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A RAIA DE TRÁS-OS-MONTES E ZAMORA: AS SUAS GENTES

Rio Onor- as mulheres da aldeia
As viagens têm mais valor quando se conhecem pessoas e as suas histórias. Neste caso falamos de pessoas que decidiram ficar e empreender onde muitos não quiseram estar.

A raia de Trás-os-Montes e Zamora sempre foi importante para ambos os lados: as trocas comerciais, os casamentos “mistos”, o contrabando dissimulado, a fauna e flora partilhadas, a semelhança das festas, etc. Hoje existem projectos transfronteiriços e vontade de se ajudarem mutuamente contra males comuns: o abandono jovem que leva ao despovoamento e a falta de investimento.

A fronteira é traçada por homens, através dos rios, serras e vales, mas as gentes da terra não se importam com isso. Nem ditaduras, nem guerras, nem fome travaram o salto para o lado de lá e desde sempre as regiões se conhecem. A raia de Trás-os-Montes e Zamora não é diferente e está intimamente ligada.

Falamos de pessoas resistentes, corajosas, empreendedora, que acreditam que os territórios têm potencial e futuro. Conhecemos algumas pessoas, tanto em Espanha como em Portugal, que nos mostram como é possível ter sucesso em zonas onde os outros não querem ficar.

Somos dois jovens que decidiram sair de “casa”. O Tiago de uma cidade, Fafe, a Raquel de uma aldeia que pertence a Albergaria-a-Velha. Saiu primeiro a Raquel para emigrar com os pais, depois o Tiago para estudar. Mais tarde, ambos “desistimos” do nosso país, saímos para trabalhar e foi nesse contexto emigrante que nos conhecemos, à procura de um emprego melhor, de oportunidades, de crescer. Mas pode-se fazer diferente. Não nos interpretem mal, emigrar é duro e exige coragem, mas ficar num local em que todos nos dizem que não há futuro e tudo fazer para o alcançar tem muito mérito.

Nestes dias na raia de Trás-os-Montes e Zamora conhecemos várias pessoas: a Maria, o Kiko e a Noelia, o Victor, o Vicente, o Mikel, a Patricia, o Gustavo, a Marisa, a Angela e o Acácio, a Sofia, o João, o Sr. Domingos, e muitos mais. O que têm em comum? A sua força e a sua generosidade. Todos nos apresentaram, não apenas o seu negócio, mas também outros negócios locais, com quem formam parcerias. Os vinhos casaram com queijos e enchidos, os alojamentos com todos estes, as actividades lúdicas casaram entre si, mas já lá vamos. Estamos perante pessoas que sabem que chegar longe sozinho é mais difícil, então dão as mãos aos seus vizinhos e avançam todos muito mais.

A Maria e os irmãos Kiko e Noelia dedicaram-se ao vinho. Maria tem as vinhas mais altas de denominação de origem Toro e produz o seu vinho de forma ecológica (certificado). O seu irmão trabalha com ela em Sanzoles. Da sua Finca Volvoreta saem dois vinhos: Volvoreta e L´Amphore. Este último produzido em ânforas. Tanto as ânforas como as barricas estagiam numa “bodega” subterrânea com mais de 400 anos. Fez-nos uma visita guiada a algumas das suas vinhas, onde alfazema e águias circulam livremente, produzindo um ecossistema funcional. As águias afastam as corujas, que fazem parte, mas incomodam a produção. Serviu-nos o vinho com produtos Exquisiteza, produtos gourmet da região.
Maria tem à volta de 30 anos, mas uma garra que a fez voltar à terra da mãe, no fim do curso de engenharia feito na Galiza, para empreender este projecto É uma das produtoras de vinho mais jovens de toda a Espanha. Há artigos sobre ela, ganhou prémios e participa em eventos, como o Salão Gourmets.

Kiko e Noelia trabalham juntos no Vino Bigardo e a eles junta-se o primo designer que faz os rótulos fora da caixa que os ajudam a tornarem-se mais especiais. Ao contrário de Maria que conhecemos num ambiente mais formal, o Kiko foi-nos apresentado num jantar em casa de Victor. Haverá forma melhor de quebrar o gelo do que com comida à frente? Kiko tem uma van, La Bigarda, e o seu vinho Satélite é uma homenagem ao seu transporte que o fez viajar pelo mundo. Fez Erasmus em Portugal e tem um espirito livre. Diz que tem uma “bodega” JASP (jovem, mas muito capaz ou JÓVEN AUNQUE SOBRADAMENTE PREPARADA, no original). Provámos quatro vinhos, Bigardo, Maldito Parné, Satélite e Pellejo. O último é o nosso preferido.
Ambas as marcas recebem visitantes.

