Explorar Angra do Heroísmo (Portugal)

Angra do Heroísmo pode parecer uma cidade que está longe, no meio do oceano, sem nenhuma importância, mas enganam-se. Angra fez parte de vários episódios marcantes da história portuguesa, não é por acaso que a UNESCO lhe reconhece valor para ser Património da Humanidade.

A “Sempre Leal Cidade” soube resistir ao domínio castelhano e apoiar o movimento liberal, mas voltemos ao início. Após a descoberta da ilha os povoadores começaram a ocupar uma encosta onde iam construindo as suas casas dominadas por um outeiro. O Castelo dos Moinhos foi ali construído para iniciar a defesa do território.
A povoação foi crescendo, subiu a vila, mais tarde a cidade, graças à sua importância na rota comercial onde era escala da Carreira da Índia. Durante o domínio filipino acrescentaram-se os galeões espanhóis carregados de ouro e prata vindos de Cartagena das Índias (Índias Ocidentais). Faziam escala em Puerto Rico, Angra do Heroísmo e chegavam a Sevilha.

Angra do Heroísmo é cidade desde 1534 e a sua importância desde os Descobrimentos faz dela um capítulo imprescindível da história portuguesa. Angra, quer saibam quer não, é das cidades mais importantes do nosso país.

O que visitar

Centro Histórico

Um forte sismo em 1980 destruiu parte da cidade, mas em três anos tudo estava composto e a UNESCO reconhecia a importância da cidade.
O seu centro é colorido com um casario de várias cores, geralmente branco e de contornos de cores vivas. Não tem nada a ver, mas fez-nos lembrar algumas cidades da América do Sul. Vagueámos por aqui meio sem rumo, para apreciar a vida a acontecer, vivida por quem lá vive. Ficámos numa esplanada a comer um gelado sem pressa.

Alto da Memória: as pedras do antigo castelo dos Moinhos deram origem a este obelisco que fica no Outeiro. A primeira pedra lançada para a obra em 1856 foi uma das que o imperador D. Pedro I pisou quando desembarcou na ilha em 1832 e voltou a ser D. Pedro IV. É um símbolo da memória da ilha pelos tempos das lutas entre liberais e absolutistas. Foi destruído pelo sismo de 1980 e reconstruído em 1985. Daqui conseguem aceder ao Jardim Duque da Terceira.

Jardim Duque da Terceira: tem vários acesso, como o Alto da Memória, o Largo Prior Crato e a Ladeira de São Francisco. Na prática fica entre o Museu de Angra e o Palácio dos Capitães Generais. É considerado um dos jardins mais impressionantes do arquipélago e tem espécies de todo o mundo. Cria um espaço fresco e com sombra nos dias de calor e também bastante colorido. A calçada está disposta para formar inúmeros desenhos como as representações de personalidades. Tem uma zona de apoio para bebés, fechada (precisam de ligar para vos virem abrir). Abre das 8 às 18h.

Sé Catedral: a construção da igreja de São Salvador começa em 1461 e fica concluída 25 anos depois. O bispado de Angra é criado em 1534, e é iniciada uma sé de raíz em 1570. Dispõe de um núcleo museológico (Tesouro da Sé) desde 1934. Sofreu com o sismo de 1980, teve uma derrocada e um incendio três anos depois, mas reabriu no final de 1983.

Praça Velha: é a praça central da cidade onde vale a pena sentar para comer um gelado ou beber um café. Há umas esplanadas porreiras. Daqui saem as Ruas Direita e da Sé enquanto vemos os Paços de Concelho. Há aqui um rooftop, no hotel Azoris. Em 1930 o mestre Maduro Dias fez o desenho das pedras do piso da Praça.

Museu de Angra do Heroísmo: o museu tem três polos, o Edifício de S. Francisco, o Núcleo de História Militar e a Carmina. Antes de ter sido transferido para o Convento de S. Francisco foi inaugurado no Palácio Bettencourt em 1949. Mais uma vez o sismo de 1980 causou muitos estragos.

