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O QUE FAZER EM VENEZA (ITÁLIA)

Veneza é a cidade dos canais, das gôndolas, do carnaval e dos turistas. Ganha pela sua peculiar distribuição 50-50 por via terrestre e aquática.

Fomos a Veneza, yeah! Ainda nenhum de nós tinha ido, e como queríamos mesmo, mas mesmo passar a passagem de ano fora pensámos: Porque não? E lá fomos.

A lagoa de Veneza e parte da cidade são património UNESCO. São 117 ilhas separadas canais, mas unidas por pontes. Originalmente terá começado pelo agrupamento de refugiados de outras regiões de Itália que fugiam das invasões germânicas, apesar de se pensar que já existiam pescadores na lagoa. Veneza foi a capital da República de Veneza, uma potência marítima da idade média e do renascimento e foi uma cidade rica durante vários séculos graças ao comércio da seda, fibras e especiarias. Artisticamente também foi muito importante, por exemplo no renascimento. Podemos dizer que Portugal ajudou a fazer cair Veneza, já que a descoberta do caminho marítimo para a Índia e a chegada às Américas vieram reduzir o comércio no Veneto. Deslocando os portos comerciais Veneza teve que lutar com a Turquia pelas rotas por terra. Depois Napoleão invadiu a ilha e dividiram o espaço entre França e império Austro-húngaro.

Veneza é um local idílico de Itália, muitos consideram romântico, outros gostam pela folia do carnaval, há quem visite a Bienal ou o Festival de Cinema, é uma das paragens dos cruzeiros e uma das cidades onde mais se fala do excesso de turismo.

Excesso de turistas?

Até à pandemia Veneza vivia aquele momento que muitos dizem viver em Lisboa, e se achávamos descabido achar que temos na capital portuguesa turistas demais, mais achamos agora, depois de ter estado na cidade italiana. Falamos de quê? De como morador não se conseguir usufruir da sua cidade porque está toda voltada para o turismo. Isso faz sentido em Veneza, porque no fundo falamos de ilhas separadas por canais, ruas estreitas, unidas por pontes, duma deslocação necessária para tudo, inclusive compras, idas ao hospital muitas vezes mais fácil pela lagoa do que por terra. Diríamos que reconhecem um morador de Veneza pela forma ágil como carrega com carrinho de compras pelas ruas estreitas e como o maneja para subir com ele os degraus que levam às pontes. Lisboa está a anos luz disso.
Porque dizemos até à pandemia? Porque Veneza parou em 2020 como parou quase todo o mundo. Deixando de haver turistas, fecharam grande parte das torneiras financeiras que alimentam a cidade, mas também reduziu o fluxo diário de gente que deambula, que lhes entope os canais em gôndolas e que pára para tirar fotos nos seus vestidos coloridos escondidos em mochilas ou por baixo de casacos. Chegaram a testar torniquetes para controlar o acesso à praça São Marcos, introduziram taxas turísticas diárias altas, mas o que vimos foi uma certa conformação de que o turista incomoda, mas dá jeito. E que sem ele 2020-21 foi um longo período difícil. De qualquer forma, deve entrar em vigor antes do verão a pré-reserva de entrada em Veneza. Todas estas medidas servem para tentar reduzir o turista que vem só por um dia. Não trazendo grande mais valia para a economia.
Falando em pandemia e viajar, apesar de falarmos de Europa, e todos sabermos que o cartão Europeu de Seguro de Doença funciona relativamente bem dentro na UE, nós gostamos de fazer seguro. Principalmente agora desde que temos a Maria, sem dúvida que o seguro é a prioridade. Nunca se sabe quando precisamos dum pediatra ou quando preferimos ir a um hospital privado (o CESD só funciona no público). O seguro que nós fazemos é da IATI e com o nosso link têm 5% de desconto.

O que visitar

Muita gente foca a sua ida a Veneza à Praça São Marcos, e dando a volta aos seus edifícios e vendo as pontes Suspiro e Rialto considera que viu tudo. Há mais. Veneza deve ser desfrutada nas ruas, palmilhando, mas com algum critério para não andarem às voltas sempre nos mesmos bairros. Esqueçam os cais famosos para as fotos do Instagram, há imensos onde podem fotografar. É importante conhecerem os bairros para perceberem do que falamos e onde ficam.

mapa veneza

San Marco

É o bairro onde muita gente se concentra dizendo que já conheceu Veneza, já que inclui a Ponte Rialto e a Praça São Marcos. Também abrange o Ilheu de São Jorge Maior.

Piazza San Marco

A única praça de Veneza e segundo Napoleão “o salão mais bonito da Europa”. É do século IX. Aqui ficam a maioria dos pontos de interesse da cidade, havendo quem não visite mais nada. Sugerimos que programem a vossa estadia para passar aqui algum tempo. Aqui ficam o Campanile (o campanário da basílica) e a Torre dell’Orologio. Também fica aqui o café mais caro da Europa, no Café Florian, não sabemos se a informação é verdade mas foi-nos dita na Free Walking Tour.

A praça está no ponto mais baixo, por isso a acqua alta tem imagem de marca aqui. Já agora, a acqua alta não tem a ver com as chuvas de inverno, mas sim com a subida das águas do Adriático. O fenómeno acontece cem vezes por ano geralmente no inverno e primavera. Há anos que marcaram Veneza, em 1966 subiu 1,94m e em 2008 subiu 1,56m. Na praça são colocados uma espécie de passadiços elevados para que os turistas consigam visitar a praça. O fenómeno com valores de subida de águas tão dramáticos irá acontecer cada vez menos, pois o governo italiano conseguiu concretizar o projecto MOSE, umas barreiras invisíveis que sobem para “parar” as águas em caso de elevação do nível de água na lagoa.
Nota: é proibido comer e beber na praça, e claro, alimentar os pombos.
Durante a nossa visita havia obras na praça, temos poucas fotos porque havia barreiras metálicas, sinalização e outras coisas não fotogénicas.

