AVEIRO – A VENEZA PORTUGUESA OU BEM MAIS DO QUE ISSO? (PORTUGAL)

A Raquel é de Aveiro, não bem do centro, mas arredores. Tendo estudado na cidade conhece-a bem. Dizer que estamos perante uma Veneza portuguesa é bastante redutor para uma cidade que tem vindo a ganhar espaço no turismo nacional. Muitos acham-na parecida com a cidade italiana porque tem os seus canais onde passa a ria de Aveiro a caminho do oceano, mas a cidade tem muito mais graça e pontos de atração além disso.

Comecemos pelos acessos: de automóvel, apanágio de Portugal, chega-se por várias autoestradas – A1, A17, A29 e A25; de comboio, o alfa pendular que se estende de Braga a Faro passa obrigatoriamente por Aveiro; de autocarro, temos as rodoviárias nacionais; se quiserem ser criativos, podem sempre pedir uma boleia.

O clima nesta zona do país é agradável durante todo o ano. Não neva, não há calor excessivo, mas da chuva a região não se livra. A cidade é costeira, as praias (que na verdade pertencem ao município de Ílhavo e não a Aveiro) são habitualmente ventosas (ponto a favor para os amantes de Kytesurf ou Windsurf), mas ótimas para passear de bicicleta ou a pé quando o dia não chama a banhos de sol.

A gastronomia: Aveiro é a cidade de uma grande iguaria nacional: Ovos Moles! Mas a grande paixão da Raquel são as tripas de chocolate, preferencialmente no Zé da Tripa da Costa Nova (Ílhavo), em frente aos palheiros.

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Também é terra da enguia, frita ou em caldeirada, arroz de marisco, bacalhau… Aliás, durante a infância da Raquel ainda era possível ver o bacalhau a secar ao ar livre, hoje proibido.

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Os famosos ovos moles

A história tem muito para oferecer, desde o paredão da praia da Barra (Ílhavo) feito com as antigas muralhas da cidade, a fábrica da Vista Alegre (também em Ílhavo), que se assemelha, porque já o foi, a uma pequena vila, hoje convertida em museu e hotel. A arte nova que se vê na zona do rossio, os moliceiros ligeiramente alcoviteiros e jocosos nas suas mensagens, as salinas abandonadas da sua função mas agora recuperadas para o turismo. Temos também a história da princesa santa Joana, contada no museu com o mesmo nome e visita obrigatória, com a sua belíssima talha dourada. Joana, filha de D. Afonso V e Dª Isabel, foi regente do reino e uma fervorosa apoiante de D. João II, seu irmão. Viveu parte da sua vida no convento dominicano de Aveiro (daí ser a protectora da cidade) contra vontade da família real e nunca se quis casar.

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O que visitar:

Nem todas as nossas sugestões para quem visita Aveiro são verdadeiramente neste município. Num próximo artigo vamos falar de alguns sítios em Ílhavo e Águeda que nos agradam e são suficientemente próximos para visitar em conjunto.

Museu de santa Joana: falámos acima de Joana, filha de D. João V, que fez questão de viver no Convento de Jesus, uma ordem dominicana pobre. Joana foi beatificada pois são-lhe atribuídos vários milagres. O museu é especialmente bonito, foi construído em 1418 como mosteiro dominicano feminino. A igreja de Jesus de que faz parte o museu é exageradamente dourada e sumptuosa, como pedia a construção da época. A Raquel já lá passou algumas vezes e a igreja impressiona em todas elas como se fosse a primeira vez.

Museu de Arte Nova: o edifício já é por si só um representante de arte nova. Destaca-se de todos os edifícios da rua pelas suas características especiais. Quem não quiser entrar no museu pode ficar apenas pela casa de chá, bastante agradável e com bolos e tartes deliciosos. A casa de chá é um ótimo local para marcar reuniões ou para conversar com aquela pessoa especial que não se vê há algum tempo.

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Ria de Aveiro e passeios de moliceiros: é claro que já experimentámos, a Raquel até por várias vezes e até São Jacinto, num passeio muito maior do que a voltinha dos canais que se vende hoje. O passeio custa 10€ (por vezes menos e por vezes mais, conforme a procura). Apesar de ser um passeio curto, é agradável. Dentro da cidade, a ria pode ser acompanhada num passeio a pé junto ao Fórum Aveiro (o centro comercial) até à Fábrica Campos (onde fica o centro de emprego da cidade), ou junto ao Rossio pelo canal de São Roque, onde se encontra a ponte de Carcavelos. A ponte foi construída para substituir a ponte que caiu em 1942 por excesso de lotação na celebração da nossa senhora das febres. Havia uma corrida de bateiras, os curiosos subiram a ponte para ter uma melhor vista e a ponte caiu. A ponte de Carcavelos é muito procurada pelos casais pois dá uma bela foto.