Palácio dos Capitães Generais: começa por ser um colégio jesuíta (1572) até à sua expulsão da ilha em 1760. Em 1766 o Marquês de Pombal cria a figura do Capitão-General e o colégio é convertido em residência para a capitania. Durante o período da luta liberal é Palácio Ducal alojando D. Pedro IV e mais tarde alberga D. Carlos I. Hoje continua a ser polivalente. É uma das residências oficiais do Presidente do Governo Regional dos Açores, a administração da Vice-Presidência é aqui e possui um núcleo museológico. Durante a nossa visita a exposição era sobre o Japão.

Baía de Angra do Heroísmo: sabiam que a baía da cidade tem um Parque Arqueológico Subaquático. Podem mergulhar e nadar junto das 40 âncoras.

Parque Arqueológico Subaquático: é o segundo local com mais naufrágios do mundo, do tempo dos descobrimentos. Incrível, não é? Encontram aqui o Cemitério das Âncoras e Lidador, um barco a vapor que naufragou quando partiu a caminho do Brasil.

Pátio da Alfândega: das muralhas os comerciantes observavam o movimento das mercadorias no cais. Havia uma porta que separava a entrada na cidade para permitir a cobrança das taxas alfandegárias, mas o maremoto de 1755 com origem no terramoto de Lisboa arrastou a porta. Esta zona alfandegária junto da igreja da misericórdia existe desde o século XV, mas o aspecto atual é do século XX. É com o primeiro Capitão-General que surge o pátio que se liga ao cais por duas escadarias. D. Pedro IV pisou este chão em 1832 para ajudar a filha a recuperar o trono usurpado pelo seu irmão Miguel. No pátio existem umas estruturas que remetem às antigas porta da cidade e uma escultura de Vasco da Gama.

Igreja da Misericórdia: a Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Angra Heroísmo pertence hoje à Santa Casa da Misericórdia, mas existe desde 1746. Foi comprada com igreja da ordem do Carmo. Ao contrário de outros edifícios sofreu poucos danos no terramoto e a arte sacra de outras igrejas ficou aqui depositada. Tem umas catacumbas.

Fortaleza São João Batista: é uma das maiores fortalezas do mundo em recinto fechado e foi mandada construir por Filipe II durante a dinastia filipina. Fica no Monte Brasil. Aqui foi içada a bandeira em 1640 após uma revolta seguida dum cerco por 7000 homens, também foi içada pelos primeira vez a liberal de D.ª Maria II. Pode ser visitada de quarta a domingo das 10 às 16:30 (encerra para almoço) e a entrada custa 5€.

Monte Brasil: o extinto vulcão é agora um parque nacional com gamos e galos. Subimos de carro e parámos nos diferentes miradouros (ver seção Miradouros). Tem vários merendários (voltaremos a falar nisso) e parques infantis onde vale a pena parar. Existem algumas gaiolas com pássaros e araras que a Maria se fartou de mirar.

Forte de São Sebastião: esta pousada de Portugal situa-se no Porto de Pipas. É do século XVI e foi a primeira fortificação da cidade. Apesar de ser uma pousada deixaram-nos entrar e explorar o exterior dentro de muralhas.

Hotel do Caracol: a piada que tem este hotel e que lhe dá o nome é o posto de vigia em espiral. Foi o primeiro hotel de 4 estrelas da ilha.

Miradouros

Miradouro do Fanal: tem vista para a Fortaleza de São João Batista. Encontram aqui as letras Eu amo Angra.

Miradouro Pico do Zimbreiro: acessível de carro, fica no Monte Brasil. Tem vista sobre a cidade de Angra do Heroísmo.

Miradouro Alto da Caldeira: fica no Monte Brasil, dentro da rota circular.

Miradouro do Pico das Cruzinhas: dentro do Monte Brasil e permite ver os três sistemas vulcânicos. Tem vista para Angra do Heroísmo.

Miradouro do Pico do Facho: também no Monte Brasil. Acessível de carro.