Basilica di San Marco: vale mesmo a pena entrar, apesar de ter passado a ser paga agora em 2022. A basílica é uma obra bizantina impressionante. Tivemos um deja-vu e regressámos mentalmente à Turquia. Istambul ou Constantinopla que foi capital do império bizantino tem muitas igrejas com essa arquitectura (por exemplo Agia Sophia ou Chora), Disseram-nos que o bilhete a comprar é o do Museo e Loggia Cavalli que custa 7€, à porta. Ficam a ver a basílica do mezzanine. Nós gostámos muito da Pala D’Oro (o retábulo) e achamos que vale a pena pagar para entrar. Podem sempre ir à missa, que é grátis.

Há vários preços, dependendo se comprarem à porta ou se tiverem comprado na internet para não esperarem na fila. Recomendamos gerir com a época em que visitam a cidade. Crianças pagam a partir dos 7 anos. Têm de escolher hora de visita.

Pala D'oro, basilica São Marcos Veneza

Preço skip the line San Pietro:

  • Basilica Cattedrale di San Marco ingresso 6,00 €
  • Basilica e Pala d’Oro 12,00 € 
  • Basilica e Museo e Loggia Cavalli 15,00 € 
  • Basilica completo – full ticket (Basilica, Pala d’Oro, Museo e Loggia Cavalli) 20,00 € 
  • Campanile di San Marco 12,00 € 

Preço normal à porta San Clemente ou nas bilheteiras interiores:

  • Basilica Cattedrale di San Marco 3,00 € 
  • Pala d’Oro 5,00 € 
  • Museo e Loggia Cavalli 7,00 € 
  • Campanile di San Marco 10,00 € 

Campanile: a torre sineira tem 99 metros de altura e permite vista panorâmica sobre a praça, mas já falaremos de vistas panorâmicas, não é a melhor. Foi o protótipo de todas as torres sineiras da lagoa. Colapsou em 1902, mas foi reconstruída exatamente como era. Precisam de escolher a data de visita.

campanille Veneza

Torre dell’Orologio: este icónico edifício da praça data do século XV. O seu relógio é diferente, tem os signos e divide-se não em 12, mas em 24 horas. As visitas são guiadas em italiano, inglês ou francês. Custa 15€, e o preço reduzido é 12€. Menores de 6 anos não são admitidos. Vejam no site os horários das visitas, para escolher.

torre dell'orologio veneza

Palazzo Ducale: é um exemplo arquitectura gótica, mas que foi agregando outros estilos nas consequentes renovações. Foi reconstruído após vários incêndios, e albergava apartamentos, governo, prisões. Após o século XVII separou-se a cadeia do edifício principal. Ficaram unidos pela Ponte dos Suspiros. É aqui que começa um equivoco muito comum em Veneza. Há imensa gente que acha que são suspiros de amor, e pedem em casamento a outra metade em passeios de gôndola debaixo da ponte (histórica verídica acontecida durante a nossa estadia). Gente, são suspiros de “último suspiro”, de passagem para uma vida no cárcere. Após a queda de Veneza e após ter passado pelas “mãos” francesas e austríacas foi albergando diversas entidades públicas. Já averbada a Itália é reconstruído e abre como museu.
Podem comprar bilhete para todos os museus da praça. Este bilhete custa 30€, ou 15€ (bilhete reduzido), também podem comprar o Museum Pass para dez museus da cidade. Este bilhete custa 41€, ou 23€ (bilhete reduzido). Os museus da Praça São Marcos são o Palácio Ducal, o Museu Correr, o Museu Arqueológico Nacional, e a Sala Monumental da Biblioteca Nacional Marciana. Se comprarem na bilheteira tem a validade de 24 horas para visitarem todos os museus (recebem logo os dois bilhetes- Palácio Ducal e Museu Correr). Se comprarem pela internet têm de escolher o data, entre os próximos 3 dias.
Parece-nos que o bilhete mais interessante para comprar do Palácio seja os itinerários secretos, são uma visita guiada. Custa 33€ ou 21€ (bilhete reduzido), este tour não é acessível nem recomendado a grávidas. São aceites crianças a partir dos 6 anos.

Ponte dei Sospiri: é uma das pontes mais famosas de Veneza. Construída em 1600 para unir o Palácio Ducal (com salas de interrogatório) às novas prisões. É desenho de Antonio Contino e de estilo renascentista. Várias cidades do mundo adoptaram o mesmo nome para baptizar as suas pontes, como por exemplo Oxford, que chama à ponte que une os dois edifícios do Hetford College, Bridge of Sighs. Falamos nisso no nosso roteiro a Oxford.

Curiosidade: Giacomo Casanova não deu o seu último suspiro de desespero ao atravessar a ponte. Condenado a 5 anos de cadeia em 1755, por ter uma vida um tanto ou quanto pouco recomendável, chegou à prigioni cheio de planos e vontade de escapar. Conseguiu fugir fazendo um buraco no tecto. Mais tarde escreveu sobre isso.

