365diasnomundo.com

CALDAS DA RAINHA: O QUE FAZER (PORTUGAL)

Já pensaram a origem do nome de algumas vilas, cidades ou localidades? Não pensamos muito nisso, mas tem que ter uma razão. Nas Caldas da Rainha não é diferente e nem é difícil perceber a origem. Sempre ouvimos as avós dizerem que iam para as termas, geralmente abertas da primavera ao outono, ou quase só no verão. Ficaram conhecidas como destinos de reformados e avós doentes, geralmente doenças respiratórias ou músculo-esqueléticas. Nem sempre foi assim, houve tempos em que a nata da sociedade portuguesa (monarquia, nobreza e burguesia) passava temporadas nas regiões termais. As Caldas da Rainha não têm este nome por acaso. D. Leonor decide abrir um hospital no ano seguinte. A par com os melhores centros termais da Europa, torna-se um centro terapêutico importante para a corte, sendo visitado anualmente pela família real.

Hoje as Caldas da Rainha são mais conhecida pelas suas obras de arte criativas no campo da cerâmica, mas fomos surpreendidos pela realização de torneios de ténis na cidade.

Também nós viemos recarregar baterias e procurar forças para o desafio que é a parentalidade, com uma Maria de 6 meses. Não fomos às caldas, e confessamos que até ficámos um bocadinho desiludidos com o hospital termal, talvez porque sabemos o potencial que as águas termais têm noutros países da europa. Descobrimos uma cidade que respira arte, repleta de museus, simpática, mas também a precisar de renascer, recuperar o seu património e a cidade termal.

O que visitar

Igreja nossa senhora do Pópulo: a igreja matriz das Caldas da Rainha pertence ao complexo termal. Na nossa visita estava em obras. É construída em 1500 em estilo gótico e manuelino. Tinha um corredor abobadado que a unia ao hospital. Os utentes confessavam-se e comungavam no dia da chegada, para depois iniciarem os tratamentos. Ao longo dos anos foi sendo alterada tendo recebido em 1937 azulejos do Convento da Graça. É do mesmo arquitecto que o mosteiro da batalha. A sua visita é grátis, mas abre às quartas-feiras e domingos, ou para a missa diária das 10h. Foi renovada após a nossa visita de 2021, agora em 2023 estava muito bonita.

igreja do pópulo, caldas da rainha

Museu da Cerâmica: fica na Quinta Visconde de Sacavém e foi criado em 1983. O palacete é em estilo romântico do final do século XIX. O museu tem o palacete, a loja, a olaria, o centro de documentação e os jardins. O seu acervo inclui obras do século XVI ao XX. Encerra às segundas-feiras, 1 de janeiro, domingo de páscoa, 1 e 15 de maio e 25 de dezembro. Custa 3€ é grátis aos domingos e feriados de manhã.

Chafariz das 5 Bicas: este foi o último chafariz a ser construído e remete à mitologia clássica. D. João V e a sua frequente visita entre 1742 e 1748 trouxe melhorias ao abastecimento de água, com aqueduto e chafarizes. O jardim de água deveria ter sido ligado ao chafariz.

Jardim de Água: a obra não terminada do Mestre Ferreira da Silva foi encomendada pelo Centro Hospital das Caldas da Rainha. Hoje está meia abandonada ao céu aberto e algo vandalizada.

Museu do Hospital e das Caldas: não foi durante a monarquia portuguesa que se descobriram os banhos terapêuticos. Os romanos já conheciam os efeitos das águas sulfurosas, mas as batalhas levaram à sua destruição. As caldas de Óbidos eram conhecidas no século XIII e curavam males reumáticos e lepra. A Ordem Beneditina de Santa Maria de Rocamador assistiu os pobres e necessitados até à sua extinção, levando ao declínio das caldas. D. Leonor, senhora das terras da região, decide criar o primeiro Hospital Termal do mundo. É o hospital que traz prosperidade à região fazendo elevar as Caldas da Rainha a vila em 1511. D. Leonor acreditava mesmo no projecto tendo lhe custado a sua “fortuna” pessoal. O hospital tinha 3 piscinas, enfermarias, salas de apoio e uma farmácia (botica). Hoje o hospital termal é administrado pela Câmara Municipal. No museu vão percorrer os marcos do hospital como centro termal e ver parte do seu espólio. Encerra ao domingo e segunda-feira. Custa 6€ (4€ museu e 2€ hospital).

Parque Dom Carlos I: se viram a série da RTP Causa Própria reconheceram este parque. O parque Dom Carlos I é uma das imagens da cidade. Dentro fica o Museu de José Malhoa. Era aqui que se reunia a nata que frequentava as termas e aqui aconteciam eventos, como desportos.

Museu José Malhoa: foi o primeiro espaço concebido especificamente para ser um museu. O museu não tem só acervo do artista caldense, mas também de Colombano e Rafael Bordalo Pinheiro, Maria Helena Vieira da Silva, Delfim Maya e outros. Inclui a coleção de esculturas no Parque Dom Carlos I. Abre de terça-feira e domingo, tem horário de inverno e verão. É grátis ao domingo, o bilhete custa 3€. Existe a possibilidade de fazer visita guiada, mas está fechado para remodelações.

Museu do Ciclista: é neste edifício de arte nova que vão aprender tudo sobre o ciclismo. Foi inaugurado em 1999 com o espólio de Mário Lino (ciclista local). Fica em frente ao Parque Dom Carlos I. Fecha à segunda-feira, mas é gratuito.

