 1755. Contemplar a magnífica vista acompanhada da legenda dos edifícios de outrora e agora no mural de azulejos é muito interessante. Permite ver como a cidade cresceu, como agora há muito mais, mas também apreciar o tapete verde dos pinheiros mansos de Monsanto a abraçar a cidade.

Não se compreende como o restaurante foi programado para apenas servir em eventos esporádicos da Câmara, mas, ainda assim, funcionou durante algum tempo. Conta-se a caricata história de Rui Miguel Abreu que, em 1990, seguiu o guitarrista de David Bowie até ao restaurante panorâmico e assim conseguiu cinco minutos de entrevista.  Desde 2001 que o edifício ficou entregue à sua sorte e dos que lá quiseram passar. Não tem portas nem vidros e está todo grafittado (daquele tipo que não se pode chamar arte urbana). A Câmara tem demonstrado interesse mas pouca iniciativa em acabar com este impasse que se prolonga há demasiado tempo, no entanto, foi com o seu apoio que aconteceram alguns eventos no local, como o Super Panorama Super Party em 2003 e o Festival Iminente organizado por Vhils que decorreu este ano.

O panorâmico abriu o miradouro ao público no ano passado, funciona das 9h às 19h no verão e até às 18h no inverno. Continua praticamente vazio, mas o Iminente trouxe algumas obras importantes, como o painel de Vhils e segurança, fechando alguns acessos e reforçando o andar intermédio da sala principal. Ainda assim, vale muito a pena lá passar. Há carrinhas ao final de dia que trazem turistas, malta que aproveita a vista para beber umas cervejas (hoje não sabemos se ainda é permitido).

Como já devem ter percebido, o nascer e pôr-do-sol não são abrangidos pelo horário de visitas.

Este património merecia e merece muito mais.

Gostamos deste texto do expresso onde se vê o que foi o edifício.

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