Museo Correr: Napoleão decide demolir uma igreja que existia na praça e criar um edifício que a fechasse. Nasce assim a Ala Napoleónica, hoje com a Procuradoria Nova alberga 3 museus: Museu Correr, Museu Arqueológico Nacional e as Salas Monumentais da Biblioteca Marciana. O edifício começa a sua construção durante o império de Napoleão, mas só ficou concluído já durante o domínio austríaco, tornando-se a residência dos Habsburg quando visitavam a cidade. Visitarão os aposentos de Sissi, a imperatriz austríaca, se entrarem no museu. Esta residência real tem um estilo diferente do Palácio Ducal, mostrando uma vontade de marcar uma nova era na cidade.
Correr era um amante de arte e grande coleccionador. Doou o seu acervo à cidade com regras explícitas de como teria que ser gerido. Em 1922 o Museu Correr foi transferido para a Ala Napoleónica e Procuratie Nuove.
No preço inclui-se o conjunto Praça São Marcos (excepto Torre do Relógio) por 30€, ou 25€ se comprarem online com mais de um mês de antecedência. Se comprarem na bilheteira recebem logo o bilhete para o Museu Correr e o Palácio Ducal. Nós com a Free Walking Tour perdemos a oportunidade de entrar, mas também não tínhamos planeado ir. Ficámos com medo que fosse um excesso de museus para a Maria.
Disseram-nos que vale a pena ir ao Café e não precisam de ter bilhete para lá entrar.

palacio ducal veneza

Museo Archeologico Nazionale: fica na Praça São Marcos e está incluído no bilhete de 30€, através do Museu Correr. Foi fundado em 1523 pelo Cardeal Dominico Grimani que doou à cidade a sua colecção particular. Tem um acervo de esculturas, moedas, cerâmicas, bronzes e gemas.

Biblioteca Nazionale Marciana: fica em frente ao Palácio Ducal, na Piazzetta San Marco. O Palácio foi iniciado em 1537 para albergar a coleção do cardeal Bessarione. A coleção de livros foi aumentando porque recebeu as obras de mosteiros da região e todas as editoras tinham que doar uma cópia de cada livro editado. Pelo Museu Correr, têm acesso às Salas Monumentais da Biblioteca, Ala Napoleónica, e o bilhete está incluído no geral dos museus da praça de São Marcos. É através das salas monumentais que se consegue visualizar a grandiosidade e beleza da obra de Sansovino. Está incluído no bilhete de 30€, entrada pelo Museu Correr.

Caffè Florian: O café abriu em 1720 com o nome Alla Venezia Trionfante, mas rapidamente passou a ser conhecido pelo seu dono, Floriano. O site diz tudo, ninguém entra no Florian pela qualidade do café, mas tal como se faz em diversos cafés históricos nesse mundo fora (A Brasileira, em Lisboa, o Majestic no Porto), entra-se pela experiência de uma vida. Não venham aqui se quiserem beber café, venham se quiserem conhecer o espaço e sentirem-se clientes como fizeram burgueses, empresários, políticos, comerciantes ou nobres. Para terem noção dos preços, um expresso custa 7€, um chocolate quente 15€, um chá custa entre 12,5 e 15€ e um spritz 16€. Os croissants, por exemplo, custam 3€. Há pequeno-almoço, brunch ou chá da tarde, mas os preços começam nos 38€.
Dica: Por incrível que pareça, não cobra a utilização das casas de banho, por isso mães com bebés, é um bom sítio para trocar fraldas. A maior parte dos sítios não tem muda fraldas e as casas de banho são públicas e pagas.

Colonna di San Marco e Colonna di San Todaro: as colunas ficam viradas para o Grand Canal na Piazzetta San Marco entre o Palácio Ducal e a Biblioteca Nacional. No natal ficava aqui a árvore de natal. A coluna San Marco representa o santo em forma de leão alado, representando a Serenissima e San Todaro que dá proteção à cidade. Reza a lenda que eram três colunas, cada uma transportada num barco e um naufragou. Um veneziano não passará no meio nem parará entre elas, já que aqui muitos presos foram enforcados ou esquartejados aqui. Têm vista para a ilha de São Jorge.

Fora da Praça São Marcos

Giardini Reali: se quiserem caminhar num jardim, têm este. Fica junto ao canal e é de acesso gratuito. Nós estivemos aqui com a Maria a descansar e a deixá-la correr um bocado, já que é difícil junto aos canais e entre as ruelas.

Se quiserem apanhar uma gôndola por 2€ fica logo a seguir. Há vários na cidade, só precisam de procurar no mapa Gondola-Traghetto. Nós fizemos o Dogana até à Basílica de Santa Maria della Salude. A fachada da basílica estava em obras.
Nota: a viagem não é confortável, já que vão sentados nas beiras laterais da gôndola.

Museo della Musica: fica na Chiesa San Maurizio, virada para a ponte que leva até ao Campo de São Estevão. Não se sabe muito sobre a sua história, mas é referida em documentos de 1088 e sabe-se que foi reconstruída em 1580. Em 1806 foi demolida e reconstruída. O museu dedica-se a homenagear a arte de fabricar instrumentos de música. Os seus artesãos construíam principalmente violinos. Abre todos os dias das 10 às 20 e fecha das 13 às 15h. O audioguia custa 5€ e os tours privados 20€.

museo della musica veneza
Museu da Música e Torre Sineira de Santo Estevão

Chiesa di Santo Stefano: é do século XIII, de estilo gótico e tem obras interiores de Canova e Tintoretto, mas é o campanário que a põe nesta lista. A sua torre sineira tem uma inclinação indiscutível. Se forem ao museu da música, vêem logo que a torre tem algum problema. Em Veneza é fácil encontrar edifícios inclinados porque os solos estão a ceder, esse é um dos problemas da cidade, lentamente afunda-se.

