AS RUÍNAS DA TURQUIA

A Turquia fez parte de grandes civilizações antigas organizadas, da Grécia antiga, dos impérios romano, bizantino e otomano. Este último cruza-se com a história dos descobrimentos portugueses porque Vasco da Gama, ao descobrir o caminho marítimo para a Índia, criou uma certa concorrência. Durante longos anos foi a Turquia que controlou o mediterrâneo, tal como o fizeram antes Roma e Grécia.

Fazendo parte do império romano e da Grécia antiga, tem no seu território ruínas de várias cidades gregas que mais tarde foram conquistadas por Roma. A Turquia tem múltiplas possibilidades quando falamos em turismo. Podemos ir apenas à procura de praias na Riviera Turca, podemos ir pela cultura muçulmana de mesquita em mesquita, fascinados pelas fotografias que vemos da Capadócia podemos ir em busca do passeio de balão perfeito, e podemos ir fazer o percurso de Paulo (sim, o da Bíblia), e ir de igreja em igreja, ou de ruína em ruína.

Neste campo, encontramos as 7 igrejas que João refere no Apocalipse: Pérgamo (Bergama), Laodiceia (Denizli), Éfeso, Esmirna (Izmir), Tiatira (Akhisar), Sardes (Sart), Filadélfia (Alasehir) e Paulo fala em Hierapolis (Pamukkale). Destas 8 cidades/comunidades que referimos em cima visitámos Pérgamo, Laodiceia, Hierapolis e Éfeso.

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Pérgamo

Pérgamo:

Saímos cedo de Çanakkale, sem visitar Tróia (35TL) porque o nosso objetivo era Pérgamo, em Bérgama. Já em Bérgama, o GPS conduziu-nos por ruelas estreitas ao encontro do restaurante que víamos anunciado em placas e que era recomendado na internet. Chegámos ao Akropolis Restaurant e foi como se nos tivéssemos enganado no caminho. O espaço era relvado, numa pequena praceta de vila, mas não tinha mesas e estava vazio. Alguém regava a relva e informou-nos logo que podíamos almoçar e que estavam abertos. Os únicos clientes de todo o espaço a ser atendidos por alguém que não falava inglês. A Turquia tem esta simplicidade, mesmo quando eles não falam inglês conseguem ser uns anfitriões cordiais e cumpridores. Pela ementa legendada com fotografias escolhemos os pratos e pedimos hummus, porque a pronúncia não tem que enganar. Passeámos pelo jardim durante a espera e apreciámos as pedras colocadas estrategicamente no local. Olhando com atenção, diríamos que há uma forte possibilidade de serem fragmentos das ruínas que queríamos visitar depois de almoço. Este restaurante tem uma réplica do templo que iríamos ver mais tarde.

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Subimos até às ruínas em busca da acrópole. Foram horas a passear pela ágora, pelo que resta do altar (em Berlim podem ver a sua reconstrução), da biblioteca, dos templos de Atena e Dionísio, o Heroon, do ginásio, dos banhos romanos, dos palácios. Também é possível subir-se de teleférico a partir da cidade, solução para quem não alugou carro como nós. As ruínas custam 35TL e o teleférico custa 15TL uma direcção, ou 20TL ida e volta. É um espaço que recebe turistas, mas a um dia de semana, com paciência, consegue-se vaguear e tirar fotos com alguma privacidade.

Na cidade ainda se pode visitar a Basílica Vermelha ou Kizil AVlu (por 5TL) e Asklepion (por 30TL).

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Laodiceia

Laodiceia

Pouco visitadas, pois a atração local são as piscinas termais de Pamukkale, com Hierapolis incluídas no bilhete.

Gostámos do preço (15TL), de estar vazia de manhã, da forma como estão a manter o espaço. Gostámos do “museu” em que se tornou a antiga igreja, coberta, com placas identificativas e passagens em vidro que permitem circular sobre quase todo o espaço. É fantástico o trabalho de recuperação do pavimento, que é lindíssimo. O espaço é gigante e nem todo está legendado. Essa parte pode ser aborrecida para quem não gosta de ver pedaços de colunas espalhados pelo solo. Consegue-se ver que o trabalho de escavações continua.

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Hierapolis

Hierapolis

De todas as ruínas que visitámos são as mais simples. O grupo de visitantes de Pamukkale segue para Hierapolis subindo até ao topo da montanha, vagueando pelo terreno. É talvez um dos anfiteatros mais preservados que vimos. A recuperação deste espaço é feita com cooperação italiana. Também é talvez dos espaços onde as pessoas têm menos respeito pelo local, afinal, a atração principal são os banhos de “piscina”, sendo depois normal as pessoas circularem em tronco nu ou bikini. Entre os travertinos e o anfiteatro há também um museu, cobrado à parte que acabámos por não visitar.

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Éfeso

Éfeso

As ruínas com R de todas as que visitámos. São a grande atração da região, estão muito mais lotadas, sendo difícil tirar aquela foto cheia de truques e demorada sem monos atrás. É muito mais fácil em Éfeso ter a perceção de cidade, consegue-se imaginar edifícios, estradas, o alvoroço da época.

Talvez o espaço mais emblemático seja a biblioteca de Celso, com três entradas e dois andares, que muitos acham que é original, mas é uma reconstrução em parceria com o instituto austríaco de arqueologia.  Alguns fragmentos das ruínas encontram-se em museus em Istambul e Viena (entre 1903 e 1904 as escavações foram feitas por austríacos), portanto a fachada foi montada com algumas réplicas. As estátuas bem visíveis na fachada (réplicas) representam as virtudes de Celso e são Sophia (sabedoria), Episteme (conhecimento), Ennoia (inteligência) e Arete (valentia). No interior, as paredes formam nichos onde se guardavam os pergaminhos, e Celsus foi enterrado no seu interior, junto à estátua de Atena. Nas paredes interiores lêem-se inscrições, em grego e latim, mas há uma mais moderna que se refere à parceria com a Áustria e a reconstrução da fachada feita de 1970 a 78.

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Há mais para ver: o anfiteatro, os templos, mas tudo em ruínas. Sobram os terraços, com entrada paga à parte, que mostram como se viveu em Éfeso. As casas não eram altas, os quartos ficavam à volta da piscina. Estiveram muito tempo escondidas e acabam por ser uma novidade bem preservada e recuperada. A entrada geral custa 60TL e os terraços custam 30TL.

Nas proximidades temos a casa de Maria, sim, a mãe de Jesus. A casa foi “encontrada” graças às visões de uma freira e, apesar de a igreja católica não se pronunciar, vários papas a visitaram. Sentimos imensa procura em manter esta casa segura. Tem segurança militar e a polícia tem drones no ar. Há peregrinos e visitantes, tanto católicos como muçulmanos. Visitámos a casa só por curiosidade, sem nenhuma veneração religiosa, e não achámos grande piada. É uma casa transformada em “capela” que só tem interesse pela história. No entanto, respeitamos a peregrinação e o muro de pedidos deve ser observado com humildade e empatia. A entrada é grátis, mas ofertas são bem recebidas.

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Há mais ruínas por todo o país, nós não vimos mais porque os nossos dias na Turquia não envolviam só história e o tempo não dava para tudo. Quisemos conhecer a chamada riviera turca, as praias, a cultura local atual. Voltámos à história antiga em Capadócia. Falaremos desses dois destinos em breve.

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Anfiteatro de Éfeso

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Albufeira no sopé de Pérgamo

 

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