No mesmo jantar em que conhecemos Kiko, também nos foi apresentado Vicente. Vicente vende delícias da serra na sua Cárnicas la Culebra. Os seus produtos são de javali, veado, codorniz e perdiz. Vende enchidos, patés, escabeche de codorniz ou perdiz e carne seca em azeite, e tudo o que provámos era maravilhoso. A sua paixão acima de tudo são os lobos, foi ele nos que falou do Centro del Lobo Ibérico de Castillo y Léon. É isto que nos surpreende nas pessoas, a sua gentileza e entrega, mais do que falar dos seus produtos (que não precisavam de apresentação, já que estavam a ser servidos pelo Chef Mikel Zeberio) falou-nos dos lobos que podem ser visitados em Sanabria, perto de Rio de Onor. No Centro, para além de se visitar as instalações, faz-se sempre observação dos lobos em semi-liberdade.

O Chef Mikel é basco e criou o Basque Culinary Center, que pretende desenvolver e impulsionar a gastronomia da região. Com ele também se tem conversas divertidas e profundas e sente-se o espírito empreendedor. Tem um projecto na região – Petramora – cujo nome presta homenagem às pedras do mosteiro em ruínas em Granja de Moreruela. Petramora é criado para vender o melhor, como a melhor carne de vitela de raça parda da montanha e os melhores lacticínios de ovelhas churras. Nós provámos os iogurtes de arando e são muito bons. O seu gado pastoreia livremente, respeitando-se o animal e a natureza. Na página da empresa encontram a loja online e receitas para utilizar os seus produtos.

O Victor conta-nos que tinha um emprego de responsabilidade em Madrid e que se fartou. Largou tudo, investiu numa casa de família na terrinha e abriu o seu Dondé Victor Luna. O seu alojamento é muy chulo. As paredes são pintadas por uma artista local, teve o cuidado de o tornar um espaço apelativo e tem um quarto perfeitamente adaptado para hóspedes com mobilidade reduzida. Há quadros pelos espaços, inclusive pintados por ele, e foi com lágrimas nos olhos que nos mostrou alguns. A casa tem nove quartos, uma piscina, um snooker, zona de grelhador e uma vontade enorme de receber bem, como quem recebe amigos. É um cuidador, transpira atenção e cuidado para com os seus hóspedes. Aluga a casa completa ou os quartos em separado. Adora o mosteiro em Granja de Moreruela.

O Gustavo vem de uma família forte, os Chillón, produtores de queijo (Quesos Chillón). Foi o bisavô Manuel que deu o salto como empreendedor em 1890. Um dos filhos, Valentin, com o apoio da sua mulher, fez o negócio crescer e caminhar na direcção do que é hoje. Gustavo já é neto, e mostrou-nos com orgulho o seu museu, onde vimos a história da família. A avó, que faleceu cedo, deixou uma marca na família, e ainda fala nela como uma figura muito presente. No museu vimos o percurso da família e da marca e terminámos com a prova dos seus queijos com vinho local. Não só manteve a fábrica em funcionamento e as memórias familiares transformadas em museu, como o carro à porta ainda é o do avô. E usa-o sempre que pode. Sobre os queijos, os nossos preferidos são a emulsão de queijo e mel e o queijo de leite cru de ovelha com manteiga. A sua produção é bastante artesanal, sendo envolvidos à mão.

Falta-nos a Patricia. Mãe, mulher e empreendedora. Tem uma perninha em vários projectos, incluindo o AZTUR (Asociación Zamorana de Turismo Rural), do qual é presidente. Comprou uma casa de família e transformou-a em coliving.

Estão prontos para atravessar a fronteira, mas continuar na raia de Trás-os-Montes e Zamora?

Atravessaram para Trás-os-Montes, bem-vindos a Portugal, a paisagem mudou, mas pouco. Tornou-se menos amarela da couve-nabiça e mais roxa do alfazema, com salpicos vermelhos das papoilas, as vinhas continuam baixas, só que aqui já têm folhas, fala-se português, mas quase toda a gente arranha o castelhano.

No PINTA, que já conhecíamos, os funcionários são da terra e os mesmos. Falam nela com prazer, com gosto de pertencer ali, e reconhecem-nos, já que é a nossa segunda visita (podem ler sobre a nossa visita anterior ao Vimioso). Voltámos a ver o Cláudio, que se lembra da nossa anterior visita e da Maria. No castelo do Algoso estamos até perante a mãe das duas únicas crianças da aldeia. Pensamos na Maria (2 anos) e não sabemos se teríamos a coragem de regressar às origens para lhe dar mais campo e ar puro, mas menos escola como a conhecemos. (As fotos são de 2021)

É em Macedo de Cavaleiros que conhecemos três projectos que se unem. Marisa e o irmão, do Hotel Alendouro, trabalham com a Ângela e o Acácio do Sun Azibo Cruzeiros. E estes trabalham também com a Sofia, em Podence. A Sofia começou o seu projecto com o namorado, o Filipe, a Quinta do Pomar. Conhecemos o Filipe noutros carnavais, e aqui a expressão assenta que nem uma luva, porque foi no Carnaval de Podence.