Teatro La Fenice: dois incêndios abalaram a cultura da cidade, desfazendo o teatro que foi construído entre 1790 e 1792. O nome tem exactamente o simbolismo de mostrar que tem a capacidade renascer das cinzas. Abriu em 2003 completamente renovado com uma semana de concertos. O grande evento anual ocorre com pompa e circunstância e é o Concerto de Ano Novo, transmitido na RAI (canal estatal). O concerto termina sempre da mesma forma, com a famosa ária “Libiamo ne ‘lieti calici” da Traviata de Giuseppe Verdi. Passámos em frente neste dia e podemos dizer que é bem frequentado.
O incêndio de 1996 que o destruiu complemente foi intencional, os electricistas percebendo que não iriam terminar a tempo decidiram criar um contratempo para ganhar uns dias… O contratempo tornou-se um incêndio de grandes dimensões e nada se salvou. O teatro foi reconstruído segundo o lema com’era, dov’era, ou seja tal como era e onde estava.

Gelataria Suso: esta gelataria da moda estava às moscas quando lá passámos. Fica perto da ponte de Rialto, por isso são gelados muito fotografados com vista para a ponte.

T Fondaco dei Tedeschi Rooftop Terrace: temos muito a dizer aqui, apesar de à primeira vista parecer só um centro comercial de luxo.
História: já em 1225 existia um edifício onde comerciantes alemães faziam os seus negócios. Um incêndio e mais tarde Napoleão trouxeram contratempos aos comerciantes. O edifício esteve abandonado até ser transformado na Central dos Correios de Veneza. Já nos anos 2000 foi comprado pela Edizione Property que contratou Rem Koolhaas e o estúdio OMA para a sua renovação. Abriu portas em 2016. Vale a pena visitar o edifício de 4 pisos, mas provavelmente não é um espaço onde os comuns mortais gastem o seu dinheiro.
Rooftop: este centro comercial é conhecido pela sua vista panorâmica, gratuita, mas que exige reserva no site. Está sempre esgotado. Marquem assim que decidirem as vossas datas de viagem. O calendário abre com 21 dias de antecedência e as visitas são de 15 minutos.

T fondaco dei tedeschi veneza

Dica para famílias: Se têm um bebé ou crianças muito pequenas passem por aqui. Podem mudar a fralda sem pagar (os WC’s em Veneza são públicos e pagam-se), mas há mais. Existe toda uma secção infantil com zona de amamentação e alimentação e até para brincar. Esta zona é acessível a partir do atendimento ao cliente, eles é que vos abrem a porta.

Isola di San Giorgio Maggiore

Abbazia San Giorgio Maggiori: em frente à bacia de São Marcos temos a basílica de São Jorge Maior. Começou por ser um mosteiro beneditino. Com a queda da república, a ocupação francesa e austríaca o mosteiro perdeu grande parte das suas obras de arte. Chegou a ser um depósito de armas. Em 1961 Vittorio Cini reforma a abadia e cria uma fundação em memória do seu filho Giorgio, que perdeu a vida num trágico acidente. Os monges hoje pertencem à Abadia de Praglia. Fazem-se visitas guiadas em inglês e italiano, são solicitadas no campanário.

Campanile San Giorgio: desmoronou duas vezes, e foi reconstruída, a ultima vez em 1791. O anjo da torre sineira da praça de São Marcos gira, este não. São seis sinos, que só tocam todos juntos aos domingos às 10.45. O Campanário de São Jorge Maior é a melhor vista para a Praça São Marcos, e permite uma visão 360º na lagoa. Não podemos comprovar, não tivemos tempo de visitar, mas foi o que nos disse a guia da Free Walking Tour por Veneza.
Temos duvidas no preço, mas parece-nos que o preço actual (janeiro de 2023) é de 8€, lemos nos comentários que não aceitam pagamento com cartão, só dinheiro. Tenham atenção. É preciso ir de vaporetto o que encarece a visita em 9,5€ (bilhete para ser usado em 75 minutos) ou 25€ se comprarem um de 24h, o que recomendamos, para combinarem com Murano ou Burano (talvez 24h seja pouco, por 35€ há cartões de 48h).

Visit Cini: Vittorio Cini não renovou só a basílica de São Jorge Maior, criou um “mundo” à parte no ilhéu. É necessário reservar a visita e comprar os Tours guiados pela internet. O ponto de encontro para os Tours é no café e todas as visitas têm a duração de 50 minutos e incluem audio-guia.

Fundazioni Cini: o ideal é ir ao fim de semana para podem visitar a biblioteca Longhena, para além do claustro do Palladio, o refeitório Palladiano, o claustro dei Buora, a sala de fotografias, a biblioteca do canal da mancha, a escadaria Longhena. Custa 15€.

Labirinto Borges: foi criado a partir do desenho de Randoll Coate e inspirado no conto O jardim de Caminhos. A visita começa no dormitório beneditino. Custa 15€.

Bosco con le Vatican Chapels: Katharine Hepburn definiu o teatro verde como o mais bonito do mundo. É um anfiteatro aberto feito em pedra branca em 1952. O bosque permite visitar as Capelas do Vaticano, que foram construídas para a Bienal de Arquitectura no primeiro ano em que o estado participou. Custa 15€.

