A história de Lisboa foi muito marcada por dois acontecimentos: o terramoto de 1755 e a mudança da corte para o Brasil. Este palácio junta as duas partes, contando a história da cidade e da corte, e ainda hoje é utilizado para receções.

Sabem aquele fascínio que muitas crianças têm na infância com príncipes, princesas e castelos? Portugal podia servir de inspiração para muitas novas histórias da Disney. Encontram-se belos palácios, princesas também houve muitas, e histórias de amores e desamores também não faltam, algo que existe sempre nestes filmes. Se gostam de saber como viveu a família real portuguesa têm de visitar este palácio. Se gostam de olhar para o rio Tejo ou procuram boas vistas têm de vir à Ajuda. Ao chegar junto do palácio basta olhar em redor para usufruir das melhores vistas rio da cidade.

Durante 250 anos a família real portuguesa viveu no Paço da Ribeira, mandado construir por D. Manuel I,  onde hoje é a Praça do Comércio. No entanto, foi todo destruído no terramoto de 1755. A família real sobreviveu ao sismo por estar em Belém, então decidiu que é ali que deve ser a nova residência oficial. D. José I mandou então construir o Real Paço de Nossa Senhora da Ajuda, no topo da colina e em madeira, o Paço da Madeira, ou Real Barraca, como era conhecido. Em 1794, surpresa das surpresas, este arde por completo e decide-se criar um novo palácio de raiz, em pedra. De um projecto inicial barroco, como o de Mafra, passa a neoclássico, e nunca é devidamente concluído. Napoleão decide invadir Portugal e a família real parte para o Brasil, levando a que os fundos comecem a faltar. A corte regressa em 1821 mas, ainda assim, a obra não é terminada. D. Miguel muda-se para o Palácio das Necessidades para que a obra possa ser concluída, mas a luta com o irmão D. Pedro, regressado do Brasil, pára a obra por completo. Hoje, mais de 220 anos depois, o Palácio vai ser concluído, encontrando-se já em obras. Temos alguma curiosidade para ver como se vai combinar o contemporâneo com o neoclássico.

A parte que conhecemos e é visitável, apenas cerca de 30 das 200 salas existentes, sofreu grandes mudanças nas mãos de D. Maria Pia e de D. Luis I, que o adaptam à época e aos gostos pessoais. A morte do rei altera a dinâmica do palácio, mas a viúva continua a morar ali. Após a implantação da república a rainha é obrigada a sair e parte em exílio para Itália, sua terra natal. O edifício é fechado e passa a pertencer à Fazenda Nacional. Abre ao público em 1968 como museu, algo que se conseguiu pelo cuidado que houve em preservar o interior. Neste momento, com o mecenato de entidades privadas, está decorado à época de D. Luis I. Pode parecer fácil manter o palácio tal como esteve outrora, mas na realidade é necessário recorrer a imagens, documentos históricos, arquivos, para perceber como era cada sala. Às vezes sentimos que quem decora os palácios à época apenas amontoa móveis, objetos decorativos, pendura uns quadros que acha que estariam naquele local, e o resultado são salas  demasiado cheias, desordenadas. Isto é algo que não acontece aqui, cada sala parece ter sido utilizada mesmo assim.

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A entrada não é feita como antigamente, pelo vestíbulo acessível pelo átrio nascente, mas sim pela Sala dos Archeiros. O átrio é circular, com 25 estátuas em toda a volta. Olhem para o tecto, vejam as abóbadas. O átrio dá acesso a um pátio gigante de onde se vê a parte do palácio que está por terminar. Nas grandes receções que ainda acontecem no palácio a entrada mantém-se pelo vestíbulo. Na Sala dos Archeiros começa-se logo por ver o tecto todo pintado com os escudos gravados.

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No piso térreo podem encontrar:

  • Sala dos Archeiros – a entrada dos turistas; vêem a bilheteira, a loja e a maqueta do que o palácio deveria ter sido.

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  • Sala do Reposteiro – é aqui que o Porteiro da Cana anunciava os visitantes. Trajava finamente e segurava a cana (uma vara).

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  • Sala Grande de Espera – é uma sala, enfim, grande, e com muitas cadeiras para os visitantes se sentarem enquanto aguardavam. Podia ser uma qualquer sala de espera, de consultório, de gabinetes, só que esta é cheia de pompa e circunstância.
  • Sala do Despacho – à quinta-feira o rei despachava assuntos oficiais, mas também era aqui que a rainha fazia festas para os filhos em ocasiões, como o natal e o carnaval. Foi recuperada graças a uma aguarela.