Filipe no carnaval de Podence, em 2020

Comecemos pela Sofia. Enfermeira de formação, desistiu para ajudar o Filipe. Filipe quis trazer à terra o fabrico do fato de careto. Hoje, Sofia é capaz de produzir um fato completo, só os chocalhos vêm de fora, e por coincidência conhecemos quem os faz. Aprendeu a tratar o tear por tu e demora duas horas a produzir um metro da manta que é a base do fato. Ensina a Raquel a pintar a máscara e a criar as franjinhas. E se pintar a máscara parece fácil, já as franjas foram difíceis de criar. A Quinta do Pomar é o seu projecto pessoal. Tem 24 anos e pode ter desistido de servir os outros num hospital ou centro de saúde, mas serve a tradição da sua terra, não a deixando morrer.

Vamos à albufeira do Azibo? A Sun Azibo Cruzeiros não tem um projecto novo para nós, que já tínhamos testado na ria de Aveiro. É igualmente bonito na Albufeira e igualmente silencioso. São o único tipo de embarcação permitida no Azibo, por questões ecológicas e de preservação. Fazem passeios com jantar (junta-se a Marisa a eles) ou com lanche, vendem programas completos de 2 dias e programas à medida, podendo até incluir um passeio de avioneta. Ângela e Acácio admitem que o sonho de navegar na Albufeira não era seu, mas assumiram-no em memória de quem o sonhou. Agora já fazem contas à vida para ver se está na altura de se dedicarem a ele a 100%. As suas tábuas de queijos e enchidos são de produção local e o bolinho é a mãe que faz. O vinho também é local. Ficámos cheios de vontade de testar os seus programas mais extensos.

A Marisa serviu-nos um jantar de sonho no seu Alendouro. A bonita mesa tinha as tábuas preparadas com enchidos locais, queijos, compotas feitas por ela, uma salada de mozarela e tomate cherry, e tudo estava divinal. As alheiras que chegaram depois foram feitas ali e são o que se espera de alheiras da região (e caseiras). Como prato principal serviu-nos posta, açorda de cogumelos (apanhados por ela), batatas fritas e uma salada de meruje (também apanhada por ela) com bolgur. As sobremesas também não ficaram atrás. O pequeno-almoço do dia seguinte foi digno de reis, destacando-se os iogurtes caseiros, padaria e pastelaria variadas e favos de mel. Foi o irmão que nos contou a história do espaço: são Alendouro de sobrenome e a casa foi baptizada assim. Começou por ser uma tasca pequena onde criaram apartamentos por cima para alugar. Decidiram transformar tudo em quartos e agora são o Hotel/Restaurante Alendouro.

Falta-nos o Flavio, chef na Taberna do Javali. Aqui não podemos dizer que tenhamos falado muito com ele, mas as suas criações falaram por ele. A sua taberna respira tradição, ou não tivesse o Flávio crescido entre tachos e panelas, mas também explode em inovação. Trouxe o javali para a mesa, com o seu hambúrguer e francesinha de javali. É uma casa de tapas de frente para a Domus, dentro das muralhas, que merece a visita. O jovem Flávio estudou hotelaria mas nunca deixou de ajudar os pais no Restaurante “O Javali”. Hoje tem o seu espaço, mas a família tem também alojamentos, um apartamento no centro de Bragança e outro no Rabal.

Também temos de falar do Sr. Domingos de Rio de Onor. Não é o Ti Mariano que conhecemos na visita anterior, mas é mais um embaixador da aldeia que a fronteira divide. Percebemos através das suas respostas que temos uma ideia de aldeia comunitária mais abrangente do que é hoje em dia. Vivemos naquela utopia de que tudo se partilha e já não é bem assim, aliás, basta pensar que até se podem ver como uma única aldeia, mas as entidades atribuem-lhes nacionalidades diferentes consoante a sua morada ou filiação, e países diferentes têm, por exemplo, salários mínimos diferentes. Domingos, ao contrário de Ti Mariano, não tem o comum sobrenome Preto, ou Prieto, se falarmos de origem espanhola, mas não lhe falta o sangue, já que a mãe era do lado de lá (Rihonor de Castilla) e Prieto de nome. Falámos das regras e da vara da justiça noutro artigo sobre Rio de Onor, na nossa visita de 2020. Desta vez não tínhamos fronteira fechada e pudemos visitar Rihonor de Castilla. Apanhámos Rio de Onor chuvoso e cinzento, e foi assim que a Raquel se sentiu ao saber que o Ti Mariano tinha falecido em 2021.

