Já queríamos ir até à Dinamarca há algum tempo. O Tiago esteve em Copenhaga em Erasmus e gostava de mostrar a cidade à Raquel. O facto de termos estadia garantida durante o ano de 2019 pôs a cidade no topo das prioridades do ano. Para ajudar, a TAP fez uma promoção e comprámos os voos com milhas. Como escapadinha de fim de semana é um destino qb difícil porque não há muita flexibilidade de horário, apesar de existirem vários voos diários.

Saímos de Lisboa em pleno dia da mulher e de manifestação contra a violência de que são vítimas. O aeroporto de Lisboa estava menos caótico que o esperado. Havia alguma ansiedade da nossa parte, o Tiago vinha a controlar a desilusão de ter descoberto que os Jardins Tivoli estavam fechados. A porta foi trocada 30 minutos antes de embarcar, mas foi tudo super pacífico.

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Voltando a Copenhaga, situa-se nas ilhas de Zealand e Amager, quase encostada à Suécia. A cidade cresceu a partir de um porto, aliás, o seu nome significa porto do mercador. Foi uma cidade muralhada porque era ambicionada por diversos países, como Suécia, Alemanha e Inglaterra.  Sofreu com a guerra, foi ocupada durante a Segunda Guerra Mundial pelos alemães, mas as muralhas acabaram por ser abertas para que a cidade pudesse crescer. Faz parte das cidades mais procuradas pelo turismo urbano. A sua cultura e alma artística, tal como Amesterdão e Barcelona, atraem turistas de todo o mundo.

O que fazer:

Kongens Nytorv: a praça principal da cidade. Aqui encontra-se o Hotel d’Anglanterre, o Teatro Real Dinamarquês, a Real Academia de Artes, a embaixada francesa (Palácio Thott) e a Magasin du Nord, um centro comercial caríssimo. A praça está em manutenção. Fica junto a Nyhvan.

Stoget: da praça parte esta avenida, a mais conhecida para compras. Vão ver as lojas habituais e algumas mais incomuns.

Nyhavn: é a imagem de marca da cidade, o porto. O canal, as casinhas coloridas, as pontes. Esta zona foi reinventada pois era o spot do álcool e bordéis. Agora é uma zona chique e, claro, cara. Há uma estrutura de madeira com Nyhavn escrito, perfeita para quem gosta das fotos com nomes de zonas e não se importe de ficar à espera da sua vez para tirar o boneco. Há quem fale nos cruzeiros e que se deve passear de barco (50kr), nós achámos que estava muito frio. Os cruzeiros são passeios de 60 minutos com guia. Devem, sem dúvida, passear por aqui, mas procurem uma zona mais barata para fazer refeições. Hans Christian Andersen, o escritor do conto da pequena sereia, viveu aqui (portas 20, 67 e 18).

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Royal Danish Playhouse (Skuespilhuset): se seguirem por Nyhavn para Kastellet vão passar por este edifício. O edifício é super engraçado, com uma fachada em vidro, transparente. No piso térreo tem um café com muita pinta. Também há um restaurante e podem circular dentro do edifício sem necessitarem de bilhete para uma das peças. Há tours à quarta e fins de semana, os bilhetes compram-se online.

Casa da Ópera (Operaen): é das casas de ópera mais avançadas da europa, inaugurada em 2005. Fica na margem oposta da Playhouse e não passa despercebida, basta olharem para a direita no caminho para Kastellet. Há tours de 90 minutos (120kr) que apresentam o palco, o backstage e o restante edifício. Os tours podem ser temáticos, em dinamarquês ou inglês. Os bilhetes para os espectáculos têm 40% de desconto para menores de 25 anos. Podem ver aqui o calendário de espetáculos e tours.

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Kastellet: podem ir a caminhar desde Nyhavn pela orla Larsen Plads. É uma antiga cidadela militar, com um moinho de vento também famoso por ser fotogénico. Não tem muros, o que a torna uma espécie de fortaleza em forma de parque. Não deixa de ser uma área militar, com regras. É só cumprir e está tudo bem.

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Estátua da Pequena Sereia: junto à marginal fica esta personagem de Hans Christian Andersen. Foi oferecida à cidade pelo filho do fundador da Carlsberg e fica em Langelinje Pier, Zealand. É uma zona ventosa e fria no inverno. Não tenham a expetativa demasiado alta, a estátua é muito pequena. Do outro lado do canal vê-se a central com zero emissões de CO2, na ilha de Amager.

