LA VILLE ROSE (FRANÇA)

Primeiro, porquê Toulouse? Nenhum de nós fala francês, puxamos pela cabeça e só nos ocorrem palavras em inglês, mas era o destino mais barato e nunca fomos juntos a França. O mood era este, tínhamos voltado a Portugal em julho, o Tiago estava a trabalhar desde outubro, vivíamos em Lisboa e a Raquel andava ainda a adaptar-se ao regresso com uma crise inesperada da colite.

Fomos de forma bastante desorganizada, sabíamos apenas que Toulouse é uma cidade bonita e cuidada e que a airbus tem lá uma fábrica, mas íamos com pouca coisa tratada. Estava um frio de rachar, aliás, acabou por nevar e tivemos de ir a correr comprar um gorro para o Tiago. Viajar é isto, umas vezes vamos cheios de expectativas, lemos todas as informações possíveis e vamos com várias notas do que não queremos perder, mas outras vamos apenas à deriva.

O voo era cedo e quase ficávamos em terra. Fomos tão naquela de não preparar nada que nenhum de nós se informou como funcionam os parques low-cost do aeroporto, não tínhamos reserva e tivemos de andar à procura de um lugar grátis à última hora nas redondezas do aeroporto, uma tarefa quase impossível! Quem mora em Lisboa sabe que não é assim tão fácil existirem zonas de estacionamento não pagas, principalmente perto do aeroporto, mas ACHÁMOS!!! Viajámos na TAP, a companhia bandeira lusitana e das preferidas da Raquel, que apesar de andar a diminuir de qualidade ainda se destaca, nem que seja pelos preços. (#ironia)

Chegámos e tentámos descobrir como ir para a fábrica da airbus, que é muito perto do aeroporto, claro. Não podíamos ir de malas e optámos por tentar novamente no regresso. A Raquel enviou logo e-mail para saber se estavam abertos ao domingo. Seguimos até ao centro, almoçámos e caminhámos um pouco com as malas atrás porque o check-in do nosso Airbnb não podia ser antecipado. A cidade pareceu-nos logo super acolhedora, fácil de circular, com uma arquitectura muito tradicional, mas cheia de jovens, afinal, é uma cidade universitária.

Toulouse é a cidade cor-de-rosa, por causa do tipo de tijolo tipicamente utilizado. O rio Garonne divide a cidade em dois e permite belas caminhadas pela margem, onde podem parar para beber um café numa esplanada ou optar por um modelo on the go vendido pelos simpáticos vendedores ambulantes.

Fomos num feriado de dezembro e encontrámos uma cidade pacata, mas já com um mercado de natal. Duas curiosidades:

  • a maioria das placas com o nome das ruas está em duas línguas, francês e occitano, já que Toulouse era a capital desta região, a Occitânia;
  • Carlos Gardel, o famoso intérprete de tango do qual tanto ouvimos falar na nossa viagem pela américa latina, nasceu aqui, o que para nós despertou atenção.

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Sair do aeroporto

É fácil, há um elétrico que segue até ao centro. A paragem é em frente ao aeroporto e há bilheteiras automáticas. No mapa da cidade é a linha T2. No percurso vê-se logo a paragem para a fábrica da airbus que fica a cerca de 10 minutos a pé do aeroporto. Há um shuttle a cada 20 minutos por 8€, mas se vão ficar alojados no centro recomendamos que sigam no elétrico da linha T2. Mais tarde percebemos que se quisermos poupar no bilhete, basta não apanhar nem sair do elétrico no aeroporto, mas caminhar até à paragem seguinte (uma grande diferença, mas apenas no preço).

O que fazer

Fabrica da Airbus: o bilhete que combina o museu aeronáutico aeroscopia e a visita Let’s visit airbus custa 24€. No site conseguem reservar vários tipos de tours. Descobrimos em cima da hora que o museu fechava ao domingo, com um e-mail de resposta em inglês algo difícil de entender. Não podem levar as malas, por isso a ida deve ser bem planeada. Sugerimos três opções, ir propositadamente fazer a visita ou, no dia da viagem, passar primeiro no aeroporto para: 1) fazer o drop-off; 2) guardar a bagagem nos cacifos do aeroporto.

Praça do Capitólio: é das praças mais importantes, onde fica o Capitólio, a câmara, um edifício imponente de mármore rosa que alberga também o Teatro. Há salas que podem ser visitadas de forma gratuita (fecha ao sábado), o que recomendamos para admirar os tectos pintados, principalmente a Salle des Illustres. Nesta praça acontece a feira de natal, Marché de Noël. A praça estava vedada a veículos com barrotes de betão, mas a cidade é aconchegante e pode ser facilmente percorrida a pé. Vale a pena passar entre pessoas e barracas, sentir os cheiros, espreitar as filas maiores. Fora da época natalícia encontram os mercados de terça-feira, quarta-feira e sábado (Escarpette). Por trás do edifício está Donjon, o posto de turismo.