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Ponte de Carcavelos

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Sé de Aveiro: quem vai ao museu de santa Joana pode passar na Sé, que fica na mesma praça. A igreja é vistosa, fazem-se aqui casamentos e algumas cerimónias religiosas da cidade.

Estação de Aveiro: para quem é da cidade, a nova estação foi bem-vinda. Mais ampla, com capacidade para mais linhas, mais funcional, mas é sempre triste ver como o edifício histórico ao lado se vai degradando. É um edifício típico português, coberto a azulejos e muito fotogénico. Aliás, em Aveiro não faltam fachadas de belos azulejos.

Parque Infante D. Pedro: Junto ao hospital está este jardim. Gratuito, grande e que permite respirar ar limpo durante algumas horas, passear com crianças pequenas, andar de mãos dadas, posar para fotos com belos fundos, dá para tudo.

Capela de são Gonçalinho: fica no bairro Beira-Mar e é a casa das festas de janeiro da cidade, em que se pagam promessas atirando cavacas do topo da capela enquanto o povo as apanha. O santo é conhecido como a solução para problemas conjugais e ósseos. Em frente encontra-se uma escultura.

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Largo da Capela de São Gonçalinho

Explore Aveiro: Fazer um tour pela cidade com a Suzy. Tivemos a sorte de fazer um o ano passado, no verão, e mantemos o contacto. Se querem conhecer pequenos factos da cidade é com ela.

Universidade de Aveiro: Portugal tem tradição de universidades. Coimbra é Coimbra, depois temos a Universidade do Porto e Lisboa, com as suas Católica, Nova, Técnico e afins. Mas a Universidade de Aveiro foi ganhando espaço e prestígio dentro e fora das fronteiras. De lá saíram o SAPO e outras criações. O pólo universitário atrai pela qualidade das suas instalações, laboratórios e distribuição dos edifícios. A graça da universidade está também na forma como gere as praxes académicas. Aqui o Dux Veteranorum é o Mestre do Salgado que trabalha na Salgadíssima Trindade com o Mestre Escrivão e o Mestre Pescador. Os caloiros são “lodos” e “lamas” e têm um longo percurso até serem gente, pois conspurcam as salinas. A faina académica tem alguns eventos durante o ano que terminam no Grande Aluvião. Se conhecerem um estudante de Aveiro peçam para ele vos explicar o traje, a explicação para não existir uma capa, mas sim gabão.

Trilhos da Terra: procurem no facebook se têm algum evento durante a vossa visita.

Os novos passadiços da Ria de Aveiro, que se iniciam em Aveiro e seguem 7km de percurso pelo município. Nós testámos quando ainda estavam incompletos e vale a pena.

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Salinas da Cale do Oiro: esta empresa tem barcos, hostel, comboio e a salina que exploram. Podem fazer banhos de sol ou banhos de lama. Há um quiosque que vende produtos de sal.

Onde comer:

Aqui há tanto a dizer… a verdade é que acabamos por ir muito aos mesmos sítios, ou até a comer em casa, e nem sabemos bem se os sítios tradicionais mantêm a qualidade (agradecemos o vosso feedback).

Subenshi: sushi para nós é aqui. De todos os sítios onde já comemos no país é no subenshi que o sushi nos sabe melhor. Adoramos o menu de almoço e quando os horários permitem paramos sempre lá.

Ramona: o Ramona é aquele restaurante que era um tasco onde os estudantes iam comer os hambúrgueres ao almoço, mas é muito mais do que isso. Toda a gente em Aveiro vai lá, seja ao final de dia, seja em almoços de família ou para mostrar aos amigos de fora. Já experimentámos aquelas hamburguerias finas da moda, mas em Aveiro hambúrguer é Ramona.

Pizzarte: quem estudou na cidade teve seguramente dezenas de jantares aqui. As pizzas partilhadas, as lasanhas, os jarros de sangria, tudo é bom.

Armazém da Alfândega: descobrimos o restaurante numa promoção do The Fork. O espaço é pequeno mas acolhedor, a ementa não é muito grande, mas não faz falta mais.

Fama by Luis Lavrador: o espaço abriu agora neste primeiro trimestre de 2019, serve carnes de qualidade e espreitem as fotos, o espaço está muito bem conseguido. A Raquel estudou com o Luis, filho, por isso é com prazer que lá passaremos várias vezes.