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Estátua da pequena sereia geneticamente modificada: foi por dicas de quem cá vive que avançámos mais uns 25 minutos a pé depois da pequena sereia. Fica do lado contrário à pequena sereia tradicional, tendo vista para a sede da Unicef e para os barcos cruzeiro para Oslo. Passámos para o lado esquerdo e continuámos a andar pela urbanização. Encontrámos a nova estátua sem ninguém, todinha só para nós. Ainda um pouco mais à frente encontram outra estátua da mesma personagem.

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Marmokirken (Igreja Frederick’s): esta igreja é grátis e tem uma cúpula em mármore fabulosa. Não muito grande, permite sentar e olhar para o tecto o tempo que acharem necessário.

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Amalienborg: a troca da guarda começa às 11:30h em Rosenborg, seguindo em marcha até aqui, residência oficial da família real no inverno. Aqui a troca acontece diariamente às 12h. Pode-se visitar o palácio por 160kr, combinado com Rosenborg. Pode ser um bom local para assistir à troca de guarda porque ocorre numa praça, sem vedações.

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Castelo Rosenborg: tanto podem ver o museu como o início do render da guarda. Aqui aconselhamos que entrem como se fossem para o museu e vêem os guardas mais perto, a não ser que pretendam seguir atrás deles até Amalienborg. Nesse caso, esperem-nos na rua, junto aos portões. O museu é simpático, mas espalhafatoso. O ponto alto são as jóias da coroa, onde tivemos mais uma peripécia, contada aqui.

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Tovehallerne: somos fascinados com mercados. Este, para além de vender de tudo, é muito limpo e agradável, mas a verdade é que é bastante mais moderno do que esperávamos. Pode ser dispensado, pois acaba por ser uma espécie de Mercado da Ribeira de Lisboa (Time Out).

Orstedsparken: este parque com um lago é o destino familiar para brincar com as crianças. Sim, as famílias nórdicas não se importam com o frio nem com a neve. Saem de casa diariamente, bem agasalhados, e vão aproveitar a luz do dia com os seus filhos ou amigos. O Manon Les Suites, um hotel com uma piscina cara mas muito engraçada, fica aqui perto.

Palácio Christianborg: a igreja do palácio é bastante bonita e tem entrada grátis. Os estábulos, a cozinha, as ruínas e a zona da recepção têm um bilhete combinado de 160kr. O parlamento também permite entrar de forma gratuita nas galerias se estiverem a decorrer sessões.

Torre redonda: deve-se subir ao final do dia, diríamos nós. Faz parte do Complexo Santíssima Trindade, que é completado pela igreja, a torre, a biblioteca por cima da igreja e o observatório no topo da torre. A torre tem a particularidade de se subir numa rampa em espiral, ao todo sete voltas. A meio está o Hall da Biblioteca. O dia ideal para subir será terças e quartas, perto das 18h, porque o planetário abre a essa hora e podem ver as estrelas, entre outubro e março. É o Observatório mais antigo da Europa e existe desde 1861. Na torre encontra-se o ponto 0 da Dinamarca. Vão encontrar uma abertura que dá para o centro da torre, entrem e coloquem-se por cima do vidro. Há concertos na Igreja da Santíssima Trindade ou no Hall da Biblioteca. Uns são grátis e outros pagos, espreitem a programação. A subida custa 25kr.

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NY Carlsberg Glyptotek: muita gente fala deste museu, principalmente porque a entrada é grátis com o Copenhagencard. É o museu de arte, nele encontram muitas obras de artistas famosos. É grátis às terças.

Igreja do Salvador: a torre desta igreja é famosa pela sua subida íngreme que se prolonga até que os degraus simplesmente desaparecem por falta de espaço. De 23 de fevereiro até 30 de abril a torre abre de segunda a sábado às 10h, aos domingos e feriados meia hora depois, e fecha todos os dias às 16h. Em caso de vento ou chuva a torre é fechada. Depois de subir é fácil perceber porquê, dos 400 degraus, 90 são no exterior da torre. O vento é bastante forte no topo da torre e chega a ser assustador. A torre tem um carrilhão de 42 sinos tocados ao sábado às 16h. A entrada custa 35kr. Achámos muita graça aos bancos privados da igreja, que se fecham à chave. Se olharem com atenção vêem pequenos aquecedores por baixo dos bancos (mordomias).