Mata Dona Leonor: a mata confina com o Parque Dom Carlos I, e tem 17 hectares. É da época da rainha Dona Leonor, plantada para proteger as nascentes do hospital termal. A mata é essencial para a manutenção do hospital termal, sendo propriedade do estado, mas gerido pelo Centro Hospitalar Oeste. Vale a pena passear pela mata e chegar até ao Parque.

Centro das Artes: Museu Barata Feyo, Atelier-Museu António Duarte, Atelier-Museu João Fragoso, Espaço Concas e Museu Leopoldo de Almeida. Todos de entrada gratuita e todos fecham à terça-feira.

Museu Barata Feyo: foi criado por um dos filhos (Arquitecto António Barata Feyo) em 2004. Barata Feyo foi um importante escultor, da escola do Porto, que se notabilizou com estatuário.

Museu Leopoldo de Almeida: o museu possui um vasto espólio doado pelos herdeiros, incluido 80 esculturas e 50 desenhos.

Atelier-Museu António Duarte: aberto em 1985 após a doação da coleção do escultor. Inclui também uma coleção de arte sacra.

Atelier-Museu João Fragoso: foi inaugurado em 1994. Percorre as três fases da vida artística do artista João Fragoso: figurativa, abstracta e minimalista. Foi um dos primeiros artistas a trazer o minimalismo para Portugal. Tem uma peça na Cathedral City Los Angeles (mar de cinco luas).

Espaço Concas: a família de Maria da Conceição Nunes (Concas) doou a sua coleção à câmara que criou o museu, inaugurado em 2009.

O que fazer

Comprar fruta: na praça da República fica a Praça da Fruta. Encontram também outros produtos como mel, frutos secos, etc. Têm mesmo de vir aqui.

Andar de barco: no parque Dom Carlos I encontram uma lagoa e podem andar de barco.

Comprar cerâmica: há vários locais onde podem comprar peças de cerâmica. A clássica é a Fábrica Bordalo Pinheiro, junto à mata.

Jogar Ténis: o Clube de Ténis das Caldas da Rainha é um dos mais antigos do país. Apesar do clube ser de 1955, o ténis na cidade é mais antigo que isso. Já existia na monarquia e já era dinamizado pelos refugiados da Segunda Guerra Mundial. A parceria entre o Clube de Ténis das Caldas da Rainha e Pedro Felner originou o Felner Tennis Academy. Os campos descobertos ficam dentro do parque Dom Carlos I.

Beber café no Café Central: entrem neste café com história com o painel Unicórnios de Júlio Pomar. Remete muito à Brasileira e Martinho de Arcada, talvez por também ter sido local de encontro da oposição ao regime.

Eventos: as Caldas são uma cidade dinâmica, há vários eventos durante o ano que torna a cidade apelativa, como Bazar à Noite, Feiras, Concertos.

Onde comer

Comemos em alguns sítios. O Kabuki Sushi era bastante bom.
O Bites & Bitaites Concept Store serve pratos do dia, inclusive vegetarianos e vende vários artigos de arte.

Onde ficar

13 Tile Ceramic Concept, a Raquel ia fascinada com a decoração que tinha visto nas fotos. Não nos interpretem mal, ficámos num quarto junto ao pátio, com menos luz do que a expectativa e ouvíamos as pessoas a passear durante o dia por cima. O pequeno-almoço era bom, podíamos utilizar a cozinha e o acolhimento era bastante simpático. Não tem estacionamento.

Como chegar

Podem chegar de Rede Expresso ou Flixbus. Pela Flixbus há vários horários a partir do Oriente, os mais baratos, sem lugar reservado custam 2,99€. Isto torna as Caldas um destino ideal a uma hora de Lisboa, para o chamado bate-volta. Com sorte encontram bilhetes a 5,98€. A vantagem do autocarro é que depois podem percorrer toda a cidade a pé.

De comboio temos a linha do Oeste por Lisboa ou por Coimbra, não recomendamos. De Lisboa serão duas horas e meia de viagem. E de Coimbra serão duas horas.

Também podem ir de carro. O percurso de Lisboa terá a duração de 1h e será pela A13. Do Porto o percurso levará o dobro e será pela combinação A29, A17 e A8.

Este artigo pode ter links afiliados.

365 dias no mundo estiveram nas Caldas da Rainha de 12 a 14 de setembro de 2021 e 23 de agosto de 2023

Partilhar:

10 respostas

  1. Pelo jeito as águas termais deixaram de ser o principal atrativo das Caldas da Rainha há muito tempo, não? Fiquei impressionada com a quantidade de museus interessantes na cidade! E me pareceu um ótimo lugar para um fim de semana em família.

  2. Adorei suas dicas do que fazer em Caldas da Rainha. Ainda não conheço Portugal, mas vou incluir este destino em um roteiro futuro! O Parque Dom Carlos I parece ser lindo!

    1. Não entrámos nesse museu, mas deve ser interessante sim. Como ciclista também deve gostar de Torres Vedras, há outro museu do cíclicos.

  3. Pelo jeito as águas termais deixaram de ser o principal atrativo das Caldas da Rainha e amei as novidades que você compartilhou, tô pensando até em incluir no meu roteiro de viagem ☺️

  4. A cidade de Caldas da Rainha é uma gracinha! Tomara que ela recupere a função pela qual recebeu esse nome e siga sendo refúgio por mais um motivo interessante!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Indice

Mais artigos

Espanha

VALÊNCIA: QUE FAZER EM 3 DIAS (ESPANHA)

Valência é uma cidade que é um ótimo destino de praia, para amantes de artes e para famílias. Também permite chegar às ilhas baleares, de ferry. Bem vindos à cidade das artes.

Ler Mais »