Se gostam de trilhos e serras e já visitaram quase todas as de Portugal, está na altura de passar para as de Espanha. E Espanha tem muito a oferecer. Há um triângulo invisível formado por Plasencia, Cáceres e Trujillo, onde passa o rio Tejo, ou Tajo. Neste triângulo fica um parque natural gigante, habitado por aves de rapina.  O Parque Nacional de Monfragüe é reserva da biosfera e um paraíso para os amantes da natureza.

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Nas antigas batalhas algumas localidades foram destruídas e a ponte do cardeal era a única forma de cruzar o rio, tornando-a muito apelativa para ladrões, com quadrilhas que assaltavam à passagem na ponte. Com a guerra da independência o castelo e a ponte foram destruídos e, com as barragens, grande parte da zona da ribeira ficou submersa, dando lugar a esforços para construir uma fábrica de papel e substituir a mata autóctone por eucaliptos. Foi nomeado Parque Natural depois de anos de luta para que não se destruísse a mata. A sua mata serrada tornou-se a Meca dos amantes de aves. Milhares de turistas chegam para ver a cegonha negra, abutres e a águia imperial. A nós faz-nos lembrar o Canhão do Colca no Perú, apesar de a única grande semelhança ser mesmo a tração de aves gigantes pelo local.

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Se não quiserem caminhar, fazer trilhos ou subir até ao castelo, basta seguirem a estrada de carro e já conseguem estacionar em algumas zonas que permitem ver quanto baste. Estamos a falar de aves, por isso é preciso ter paciência para ficar a ver os voos. Nem todas as aves vão estar naquele momento em voo.

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Zonas de interesse:

Torreones: ruínas da fortaleza árabe que se pensa ter 5 torres.

Puente del Cardenal: o rio Tietar cobre-a a maioria do tempo. Foi construída a pedido do bispo de Plasencia para unir a cidade a Jaraicejo e Trujillo.

Castillo: são 134 degraus para apreciar a vista. Também é dos locais onde encontram mais gente, a seguir ao Gitano.

Salto del Gitano: a verdadeira atração para assistir ao voo das aves de rapina. Vêem-se muito bem as aves, encontram gente com grandes binóculos, com um pouco de sorte eles deixam-vos espreitar. A nós deixaram! Se estiverem de carro e forem avançando pela estrada vão encontrar outros locais onde as aves sobrevoam.

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Mirador Tajadilla: miradouro que faz parte do trilho amarelo.

Centro de Visitantes de Villarreal de San Carlos: se querem pedir informações é aqui.

Trilhos:

Rota vermelha: são 16km de 3 percursos circulares, a mais comprida do parque. A dificuldade é média e demora 5 horas. Passa pelo castelo e pelos Saltos del Gitano.

Rota verde: percurso circular de 7,9km, demora 2 horas e meia. Não tem grande dificuldade. Passa pelo Cerro Gimio.

Rota amarela: passa pelos Saltos de Torrejón e miradouro da Tajadilla. Demora 3 horas a percorrer.

Há outras rotas, mas algumas precisam de autorização.

Há rotas guiadas grátis. Podem optar por reservar por telefone (+34 927 199 134), presencialmente no Centro de Visitantes de Villarreal de San Carlos ou pela internet.

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O parque é grátis e está aberto todo o ano. É algo concorrido. Levem lanche e merenda. Podem não levar água, mas levem pelo menos uma garrafa para encher no caminho. Há zonas com passadiços, zonas de descanso com bancos e caixotes do lixo. Não esquecer, LEAVE NO TRACE – o que vai convosco, volta convosco. Não deixem nada para trás, o lixo fica nos locais próprios ou, se não encontrarem um caixote no caminho, voltem com ele e despejem no próximo.

Pode-se acampar, mas não faltam zonas de alojamento e restaurantes organizados.

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