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Museu do Design: Copenhaga atrai pela sua arquitetura arrojada, mas também é casa mãe de alguns desvarios no design. Nós só fomos à loja (não dava para tudo). Se gostam de objetos do dia-a-dia com uma roupagem diferente e de fazer inveja aos vizinhos passem por aqui.

Christiania: A entrada é gratuita, a erva está lá e compra-se fácil (apesar de continuar a ser proibido) porque o mote é ser livre. Não circulam veículos, apesar de termos visto uns pequenos tractores escondidos, mas há as bicicletas típicas que diferem pela caixa frontal para transportar carga. O ambiente é de comunidade que vive na partilha do que tem, que acreditamos que se sinta mais durante o dia. Os edifícios são coloridos pela arte urbana que os envolve e ali respira-se, sem dúvida, uma cidade diferente. A comunidade tenta ser auto-suficiente, há creches e quase todos os serviços necessários à sua auto-manutenção. Nós fomos à noite, a altura em que o ambiente é mais pesado, mas existem sempre concertos, música, espectáculos de entrada paga e vários balcões na rua para venda de erva. Não é de todo o nosso ambiente, mas não podíamos deixar de conhecer. Saberão que estão dentro de Christiania tanto pelas frases que anunciam a entrada na “cidade” como as que anunciam que estão a passar novamente para território da UE. Não há fotos porque fomos muito cumpridos da regra de não fotografar.

Se for verão e quiserem arriscar nas águas frias da Dinamarca, também em Vesterbro têm as piscinas, no Fisketorvet Harbour Bath. Se gostarem de piscinas interiores bonitas, mas pagas a peso de ouro, podem passar o dia em Manon Les Suites. É um hotel com piscina, ginásio e restaurante. O preço das piscinas inclui toalha (deve ser devolvida no fim), chinelos e garrafa de água. Já não nos lembramos exatamente de quanto custa um dia na piscina, mas é mais de 100€.

 

Fora de Copenhaga:

Ir a Malmo: Que tal fugir um dia até à Suécia? Também é possível. Sugerimos que vejam a série The Bridge, passa-se na ponte que une as duas cidades, sobre o estreito de Oresund. Nós vimos alguns episódios, e até gostávamos da série, mas ouvir a série na língua original era pesado e obrigava-nos a estar mais atentos às legendas.

Castelo de Kronborg: É aqui que se passa a história de Hamlet. Fica bastante afastado de Copenhaga.

Dyrehaven: a 20 minutos de comboio de Copenhaga fica o parque dos veados. É património da UNESCO e foi usado pela família real para caçar. É perfeito para actividades ao ar livre, como caminhadas, picnics e passeios a cavalo. No meio tem a “cabana” de caça do rei.

Palácio de Frederiksborg: fica a uma hora da capital, 40 minutos de comboio. É famoso pelos retratos que possui no seu interior. Alberga o Museu de História Nacional. No lago pode-se andar de ferry (30 minutos por 30kr).

Barco Viking (Vikingeskibsmuseet): o museu fica em Roskilde, a 25 minutos de Copenhaga. Pode-se ir de comboio e depois caminha-se os últimos 2km ou apanha-se o autocarro 203. A entrada custa entre 110 e 150 coroas. De maio a setembro pode-se fazer um passeio de barco de 60 ou 90 minutos (120 ou 160kr). Apanhando o comboio vão conhecer a Estação Central.

 

Onde comer:

Há tanta, tanta opção, até é difícil deixar algumas sugestões, principalmente no nosso caso que tentámos comer sempre em casa ou sandes “on the go”.

Fomos ao Mad & Kaffe, comemos hambúrgueres e as típicas smorrebrod, que são sandes abertas, ou seja, duas fatias de pão e o recheio por cima.

Locais onde comer não faltam, há muita oferta de fast food e de restaurantes orgânicos, como Jagger, Bistro Royal, Ipsen & Co, Sidecar ou Wulff & Konstalli. Dizem que o melhor pequeno-almoço é no Moller Kaffe & Kokken, que serve café do Copenhagen Coffee Lab, que também já abriu em Lisboa. No Meatpacking District há muita oferta e em Norrebro também.

Não nos podemos esquecer do Noma, que foi considerado o melhor restaurante do mundo algumas vezes consecutivas. Agora Copenhaga também tem um restaurante com 3 estrelas Michelin, o Geranium.

365 dias no mundo estiveram em Copenhaga de 9 a 10 de março de 2019