Não sabe muito bem tirar um fim de semana para descansar ou para fazer algo diferente? A rotina às vezes não vos chateia? Acordar, trabalhar, regressar, pelo meio metem-se as tarefas domésticas, as saídas para compras, pagar água e luz, levar o carro à revisão, pagar os impostos. Às vezes só apetece sair, experimentar um sítio novo que vimos na internet, beber um copo de vinho ao jantar, caminhar por zonas desconhecidas.

Nós fazemos muito isso, mas como a nossa conta bancária tem fundo e nós temos objetivos que gostaríamos de concretizar, por vezes adiamos estas escapadelas até aparecer a promoção certa. Às vezes andamos atrás do acontecimento, outras vezes é por pura magia e, sem contar, encontramos o que queremos. Escapadelas de fim de semana que envolvam sair do país são difíceis, porque não é fácil coordenar os voos económicos para tão curto espaço de tempo, então, torna-se mais fácil ficar dentro do país. A nossa experiência pessoal é que estes fins de semana em Portugal também não ficam muito baratos, porque os hotéis que queremos mesmo experimentar geralmente são mais caros que o esperado. O Tiago costuma dizer que nós em Portugal queremos hotéis melhores, enquanto lá fora optamos por estadias mais em conta para compensar o preço da viagem. Será?!

Quando procuramos um fim de semana diferente, qualquer zona do país serve, geralmente a nossa única condição é ser um sítio que não conheçamos bem. E assim fomos parar a Portalegre. Não é assim tão longe de Lisboa, é interior, sossegado, e tem muito para dar. Confessamos que a escolha se deve ao hotel que estava em promoção e que nos despertava muita curiosidade.

O que visitar:

Estamos a falar da região da Serra de São Mamede, onde temos Marvão e Castelo de Vide.

Castelo de Vide é a típica pequena cidade histórica portuguesa. Casas baixinhas, ruas estreitas, azulejos na fachada a mostrar o santo que devotam, e um castelo.

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Aqui encontramos um passado ligado ao judaísmo, com uma sinagoga em bom estado de conservação e de entrada gratuita.

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No centro temos o pelourinho e a igreja de Nossa Senhora da Devesa.

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O castelo também tem entrada gratuita, mas um ar pouco cuidado. Foi possível subir até ao telhado de um dos edifícios e perceber que é ponto de atração para quem vai para fumar e beber.

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Na Meada temos o maior menir da península ibérica, de 4 metros. Em Castelo de Vide temos de falar na loja Mercado Português. Fica na rua da Câmara Municipal e não é a típica loja que se espere num meio tão pequeno. Divulga as marcas nacionais, mas sempre com produtos inovadores.

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Marvão é ligeiramente mais claustrofóbico que Castelo de Vide, mas no bom sentido. As ruas são mais estreitas, em dezembro estava mais parado, tem menos lojas e restaurantes, mas o vento leva as ansiedades e o stress e o tempo parece que passa mais devagar. É o ponto alto da serra que lhe dá uma vista de tirar o fôlego a partir das muralhas.

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Vale a pena subir o muro e ficar a contemplar a vista 360 graus, a serra, ver como o fogo em poucas horas destruiu o que demorou décadas a crescer. No topo encontramos o museu municipal. O bilhete de 2,5€ inclui a entrada no castelo.

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O museu tem alguns artefactos e conta a história da vila desde os primórdios, vale a pena visitar. Entristece-nos que sítios que contam a história do nosso país e onde se travaram épicas batalhas com a vizinha Espanha quase só sejam visitados por estes, que os portugueses estejam de costas voltadas para o interior do país. Pode-se visitar a cidade arqueológica Ammaia. No verão, a caminho de Ammaia, podem refrescar-se nas piscinas em Portagem.

Portalegre é a capital do distrito e, logo está, a maior cidade. As maiores atrações são o castelo, a catedral, a casa museu José Régio e o museu da tapeçaria. Há três conventos: São Francisco, Santa Clara e São Bernardo. Na catedral devem prestar atenção aos azulejos e às pinturas. No museu José Régio é descrita a vida do escritor, implantado na casa onde viveu 34 anos enquanto professor em Portalegre.