Dorsoduro

Punta della Dogana: fica junto a Igreja de Santa Maria da Saúde e foi construído 5 anos antes desta. Está fechado e reabre a 2 de abril de 2023. O edifício original albergou a alfândega até 1980. Em 2007 François Pinault ganhou um concurso para transformar o espaço em Galeria de Arte Contemporânea. Abriu em 2009. Custa 15€, ou 12€ com o Dordosuro Museum Mile.

Chiesa Santa Maria della Saude: no fim da peste decidiu-se construir uma igreja para agradecer. Começou a ser construída em 1631, mas levou 56 anos para ser concluída. É uma obra de Longhena, o mesmo de Ca’ Rezzonico, um palácio visitável. Tem uma forma octogonal e obras interiores de Tiziano e Tintoretto. A festa de Santa Maria da Saúde é a 21 de novembro.

Veneza palacio franchetti
Palácio Franchetti e vista para a Basílica de Santa Maria da Saúde, vista da Ponte da Galeria
Veneza Santa Maria da Saúde
Vista da gôndola de serviço público

Collezzione Peggy Guggenheim: fica na casa de Peggy Guggenheim, o Palazzo Venier dei Leoni, e é um dos mais museus mais importantes em Itália de arte europeia e americana. Peggy era americana, mas veio viver para a Europa. Terminou os seus dias em Veneza, para onde se mudou no final dos anos 40. Doou mais tarde o palácio e a sua coleção de arte à fundação criada pelo seu tio, Solomon R. Guggenheim Foundation.
Custa 16€ para adultos, 14€ acima dos 65, 9€ para estudantes abaixo dos 26 anos e é grátis até aos 10 anos. Fecha às terças e dia 25 de dezembro.
O Museu Guggenheim faz parte do Dorsoduro Museum Mile. Entre o Grand Canal e o Giudecca Canal estãoo Gallerie dell’Accademia, Galleria di Palazzo Cini, Collezione Peggy Guggenheim e Palazzo Grassi – Punta della Dogana. Basta comparem bilhete para um deles e passam a ter desconto na visita dos outros durante 7 dias.

Gallerie dell’Accademia: a Galeria fica no complexo de Santa Maria da Caridade, albergando a igreja, o convento e a Escola Grande. A Academia de Belas Artes, criada em 1750, ficava no complexo desde 1807, mas foi mudada para o Ospedale degli Incurabili. Em 1879 separou-se a Academia de Belas Artes da Collecção Gallerie, que foi crescendo graças às doações dos artistas e devoluções das obras Venezianas pelo governo francês. O museu tem 37 salas com obras venezianas. Encontram aqui Pietà de Tiziano.
Custa 12€, grátis no primeiro domingo do mês. Fecha à segunda à tarde.

Ponte dell’Accademia: foi nesta ponte que vimos os fogos de final de ano. Aqui encontrar uma estação de vaporetto e WC públicos, pagos.

Galleria di Palazzo Cini: criada em 1984 pelo colecionador Vittorio Cini. Cini comprou o Palácio Foscari, no grande canal e fundiu-o com o Palácio Grimani. O palácio tem dois andares. O primeiro recria a residência do patrono, e o segundo piso alberga exposições. Fecha à terça-feira. Custa 10€, 8€ a estudantes, 7€ com o Dorsoduro Museum Mile é grátis até aos 15 anos

Palazzo Grassi: faz parte dos dois museus de arte contemporânea abertos em 2006 e 2009 que albergam a colecção de Pinault. O Palácio Grassi foi o ultimo a ser construído no grande canal antes da queda da República de Veneza. Estão ambos fechados, o Palazzo Grassi reabre a 12 de março, Punta della Dogana abre a 2 de abril. Custa 15€, ou 12€ com o Dorsoduro Museum Mile.

Museo do Settecento Veneziano: o Palácio Ca’Rezzonico, obra de Baldassare Longhena. Aqui viveu o Papa Clemente XIII. Aqui pode-se ver como viviam as familias nobres de Veneza. Está fechado para obras desde outubro de 2022. Custa 10€ ou 7,5€ (bilhetes de preço reduzido).

Giudecca (pertence a Dorsoduro)

É um pequeno conjunto de ilhas a sul. Pode querer dizer ilha dos judeus, e terá sido o primeiro gueto ou ilha dos pequenos delitos, onde se desterravam os criminosos, mas isso também não é importante. Da Basílica de São Jorge Maior têm uma vista fantástica para a Giudecca. Têm de chegar de barco e aqui ficam hotéis de luxo do grupo Belmond e Hilton.

Chiesa del Santissimo Redentore: foi construída por Palladio para celebrar o fim da peste.

Molino Stucky: foi projecto de Ernst Wullekopf e construído entre 1884 e 1895 e construído por Giovani Stucky Era um moinho de farinha mas após o deu declínio foi transformado num hotel da cadeia Hilton.

San Polo

Este é o melhor bairro para comer, mas já lá vamos. É um bairro com menos atrações e por isso menos frequentado por turistas.

Ponte di Rialto: é a ponte mais famosa, e também a mais antiga sobre o Grande Canal de Veneza, mas a primeira ponte a unir as duas partes foi a ponte flutuante de 1181, a Ponte della Moneda. O mercado de Rialto aumentou o seu fluxo comercial e foi preciso trocar a ponte por uma estrutura de madeira em 1250. Teve alguns percalços como desabar por excesso de carga e incêndios, mas assim como é hoje foi construída em 1588, segundo projecto de Antonio da Ponte. O seu projecto era audaz e houve quem dissesse que não resistiria, mas ali está ela, com os seus cubículos centrais de comércio. A ponte marca também a separação entre os bairros San Marco e San Polo.