Croissanteria do Oita: tradição em Aveiro era ir ao centro comercial do Oita comer um croissant recheado. O espaço fechou há mais de dez anos, mas reabriu com nova gerência, mas mantendo a receita original. Também podem ser encontrados como street food no Fórum.

Ovos moles:

Pastelaria Rossio – tradicional, junto ao Rossio e ao canal da ria. Uma casa com uma grande variedade de pastelaria.

Confeitaria Peixinho – Uma das casas mais antigas, se não a mais antiga, reinventou-se e tornou-se quase uma casa museu com as suas paredes revestidas a lembranças e história. Foi toda renovada o ano passado e tornou-se uma casa coquette. Agora faz lembrar as chiques casas parisienses que vendem macarrons.  Atrai pela sua fachada, cores e montra diferente. Quem está habituado às pastelarias aveirenses tradicionais verá doces renovados. Esta casa é conhecida da família da Raquel, que foram clientes habituais, sendo daqui os doces que a mãe serviu em casa no dia do nosso casamento. Aliás, tendo estudado na Secundária Homem Cristo que fica junto ao Teatro Aveirense e muito perto da confeitaria, a Raquel parou muitas vezes na confeitaria para comer croissants.

M1882 – daqui vêm os ovos moles preferidos da Raquel, não funciona como pastelaria ou confeitaria, mais como loja e fábrica. Também faz workshops durante os dias da semana, que devem ser marcados com uma semana de antecedência.

Bares: se quiserem ir para a discoteca a escolha é fácil, Estação da Luz. Fica afastada da cidade (Quintãs), mas não tem muita concorrência. Já houve outras na cidade, abrem e fecham, trocam de gerência, mas é difícil concorrer com uma casa com tanto nome. Outra opção é o SAL Club, no Cais do Paraíso. Para beber um copo sugerimos o Mercado Negro, sempre um marco, um espaço que faz exposições, tertúlias e vende coisas. É só subir a escadaria e entrar num mundo novo. Também temos o Má Ideia, Maria Lounge Bar, o Duck & Tales, o The Iron Duke Bistrô Pub & Craft Beer. Para ver a bola recomendamos o Autocarro Bar, que é um bar num autocarro (quem diria) com uma boa esplanada.

Eventos:

Festas de são Gonçalinho: esta festa tem aquele cartaz típico de festa de cidade com um cabeça de cartaz diferente todos os dias, mas esta festa é DIFERENTE. O santo cura doenças dos ossos e cria casamentos (dizem). E as promessas que lhe são feitas são pagas em cavacas atiradas do topo da capela e centenas de pessoas em baixo agarram-nas. Em 2019 as festas são de 10 a 14 de janeiro.

Em maio há TEDx, na tarde dia 25 no Centro de Congressos.

Em julho há o Festival dos Canais. O cartaz é eclético e longo, porque abrange áreas como a música, artes plásticas, dança, artes de circo, desporto, etc.

Em agosto, se gostam de tradições católicas, (nós não somos católicos, mas isso não nos impede de manter curiosidades sobre tradições, querer conhecer lendas e entrar em igrejas) não podem perder a Noite de São Bartolomeu. Em agosto, a capela redonda que fica dentro da cidade, escondida entre ruelas, abre uma única noite. Reza a lenda que se devem levar duas moedas, uma branca (1 ou 2€) e uma preta, e gerir as oferendas. A moeda grande é dada ao santo com o pedido. A moeda preta é dada ao diabo pois o santo mantém boas relações com ele. A moeda é atirada de costas para o altar. Esta tradição foi-nos ensinada no Tour da Explore Aveiro – gostem da página para marcar uma visita e saberem outras histórias que mais ninguém vos conta.

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Em dezembro têm o Exodus Aveiro Fest que irá para a 3ª edição. Organizado por Bernardo Conde, da Trilhos da Terra e guia Nomad, com apoio da National Geographic. Acaba por ser um evento para viajantes cujos interesses passam pelo vídeo e fotografia. Vários nomes conhecidos vêm de todo o mundo fazer palestras.

Onde dormir:

Na passagem de ano 2017-2018 ficámos no Aveiro Mizu e gostámos. Fica muito perto da Ria e dos canais, mesmo nas ruelas típicas, o pequeno almoço é bom.

Hotel Moliceiro é para onde enviamos as pessoas que não dispensam ficar em hotel.

Hotel Meliá foi onde a Raquel dormiu na noite antes do nosso casamento. E onde passámos a festa da passagem de ano 2017-18.

Conhecemos quem tenha ficado no Cale do Oiro e tenha gostado.

 

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