A cidade não é a capital do país, apesar de ter a mesma agitação de qualquer uma das maiores capitais do mundo. A qualquer hora do dia e da noite há música, animação, luzes, bebidas, trânsito, barulho. Uma cidade que tem conseguido conciliar esta azáfama com a segurança. Há muita movimentação turística, principalmente interna, não se notando qualquer tipo de aversão aos turistas, mesmo os “ocidentais”.

A Turkish Airlines é a companhia aérea bandeira, faz parte do grupo Star Alliance e é reconhecida como uma das que tem melhor serviço. Faz escala em Istambul nos destinos mais longos, voando para quase todo o mundo, o que traz muita gente em escala. Entretanto, já foi inaugurado o novo aeroporto de Istambul, planeado para ser o maior do mundo.

As pessoas:

Gostam de estar com os amigos em convívios, de sair para fumar e beber raki. Adoram terraços, seja de tarde ou de noite. Acabam por ser parecidos com os portugueses nesta onda de gostar do seu copo de fim de tarde ou jantarada entre amigos. Cantam muito, na rua, no elétrico (bonde), são prestáveis e religiosos. Sabemos que muita gente acha que pode ser um país difícil para uma mulher por ser muçulmano, mas elas acabam por ter uma vida muito normal. Fumam, saem para as compras, para as orações do dia na mesquita, fazem turismo só entre mulheres, conduzem e estudam.

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Chegar e partir:

Há dois aeroportos. A partir de um é mais fácil sair, com metro à porta. Já do outro, há toda uma logística de autocarro e ferry. Não vale a pena pedir shuttles dos hotéis se não encherem o veículo.

Então, iniciemos pelo Aeroporto Internacional de Atatürk, mais próximo do centro, bastam duas linhas (M1 e M2) para chegar ao centro da cidade. A estação é Havalimani e no metro (LRT) é só seguir na direção de Aksaray.

  • Para Galata – saem em Yenikapi (M1), trocam para a linha M2 e seguem até Sishane. De autocarro são 20 paragens no 96T. O aeroporto fica a 25km dos bairros centrais.
  • Para Sultanahmet – o percurso é igual, mas na linha M2 saem em Vezneciler. De autocarro apanham o 96T e em Yenikapi trocam para o metro, apanham a linha M2 e saem em Vezneciler.

A 40km da cidade temos o aeroporto internacional de Sabiha Gökçen. Perguntem (poderão ter de tentar mais do que uma vez até encontrarem quem fale inglês) por um autocarro que chegue até ao metro ou um que vos deixe no porto do lado asiático (Kadiköy) e apanhem um ferry para Eminönü ou Karaköy.

  • Para Galata – apanham o autocarro (ônibus) E9 até Bostanci e em Bostanci Iskelesi o ferry para Eminönü ferry terminal. Esta volta é gigante, mas compensadora se quiserem um passeio maior de barco (vimos golfinhos na viagem de Kadiköy). Fizemos outro percurso, apanhando o autocarro SG1 até Kadiköy e depois ferry até Karaköy. Também podem apanhar os havatas (shuttles) do aeroporto até à praça Taksim, bastante baratos para uma viagem de hora e meia.
  • Para Sultanahmet – podem fazer o mesmo percurso e apanhar o ferry para Eminönü ou, no aeroporto, apanhar o autocarro E9, em Pendik trocam para o 251 até Kartal e aí seguem de metro (M4) até Kadiköy e depois de ferry até Eminönü. O percurso até ao hotel pode ser complicado de troley, por isso pode ser vantajoso ver outro tipo de percurso (se tiverem internet podem utilizar o Google Maps).

Quanto ao novo aeroporto, ainda não investigámos, até porque consta que ainda funciona de forma condicionada.

Transportes:

Há metro, autocarros, elétricos, funiculares, e funcionam bem. O horário é cumprido, as rotas são boas e não precisam de saber uma palavra de turco para chegarem ao vosso destino. Convém ter um cartão de transporte porque nem todos os autocarros aceitam dinheiro. Para comprar o Istambulcard basta irem a uma máquina comprar um por 6TL. As máquinas não dão troco, mas fica convertido em saldo. Há dois tipos de máquina, uma só permite carregar o cartão, a outra permite comprar o cartão e/ou viagens avulso. As viagens ficam mais baratas com o cartão. Para pequenas distâncias pode-se andar a pé, é seguro, e há sempre muita gente na rua entre as duas margens da ponte Galata.