Veneza Ponte Rialto

Mercato di Rialto: apesar de gostarmos de mercados e da vibração local que nos dão, não tivemos tempo de lá ir sentir a pulsação da cidade. O mercado funciona de segunda a sábado (legumes e fruta) e terça a sábado (peixe). O de peixe só funciona de manhã. Se tiverem que cozinhar, vir às compras aqui pode ser uma ótima escolha.

Castello

Livraria Acqua Alta: é a livraria mais famosa de Veneza, pelo menos no instagram. É aqui que imensa gente vai tirar fotos, porque têm uma decoração fora do vulgar. Acabámos por optar por ir dia 1 de janeiro à praia e perdemos a oportunidade de visitar a livraria.

Museo di Palazzo Grimani: neste palácio (conhecido como “di Santa Maria Formosa”) viveu uma das famílias mais importante de Veneza. Antonio Grimani chegou a ser Doge em 1521 e deixou o palácio aos seus 4 filhos. Em 1981 o Estado Italiano comprou o palácio, renovou-o e abriu o Museu do Palácio Grimani em 2008. Abre de terça a domingo das 10 às 19h e visitar o museu e a exposição custa 14€. existe ainda o Bilhete integrado Galleria Giorgio Franchetti na Ca’ d’Oro + Palazzo Grimani por 15€.

Basilica Concattedrale di San Pietro di Castello: foi construída de 1596 até 1619 e até 1807 foi a catedral do patriarcado. Já existia uma igreja anterior (841) no local. No altar estão os restos mortais do primeiro patriarca de Veneza. A graça aqui é a torre sineira, tem uma inclinação que a maioria das pessoas pensa só existir na Torre de Pisa. Foi construída em 1463, demolida ou atingida por um raio e todas as vezes reconstruída.

Campanille di San Giorgio dei Greci: localizada no Castello. A torre sineira foi construída em 1587 por Bernandino Ongarin. A igreja ortodoxa com o mesmo nome é de 1536, e construída no centro da Confraria Grega. Este campanário é inclinado desde a sua construção, talvez seja por isso que nunca desmoronou, como os seus vizinhos.

Arsenale: foi aqui que se construiu o arsenal naval da cidade. É referido na obra de Dante “A divina comédia”. A partir de 1320 deixou de albergar só embarcações privadas, como começaram-se a construir aqui também barcos do estado.

Giardinni della Biennale: foram feitos por Napoleão no século XIX e utilizados para a Bienal de Veneza desde 1895. Desde a primeira edição até 1905 todos os países expunham juntos, mas o sucesso e forte adesão levou a que a organização incentivasse cada país a criar o seu espaço. Desde 1907 albergam pavilhões de outros países, muitos de arquitectos de renome.

Building Bridges Lorenzo Quinn: Lorenzo Quinn criou, em 2019, este projecto de 6 pares de mãos que simbolizam a amizade, a fé, a ajuda, o amor, a esperança e a sabedoria. Em 2017 Lorenzo tinha criado a obra “support” em que duas mãos seguravam a fachada do hotel de luxo  Ca’ Sagredo, sensibilizando para a subida do nível das águas na cidade.

Veneza Arsenal building bridges

Museo Storico Navale: fica no Arsenal e é de 1919. Na Casa dei Modelli guardaram-se modelos à escala das embarcações usadas na República de Veneza.
Fecha às terças-feiras, e abre das 11 às 17h. Custa 10€, ou 7,5€ para crianças (6-14 anos), estudantes (15-25 anos) ou maiores de 65 anos. É grátis para funcionários do Ministério da Defesa (não sabemos se é exclusivo ao ministério italiano), portadores de deficiências e menores de 6 anos.

Isola di San Michele

cemitério veneza

Aqui fica o cemitério da cidade. Foi Napoleão quem decidiu abrir um grande cemitério fora da cidade. Juntaram-se duas ilhas pequenas, criando uma ilha maior San Michel, e em dois anos todos os corpos tinham sido transportados por gôndolas funerárias.
O cemitério separa católicos de ortodoxos e evangélicos.

É fácil chegar lá, o vaporetto para Murano pára aqui. Podem ir, visitar e voltar a apanhar o vaporetto para terminar a viagem em Murano.

Murano, Burano e Troncello

As ilhas ficarão para outro artigo.

Onde ficar

Aqui há algumas decisões inteligentes a tomar. Pode não ser a melhor opção ficar em Veneza, visto que são estadias caras. Há que pensar que quanto mais longe de Veneza mais tempo demoram a chegar e mais gastam em transportes.

Veneza

Ficar em Veneza, ao contrário de outras cidades não é equivalente a estar hospedado como um local porque muitos optaram por sair da ilha principal e arrendar a sua casa a turistas. No entanto, há vários hotéis ou alojamentos confortáveis e acessíveis. Primeiro, é importante é ficar num sítio silencioso e central. De seguida, queremos dizer que escolher um hotel num antigo palácio junto a um canal será uma escolha acertada para conseguir ver as gôndolas passar e se sentir parte da Veneza de outrora.

Ca’ Bragadin e Carabba, fica perto da Ponte Rialto, do T Fondaco Rooftop Terrace e a uma curta caminhada da Praça de São Marcos. Também fica perto da livraria Acqua Alta, que se denomina a livraria mais bonita do mundo. Bairro Castello

Hotel Galleria, fica perto da Academia e da ponte homónima. Tem vista para o grande canal. Bairro Dorsoduro.

