Okinawa, o arquipélago, é um conjunto de quatro grupos de ilhas: Miyako, Ishigaki, Amami e Okinawa. São mais de 160 ilhas.
Há no planeta zonas onde vivem povos longevos. Há cinco zonas azuis, Ikaria – Grécia, Okinawa – Japão, Ogliastra – Itália, Loma Linda – EUA e Nicoya – Costa Rica onde se concentração o maior número de idosos com mais de 100 anos, e sem doenças cardiovasculares, demência ou cancro. Okinawa é onde vivem as mulheres mais velhas do mundo.
Em Okinawa os seniores têm uma rede social chamada “moai”, um círculo de amigos que é como uma tribo, uma rede de apoio para toda a vida. Têm “ikigai”, responsabilidade e sentem que são importantes durante toda a sua vida, com um forte sentido de propósito na vida.
Os seniores de Okinawa andam a pé, a suas casas têm muito pouco mobiliário, as refeições e períodos de relaxamento são sentados em tapetes de tatami.
Já tiveram ou têm hortas, o que reduz o stress e representa exercício fisico diário, tornando-os activos toda a vida e menos propensos a quedas. As suas refeições são legumes salteados, batata doce e tofu, com carne de porco é apenas pontualmente.
Conhecer um sítio com pessoas assim é uma ótima razão para visitar o arquipélago de Okinawa.
História de Okinawa
Okinawa não é só um destino de praias que lembram anúncios de férias paradisíacas e águas azul-turquesa. A sua história é rica, repleta de influências culturais que a demarcam do resto do Japão.
Durante séculos Okinawa foi o centro do Reino de Ryukyu . Este reino cresceu graças ao comércio marítimo, criando relações com a China, Coreia, Japão e Sudeste Asiático. As trocas comerciais trouxeram uma cultura única, visível na música, dança, arquitetura e gastronomia.
Em 1609, o clã japonês Satsuma invadiu as ilhas, e o reino acabou por ficar sob a influência do Japão, mas com alguma autonomia. Em 1879, o governo imperial anexou oficialmente o arquipélago, transformando o Reino de Ryukyu na província de Okinawa.
A batalha de Okinawa foi uma das mais agressivas da Segunda Guerra Mundial. De abril a junho as ilhas foram fustigadas com ataques americanos marítimos e terrestres. A ilha foi devastada, e dezenas de milhares de civis perderam a vida. Depois da guerra, Okinawa ficou sob administração norte-americana até 1972, ano em que regressou oficialmente ao Japão. O Japão rendeu-se após os dois ataques nucleares americanos (Hiroshima e Nagasaki) que aconteceram em agosto de 1945.
Podem ler sobre a nossa experiência em Hiroshima no artigo em que falamos do memorial da Paz e do ataque nuclear.
Apesar de integrado no Japão, Okinawa mantém uma identidade própria. A língua ryukyuan (hoje quase desaparecida), as casas tradicionais com telhados vermelhos, a música com shamisen e a culinária local são marcas de um passado distinto. A presença de bases militares americanas continua a ser um tema sensível, mas, ao mesmo tempo, Okinawa afirma-se cada vez mais como destino turístico internacional, onde a herança cultural se mistura com o fascínio natural das suas ilhas. É muito popular entre os japoneses, que fazem muito turismo interno e há poucos turistas ocidentais.
As melhores ilhas do arquipélago de Okinawa para diferentes propósitos de viagem
Para famílias:
- Zamami: perfeita para crianças, com praias calmas como Furuzamami Beach.
- Tokashiki: ideal para snorkel e para ver tartarugas em Tokashiku Beach.
De acesso mais fácil:
- Ishigaki: voos diretos de Tóquio, Kansai e Naha, com ferry para ilhas vizinhas.
- Miyako: praias impressionantes e fácil acesso aéreo.
- Kume: a 35 minutos de avião desde Naha.
Mais exclusivas:
- Taketomi: vila tradicional Ryukyu, famosa pela areia em forma de estrela.
- Iriomote: natureza selvagem e Património Natural da UNESCO.
- Yonaguni: mergulhos com tubarões-martelo e ruínas subaquáticas misteriosas.
Melhores praias:
- Furuzamami (Zamami): águas cristalinas e tranquilas.
- Maehama (Miyako): uma das mais bonitas do Japão.
- Hatenohama (Kume): banco de areia virgem em pleno mar.
- Nishihama (Hateruma): premiada como uma das melhores do mundo.



Ilha Zamami
Zamami é a segunda maior ilha do grupo Kerama, mas é uma ilha pequena. Há vários “minshuku” (pensões) onde ficar. Recomenda-se escolher alojamentos com pequenos almoços.
Ilha Tokashiki
Também no grupo Kerama. É a ilha mais perto de Naha.
