O palácio mostra a sua imponência logo à chegada. A gigante escadaria leva-nos a olhar logo para a Basílica e medir a sua imensidão. As fotografias aéreas mostram-nos a real dimensão do edifício de que não se tem a noção entrando. Nem tudo é visitável, afinal parte pertence à Fazenda Nacional, e parte está em manutenção. A decoração encaixa nas sucessivas épocas em que foi habitado. Por exemplo, a zona visitável do convento está recriada conforme o século XVIII.

Começou por ser uma promessa do rei D. João V caso tivesse filhos. Foi construído para ser casa de frades, primeiro apenas 13, e foi-se aumentando o edifício até albergar 300. A Tapada trazia a família real para caçar e o convento foi crescendo. Acrescentou-se a Basílica, um Paço Real e, em 1735, Portugal passou a ter um Palácio Nacional em Mafra. O palácio, com 40.000m2, o tamanho de 4 campos de futebol, é o esplendor do barroco nacional e ganha importância com o passar do tempo. Passa a ser a casa da família real antes das invasões francesas, mas por pouco tempo. A corte decide seguir para o Brasil para exílio, não sem levar os seus bens e riquezas, despindo o palácio da sua decoração. Se a corte parte em 1807, é também nesse ano que as tropas francesas decidem que é ali que querem morar. Sol de pouca dura, entretanto chegam as tropas inglesas que ficam até 1828. A corte regressa do Brasil, é preciso reconquistar o reino a D. Miguel e a vida continua no palácio. Acrescenta-se uma escola, junta-se um elevador (um dos primeiros do país) e acolhe o rei D. Manuel II na sua última noite (4 para 5 de outubro de 1910) antes do exílio, que ditaria o fim da monarquia em Portugal.

Nós visitámos a um domingo, dia de bilhetes grátis para residentes, e sentimos que poderia ter mais gente, não que a visita não tenha sido confortável assim, preferimos ter espaço para vaguear do que visitar em percursos de sardinha em lata, mas se não enche em dias de bilhetes grátis, presumimos que o fluxo de visitantes não é suficiente para aquilo que o palácio merece.

Paço Real:

O palácio do Rei (torreão norte) e da Rainha (torreão sul) unem-se pelo maior corredor palaciano da Europa e é após a morte de D. Fernando que o torreão norte passa a ser usado para a estadia de visitantes. Devem-se percorrer os mais de 200m de corredor imaginando a corte a passear-se com os seus sumptuosos vestidos e vistosas jóias enquanto se criavam intrigas e se espalhavam rumores. O edifício é frio, diríamos desconfortável no inverno. Vêem-se as marcas que o frio deixa no edifício, mas continua a ser emproado.

Temos que ter em atenção que há um palácio até 1807, com tapeçarias, quadros e mobiliário que não voltaram a existir, pois as peças levadas pela corte para o Brasil nunca regressaram. Graças ao ouro que vinha do Brasil, D. João V não era comedido em gastos, e gostava de obras que deixassem marca, como o Aqueduto de Águas Livres (de que falamos aqui). Talvez por isso o edifício não tenha um carrilhão, mas sim dois. Portanto, aquilo que se vê hoje é referente a uma época posterior, com um mobiliário já do século XIX, após o regresso da corte, com uma monarquia diferente.

 O edifício tem várias salas com tectos pintados. Se há sítio onde devem olhar para cima é neste palácio. Salas onde devem estar atentos aos tetos: sala Diana, sala do Trono, sala das Descobertas, sala dos Destinos, sala da Guarda, sala dos Camaristas e o Oratório Sul. Todos estes tetos são da autoria de Cirilo Volkmar Machado, a pedido de D. João VI.

Gostámos especialmente da sala da Benção por ter ligação à fachada e à Basílica. Como havia cerimónia dos escuteiros na missa dominical conseguimos ver parte do interior da Basílica pelas janelas. Sabemos que o Rei cumprimentava o povo pela varanda que se abre para a fachada. A sala de Caça também é impressionante, mesmo para os não apreciadores.

Numa das salas encontrámos a exposição “do Tratado à Obra”, onde pudemos ver a maquete do palácio e ler a história da construção. Esta exposição serviu para comemorar os 300 anos do lançamento da primeira pedra do edifício. Ludovice, o seu arquitecto, é referido ao pormenor, podem ser vistos os sucessivos desenhos feitos para a obra e modelos em terracota de algumas das esculturas.

Carrilhões:

O edifício tem mais de 100 sinos e 92 distribuem-se em dois carrilhões de 49 sinos. Temos um dos maiores conjuntos de sinos afinados musicalmente entre si do mundo. Os sinos, que desde 2004 estavam presos por andaimes, foram finalmente retirados para restauro, após ameaça de queda em via pública.

Convento:

No convento visitamos a enfermaria, sóbria, com luz natural. Todas as camas apontam para o altar, assim nenhum frade doente ficaria sem ouvir a missa. A cozinha, a botica, as celas e a capela também são visitáveis.

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Basílica

Tem a forma de cruz, alberga a primeira cúpula do país, e é construída com pedra local. Destacam-se o conjunto de seis órgãos e a colecção de esculturas barrocas.

Biblioteca:

Não podemos esquecer a biblioteca com os seus 36.000 livros, provavelmente a sala mais apreciada da visita, deixada para o fim como a cereja no topo do bolo. Não se pode vaguear pela sala, pois está vedada, mas mesmo da entrada sente-se a sua imponência. A coleção de livros tem obras raras e o Papa Bento XIV (1754) reconheceu a sua importância, permitindo ao rei incluir obras proibidas pelo index.  O catálogo das obras existentes engloba 8 volumes, e os temas vão do direito à medicina, da matemática à arte e à música. É nesta biblioteca que estão arquivadas as partituras das obras tocadas  no órgão da Basílica.

Preço e quando visitar:

A entrada nos edifícios custa 6€ e os terraços visitam-se por 5€. Como dissemos acima, os residentes nacionais aos domingos e feriados não pagam até às 14h. Fecha às terças-feiras e em alguns feriados, como 1 de janeiro, 1 de maio e 25 de dezembro.

Já falámos acima da Tapada Nacional, criada por D. João V para servir de lazer à casa real. A família real gostava de caçar e usou os terrenos da Tapada para o fazer, principalmente devido à proximidade a Lisboa. A Tapada Nacional de Mafra tem programas pedestres, de BTT, cavalos, charrete ou em comboio. Os preços e atividades podem ser vistos aqui.

Onde comer:

Perguntámos a residentes locais onde sugeriam ir se quiséssemos comer bem. Deram-nos três sugestões: a Adega do Convento, o João da Vila Velha e a Pizzaria Horta.

365 dias no mundo estiveram no Palácio Nacional de Mafra a 28 de outubro de 2018

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