Dormir:

Hotéis não faltam, na rua do nosso existem pelo menos mais três. Conseguem-se hotéis bastante aceitáveis por um preço simpático. A maioria oferece pequeno-almoço, o que permite começar o dia direto para a atração turística sem pensar em onde parar para comer. Nós escolhemos todos os nossos alojamentos no Booking, como de costume, e havia muita oferta. Em Istambul há duas zonas principais para dormir, Sultanhamet (zona de Haya Sophia) e a zona de Beyoglu, onde está a animação noturna, a rua Istiklal e a Torre Galata. Nós seguimos os conselhos de bloggers e ficámos do lado de Beyoglu. Podíamos sair à noite e encontrar restaurantes e bares de todo o tipo, alguns com música ao vivo.

Comer:

A comida na Turquia valoriza muito as entradas, como hummus, beringela com molho de tomate e iogurte, queijo feta, saladas de legumes ou polvo, azeitonas e muito mais. As meze (entradas) podem ser servidas em tabuleiros e o cliente escolhe as que quer. Os pratos principais geralmente têm um toque de picante mais acentuado que o nosso habitual. Eles adaptam qualquer prato europeu ao seu nível de picante, por isso, às vezes, nem a massa se consegue menos picante. Temos muito kebab, frango, borrego, iogurte, pão, caçarolas, estufados, e também massas recheadas.

Sobremesas, destacam-se o pudim de sémola recheado com gelado, baklava, helva (ou halva), fruta (melancia) e gelados.

Para finalizar a refeição, podem tomar um típico chá, café turco (terrível), e raki (um licor de anis, servido diluído em água).

Nós fomos ao Café Privato, que apesar de ser muito conhecido pelo seu pequeno-almoço turco, foi escolhido por nós para jantar, com vista para a Torre Galata. Outro restaurante que se destacou para nós foi o Tavanarasi, com uma entrada disfarçada que dá acesso a um elevador, passa totalmente despercebido. O retaurante não é muito grande e fica perto de Taksim. É bom conseguir uma das mesas do lado das janelas, para ter vista. O restaurante é muito frequentado por locais e não tanto por turistas. Outro local onde conseguimos ser os únicos estrangeiros foi junto à universidade. Descobrimos o Galeyan Café no dia em que viemos do bazar e queríamos chegar até as mesquitas menos conhecidas. Os preços são muito mais em conta, provavelmente para atrair os estudantes. Também na primeira noite fomos os únicos estrangeiros no Sofyali 9. O restaurante era apertado e barulhento, porque os turcos falam alto, foi aqui que vimos pela primeira vez o raki a ser servido, ainda sem perceber bem o que era. O serviço foi ótimo, a comida era de qualidade e, considerando a rua onde fica, até nem era caro. Pelo contrário, coisas engraçadas sem ter graça nenhuma aconteceram-nos na ponte Galata, no Balik Noktasi, onde, do andar de cima, vimos o peixe frito cair da travessa para o chão, com o funcionário a apanhar e colocar novamente na travessa e entregar ao cliente. 

Para beber um copo, numa das nossas saídas noturnas em Beyoglu, entrámos num espaço que tinha música ao vivo. O Asmali Shot House é um típico bar local com música ao vivo. A decoração é trendy, não é muito grande e serve todo o tipo de bebidas. Soube-nos bem aquela hora a ouvir música, mesmo sem perceber uma única palavra.

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Segurança:

Nunca nos sentimos inseguros, sentimos que destoávamos no bairro ortodoxo, mas nunca se meteram connosco. Mesmo no bazar, onde a intenção é vender, pedem sempre licença antes da abordagem. Há muita polícia na rua, barricadas, carros blindados, seguranças, vimos algumas revistas aleatórias e bastantes operações STOP. Nada que achássemos em demasia e dentro daquilo que se vê noutras cidades com histórico de problemas. Os seguranças e polícias geralmente arranham o inglês, sendo indicados para pedir dicas.

365 dias no mundo estiveram 4 dias em Istambul, de 29 de setembro a  3 de outubro de 2018
Classificação: ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ 
Preços: barato
Categorias: cidade, cultura, arquitetura, compras, religião
Essencial: Mesquita Azul, Hagia Sophia, Basílica Cisterna, Torre Galata.
Estadia Recomendada: mínimo de 5 dias