Felizmente tivemos a inteligência de comprar bom calçado para a viagem que deu o pontapé de saída para este blog. Foram 5 meses na estrada pela América Latina, 10 países, dezenas de cidades. As botas de trekking foram a principal preocupação. Sabíamos que íamos andar em trilhas, às vezes na lama, que subiríamos montanhas, e  não queríamos bolhas nem dores.

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Temos botas de marcas diferentes, mas de corte semelhante. O Tiago usa palmilhas de compensação o que faz com que muitos sapatos fiquem demasiado justos depois de trocar a palmilha original pela que tem de usar. Na loja da REI, em Nova Iorque, encontrámos funcionários espetaculares, atenciosos, bem formados e preocupados. Depois de várias opções e de ter experimentado vários pares o funcionário indicou ao Tiago os modelos onde era possível escolher um formato “wide”, ou seja, mais largo. Isso fez toda a diferença, dando-lhe o mesmo conforto após a colocação da palmilha.

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A Raquel optou por comprar as dela na North Face do Porto, também após um atendimento excelente e de uma explicação lógica, semelhante à que já tínhamos recebido na REI, sobre a razão de ser mais aconselhada a compra de um modelo tipo bota e não um modelo tipo sapato ou ténis. Quando se pretende fazer trilhas do tipo do caminho inca até Machu Picchu, o suporte do tornozelo é importante. Um bom calçado, mas de cano baixo, não evita uma entorse, porque não suporta o tornozelo.

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Após a viagem só temos a dizer bem das botas. Nem sempre as atamos até ao último orifício, principalmente nos dias em que nos mantemos sentados durante horas num autocarro, porque torna-se desconfortável quando o pé incha e não há necessidade de irmos muito apertados. Sobreviveram a tudo, à lama, a quedas, às trilhas, desde que voltámos já foram ao Caminito del Rey, aos Passadiços do Paiva e às ilhas Ciés. Apesar de em dias de viagem usarmos as botas (para poupar espaço nas mochilas e peso às costas), em cidade deixamos muitas vezes as botas no alojamento, para secarem bem, evitando utilizar todos os dias.  

O restante calçado eram chinelos tipo havaianas, que tentámos usar o menos possível, e uns ténis normais. A Raquel tinha uns adidas que estavam todos moldados e que continuou a utilizar já depois da viagem, até novembro de 2018. O Tiago levou uns que já tinha, confortáveis e mais velhos.

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Outro tema que achamos muito importante é a escolha das meias. Não tivemos uma única bolha durante esses cinco meses, e teríamos todas as condições para ter se não nos tivéssemos preparado. Sempre que possível tirávamos os sapatos nas longas viagens (sem cheiros ou sem encostar à cara dos restantes passageiros). Os pés nunca estiveram molhados dentro das botas muito tempo (por exemplo, em Torres del Paine, durante o circuito W, trocámos de meias quando enfiámos os pés na água no segundo dia), as meias eram específicas para caminhada, mesmo quando utilizávamos ténis normais. Algumas eram de merino wool, outras da decathlon. Não levámos outro tipo de meias, só meias de caminhada. 

Como escolher as botas e as meias:

  • escolham uma loja que tenha uma oferta ampla, vários modelos e em que os funcionários vos saibam aconselhar;
    • um bom funcionário sabe o tipo do botas, os componentes que têm e o ajuste certo para que sejam confortáveis;
  • as botas têm que ser impermeáveis;
    • podemos falar de botas de materiais respiráveis se falarmos de ambientes mais quentes, mas uma viagem de mochila às costas geralmente abrange vários climas e trekkings que atravessem riachos;
  • devem ser de cano mais alto, de forma a cobrir o tornozelo, ajudam a suportar mais peso;
    • se falarmos de caminhadas mais curtas, sem mochila às costas podemos falar de modelos mais leves e mais curtos;
  • se usam palmilhas levem-nas no dia da compra;
  • experimentem-nas nas lojas já com umas meias de caminhada e caminhem uns minutos, devem sentir o pé confortável, mas ajustado;
    • uma loja como a REI deixa-vos confortáveis para vaguear na loja;
  • o ideal é ir experimentar ao final do dia, o pé vai estar mais inchado;
  • devem saber apertar bem as botas, para que os atacadores não cedam, peçam aos funcionários dicas de como as atar;
  • as meias devem ser de lavagem e secagem rápida;
  • tecidos merino wool ou equivalente são o ideal;
    • no início vão sentir o pé muito apertado com a meia, têm várias zonas de ajuste e reforço na biqueira e no calcanhar; 

Façam a escolha que fizerem não se esqueçam: boas meias e bom calçado fazem a diferença.