Ao reservarmos 3 tours na mesma empresa passámos a estar na mira publicitária da agência. Ainda no primeiro dia de viagem na Islândia, recebemos um e-mail a dizer que no dia seguinte havia forte probabilidade de vermos as luzes do norte e que eles tinham o tour perfeito, com os guias mais experientes. Dispensámos o tour, mas ficámos atentos. A Raquel instalou a primeira app e fomos vendo. Estávamos no oeste da Islândia, de manhã tínhamos feito o tour dentro do glaciar – Into the Cave.

O dia foi avançando e a probabilidade, segundo a app, era uns míseros 27%. Continuámos a pesquisar outras app, porventura tivessem uma probabilidade mais elevada, e chegámos a uma que funcionava com avisos de pessoas que tinham visto as luzes próximo de nós. Definimos um raio de 50km, intensidade média, e esperámos.

A Guesthouse Steindórsstadir, em Reykholt, que recomendamos, estava por nossa conta e tinha uma hot pot tipicamente islandesa. Para quem não conhece, é uma espécie de jacuzzi sem jatos. Ainda nos imaginámos lá dentro, a beber a garrafa de vinho enquanto víamos a aurora boreal, mas o inverno chegou por estes lados. O dia esteve sempre gelado e, principalmente, extremamente ventoso, tornando impossível utilizar a “piscina”.

Já tínhamos jantado e, como a probabilidade não era boa, estávamos a pensar ver uma série, quando o telemóvel da Raquel deu sinal. Alguém tinha visto uma aurora a 46km. O Tiago saiu à rua e viu o que imaginou ser o primeiro sinal de que elas vinham aí (reforçamos que é a primeira vez que vimos auroras, portanto não sabíamos bem o que procurávamos).

Vestimo-nos à pressa, a Raquel equipou-se à séria com várias camadas de roupa, e lá fomos nós, de máquina e tripé para o jipe. Encontrámos o que considerámos ser um bom local e estacionámos. É importante escolher um local isolado, sem luzes, onde não passem carros. Se não conseguirem um sítio totalmente sem luzes, pelo que sejam estáveis, sem oscilações de intensidade, para conseguirem fotografar sem serem importunados.

Montámos o tripé e o vento arrastou-o, ainda a máquina não estava encaixada. Não desistimos, o Tiago preparou tudo, recorremos ao carro para cortar o vento e… capturámos a nossa primeira foto de uma aurora boreal. Era verde, como em todas as fotos que vimos, apesar de no céu ainda ser branca, sem grande intensidade. Ficámos alguns minutos extasiados e gelados a brincar com a máquina. O dia estava ventoso e parecia que as arrastava freneticamente, com movimentos rápidos. A intensidade foi aumentando e, agora sim, a aurora surgia verde, por vezes até rosada. As luzes rodopiavam pelos céus como se estivéssemos perante um filme de ficção científica, com uma “força” voadora sobre nós.

Nada nos prepara para a nossa primeira aurora boreal. É mágico, melhor que a expectativa, e imponente. A nossa primeira sessão de aurora boreal não podia ter sido melhor. Se a viagem acabasse nesse dia, já tinha valido a pena.

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Tivemos a sorte de ver as Luzes do Norte quatro dias seguidos. Nos dias seguintes, apesar de a intensidade das auroras ter diminuído, não conseguimos voltar a ver porque as nuvens esconderam, apesar de lá estarem. Todas as noites foi diferente, numas, a aurora foi maior, noutras, teve mais movimento ou mais cor. Vimos todas as noites com a emoção do primeiro dia. Mais tarde conseguimos voltar a apanhar um dia com auroras, já no este da Islândia, mas com menos intensidade.

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365 dias no mundo estiveram na Islândia de 23 de outubro a 7 de novembro de 2019

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