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  • Sala da Música – numa época em que saber tocar um instrumento musical era muito apreciado, os reis aqui não falhavam, esta era uma sala importante para os serões familiares. Está decorada para a finalidade, com vários instrumentos expostos.
  • Sala Azul – sala decorada a pedido da rainha e utilizada para ocasiões intimas, como jogos e espetáculos. A seda azul das paredes está esbatida, a sala já não parece azul, mas sim bege, acabando por ficar demasiado dourada.
  • Sala de Mármore –  ostenta uma fonte ao centro e paredes revestidas de alabastro. É talvez dos espaços mais bonitos do palácio. Servia como jardim de inverno ou sala de jantar para grupos pequenos. Há muito bambu e casas de pássaros, que são verdadeiras gaiolas-palácio.

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  • Sala de Jantar –  foi criada posteriormente, para que existisse uma sala de jantar no piso térreo. A mesa está posta, como sempre nestes museus.
  • Sala de Bilhar – uma sala escura, masculina, com pouca decoração. Centra-se no bilhar.

Salas encerradas neste momento (maio de 2019), devido às obras:

  • Sala Rosa – uma sala cheia de porcelanas, demasiadas diríamos nós, mas tem um aspecto muito feminino.
  • Sala Verde – aqui nasceu D. Carlos. Era o espaço privado da rainha, mas mais sóbria que a sala rosa.
  • Salinha Encarnada – uma sala mais pequena decorada com seda vermelha nas paredes, já gasta e rasgada. O tecto e o chão são bastante bonitos.
  • Quarto de Cama da Rainha – feito a pedido do Rei para agradar à futura esposa, revestido a seda azul.

Depois da escadaria vê-se o vestíbulo, onde se encontra um coche da época. A entrada principal fazia-se muitas vezes por aqui, como dissemos. Ainda hoje é utilizada em receções oficiais.

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A escadaria é bonita, cheia de relevos, e o tecto é impressionante, como muitos do palácio. Entre os relevos das paredes da escadaria é possível ver folhas, o escudo, jarras com flores e o brasão.

Piso Nobre

  • Quarto de Cama do Rei – mudou de piso a pedido médico no seu último ano de vida.

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  • Quarto de Trabalho do Rei – chegou a ser utilizada como sala de despachos.
  • Sala do Retrato da Rainha – tem um retrato de D. Maria Pia.
  • Sala das Senhoras do Corpo Diplomático – as mulheres dos diplomatas aguardavam aqui para cumprimentarem os reis.
  • Sala do Corpo Diplomático – os diplomatas aguardavam aqui até entrarem na sala do trono.
  • Sala D. João VI – uma antiga sala de baile, é uma sala grande com pinturas murais à sua escala, e dá acesso à sala do trono.
  • Sala do Trono – aqui sim, temos imponência. Estava a decorrer uma visita guiada e foi difícil ver a sala com detalhe.
  • Sala D. João IV – estamos a contar que esta sala abra este ano (2019) depois de ter sido fechada pela primeira vez em 2018 para restauro.

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  • Sala dos Grandes Jantares – sala ainda hoje utilizada pela Presidência da República. Aqui foi servido o banquete da aclamação de D. Miguel e o do casamento D. Carlos.

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  • Sala dos Archeiros (em dias de gala) – Utilizada para concertos ou exposições, como na altura da nossa visita.

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  • Sala Chinesa – Toda a decoração remete para a China, mas também mostra objetos do Japão. Gostámos muito das portas.

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Visitar:

A entrada normal custa 5€. Aos domingos até às 14h, para residentes, é gratuito. Por 12€ podem comprar o bilhete combinado com os Museus dos Coches.

Fecha às quartas-feiras e nos dias 1 de janeiro, domingo de Páscoa, 1 de maio, 13 de junho e 25 de dezembro. Tem estacionamento fácil e há transportes próximos, como comboios (pequena subida), autocarros ou elétrico (próximo da estação).

É possível marcar visitadas guiadas temáticas para o endereço de e-mail: servicoeducativo@pnajuda.dgpc.pt

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Na nossa opinião merece a visita, ficando a nota de que o site é muito incompleto para quem quer conhecer mais sobre história ou sobre as salas que visita, o que poderá ser compensado com uma visita guiada. Estamos curiosos para ver o resultado final das obras, principalmente porque o plano é expor o tesouro real na nova ala. Sabemos que há imensas peças que estão em reserva à espera de um espaço para ser expostas, como algumas jóias e os mantos com que os reis foram coroados.

365 dias no mundo estiveram no Palácio Nacional da Ajuda a 24 de março de 2019

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