Aqui os mergulhos para nadar com tartarugas são o forte, mas também há passeios de observação de baleias. Há o Passeio Marítimo de Mihanabaru com vista. Também existe a Torre Shiratama, local onde a população civil foi incentivada pelos militares americanos a suicidarem-se pois o exército japonês tinha ido para as montanhas em busca de proteção.
Como chegar ao arquipélago de Okinawa
Preferencialmente de avião e depois de ferry entre ilhas.
Nós chegámos a partir de Hiroshima e partimos para Tóquio. O aeroporto apesar de tudo é relativamente grande e tinha uma zona para as crianças brincarem.
As ilhas de Okinawa, Ishigaki e Miyako têm aeroporto. Para outras ilhas há ferries.
Como circular
Okinawa
Apesar de quando se fala em ilhas parecer que falamos de espaços pequenos a ilha de Okinawa não é tão pequena como pode parecer. Há 4 formas de se movimentarem na ilha, metro, taxi, carro (alugando) ou autocarro (ônibus).
Metro (Yui Rail)
Lemos chamar ao Yui Rail comboio (trem), mas a nós parece-nos mais um metro de superfície. O Yui Rail é a forma fácil de circular em Naha.
Autocarro (ônibus)
Andar de autocarro é a melhor solução se quiserem mesmo circular pela ilha e alugar carro não for uma opção. Pagam em dinheiro ou então com um IC Card Okica, tipo o Pasmo ou Suíça.
O Terminal rodoviário (Naha Bus Terminal) fica perto da Estação Asahibashi do metro.
Carro
Tanto podem circular de táxi, que é sempre a opção mais cara e nada vos garante que o motorista fala inglês ou alugar um carro. Nós alugámos e foi o ideal para nós.
Vantagem de alugar carro no Japão: as cadeiras auto são boas e vêm instaladas. Não há cadeiras velhas, pouco seguras, podiam ser como as vossas de casa. Nós alugámos no sistema habitual.
Nota: o Tiago fez a carta internacional antes da viagem.
Podem ler o nosso artigo sobre carro alugado.
Restantes ilhas
Autocarro (ônibus)
Quase todas as ilhas que pesquisámos têm uma rede de autocarro.
Carro
Alugar carro dá sempre liberdade.
Scooter/bicicleta
Em ilhas pequenas onde pretendam fazer poucas viagens, e sem crianças aluguem antes uma scooter pode ser o ideal.
Gastronomia
Apesar de ser semelhante à restante comida japonesa é adocicada. Tem muita influência ancestral, dai chamar-se muito de gastronomia Ryukyu. O prato principal é o Okinawa soba, os noodles são de trigo normal e não de sarraceno. É um caldo bastante bom que leva barriga de porco, mas também vimos com entrecosto. Comem muito Goyá (chamam-lhe melão, mas é uma espécie de pepino oco amargo). Fazem a barriga de porco lentamente fazendo com que se derreta na boca. A nossa estadia no hotel era de meia pensão, por isso almoçámos sempre fora, seguindo dicas que nos ia dando o japonês que conhecemos e que conhece bastante bem Okinawa.


Onde se alojar
A ilha de Okinawa tem 4 grandes cidades: Naha, Motobu, Nago e Yomitan. Todas elas têm boas infraestrutura. Nós escolhemos ficar no Hotel Monterey, para fazer praia. Isso levou-nos para uma zona mais afastada de grandes cidades em Onna. Mais simples há o Beachside Sea of Toya Yomitan.
Em Miyaku existe um Hilton, mas o apartamento Naox I pode ser uma solução.
Na ilha de Kerama existe o Blue Resort ou o Kerama the day.
O Ishigaki Seaside Hotel tem boas reviews. Noutra ilha deste grupo e muito mais simples, mas bastante mais tradicional temos o Minshuku Kuroshima.
Quando ir
Nós fomos em final de agosto, início de setembro, época de tufões, mas apanhámos um clima bastante bom, apesar deles dizerem que existia agitação marítima.
Em junho chove, mas tendo em consideração o que fazer praia e encontrar clima para isso seria o ideal de maio a setembro.
Conclusão
Os japoneses têm um país tão completo que alguns disseram-nos que lhes basta visitar Okinawa uma vez por ano e escusam de sair do país em busca de praias.
Não, as ilhas de Okinawa são muito mais do que sol e mar. Entre a história do Reino de Ryukyu, as marcas da Segunda Guerra Mundial e a cultura que resiste, cada ilha oferece uma experiência distinta. Seja em família, numa viagem de natureza ou à procura de praias exclusivas, Okinawa tem sempre uma ilha perfeita para descobrir.
O ideal é de maio a setembro
De avião até Okinawa, Ishigaki ou Miyako. E depois de ferry para outras ilhas.
Dicas
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365 dias no mundo estiveram em Okinawa de 30 de agosto a 5 de setembro de 2025