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Basílica Sains-Sernin: é o maior edifício romano da europa. A torre destaca-se na cidade, a própria arquitetura chama a atenção, e é representativa da tal tonalidade rosa (terracota rosa) nos edifícios. Faz parte do Caminho de Santiago, sendo ponto de paragem para os peregrinos.

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Conventos dos Jacobinos: estávamos aqui dentro quando começou a nevar, primeiro levemente e depois de forma mais intensa. Fica numa zona mais reservada, mas sempre acessível a pé. Aqui estão depositados os restos mortais de são Tomás de Aquino, um convento dominicano de 1229, mas que também serviu de quartel durante a revolução francesa. Deve-se admirar a coluna central e tecto, que se assemelham a uma palmeira. Gostámos especialmente dos claustros, onde apreciámos ver a neve a cair. Custa 5€ em época alta, 4€ em época baixa e disponibiliza exposições regulares. 

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Passear de barco no Canal de Brienne (La Croisiére VilleRose): a viagem é circular, passa pelo L’Hôtel-Dieu Saint-Jacques e vê-se a cúpula do Hôpital de la Grave. Outros pontos de passagem são a pont Neuf (ponte de 1500) e o Port l’Embouchure, onde o canal du Midi e o du Brienne se cruzam. O canal du Midi é património da UNESCO e liga o rio ao mar Mediterrâneo. É junto ao rio que fica o Airbnb onde nos alojámos e foi junto ao rio onde decidimos passear num dos dias, onde saboreamos o tal café do vendedor ambulante, que nos aqueceu o corpo enquanto apreciávamos o rio, a vida e a arquitetura da cidade, sentados num banco de jardim.

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Jardim Japonês: inspirado nos jardins de Kyoto fica o jardin remarquable, em Campans Cafarelli.

Roda gigante: funciona de verão, e, tal como a de Londres, dá-nos uma boa vista panorâmica da cidade.

Hotel d’Assézat: construída para Pierre D’Assézat, que fez fortuna a partir de ísatis. O ísatis serve para fazer sabonetes e produtos de cosmética. Alberga a Fundação Bemberg. O arquitecto foi Nicolas Bachelier.

Museu Saint-Raymond: fica ao lado da basílica e expõe o espólio arqueológico da cidade. Custa 5€.

Museu des Augustines: aqui encontra-se arte e esculturas do século XX dentro do edifício gótico de 1300.

Catedral Saint Etienne: o edifício é algo bizarro por todas as alterações que sofreu durante os 5 séculos de construção. Há que ver os vitrais e as tapeçarias.

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Museu de História Natural: A não perder o muro dos esqueletos. Foi renovado em 2008 e é o segundo museu mais importante do país. O jardim é grande e fica mesmo junto à paragem do elétrico. O jardim custa 3€ e o museu 9€. 

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Onde comer:

Mercado Victor Hugo. Local para comer charcutarias, queijo, chocolate ou foie gras. Fecha às 13:30h.

N5 Wine Bar. Tem centenas de variedades de vinhos.

Le Cri de la Truffe. A sala de jantar fica numa espécie de cave. Toda a refeição foi excelente, o atendimento foi cuidado e saímos muito satisfeitos com a escolha, apesar de existirem nas imediações opções mais baratas, foi uma ótima sugestão da nossa anfitriã. 

Taberna Dom Jose. Havia jogo FCP-SLB na nossa estadia e estávamos em França, dos países com mais emigrantes tugas por m2. Foi óbvio perceber que só tínhamos de encontrar um restaurante português (já falámos aqui de como o Tiago tenta sempre encontrar um local para ver os jogos). Reservámos a mesa e só falámos na língua de Camões, comemos francesinha, bebemos o vinho da casa e ouvimos vernáculo português como só um verdadeiro homem do norte sabe utilizar, mesmo a milhares de quilómetros de casa.

Mercado de Natal. Nós aproveitámos ser dezembro e decidimos vaguear pelo mercado à procura do jantar. Bebemos vinho quente, comemos presunto, sandes, vimos passar batatas recheadas, fritas com molhos, pastéis de nata que não quisemos provar fora de casa, etc. Percorremos corredores entre barracas, sempre ensalsichados por quem decidiu fazer o mesmo, apesar do frio de rachar.

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Onde dormir:

Nós somos fãs de Airbnb e Booking, raramente escolhemos alojamentos sem procurar numa das duas plataformas e verificar na Momondo. Devem escolher uma zona central,  que permita ir a pé para todo o lado e de onde seja fácil chegar ao aeroporto. Nós ficámos em Carmes, uma zona residencial, com muitos restaurantes próximos, e perto de La Pont Neuf. A Léa, nossa anfitriã, foi muito acessível e deu-nos muitas dicas. 

Dicas:

Pass Tourisme. Permite a entrada nos museus e viajar nos transportes, inclusive para o aeroporto. Pode ser de 24h, 48h ou 72h e o preço de 18€, 28€ ou 35€. Pode ser comprado online.

Toulouse Greeters. Voluntários que funcionam como amigos que nos apresentam a sua cidade.

365 dias no mundo estiveram 3 dias em Toulouse, de 1 a 3 de dezembro de 2017

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