Voltando aos irmãos empreendedores temos os Sá de Miranda Patrício (Bernardo e Paulo), que preservam, tal como os Chillón fazem com o queijo, as memórias da família empreendedora. Criaram o Núcleo Museológico do Azeite “Solar dos Cortiços” em Macedo de Cavaleiros. O antigo lagar de azeite foi recuperado em 2005. Bernardo conta-nos a história da família, mas também da aldeia, falando de prémios que ganharam os azeites da região. Houve o cuidado de apresentar informação comprovada, tendo feito levantamentos de documentos na Torre do Tombo. Deram-nos uma prova de azeite feita por uma especialista e foi algo inédito para nós. Fizemos uma prova sensorial de azeite, aprendendo a cheirar, saborear e reconhecer os diferentes paladares que compõem este néctar dos deuses.

Queremos falar sobre o João, um forasteiro que veio por trabalho, um geólogo que sabe explicar os solos, a água e desvendar pequenos mitos urbanos e maldições. João, se leres isto queremos fazer uma prova de água contigo. O João é a prova que podemos não ser da região, mas ela cair-nos em graça e puxar pela nossa criatividade.

Por fim, acrescentamos aqui alguém que infelizmente ainda não conhecemos pessoalmente, mas TODA a gente nos diz que temos de conhecer, a Tia Maria Luísa. Estamos a falar de uma senhora com mais de 70 anos e que ainda faz e ensina a cozer pão em workshops. A Tia Maria Luísa é da Lagoa, Macedo de Cavaleiros, e deve ser das figuras mais famosas da região, com várias “presenças” nos programas da manhã e da tarde dos canais generalistas da televisão. O que a torna especial? É vivida, tem sabedoria popular, experiência de vida, é divertida, é uma mulher do norte com garra e muito “trabalhadeira”.

Já em Lisboa, a Raquel conversa com alguém que lhe diz ser de Bragança e lhe conta histórias de infância passadas dentro das muralhas. Do castelo quando era quase uma ruína até receber o museu militar. Do Montesinho e da distância a Espanha. Falámos de Rio de Onor e Rihonor de Castilla. E percebemos mais uma vez que quem somos é um misto também da história da nossa família, como ouvimos no Fórum Territórios com Futuro, acima de tudo “os territórios têm memória”.

É a memória que (n)os faz voltar para escrever novas páginas na história da família.

Nota: este artigo tem poucas fotografias, porque não somos de fotografar retratos, preferimos ouvir as histórias na boca de quem as contas sem a máquina na mão. Podem sempre ver as caras indo a cada uma das páginas.

365 dias no mundo estiveram na Raia de Trás-os-Montes e Zamora de 18 a 22 de abril de 2023 a convite da AEICE (acção no âmbito do Projeto DURADOURO, co-financiado pelo FEDER).

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16 respostas

  1. Que incrível a história de todos! Concordo 100% que permanecer onde todos dizem não haver futuro é muito corajoso. Acrescento ainda que é lindo fazer parte da perpetuação de costumes e tradições antigos, ainda mais em tempos em que o “moderno” é tão valorizado. Lindo post!

    1. Verdade Cintia, há projectos tão inspiradores, que se unem entre si e trabalham tão bem em equipa. São esses projectos que nos levam às zonas de baixa densidade.

  2. Histórias bonitas, corajosas, produtos genuínos e mesa sempre farta. Já conheço o lado português relativamente bem. Falta agora explorar o lado espanhol da raia

    1. Achei o lado espanhol muito interessante, e o vinho também é bom, como o nosso. A paisagem tem umas cores lindas na primavera, e as pessoas amam igualmente as suas terras.

  3. Lindo artigo, muito inspirador! Também gosto de viajar para conhecer e conversar com as pessoas, e quanto menos turistico e “desejável” o lugar, mais interessante é!

  4. Que post legal! Nunca tinha ouvido falar de atrativos turísticos na raia de Trás-os-Montes e Zamora, mas como muitos vilarejos pelo interior do Brasil, aposto que pelo interior de Portugal e da Espanha tem muita gente interessante para conhecer, comidinhas artesanais gostosas e paisagens lindas! Pena que pouca gente vai além dos roteiros básicos porque tem pressa de “conhecer” o máximo possível de lugares famosos…

    1. Sim, o interior tem o mesmo mal dos dois lados, o abandono jovem, mas quem fica luta muito pela região e cria negócios incríveis. Aí entramos nós, na divulgação desses sítios onde os outros não vão.

  5. Combinar viagens com histórias locais é um dom, e faz uma grande diferença para quem gosta de conhecer mais a fundo os lugares que visita. Muito interessante seu post!

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