Como já tínhamos dito, na semana santa fomos visitar a Extremadura, uma região que conhecíamos mal. Decidimos ver, não só as cidades grandes, mas também fazer alguns desvios para conhecer atrações naturais ou mosteiros. Foi assim que parámos em Cuacos de Yuste, num mosteiro onde viveu o rei D. Carlos I até morrer.

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O edifício foi construído em 1402 para servir de casa para os eremitas de la pobre vida, mais tarde designada por Ordem de São Jerónimo. O que deu fama a este mosteiro foi D. Carlos, rei de Espanha, que em 1556 decidiu que os seus últimos anos de vida seriam passados em reclusão. Carlos era herdeiro de várias casas reais europeias, foi rei de Espanha (Carlos I, primeiro rei de Espanha) e imperador do Sacro Império Romano Germânico (Carlos V). Nesta altura era o monarca mais importante da Europa, governador de um território gigante. Passou todo o reinado em guerra para conseguir manter o território e a religião, apesar de ser pouco ambicioso em conquistar novos terrenos. Abdicou do trono para o filho e do império para o irmão, motivado pelo cansaço e doença. Foi nessa altura que partiu para Yuste, obrigando o mosteiro a renovações, acabando por morrer em 1558.

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Para que o rei pudesse viver confortavelmente em Yuste e para que a sua equipa pessoal tivesse espaço, acabou por se acrescentar à igreja uma casa de dois andares para o rei. Cada piso com 4 divisões. O quarto do rei tem a particularidade de ter vista directamente para o altar, provavelmente para que este pudesse assistir às cerimónias do quarto nos dias em que estava mais debilitado. A ala oposta dá para a horta e para um tanque. O quarto é escuro, forrado a cortinas de veludo escuras. Tem algumas mobílias do rei e alguns quadros que representam os seus últimos dias. A sua presença no mosteiro trouxe vários visitantes ilustres, inclusive o seu filho, Filipe II, rei de Espanha.

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Voltando um pouco atrás no tempo, Yuste surge como mosteiro de 1408 a 1414 pelas mãos do Infante Don Fernando. Tem dois claustros, um gótico e um renascentista, e uma igreja. A igreja está unida ao claustro gótico do século XV. Tem em exposição alguns objetos sagrados, como quadros e esculturas. O refeitório é visitável e podem-se sentar para sentir como era almoçar ali nas mesas corridas.

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Na guerra pela independência o mosteiro foi incendiado e os monges expulsos. O mosteiro acabou por ser leiloado e ainda hoje é possível ver nas paredes fotografias de como estava em mau estado. É reconstruído de raiz e considerado bem de interesse cultural, principalmente por D. carlos ter morrido nas instalações. É a casa da Academia Europeia de Yuste que organiza o Prémio Europeu Carlos V. O jardim é muito bonito, e cuidado, todo florido, mas não visitável.

Vê-se muita gente a caminhar porque esta é uma zona de trilhos, que vão do mosteiro até às aldeias circundantes.

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Abre às 10h da manhã. Fecha às segundas-feiras, 1 e 6 de janeiro, 1 de maio, 24, 25 e 31 de dezembro.

O bilhete custa uns justos 7€ (2019). Nos dias 18 de maio, 12 de outubro, quartas e quintas-feiras à tarde, para cidadãos da UE ou da américa latina, a entrada é gratuita. Os horários grátis variam com a época do ano.

Os bilhetes podem ser comprados nas bilheteiras eletrónicas e há cacifos para que se guarde as mochilas mais volumosas.

365 dias no mundo estiveram na Extremadura de 17 a 20 de abril de 2019

 

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