Aos poucos vamos explorando os Açores, ilha a ilha em pequenas escapadinhas. A última ilha que conhecemos foi o Pico em outubro de 2025. O pretexto era bom, conhecer o Festival Cordas, a convite da MiratecArts, e nós rumámos em família.
Podem ler sobre essa experiência incrível no artigo sobre o Festival Cordas.
A Ilha do Pico é a segunda maior ilha do arquipélago e é aqui que está o ponto mais alto de Portugal. O Pico nem sempre está a descoberto, mas quando está é massivo e vê-se bem de quase todos os pontos da ilha e das ilhas vizinhas.
Aqui a vida passa em slowmotion e sabe muito bem.
O que fazer
Subir o Pico: o Pico é a montanha mais alta de Portugal com 2.351m, a Serra da Estrela tem 1.993m. Dizem que é uma subida dura, mas que vale a pena o esforço.
O trilho de subida ao Pico é difícil e leva 7h. São mais de 7,5km e é um trilho circular. Podem subir de forma autónoma, solicitando autorização, ou com empresa de animação turística.
Há regras rigorosas, e se por negligência tiverem que ser resgatados custar-vos-á 1200€.



O Governo Regional recomenda:
- Transporte consigo no mínimo 1,5 l de água e alimentos de alto valor energético (barras energéticas, chocolates, etc.);
- Utilize equipamento adequado a condições atmosféricas adversas: agasalhos quentes, impermeável, gorro, luvas, botas de montanha;
- Mantenha‐se dentro do trilho e tenha o bom senso de regressar caso as condições atmosféricas se alterem;
- Deverá manter o localizador de GPS que lhe será fornecido sempre ligado e num local seco, mas que permita uma boa receção de sinal GPS e GSM. O localizador deverá estar num local de fácil acesso caso seja necessário contactá-lo;
- Deverá obedecer às recomendações ou imposições apresentadas pelo Serviço de Ambiente e Alterações Climáticas do Pico ou pelos Bombeiros Voluntários da Madalena.
Observar cetáceos: terra de baleeiros, caçadores de cachalotes, hoje em vez de os arrastar para terra leva os visitantes a observar baleias ou golfinhos.


Ladeira dos Moinhos: o PRC08 é um trilho circular e fácil de fazer, com a duração de 1h e meia. Começa na ponte junto da igreja matriz de São Roque do Pico. São 3,4km.
Gruta das Torres: é o maior tubo lávico de Portugal, com uma extensão de 5150 metros, mas está fechado por risco de desabamento. Podem visitar o centro de visitantes. Quando permite visitas são feitas de forma natural pois não tem passadiços nem iluminação.

Eventos
Sem ser por ordem temos os eventos da MiratecArts (Cordas, Azores Birdwatching Arts Festival, AnimaPix, Montanha Pico Festival, Azores Fringe), e os restantes (Semana dos Baleeiros, Festa do Divino Espírito Santo, Cais de Agosto, Festas da Madalena).
Fica a nota que haverá muito mais.
O que visitar
Igreja Matriz da Madalena: ficava bastante perto do nosso alojamento e em dias descobertos víamos aparecer o Pico atrás dela.
Outras igrejas: Igreja da Santíssima Trindade, Igreja Matriz de São Roque do Pico, Convento de São Francisco e Igreja Nossa Senhora da Conceição.


O Museu do Pico engloba três núcleos que vamos descrever como se fossem museus independentes: o dos baleeiros, o da industria baleeira e o do vinho. Encerra à segunda-feira.
Museu dos Baleeiros: foi inaugurado a 28 de agosto de 1988. É em conjunto com o Museu da Indústria Baleeira o melhor exemplo de divulgação da indústria baleeira. O edifício é do arquiteto Paulo Gouveia que também fez a primeira ampliação, mas não a segunda. Fica nas Lajes do Pico. O museu tem um conjunto de três casas de botes baleeiros, uma tenda de ferreiro, uma biblioteca e uma galeria de exposições temporárias. Claro que também tem zona de receção, bilheteira, loja, escritórios.


Museu da Indústria Baleeira: fica em São Roque do Pico na antiga Fábrica de óleo, farinhas e vitaminas das Armações Baleeiras Reunidas Lda. Quem ama os animais acima de tudo deve evitar estes museus. São muito gráficos, aliás têm imagens reais da caça à baleia. Fecha à segunda-feira e custa 2€.
Museu do Vinho: outro ponto ótimo para fotos com vista para o Pico. O museu fica no antigo Convento do Carmo, a casa de verão dos frades carmelitas da Horta. Tem várias partes: Casa Conventual das Carmelitas, Edifício do Alambique/Receção, Edifício do Lagar, Mirante e a Vinha e a Mata dos Dragoeiros. Na Casa Conventual podem aprender mais sobre a parte agrícola da produção do vinho e outras características da vinha. O festival Cordas tem concertos aqui.


