Portugal é muito próximo de Angola, mas quase ninguém vos vai dizer que o seu destino de férias do próximo ano é por aquelas bandas. E porquê? Apesar de já se encontrar voos bastante baratos e de já existir alguma facilidade em obter o visto de turista, as pessoas continuam a achar que não há nada para ver na “banda”, ou que não compensa o esforço. Nós vivemos lá quase cinco anos. Para nós, como para a vasta maioria dos seus visitantes, ir a Angola não era turismo, o que não invalidou que fôssemos turistas no país. Se falarem com alguém que tenha vivido em Angola nos tempos coloniais vão-vos falar de coisas que quem vive lá neste momento não consegue imaginar. Podem descrever Benguela, com as acácias rubras em flor, o autódromo, o Kalunga, o cinema ao ar livre. No Lobito, da sensação de ir de casa à praia a correr, descalço e de fato de banho, para depois regressar ainda a pingar mar. De Luanda, com a linha de comboio no interior da cidade, da vista desafogada para a ilha do Cabo. Da serra da Leba e os seus animais selvagens. Do Huambo, a antiga Nova Lisboa, com os edifícios incólumes, sem as atuais marcas de guerra. Os “antigos” contam-nos como o país mudou com a independência, mas principalmente com a guerra civil. E também mudou muito nos últimos quinze anos, a uma velocidade difícil de acompanhar, apesar da mais recente crise do petróleo. Não obstante as dificuldades, já quase estão esquecidos os tempos em que se esperava que chegasse aquele contentor que trazia os produtos preferidos de Portugal, para que comprássemos várias dúzias de tudo, porque, sabia-se lá quando viria o próximo contentor?

De 2009 a 2016 a Raquel viu o aeroporto crescer e modernizar-se, viu chegar a Afritaxi e os hipermercados Kero, com marcas como a Women Secret, Pedro del Hierro e Springfield a preços absurdamente caros, viu chegar o Espaço Casa, o Candando e o Kinda. Já o Tiago, de 2012 a 2016 fez obras em vários setores, desde aeroportos a hospitais, agências bancárias, lojas e apartamentos. Juntos, vimos as festas do Chill Out tornarem-se em produções de fazer inveja, replicadas até no Algarve, vimos festivais de música, eventos e iniciativas, como a Luanda Restaurant Week e o Gin Fest, novos restaurantes a aparecerem como pipocas, gente a chegar e muita gente a partir.

O turismo em Angola é quase inexistente porque o país, durante muito tempo, e talvez ainda hoje, não valorizou este mercado. Pelo contrário, fechou-se numa política de protecionismo extremo e desculpou-se na insegurança. A natureza, essa sempre lá esteve. E, ainda que ameaçada, sempre foi um convite aos mais ariscos e aos que já lá viviam, aos que não se fechavam e aproveitavam para conhecer o país. De carro, jipe, avião, barco, balão, kayak, com todos os meios possíveis.

O que ver:

Uma das maiores quedas de água de África está em Malanje, bem no centro do país. Durante muito tempo, os poucos hotéis existentes eram longe das quedas, desconfortáveis e pouco atrativos. Os restaurantes ofereciam os mesmos pratos todos os dias. Mas hoje, Kalandula já oferece alojamento mais perto, prometendo vistas para as quedas de água (nós não conhecemos, visitámos em 2015). Dentro do mesmo percurso também encontram as Pedras Negras de Pungo Andongo.

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Na Barra do Dande encontram um dos pontos de visita de referência mais próximos de Luanda, a norte da cidade. É um cemitério de barcos, que nem todos visitam porque ainda é assombrado pelas histórias de assaltos, mas que mostra grandes cargueiros abandonados no meio da praia, com muitas histórias e mitos para contar.

A sul de Luanda, a caminho da Barra do Rio Kwanza, encontram o Museu da Escravatura e o Miradouro da Lua, bem como as tartarugas que escolhem este local para desovar. O Rio Kwanza oferece alguns programas interessantes, como um passeio de barco onde se podem observar elefantes, jacarés, ou o cada vez mais raro manatim.

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Logo a seguir à travessia do rio Kwanza encontram o Parque Nacional da Kissama, com elefantes, zebras, girafas e a famosa palanca negra angolana.

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Continuando para sul, vão chegar a Cabo Ledo, o grande destino de surf de Angola. Não poucas vezes se vêem grupos de surfistas à procura das suas ondas. Para terem a certeza que não estamos a inventar, recomendamos a famosa praia dos surfistas. Fica a cerca de uma hora de Luanda e é quase selvagem, como um bom surfista gosta. Um pouco mais à frente encontram a praia de Cabo Ledo, para quem gosta de praias já com alguma estrutura.

Relativamente próximo de Luanda, mas já no interior, podem visitar Muxima e as suas peregrinações, ou Massangano, com a sua fortaleza onde é possível chegar de barco, bem como a terra natal de Agostinho Neto, o primeiro presidente do país.

A primeira igreja católica de África foi erigida no norte de Angola, no M’banza Kongo, o primeiro monumento património da UNESCO do país.

Ainda para sul, não se esqueçam de visitar os hipopótamos do Waku Kungu.

A Serra da Leba tem a estrada mais fotogénica de Angola, unindo o Namibe ao Lubango. No Namibe encontram as praias que faltam ao Lubango, que, para compensar, tem a fenda da Tundavala e o Cristo Rei.

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Entre o Namibe e a Namíbia temos o deserto do Iona, com as suas Welwitschias Mirabilis, o Tombua, uma antiga vila piscatória com uma indústria atualmente decadente, até chegar à Baía dos Tigres, bem no sul, antes de chegar à Namíbia.

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Regressando a Luanda, podem encontrar alguns museus, como a Fortaleza, Museu da Moeda e o enigma que é o Palácio de Ferro, com muitas histórias sobre a sua origem. Podem também dar um pulo ao Mussulo, perfeito para um domingo de praia.

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Fica aqui a referência a mais alguns pontos turísticos a visitar, conforme o gosto de cada um:

  • Fazendas de café, que até o vendem em cápsulas.
  • Porto Amboim e Sumbe, a caminho de Benguela e Lobito, onde encontram as praias da Baía Farta e da Caota. Benguela e Lobito são cidades que apaixonam à primeira, ao contrário de Luanda que precisa de tempo. 
  • O rio Keve e as suas quedas.

Não faltam grutas, rios, floresta virgem. Vão encontrar meninos pastores e mulheres a lavar roupa nos rios. Vão ver paisagens de tirar o fôlego e ser surpreendidos se estiverem predispostos a observar, mais do olhar. O país tem diferentes etnias pelas variadas províncias, como as mumuilas ou mucubais. Às vezes encontram-nos dentro das cidades ou na estrada, têm uma cultura diferente que deve ser respeitada.

Fica aqui uma nota final: temos poucas fotografias e de pouca qualidade porque nesta altura ainda não utilizávamos máquina fotográfica.