A MARAVILHOSA CAPADÓCIA (TURQUIA)

Talvez seja a região que tem tornado o país num must visit. Talvez? De certeza. A maioria das pessoas vai à Turquia por causa das fotografias que viu da Capadócia. Nós tínhamos algumas expectativas, algumas foram defraudadas, mas no geral é um local muito bonito. Este foi o nosso penúltimo destino antes de regressar a Istambul, já com centenas de quilómetros “nas pernas” e estadias em mais de dez sítios diferentes.

A Capadócia é uau, mas não é um local único pela sua paisagem natural. É um local fantástico, mas encontramos semelhanças com o Miradouro da Lua, em Angola, e o Atacama no Chile. O Miradouro da Lua, uma marte terrestre, é paragem obrigatória para quem vai até à Praia dos Surfistas, em Angola, da mesma forma como o vale da Morte no Atacama. É isso que vemos quando chegamos a Capadócia, uma ligeira “frustração” à primeira vista dizer “eu já vi isto”. Não que seja mau reconhecer a paisagem, mas às vezes as expectativas que criamos são tão altas que quando chegamos vemos que não é o que imaginámos (ou que nos fizeram acreditar).

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Voltando à Capadócia, e para não haver dúvidas, é um local lindíssimo, peculiar, parece uma paisagem terracota, com cinquenta tons de castanho. É ampla, com vários monólitos que se assemelham a chaminés altas, com uma espécie de chapéu no topo, as chaminés de fadas, que parecem uns castelos de areia desengonçados tal como os que fazemos em crianças, mas gigantes. No entanto, alertamos para a diferença entre as fotografias do Instagram e a realidade. Sentimos também que os fotogénicos camelos que vemos à entrada de Göreme e de Ürgüp não se enquadram no restante. Os hotéis que crescem mais em Göreme são quase todos artificiais, mas mascarados para parecem grutas originais, daí que quase todos se chamem “cave”.

Nevsehir é uma cidade evoluída com tudo o que se procura, mas os turistas não querem Nevsehir, querem as grutas, estar dentro do parque nacional de Göreme, dormir num hotel fancy que pareça feito de areia, que tenha um terraço. Querem subir montes para ver o nascer e o pôr do sol, querem ver a centena de balões no ar a iluminar o céu enquanto se levantam para tomar o pequeno-almoço. E é assim que as duas vilas crescem, com hotéis, restaurantes, lojas de souvenirs, as belas lojas de candeeiros ou de tapetes, tão fotografadas. Ürgüp pareceu-nos ter hotéis mais luxuosos e no dia em que andamos a distribuir os turistas da viagem de balão pelo local onde estão hospedados, percebemos também que há hotéis muito fracos, por isso há uma Capadócia à medida de cada um. Até encontrámos, na primeira noite, uma estrangeira que só ia passar uma noite em Göreme entre autocarros, e assim ainda conseguia ver os balões ao nascer do sol. Nota: as atrações são mais próximas de Göreme.

As cidades não são muito grandes, são limpas, com supermercados, muitos restaurantes (alguns que destoam) e muitos turistas, talvez demasiados até. Em Göreme encontra-se o monte que toda a gente sobe para contemplar os balões ao nascer do sol, e para contemplar a própria cidade ao pôr do sol, quando a iluminação natural dá lugar aos candeeiros do homem à meia luz. Nós fomos a pé, mas também dá para subir de carro. Göreme fica dentro do parque nacional, enquanto Ürgüp fica fora. O Göreme National Park engloba toda a região vulcânica entre as montanhas Hasan e Ercyes. É formado por vales, leitos de rio, montes, escavações e rochas esculpidas fruto da erosão. Os hititas, as vilas trogloditas, o período bizantino, o império romano, todos lhe deixaram marcas. É património da humanidade da UNESCO desde 1985.

Fica a nossa sugestão para fazerem excursões, alugarem carro, procurarem transportes locais ou fazerem tours em moto 4. A pé vão ficar muito limitados.

O que fazer:

Museu a Céu Aberto de Göreme: Uma cidade antiga cristã, construída com inúmeras igrejas que ainda hoje mantêm os frescos com as cores originais. Considerando que durante o império bizantino se taparam os frescos de Hagia, Chora e afins, estes permanecerem é impressionante. Conseguem entrar dentro das cavernas e conhecer a forma como se viveu ali. Há quem diga que com guia o passeio é mais interessante. Custa 45TL mais 15TL para visitar Karanlik Kilise, de todas as igrejas a mais impressionante.

Museu a Céu Aberto de Zelve: Mais humilde do que Göreme e também menos visitado. O passeio é curto (1 hora), tem três vales, menos pinturas, e parte tem o acesso bloqueado. Custa 15TL, mais 3TL de parque (o habitual). Provavelmente o museu de Göreme é melhor, nós só fomos ao de Zelve para fugir às multidões.

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Uçhisar: aqui deve-se visitar Kale, o castelo escavado na rocha que fica aos 1300m de altitude, o ponto mais alto da Capadócia quando não estão num balão. A subida é de dificuldade reduzida, excepto se tiverem algum problema motor, e nós recomendamos a visita. As diversas galerias, distribuídas pelos andares, representam uma comunidade completa, com mosteiro, capelas, casas próprias, refeitórios, etc. Foi usado como “cemitério” no topo, mas a erosão e os saqueadores deram conta do local. A vila de Uçhisar é desenvolvida para o turismo, sendo fácil de encontrar restaurantes, cafés e baloiços “com vista enquadrada”, onde vos serão cobradas as fotos, mas o valor é irrisório e se consumirem no café as fotos vêm incluídas no preço.

