Reykjavik não é uma cidade onde os turistas queiram passar muito tempo, não porque não seja agradável, mas porque se sente que todo o tempo na capital é desperdiçado. O país tem tantas paisagens naturais que toda a gente quer andar à procura de cascatas, em vez de passear à caça de souvenirs pelas ruas da cidade.

Nós não pensamos de forma muito diferente, mas organizámos a viagem de outra forma. A nossa primeira manhã na Islândia em Reykjavik foi passada à beira-mar, a assistir na Harpa ao ensaio da Orquestra Sinfónica Islandesa. Logo aí, uma obra de arte urbana chamou-nos à atenção durante o percurso. Fica na empena de um edifício e talvez tenha sido encomendada propositadamente para o local.

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Percebemos logo nessa manhã que é uma cidade muito rica em arte urbana, com uma qualidade que apreciamos. Decidimos que no nosso regresso faríamos um percurso a pé em busca da street art de Reykjavik. Há muitas mais obras do que as que conseguimos ver e fotografar. Encontram-se espalhadas pela cidade e são fáceis de encontrar. Se andarem pelo centro turístico da cidade já vêem muito, mas há também obras espalhadas pela zona do porto e beira-mar. O festival Airwaves tem impulsionado a criação desta arte urbana pelos edifícios, principalmente nas edições de 2015 e 2016. O projeto chama-se Wall Poetry e é uma parceria entre o festival Iceland Airwaves e o Urban Nation, uma instituição de arte alemã.

Collaborations for Wall Poetry 2015
DEIH XLF + Vök, Evoca1 + Saun & Starr, Ernest Zacharevic + Dikta, Li-Hill + John Grant, Elle + Úlfur Úlfur, Caratoes + Ylja, Tankpetrol + GusGus, Telmo Miel + Mercury Rev, Ugly Brothers + Gísli Pálmi, D*Face + Agent Fresco and Laxdæla.

Collaborations for Wall Poetry 2016
Phlegm + Múm, Dotdotdot + Reykjavíkurdætur, Herakut + Kronos Quartet, Don John + Silvana Imam, Lora Zombie + Warpaint, Heather McLean + Minor Victories, Onur & Wes21 + Of Monsters and Men, Ino + Samaris, Strøk + Mammút, extra wall: Lora Zombie.

Logo em Frakkastígur temos a fachada de Brauð & Co. É nesta padaria onde devem comer os cinnamon rolls.

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Daqui cruzámos para Njálsgata e vemos uma obra que não estava identificada no mapa que nos orientava, junto com o pássaro de Sara Riel, uma artista islandesa. Há uma “competição” saudável entre artistas preteridos pela Wall Poetry, que vão oferecendo a sua mão de obra a privados, criando novos murais, como foi o caso de Sara.

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Onde fica a loja islandesa Skúmaskot, uma espécie de galeria gerida por artistas e designers locais, têm uma “cobra” dragão colorida pintada no chão.

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Em Klapparstígur encontram um edifício que tem todas as paredes pintadas, com o olhar a centrar-se na figura de um leão. Vimos, com pena, que está vandalizado.

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Um pouco mais abaixo, as frutas e o edifício da marca Mjúk, uma marca familiar de lãs. A fachada da Mjúk é uma colaboração entre o belga Caratoes e a banda islandesa Ylja. O mural é inspirado na música Óður til móður.

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Em Laugavegur, a rua que cruza o edifício da Mjúk, encontram várias obras nos edifícios, mas que já em si tem graça por ser pintada e decorada com bicicletas. No cruzamento com Smiðjustígur vê-se a garagem pintada e fomos surpreendidos com um edifício com uma fachada que faz lembrar uma cara e que já atualizou o seu desenho.

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É preciso andar devagar, porque algumas das pinturas mais giras estão escondidas em pátios interiores ou em ruas sem saída, como são exemplo estas duas abaixo.

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De Lækjargata, junto à estátua, vê-se a obra abaixo.

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No caminho para o porto, onde íamos almoçar, que percorremos a pé, encontrámos outras obras:

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A cidade tem muito mais obras e alguns murais vão desaparecendo para dar lugar a outros. Sentimos, tal como em Lisboa, que Reykjavik está em constante mutação. Abrem novos espaços, fecham outros, constroem-se novos edifícios, alteram-se ruas, e isso faz com que a cidade mude muito rápido. Se forem ao Google Maps não encontram nenhuma destas obras nas fotos do google.

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Seguimos o mapa que está neste link.

365 dias no mundo estiveram na Islândia de 23 de outubro a 7 de novembro de 2019

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