É uma das paisagens mais famosas da Turquia no Instagram, depois da Capadócia e os seus balões. O nome quer literalmente dizer castelo de algodão, apesar de ao longe parecer uma montanha coberta de neve.

De carro alugado, temos vagueado de forma organizada por onde nos interessa. Depois de horas pela costa, voltámos a uma zona mais interior e cruzámos Izmir, uma das grandes cidades da Turquia. O Waze fez-nos chegar a Pamukkale por literais caminhos de cabras, ganhando 40 preciosos minutos, mesmo a tempo de ainda podermos jantar. À chegada, apesar da escuridão, logo vemos a montanha, iluminada por vários holofotes. Fica pertinho do hotel, o que é um consolo.

O que fazer:

Visitar Laodicea: O Apocalipse fala em 7 igrejas, e onde são estas? Todas na Turquia. Laodiceia fica a 10km de Pamukkale e, por 15TL, é visitável das 8 às 18h. Tivemos a sorte de chegar primeiro do que os autocarros e, durante uma hora, só lá estivemos nós, seguranças e funcionários das escavações. Tínhamos lido que era muito artificial e que mudava muito ao longo do tempo. Ora, as mudanças explicam-se facilmente. À medida que conseguem, os investigadores lá vão montando mais uma parede ou coluna, mais uma peça do intrincado lego que o tempo e cataclismos destruíram. Na nossa opinião, isso não estraga qualquer cenário, até porque em contrário praticamente não haveria cenário. O espaço é gigante, é necessário levar calçado confortável.

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Ir a Pamukkale: o nosso hotel ficava a 5 minutos a pé, o que facilita a chegada sem pensar em estacionamentos. Na bilheteira são cobrados 50TL (pertence ao museumpass), passa-se num detector de metais, revista de malas e sobe-se a “calçada” (estão a repavimentar). À chegada as regras são mostradas visualmente. 1ª regra: descalçar-se; 2ª regra: vêem o segurança? Pronto, ninguém pode subir até ao nível onde ele está. O primeiro impacto tem duas vertentes: a magia do lugar e a desilusão pelo mar de gente. Pode-se evitar este maralhal entrando à hora de abertura das bilheteiras. Pelo contrário, não vale a pena esperar pela hora de fecho do espaço, porque dezenas de pessoas pensam no mesmo (nosso caso).

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De Pamukkale fazem parte Hierapolis, o anfiteatro, e as piscinas termais (Antique Pool). Tudo vale a pena exceto as piscinas (no nosso entendimento). São cobrados 50TL extra, mais 5 se quiserem um cacifo, e não é assim tão espetacular. Diz-se que Cleopatra era cliente assídua, mas certamente a rainha não frequentava este local para os atuais banhos de selfies. Ainda estão no fundo das piscinas parte das colunas do edifício original, tombadas por um terramoto. O que valeu mesmo a pena foi ir à fonte encher a garrafa de água. Já percebemos o porquê de quando pedimos mineral water nos darem água com gás. Água mineral, para eles, é gaseificada, como esta, de propriedades medicinais.

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Seguimos a nossa caminhada dentro do complexo rumo ao castelo medieval e passadiços de madeira, ver os travertinos na sua parte superior (nome dado à formação geológica, coincidente com o tipo de rocha calcária de que é formada). É nesta altura que percebemos que cerca de 90% da montanha não tem água, com a passagem artificalmente bloqueada por sacos de plástico, pedras e chapas, reconduzindo-a sabe-se lá para onde. O efeito não é igual ao esperado se houvesse água a correr por todo o lado, assemelhando-se assim à tal montanha de neve.

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Subimos até ao anfiteatro, muito bem conservado. Foi descoberto por uma missão italiana e o acordo de cooperação continua até hoje. Está um calor abrasador e não há sombra, facilitando imaginar como era uma tortura estar ali na época dos antigos impérios, ao sol, com uma multidão a preencher as bancadas.

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À esquerda da montanha encontra-se Hierapolis, ruínas com outro anfiteatro, uma ágora, templos e fontes. Dizem que provavelmente foram construídas pelos mesmos que construíram a acrópole em Pérgamo, onde também já estivemos.

 

Entrar no Parque Natural Pamukkale: Antes de chegar às bilheteiras, à esquerda, encontram-se um lago com jardins e patos, no sopé da montanha de calcário e alimentado pelas suas águas. É um bom local para contemplar a maraviha natural/artificial de travertino e fazer um passeio em família, a pé ou de gaivota no lago.

 

Onde comer:

Apesar de haver dois bares dentro de Pamukkale, não os aconselhamos, são caros e o serviço é mau. Antes de entrar há vários hotéis e restaurantes. Sugerimos qualquer um daí. Fica sempre mais barato e o serviço é melhor. Jantámos no Cadde, e a comida era boa. No primeiro dia jantámos no hotel Yildizhan, mas a comida veio de um take away (dado o avançar da hora). O almoço no parque foi no Pool Garden (recomendamos que levem farnel/lancheira).

Onde dormir:

Bellamaritimo Hotel: foi onde ficámos, não é fantástico, é barulhento, mas o pequeno-almoço é bom e foi super barato. Foi aqui que aprendemos a gostar dos rolinhos de queijo (sigara böregi), feitos na hora. Os funcionários são eficientes, mas o wi-fi é fraco, tendo de pedir mais do que uma vez para fazer reset ao modem.

Yildizhan Hotel: jantámos lá no dia em que chegámos. É de melhor qualidade que o “nosso” hotel, tem piscina em funcionamento e vários quartos com varanda.

A nossa experiência:

Começamos por ver um mar de gente, principalmente russos e chineses. E a primeira coisa que se vê é gente toda aperaltada para as fotos, as chinesas com vestidos esvoaçantes e as russas de bikinis. Vamos subindo e percebendo que a pedra não escorrega e que a água vai aquecendo. Como começámos o dia em Laodiceia e nos despachámos cedo, decidimos entrar às 11:30h e almoçar lá dentro, o que foi um erro. Os pratos eram caríssimos e fracos. Fica a nota: comer antes de entrar ou levar qualquer coisa. Valeu a pena ver a senhora a fazer os crepes de queijo e vegetais. São feitos na hora de forma artesanal e merece o momento.

Depois de percorrer o complexo, estafados, descemos, voltamos aos tanques e aproveitamos os mais quentes. Enquanto desfrutamos das águas termais, vamos apreciando a ginástica que faz quem não se quer molhar muito, mas quer a foto perfeita. Passam as 17h, as 18h, e nós continuamos dentro de água, à espera do por-do-sol. Este surge sem desiludir, com uma bela golden hour emoldurada neste cenário único. E chega de Pamukkale, haverá novo destino no dia a seguir, pensamos nós.

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Acordámos sábado de manhã cedo para tentar voar o drone, antes de as multidões chegarem e para partirmos cedo até Éfeso. Não podemos voar o drone, dizem-nos no hotel, há balões. Mudamos os planos e, em vez de usar o drone, damos uma volta de carro para filmar os balões. Não é a Capadócia nem uma centena de balões no céu de uma vez, mas é muito bonito na mesma. Seguimos viagem para Éfeso e passamos nos campos de algodão.

 

365 dias no mundo estiveram 15 dias na Turquia, de 30 de setembro a 14 de outubro de 2018

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