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Vales não faltam, muitos tours apresentam percursos por cores, ou seja, os nomes dos vales, porque é mesmo o que não falta no Parque Nacional de Göreme, vales e cidades subterrâneas.

  • Vale do Amor: nós visitámos durante o período que nos restou depois do passeio de balão. Confessamos que olhando para o vale as chaminés são muito semelhantes às nossas figuras das Caldas (ou seja, pénis esculpidos). Nós só ficámos na parte superior do vale, onde vão encontrar fotógrafos a seguir-vos para depois vos tentarem vender as fotos, por isso o cenário está todo montado com belos baloiços. As fotografias não são editadas e nota-se que quem as tira não domina muito a arte, por isso, geralmente, a exposição não é a certa.

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  • Vale Rosa (Güllüdere Vadisi): O Lonely Planet diz que se só tiverem tempo para fazer um trilho este é prioritário. Aqui encontram as chaminés de fada e alguns frescos de igreja bem preservados.
  • Vale dos Pombos (Güvercinlik Vadisi): Viemos de carro até aqui, achámos graça às árvores enfeitadas, mas decidimos abdicar da viagem de Uçhisar até Göreme a pé. Há que lembrar que algumas das chaminés de fada que outrora eram habitadas, hoje são usadas como pombais, porque os seus excrementos são um otimo fertilizante. É um vale menos procurado, mais calmo.

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  • Vale dos Monges (Pasabag): fica junto da estrada, é acessível e muito frequentado para ver as chaminés de fada.
  • Vale da Imaginação (Devrent): neste vale encontram-se chaminés esculpidas noutras formas, como animais ou figuras do presépio. A mais fotografada é talvez o camelo.

Underground city: na Capadócia há cidades que se desenvolveram no subterrâneo. São muito húmidas, labirínticas e escuras, mas merecem ser visitadas, pelo menos para conhecer algo de muito incomum. As cidades desenvolveram-se para proteger as pessoas das pilhagens, tinham sistemas de ventilação, alojavam animais, utilizavam óleos como iluminação, e, principalmente, permitiam encerrar zonas inteiras para se protegerem, com recurso a pedras em forma de mós. Existem 36, só falamos de duas, que estão abertas ao público há mais de 50 anos:

  • Kaymakli: é a maior cidade subterrânea. As pessoas ainda hoje conseguem usar algumas divisões da cidade como armazém. Custa 35TL.
  • Derinkuyu: é a cidade mais profunda, com cerca de 85m de profundidade. A divisão mais peculiar é talvez a escola missionária, ou a igreja em forma de cruz. A entrada custa 35TL.

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Avanos: nós fomos até esta vila próxima à procura dos oleiros e adorámos a experiência. Tentámos entrar numa loja e íamos desistir quando o oleiro chegou e nos convidou a entrar. Era um jovem na casa dos 25-35 anos, simpático, que falava inglês suficientemente bem. Explicou-nos a técnica, exemplificou, e de seguida convidou-nos a tentar. Do ponto de vista de registo do momento, é muito mais fácil para nós oferecer esta prova à Raquel, assim há sempre videos e fotografias do momento, e olhem que não correu nada mal. A loja dá acesso a uma “gruta” muito semelhante às salas das cidades subterrâneas onde a enorme variedade de peças prontas se encontram expostas. O nosso “guia” explicou-nos que ele e o pai criam as peças e a mãe e irmã pintam. Há desenhos exclusivos da sua família e outros que são mais universais.

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Passeios de balão: custam de 130 a 250€, nós pagámos 150€ e reservámos localmente. Recomendamos reservar com antecedência, ainda antes de chegar lá. Negoceiem passeios com empresas grandes, tentem um bom preço com o máximo de 16 pessoas e leiam as nossas dicas neste post (nós não ficámos maravilhados). Os passeios de balão são o ex libris da região, apesar de já termos demonstrado em cima que há muito mais para fazer. A procura é muita e é uma atividade sensível às condições atmosféricas. Se querem mesmo passear de balão pensem numa estadia de pelo menos 3 dias e reservem o passeio para a primeira madrugada.

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Onde ficar:

Se forem ao instagram, o hotel com mais pinta é o Museum Hotel, mas o Local Cave House e o Koza Cave Hotel, por exemplo, também estão bem publicitados. Se forem ao booking, aí vão ver que as opções parecem infinitas.

O nosso hotel era bastante bom, perdemos a cabeça e escolhemos um com jacuzzi, já que não era altura de banhos de piscina. O Grand Cave Suites tem um ótimo pequeno-almoço.

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Onde comer:

Organic Cave Kitchen, e peçam as kebab amphora. É um guisado feito numa ânfora de barro fechada com uma massa de pão. O prato vem para a mesa ainda fechado na ânfora. A ânfora é partida à mesa, em Istambul era partida batendo a faca no barro com um certo ritmo. Em Göreme foi feito mais a despachar, mas é um prato muito saboroso.

Há muitos restaurantes, mesmo muitos. Passámos pelo Nostalji Restaurant, que tinha bom ar, passámos por outro a caminho do Sunset Point que assava peixe à entrada. Nós recomendamos que passeiem pela cidade e escolham o que vos agradar.

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Dicas:

Controlem as expectativas. Nem tudo é o que se vê no instagram, o que não é bom nem tem de ser mau.

Escolham bem a época da viagem, querem os terraços enfeitados ou querem ver neve?

Não prescindem do passeio do balão? Então procurem o passeio com antecedência. E não escolham um passeio com 24 pessoas que mais parece um metro apinhado.

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