Viajar é mais do que comprar o bilhete, reservar estadia ou atrações, fazer a mala e embarcar. É emoção, contratempos, aprender sempre algo novo. A momondo perguntou-nos qual a experiência em viagem que nos fez crescer e mudar de vida.
Pensámos bastante e, inicialmente, não nos ocorria nada. Primeiro, porque aconteceu tanta coisa na nossa vida, algumas aventuras mais doidas durante a viagem com mochila às costas pela América Latina e alguns contratempos noutras viagens, e talvez nenhuma situação sozinha nos tenha feito mudar de vida, mas sim todas juntas.
Lembramos-nos, por exemplo, em Bocas del Toro, Panamá. A desilusão que foi perceber que o turismo de massas pode danificar o planeta para sempre. Não que não soubéssemos, mas só quando a realidade choca connosco é que interiorizamos o que acontece. Então, estamos a falar de quê?

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Em Bocas del Toro, na Isla Colón, há uma praia que devia ter, aliás, que já TEVE muitas estrelas do mar, chamando-se Playa de las Estrellas. Devia ter e já não tem porque, apesar de existirem na entrada da praia e nos bares/restaurantes placas a advertir para não se tirar as estrelas do mar da água, QUASE TODOS OS TURISTAS o fazem. Retiram-nas para tirar fotos, fazem desenhos com conjuntos de estrelas dentro de água, passam-nas aos amigos para fotos em cadeia, ou ainda pegam nelas e abanam-nas na linha de água, para dizerem que não as estão a tirar do mar. Experimentem ir ao Instagram e pesquisar #playadelasestrellas e sintam-se tão desiludidos quanto nós. Vamos lá ver se nos entendemos, as estrelas do mar não se juntam na água de forma a fazer desenhos, não desenham corações, linhas, ziguezagues, se é assim que elas estão nas fotos, então alguém lhes mexeu para as posicionar. Não temos o direito de tocar nos animais, principalmente os que são selvagens e estão no seu habitat natural. Os animais não estão habituados ao contacto humano, nem devem habituar-se. Os nossos protectores solares têm químicos que matam corais e que afectam a vida marinha. O nosso toque incomoda os seres vivos. Por isso não podemos tocar nos animais. O que se vê em Bocas é vergonhoso e serviu para ganharmos consciência, também nós, que já tivemos algum comportamento deste tipo noutro destino qualquer. Desde esse momento temos mais convicção em impedir alguns comportamentos. Não fazemos snorkel em tours que atraem peixes com bolachas, não tiramos fotografias com animais em pose, como os tigres na Ásia, temos algumas reservas quanto aos banhos aos elefantes, e começamos a pensar se temos o direito de ir a todo o lado deixar a pegada humana que nos caracteriza. Fala-se em corais destruídos porque são pisados por turistas que, em vez de nadarem, caminham sobre o recife. Fala-se em campos destruídos na Islândia porque os turistas saem dos trilhos assinalados e acham que está certo ir para o meio do campo tirar umas fotografias para as redes sociais. Nós vimos leões marinhos a brincarem com colheres de plástico em ilhas desertas nas Galápagos. Vimos, na Costa Nova, turistas acharem que está certo abrirem as cancelas de casas privadas para tirarem uma fotografia junto dos palheiros. Vemos lixo em cada vez mais locais, lixo que geralmente está relacionado com o turismo.

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