Numa zona com uma vibração muito própria, a Giudecca, temos o clássico Hotel Cipriani, do grupo Belmond. Tem piscina. Para perceber a exclusividade do Cipriani, uma noite custa por volta de 1000€. Na mesma zona temos o Hotel Giudecca Venezia que custa 10 vezes menos.

Ca’ Angeli ou Locanda Sant’Agostin. A primeira é uma pousada de 6 quartos e o segundo é um hotel no primeiro piso dum palácio veneziano. Bairro San Polo.

Hotel Ca’ Dogaressa, fica perto da estação de Santa Lúcia, mas ainda perto das atrações principais. Bairro Cannaregio.

Todos estes hotéis são em edifícios antigos com uma decoração tradicional. Perto da Praça São Marcos existe o Rosa Salva Hotel, de linhas modernas.

Mestre

Muita gente escolhe ficar em Mestre, no continente, porque os hotéis são mais baratos e mais modernos. Além disso, podem chegar de carro e ter geralmente estacionamento gratuito. De Mestre a Veneza podem ir de comboio. Embora pareça uma boa solução, Mestre não é uma cidade turística. Pode ser aborrecido ter que gerir a partida e chegada ao hotel para aproveitar Veneza.

Hotel Plaza, Best Western Hotel Tritone ou o Hotel Lugano Torretta são hotéis junto à estação e por isso numa óptima localização. Na gama dos hosteis e temos o Anda Venice Hostel.

Murano ou Burano

Achamos que não se justifica ficar hospedados nas pequenas ilhas. Apesar de existir um NH Collection Murano Villa, em Murano, e o Venissa Wine Resort, em Burano.

Achamos que estas pequenas ilhas se visitam bem em um dia, por isso ficar ali obriga-vos a apanhar o vaporetto todos os dias. Se for uma segunda ida à lagoa e desta vez quiserem ficar num sítio diferente aí já conseguimos perceber.

Lido

Porque ficar em Lido? Para nós, que tínhamos carro alugado era melhor, visto ser a ilha onde entram carros. De verão aqui terão praia, já que é a única ilha com areia. É mais barata e fica só a 15 minutos de vaporetto da Praça São Marcos, implica é um passe.

praia do lido veneza
Sabemos que não é a praia mais idílica do mundo

Nós ficámos no Hotel Villa Delle Palme. Certamente foi uma escolha acertada, para nós, com um pequeno-almoço saboroso e estacionamento. Tem também uma vista panorâmica para Veneza do topo (acesso fechado após escurecer), onde podem ser servidos jantares (sob reserva). Podem caminhar até à praia, e é perto da estação de vaporetto do Lido (15 minutos até São Marcos).

Hotel Villa Laguna, fica virado para a lagoa, por isso tem uma vista fantástica. É mais próximo da estação de vaporetto que o Villa delle Palme.

Onde comer

O ideal é fugir da Praça São Marcos e ir em busca de Trattoria, Osteria ou Bacaro. Estes últimos são os pubs venezianos, servem ombra, vinho da casa e cicchetti, pequenos aperitivos como pão, presunto, queijo, ovos, peixe. Com a Maria para nós não davam, mas encontrámos um artigo que fala em Bacaro Tour. É uma espécie de rally das tascas local, ou seja, os venezianos saem do trabalho e param em três ou quatro bacari antes de chegar a casa onde petiscam e bebem um copo. Os melhores locais para comer são San Polo, Campo Santa Margherita e Dorsoduro, sugestão da guia da Free Walking Tour.

As trattorias vendem pizzas e massas, as osterias comida tradicional e os bacaros os cicchetti. Claro que podem ir a outros espaços, mas serão menos tradicionais.

Algumas recomendações: Pizza Al Volo, Adagio Wine Bar e San Toma.

Para beber, façam como os venezianos, ou os italianos no geral. Bebam um spritz, pode ser de Apperol, Select ou Campari. São servidos em copo alto com uns aperitivos (batas fritas, azeitonas). O primeiro será alaranjado e o segundo avermelhado. O aperol spritz entrou na nossa vida na Suíça, numa viagem para visitar família. O tio napolitano da Raquel apresentou-nos e foi amizade ao primeiro copo.

Como chegar

Podem combinar várias formas, provavelmente, de Portugal terão que combinar avião e comboio, ou carro ou comboio e barco.

Avião

O aeroporto mais perto é o Marco Polo, mas Treviso (a uma hora de Veneza) também é muito utilizado. Nós comprámos um voo para Bergamo, e foi a partir do voo já comprado que decidimos o destino.

Comboio/trem

Há comboio de Milão (20€), demoram duas horas e meia. De Roma são 4h (37€). Chegam a Santa Lúcia.

Carro

Nós alugámos carro em Bergamo e por isso decidimos ficar em Lido, a ilha-praia de Veneza para ter onde deixar o carro. Mas há parques em Veneza e alguns hotéis têm estacionamento. Fica é caro. Em Lido o carro chega de ferry.

Autocarro/ônibus

Combinando autocarro (ônibus) com avião existem duas opções. O ATVO é um serviço expresso directo do aeroporto Marco Polo para Mestre ou Veneza. Custa 10€ ida ou 18€ ida e volta. Da mesma forma podem ir de Treviso e são 12€ ou 22€.