Centro de Interpretação da Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico: fica num núcleo da Paisagem Protegida da Cultura da Vinha – Lajido de Santa Luzia. Podem ver um documentário.
Centro de Reabilitação de Aves Selvagens do Pico: aqui recuperam-se aves feridas para que possam ser devolvidas à natureza. Também se faz sensibilização onda população. Pode ser visitado mediante marcação prévia.
Miradouro São Miguel Arcanjo: tem vista panorâmica para a vila, o cais comercial e a baía de São Roque.
Miradouro Reserva Florestal de Recreio da Prainha: tem vista panorâmica desde a Baía de Canas e a Ponta do Mistério até à ilha de São Jorge.
Miradouro Corre Água: tem vista para a vila de São Roque, o Mistério da Prainha, o Canal Pico – São Jorge e ainda parte da Montanha do Pico.
Lagoa do Capitão: tem uma área de 2,6 hectares e uma profundidade máxima de 4,5 metros. Tem vista para a vila de São Roque, da encosta norte da ilha, da Montanha do Pico, muitas vezes espelhada nas águas calmas da lagoa, e do Canal Pico – São Jorge. Encontrámos aqui vários amantes de aves a fotografar.

Miradouro Pico da Urze: fica a quase 900 metros de altitude dando quase uma vista plena em toda a volta.
Miradouro Terra Alta: fica a 415 metros de altitude, na Ribeirinha. Consegue-se observar Jorge, mas também a Terceira.
Miradouro Cabeço da Hera: permite ver a parte oriental da ilha. Possui mesa de picnic.
Casa da Montanha: quem sobe ao Pico tem obrigatoriamente que passar para controle da autorização. São 320 autorizações diárias.
Casa dos Vulcões: fica no Lajido de Santa Luzia. Dizem-nos que nos leva ao centro da Terra e a compreender o mais jovem vulcão dos Açores.
Centro de Visitantes da Gruta das Torres: como a gruta está encerrada a visitas podem assistir a um video no centro e ver a entrada da gruta.

Furnas de Santo António: apesar de ser uma zona protegida a sua proximidade a piscinas e parques de lazer atrai visitantes.
Lagoa do Caiado: é a maior lagoa do Pico e fornece água a São Roque do Pico.
Lajido de Santa Luzia: campo de lava. A ilha tem cinco: Cais do Mourato – Cachorro, Lajido – Arcos, Arcos – Cabrito, Cabrito e Baía do Gasparal.
Roteiros a percorrer
Roteiro das Adegas: existe um roteiro onde as adegas abrem portas e são a provar o que têm de mais precioso. A ilha tem nas vinhas um forte e com isso uma lista de várias adegas. Nós visitámos a Entre Pedras, mas existem ainda a Tito’s Pedras, Pico Vineyards, Insula Vinus, Cooperativa Vitivinicola da Ilha do Pico – Pico Sines, Adega do Vulcão, Adega de Santana, Adega Czar, Adega Amaral, Adega A Buraca, Azores Wine Company.
As mais famosas são a Adega Czar e a Azores Wine Company.
Nas festas da Madalena há uma Feira de Vinho.


Roteiro dos Sorrisos de Pedra: o projeto de Helena Amaral tem 250 peças espalhadas por toda a ilha. São pedras trabalhadas (basalto) para representarem rostos que sorriem. São 10 anos de sorrisos de pedra, feitos em abril de 2025.

Roteiro de Arte Pública: são 18 obras na Madalena de artistas de todo o mundo, como Bulgária, Uruguai, Canadá ou França.
Roteiro dos Moinhos: o mais famoso é Moinho do Frade, com vista para o mar dum lado, vista para o Pico do outro e envolvido por vinhas. Existem outros, o Moinho do Monte (Candelária), o Moinho de Santana (Madalena), o Moinho da Avenida do Mar (São Roque do Pico), o Moinho de Vento do Mourricão (Lajes do Pico) e o Moinho de Vento da Ponta Rasa (São Roque do Pico).



Galeria Costa: este terreno da família de Terry Costa deixou de ser uma vinha para ser transformado numa galeria a céu aberto. São inúmeras peças, de vários artistas. A Galeria também é palco do Festival Cordas. Terry conta-nos que tudo começou n’”O Altar” criado por ele. No festival de 2025 o espaço ganhou mais uma obra de Andreia.



Onde comer
Muitas sugestões, todas boas, algumas acima da média.
Para pequeno-almoço sugerimos a Pastela ou a Padaria Andrade. Ambas na Madalena.
Para as restantes refeições há várias opções como O Cinco, Tasca, Casa da Feijoca, Ritinha, Petisca e o Cella Bar. Nós gostámos muito do Mar Sushi Terrace. Fomos muito bem atendidos no Ritinha e n’O Cinco.
Os melhores serão o Magma, nas Lava Homes, e o Restaurante Azores Wine Company. O Bioma tem ótimas reviews.


Onde se alojar
Haverá muito locais, dos mais familiares às cadeias hoteleiras. Nós ficámos no Porto Velho Boutique Lodge e era bastante confortável.
Como se deslocar
O ideal é alugar carro. Nós utilizamos sempre a Discovercars, desta vez calhou na Sixt.
Dicas
Nós fazemos o seguro IATI escapadinhas quando vamos para fora, mesmo que seja em território nacional.
365 dias no mundo estiveram no Pico de 3 a 6 de outubro de 2025, a Raquel esteve presente a convite da MiratecArts




2 Responses
Adoro suas dicas de roteiros tão diferentes pra nós, brasileiros. Adorei essa ilha, nunca ia imaginar essa altitude toda!!! E eu ia amar o roteiro do vinho kkkkk
Também gostaríamos de ter explorado mais as adegas e claro de ter subido ao pico.