Nós decidimos passear mais por Castelo de Vide e Marvão, mas não devemos deixar de referir que na região encontram Alter do Chão, Crato, Monforte, Campo Maior e Elvas. O Crato tem o festival homónimo todos os verões, Campo Maior a Festa do Povo, em que a cidade se reveste a flores de papel (não costuma acontecer todos os anos).

Onde ficar:

Já tínhamos visto a Herdade da Rocha em revistas e no instagram. A marca, conhecida pela decoração do espaço e pelos vinhos, já tinha captado o nosso interesse e andávamos à espera da nossa oportunidade. No verão era muito fora do nosso plafond, mas sonhar não custa. Isto não é, de todo, um post patrocinado, apesar de soar como tal. Temos Via Verde, aliás, em Portugal quase não dá para viver sem esse serviço, tal é a quantidade de portagens que temos por todo o país. A Via Verde tem um programa de vantagens que permite utilizar pontos para comprar vouchers que se utilizam em parceiros. Em outubro demos conta que havia um voucher para utilizar neste boutique hotel/lodge, então comprámos duas noites. Marcámos por e-mail, foi super fácil e não tivemos nenhum contratempo por querer marcar a estadia ao fim de semana e com um feriado pelo meio, depois mudámos a data também sem problema. Aliás, éramos os únicos hóspedes, e recomendamos! O hotel está dentro da herdade, portanto têm um terreno enorme para explorar. São disponibilizadas bicicletas para explorar as vinhas, as noites são super estreladas e a falta de “poluição” permite desfrutar de um vasto céu iluminado.

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O pequeno-almoço é ótimo, o pão vem quente, naquele ponto que só quem já acordou no campo conhece. A manteiga derrete ao ser espalhada e dá vontade de comer mais. O espaço é muito bonito e bem decorado. A equipa é pequena e simpática. Agradecemos especialmente ao diretor que nos mostrou pessoalmente o resto da quinta, permitindo-nos desfrutar ao máximo do espaço. Quanto ao hotel em si, tem uma sala  no edifício principal onde se serve o pequeno-almoço e refeições (também pode ser junto à piscina), uma sala de estar e o ex-libris, a piscina, mais pequena do que aparenta nas fotografias.

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Quanto aos quartos, nós ficámos num dos que ficam no edifício principal, existindo outros isolados, perto da piscina. A Herdade da Rocha é também uma marca de vinhos, com uns rótulos muito atrativos e recomendamos que experimentem.

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Em 2015, a Raquel e três amigas ficaram na Quinta da Vila Maria, no Reguengo. Foram muito bem recebidas pela Jane e pelo Ed. Ficaram no apartamento de dois quartos, e tudo o que iriam precisar para tomar o pequeno-almoço estava já no apartamento, excepto o pão que chegou pela manhã. É um estilo completamente diferente da opção anterior, mais tradicional na decoração. A Jane e o Ed apaixonaram-se por Portugal e decidiram investir neste espaço. Moram na Quinta e estão disponíveis para uma boa conversa. E que bem que se conversou com estes dois.

Onde comer:

Em 2015 as meninas foram ao Tombalobos, Portalegre, e só podem dizer maravilhas. Desde ao atendimento à qualidade da refeição.

Em dezembro almoçámos na Confraria, em Castelo de Vide, e, claro, que maravilha. O espaço não é muito grande, mas só serve pratos tradicionais e faz menus de degustação de pequenas porções de vários pratos. Sugerem-nos os melhores vinhos, conhecendo bem os da região. Como os da Herdade da Rocha. Vale a pena parar por aqui.

No Crato fomos ao Lagarteiro, uma opção mais modesta mas que não deixa de servir boa comida. Estava à pinha com o jantar de uma equipa de futebol local.

No último dia saímos para almoçar em Montargil e encontrámos o Sabores com Alma. Estava quase vazio, mas foi uma agradável surpresa. O atendimento foi cuidado e tudo estava muito saboroso. Falando em Montargil, a Barragem é um ponto obrigatório e o Hotel Lago Montargil & Villas também é um must visit.

365 dias no mundo estiveram em Portalegre de 14 a 16 de dezembro de 2018

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