Barco

Veneza está preparada para ter transportes aquáticos. Se olharem com atenção verão o lixo, os bombeiros e ambulâncias em barcos. Os vaporetto (ACTV) funcionam bem. Há taxis aquáticos, mas não se justifica. E ainda podem circular em alguns trajectos de gôndola por 2€ (ver abaixo).

A nossa escolha

Nós entrámos por ferry (13€) por Isola Nova del Tronchetto para chegar com o carro a Lido. A viagem demora 35 minutos. Devem sair do carro. A sala interior é climatizada e nota-se que o habitual é os venezianos aproveitarem para beber um spritz. Na bilheteira pedem o bilhete para o carro (ida e volta tem desconto) e o dos passageiros. Se precisarem de circular entre ilhas (Lido-Veneza ou ir até Murano e Burano comprem os passes). 24h 25€, 48 35€ 72h 45€ e 6 dias 60€. Se ficarem alojados em Veneza poupam o passe de vaporetto. Façam contas…

Validam aqui os bilhetes individuais e do carro antes de entrar no ferry

Como circular

Vaporetto

Recomendamos que andem a pé ou de vaporetto dependendo da vossa escolha de alojamento. A pé têm a vantagem de poupar os passes de ACTV (ver os preços acima), mas o vaporetto faz-vos ganhar tempo em algumas deslocações e torna algumas possíveis, como a visita a São Jorge Maior, a Murano ou Burano.

Gôndolas

A nosso ver viajar de gôndola tem que ser bem pensado. É um passeio turístico e por isso caro. A melhor opção é encher a gôndola e pagar os 80€ (até 6 pessoas, após as 19h passa a custar 100€). A nós chegou-nos fazer o trajecto pequeno e público por 2€. Não é confortável e pode levar 12 pessoas. O melhor trajecto é o que sai do mercado de Rialto.

Disse a guia da free walking tour que o melhor ponto para apanhar a gôndola (80-100€) é no Bacino Orseolo, junto ao Hotel Cavalletto, que por sinal nos parece muito bem localizado. O passeio de gôndola custa o mesmo em todo o lado, por isso é o percurso que faz a diferença.

História da gondola

A cidade sempre foi virada para a lagoa, em 1580 o principalmente meio de transporte tinha que ser aquático e as gôndolas eram o meio ideal. Circulavam mais de 10.000 embarcações. Hoje são pretas por imposição governamental, mas já foram um meio de mostrar riqueza através da sua decoração excessiva. As famílias ricas tinham uma gôndola com o seu gondoleiro. No Palácio Ducal verão uma gôndola com o felze, uma cabine que permitia proteger da chuva e frio.

Retirado de www.itinerariovenezia.com

A ponta da gôndola é feita de ferro e tem um simbolismo, simboliza o chapéu do doge, a Ponte Rialto, o grande canal, os bairros da cidade, as três ilhas Burano, Murano e Torcello e por fim a Giudecca.
O gondoleiro passava o testemunho para os seus filhos, que tinham de fazer um teste de remo, mas hoje é exigido formação, conhecimento de pelo menos mais uma língua e passar no concurso público (com estágio). Os gondoleiros falam em dialeto e têm uma “farda”, aliás as camisolas são às riscas azuis ou vermelhas, com um chapéu de palha e uma fita da mesma cor (opcional). Inicialmente a farda era azul para o lado direito do Grande Canal e vermelha para o lado esquerdo, mas agoracada um escolhe. São exímios na arte de equilibrar a gôndola com o remo, navegando em pé. A cidade fornece 426 licenças, e desde 2010 há uma mulher. Podem ler mais informações no nosso artigo sobre as gôndolas de Veneza.

Quando visitar Veneza

A época baixa e por isso mais em conta é de novembro a fevereiro, excepto na época do Carnevale e Capodanno (passagem de ano).

O carnaval é uma das grandes épocas para visitar Veneza. As máscaras, os fatos de época, os bailes privados atraem visitantes de todo o mundo. Mas como começou o carnaval? O doge Vitale Falier instituiu a festa em 1094. No entanto, só em 1296, foi formalizada a festa onde todos podem ser quem querem e cometer algumas loucuras durante um curto período, por decreto. Entretanto Napoleão terminou a festa quando tomou a cidade, permitindo apenas festas privadas e nas ilhas. Os venezianos voltaram a recuperar a tradição em 1979. Em 2023 é de 11 (já está a decorrer) até dia 21 de fevereiro.

A época alta é de maio a outubro, com mais turistas e mais eventos (Maio- Bienal, Julho- jogo de artificio, Setembro- Festival de Veneza e Regata Histórica). Por exemplo, Setembro é geralmente um mês melhor, as crianças têm aulas, há menos turistas e ainda há bom tempo.

Curiosidade

Não somos viajantes experientes em Itália, mas surpreendeu-nos a aceitação dos animais de estimação em todo o lado, aliás, só tínhamos visto isto no Chile. Os cães circulam pelos hotéis e restaurantes livremente. Só não são admitidos nas atrações.

Os WC são vários e espalhados pela cidade, custam 1,5€ e é aqui que encontram casas de banho para pessoas em cadeiras de rodas (cadeirantes) e muda-fraldas. Apesar de já termos referido no artigo, que há locais onde encontram esses serviços sem pagar.

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365 dias no mundo estiveram em Veneza de 29 de dezembro de 2022 e 1 de janeiro de 2023

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2 respostas

    1. Veneza nos surpreendeu. É muito mais que a Praça São Marcos, Murano, Burano, as gôndolas, a Ponte Rialto e os canais. Ficámos com vontade de voltar.

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