Miradouro Vigia das Baleias: repetindo-nos também fica no Monte Brasil. Vem dos tempo da caça das baleias.

vigia das baleias

Miradouro da Serra do Cume: a paisagem daqui é linda, vêem os campos agrícolas naquilo que descrevem como a “manta de retalhos” e muitas vaquinhas.

Como explorar

Nós alugámos carro e circulámos por toda a ilha a nosso bel prazer. Deixámos um dos dias para Angra do Heroísmo para vaguear com calma.

Numa estadia muito curta como a nossa, foquem-se menos em museus e mais em esplanadas e mercados.

Onde comer

Quinta dos Açores: existe também em São Miguel. Viemos aqui almoçar. A carne era excelente, tem zona infantil e loja onde podem comprar produtos locais. Marquem, fica bastante concorrido.

Merendários: a ilha tem vários locais em parques. Geralmente há mesas, grelha, parque infantil e zona de WC. O espaço tem sempre um estacionamento perto. Vimos alguns que incluíam um espaço coberto para dias chuvosos. Subiram para o topo dos parques de merendas que já vimos por aí.

Onde se alojar

Nós ficámos em Angra do Heroísmo, na Quinta Nasce Água. O alojamento é simpático, tem piscina, fornece toalhas, que não utilizámos por causa do clima cinzento. Já agora, emprestam guarda-chuvas. O nosso quarto era duplo com cama extra e berço. O pequeno-almoço era bom, para pessoas como nós que viajam com crianças. Tem estacionamento e dão miminhos como dois Dona Amélia, chá, café, água e um licor. Tem honesty bar e maçãs à disposição. Achámos que o café do honesty bar era caro, mas têm no quarto uma máquina. Foram muito prestáveis e preparam-nos um take away breakfast para podermos levar no dia de checkout. O nosso voo era antes do pequeno-almoço.

Visitámos o Forte de São Sebastião, Pousada de Portugal e apesar de não termos visto os quartos pareceu-nos uma forma agradável de se hospedarem em Angra do Heroísmo. Tem piscina exterior e interior.

A torre de vigia do Hotel do Caracol não só lhe dá o nome como também a graça. O hotel é um centro de mergulho e tem SPA. Fica em Silveiras.

Se quiserem um hotel de cidade, no centro e sem piscina têm o Açores Autentico Boutique Hotel.

O Azoris Angra Garden – Plaza Hotel tem um rooftop com vista para os Paços do Concelho.

Junto às letras I love Angra temos o Terceira Mar Hotel com piscina.

Hotel Terceira Mar

Como chegar

Podem chegar aos Açores de duas maneiras, barco ou avião. Nós fomos a partir de Lisboa pela TAP com um ótimo preço. Atenção que vão entrar e sair nos aviões pelas escadas por isso cuidado com a carga, nós levámos coisas a mais para carregar nos braços. Tal como a maioria dos viajantes quisemos evitar comprar mala para despachar.

O aeroporto da ilha é o Aeroporto das Lajes, em Praia Vitória, a 21km de Angra.

Quando ir

Há Sanjuaninas em junho.

As festas do Divino Espírito Santo começam depois da páscoa.

Na Tourada à corda, o que é discutível, mas bastante tradicional. O touro é amarrado e avança seguro por uma longa corda agarrada por homens. Houve a morte dum touro este ano, afogado, que trouxe à discussão esta tradição.

tourada à corda Terceira

Dicas

Não sabemos que se processa para levar as coisas no voo, mas sugerimos que levem uma arca térmica para que possam comprar carne, queijos e outras delícias da região.

Façam como os açorianos, peguem na família, em carne, em toalhas de mesa, talheres e pratos, e acompanhamentos e façam uns grelhados nos merendários.

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2 Responses

  1. Adoro seus posts sobre Açores, Raquel, me sinto viajando com vocês! Ainda mais por se tratar de um local tão pouco conhecido aqui no Brasil.
    E acho que você tem razão sobre Angra do Heroísmo lembrar as cidades da América do Sul – pelas fotos me vieram à cabeça as cidades históricas de Minas Gerais e Paraty, no litoral do Rio de Janeiro.

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